segunda-feira, 27 de abril de 2009

Pode Alguém Perder a Salvação?





A Queda Dos Iluminados de Hebreus 6:4-6 Calvino e Matthew Poole* [!supportLineBreakNewLine]
Moisés C. Bezerril


Este trabalho consiste num estudo bíblico de Hb 6:4-6, baseado no pensamento de João Calvino e Matthew Poole, um teólogo puritano genebrino do século XVII.
Hb 6:4-6
"É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados e provaram o dom celestial e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que de novo estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus, e expondo-o à ignomínia".
Até que ponto Jesus é suficiente para nossa salvação? Certa vez, sintonizei-me numa emissora de rádio que apresentava um programa considerado evangélico e o pregador dizia estas palavras: "Não troque sua salvação por qualquer ‘ninharia’. Há pessoas que perdem a salvação por coisas bobas; mocinhas, por qualquer vaidade, estão perdendo a salvação; por causa do orgulho perdem a salvação. Meus irmãos não percam sua salvação". Isso nos faz indagar: Até que ponto Jesus é suficiente para a salvação desse pregador? As palavras deste texto, à princípio, são palavras que parecem nos fazer pensar que Jesus não foi suficiente para a salvação daqueles hebreus que caíram. Muitos afirmam crer em Jesus para a salvação, mas para eles só Jesus não é suficiente para salvá-los.
Parece até haver um problema nesta epístola em relação ao ensinamento dos outros livros neo-testamentários, pois o autor parece estar ensinando uma perda de salvação ou uma insuficiência de Cristo. E, na verdade, muitos abandonam este texto e não pregam sermão algum nele. Isso, porque muitos, ao se depararem com o conteúdo, sentem dificuldade por dois sérios problemas encontrados aqui.
O primeiro problema de Hb 6:4-6 é a queda dos iluminados. O segundo problema é a total impossibilidade de uma restauração ou renovação para os que caíram. O texto diz que é "impossível renová-los para arrependimento". A palavra grega ADYNATON , "impossível", dá a idéia, no N.T., de uma total impossibilidade, aplicada à paralisia ou enfermidade que anula qualquer desempenho de força, e é uma expressão comum para fraqueza, (At 14:8; Rm 8:3; Rm 15:1). Isto indica que não há nenhuma possibilidade de que estes que caíram se levantem novamente e sejam restaurados. Parece-me que aqui também não há perdão para os que caíram. São duas dificuldades. A primeira parece ser um problema para os calvinistas, pois, fala da queda dos que outrora foram iluminados; a segunda parece ser um problema para os arminianos, pois se deparam com o problema da impossibilidade da renovação e do perdão. Não é tão fácil tomar uma postura arminiana em afirmar que o texto afirma a possibilidade da queda dos iluminados, sem levar em conta que esses, por si, não podem voltar ao arrependimento. Como resolver a questão? A igreja ocidental sentiu uma dificuldade com este texto porque aparentemente quem cai não tem mais possibilidade de perdão.
A resposta a estas duas questões está na expressão "cair". Há necessidade de um entendimento teológico desta queda. Que tipo de queda é esta? Se não entendermos a que tipo de queda o autor aos Hebreus se refere, não poderemos entender que negação da possibilidade de renovação e perdão é esta.
Se os iluminados caem por causa de pecado, será que há pecado para o qual não há restauração nem perdão? Qual pecado para o qual não há possibilidade de renovação e arrependimento? Apenas o pecado contra o Espírito. Dessa forma, os iluminados só podem cair de maneira que não haja renovação e perdão para eles se puderem cair num tipo de pecado para o qual não há possibilidade nenhuma de restauração. O autor está dizendo que não há perdão, que é impossível que eles sejam restaurados.
Em certo sentido, o crente pode ser acometido de algumas quedas. A queda do estado de cristão comungante nominal; a queda do vigor espiritual; a queda do crescimento espiritual; a queda no pecado que leva o homem a uma letargia espiritual, ao sono profundo de modo que ele vai se desviando da intimidade com o Senhor, da comunhão dos santos e se torna parcialmente privado da graça de Deus. Veja que privado da graça não significa perder a graça. Os que crêem que pode-se perder a salvação e acham que a queda destes iluminados se dá por causa de algum pecado comum, estão caindo num sério problema da afirmação da insuficiência de Cristo para nossa salvação . Jesus, ou é suficiente para minha salvação ou não o é. Se Ele é suficiente, estarei salvo, mas se Jesus não é suficiente para minha salvação, então eu tenho de cooperar com Ele para alcançar esta salvação e não posso ter certeza disso, nem mesmo um segundo sequer, pois não sei a que hora vou pecar. Portanto é muito sério dizer que estes iluminados caíram por causa do pecado. Ou seja, um pecado de roubo, prostituição, assassinato. O autor aos Hebreus não está tratando deste tipo de pecado aqui. A queda é muito mais séria porque a conseqüência é muito mais severa: é impossível a restauração. Na história bíblica, muitos que praticaram certos pecados foram restaurados pelo arrependimento. Um exemplo disto foi Davi. Mas, então, que queda é esta que não há restauração?
A queda não refere-se a qualquer tipo de pecado contra Deus. A palavra grega para "queda" (PARAPTÔMA), pode muito bem referir-se à "ofensas comuns" do dia a dia de um cristão (Mt 6:14; Mc 11:25; Gl 6:1), bem como ao estado de morte espiritual e condenação eterna, no qual se encontram todos aqueles que ainda não foram vivificados e ressuscitados por Deus em Cristo Jesus (Rm 4:25;5:15-18,20; Rm 11:11; II Co 5:19; Ef 1:7; 2:1,5; Cl 2:13). Destes dois significados, o que de fato deve fazer parte do texto de Hebreus 6 é exatamente o segundo, pelo fato do primeiro referir-se à pecados passíveis de restauração, enquanto o texto em estudo refere-se à algo que não tem restauração. O texto nos traz a revelação de um tipo de pecado tão tremendo que não pode ser restaurado em tempo algum. A queda dos hebreus, para os quais não há perdão, os quais são chamados de iluminados, é a mesma queda a que Paulo se refere em Gálatas 5.1-4:
"Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão. Eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. De novo, testifico a todo homem que se deixa circuncidar que está obrigado a guardar toda a lei. De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes".
Este é o pecado para o qual não há perdão: a insuficiência de Cristo para a salvação. Eles estavam buscando justificação pela lei: "...procurais justificar-vos na lei...". Era o mesmo problema dos iluminados que caíram em Hebreus 6. Estavam negando toda a obra da redenção para sua salvação e agora queriam enfrentar a Lei "de peito aberto", para serem justificados. Paulo diz que se eles fizessem isso, estariam "obrigados a guardar toda a lei" (Gl 3:10). Só existem dois caminhos para a salvação: O caminho da Lei ou Cristo. Ou você escolhe Cristo pela fé para que a justiça dele seja considerada a sua, colocada entre você e Deus, de tal forma que Deus ao olhar para você não vê seu pecado, mas vê a justiça do Seu Filho Jesus Cristo e assim a Sua ira não lhe encontra; ou você busca cumprir a Lei para a salvação. A lei salva também. Como? Quando Deus propôs vida eterna a Adão, deu-lhe uma Lei e disse: "Adão você cumpre minha ordem e será recompensado". Eis a Lei para a vida eterna. Mas há uma problema: a quem quer salvar-se pela Lei hoje, Deus exige que ela seja cumprida totalmente e por alguém sem pecado; nem um ponto sequer pode ser quebrado, nem um simples tropeçar da Lei. Você quer ser salvo assim? Quer ser salvo pela Lei, então terá de cumprir toda a Lei(Gl 3:10).
O que Paulo estava dizendo era: a pessoa que escolhe ser salva pela Lei está perdida! Por que? Porque não há quem cumpra a Lei e vocês têm de, pela fé, reivindicar a justiça de Cristo para serem salvos. Enfrentar a Lei para a salvação é decair da graça. No estado de pecado a Lei não salva mais o homem, mas sim a graça. Quem quiser se aventurar pelo caminho da Lei tem de cumprir toda a Lei, diz Paulo. Mas, ainda assim, fomos salvos por causa do cumprimento da Lei. Como? Não porque nós a cumprimos, mas porque Jesus a cumpriu cabalmente por nós.
Enquanto o problema dos gálatas era a circuncisão, o problema dos hebreus era a volta ao judaísmo e ao sacrifício judaico. Ambos eram considerados por eles como caminhos de justificação. Dessa forma posso entender por quê os hebreus sofreram uma queda. Como se anula o sacrifício de Cristo? No versículo 2, Paulo diz: " Eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará" (Gl 1:2) Ainda em Romanos 4:14 ele diz: "Pois, se os da lei é que são os herdeiros, anula-se a fé e cancela-se a promessa". É como se ele dissesse: "Enfrentem a Lei e vocês estarão condenados porque se Cristo de nada aproveita, então, é porque vocês decairam da graça e estão tentando a justificação pela Lei".
Então, o problema dos iluminados, o terem caído da graça, não é um problema de pecado do dia a dia. O termo (ANAKAINIZEIN), "restaurar" é uma famosa palavra rara do N.T, encontrada apenas neste texto de Hb 6:6. Este verbo é um composto de (ANA),preposição que forma 26 compostos em todo o N.T. com o significado de "outra vez", "de volta", "para trás". A idéia desse termo único em Hebreus, primariamente, é de uma re-novação, uma volta ao estado anterior. Esta compreensão é reforçada pelo termo PALIN, "de novo", sintaticamente e imediatamente relacionado à "restaurar". Indicaria isto que o real estado anterior dos iluminados seria um estado de graça salvadora? Creio que não, pois é possível que o autor aos hebreus esteja considerando a congregação visível dos santos como um estado de graça , e que a presença e ausência nesta congregação represente um tipo de queda e restauração(o que neste contexto é impossível por causa do tipo de pecado deles). É muito comum esta visão no Novo Testamento, o que se pode perceber também com relação ao pensamento dos apóstolos em relação ao problema da apostasia.
O problema dos nossos pecados atuais Deus já resolveu, já deu a solução (Rm 8:33-39; I Jo 2:1-2). O problema dos hebreus aqui é a anulação da fé e da promessa (Rm.4:14). Isto acontece sempre com os que buscam a Lei para uma auto-justificação. Neste versículo, Paulo diz que "se os da lei é que são os herdeiros, anula-se a fé e cancela-se a promessa". O que significa isso? Ora, salvação é promessa; somos salvos porque somos herdeiros, porque herdamos e não porque conquistamos por esforço próprio. É herança! Você não pode conquistar porque terá de enfrentar a Lei e ela lhe condena. Por isso, alguém tem de conquistar por você. A justiça de Cristo nos é dada por intermédio da fé que é um dom de Deus (Rm 5:1; Fp 3:9). Paulo diz que salvação é promessa de Deus. Se nós vamos estipular as condições para dar um presente, este não é promessa e sim um salário (Rm. 4:4-5). Quando você promete algo para alguém, e você estipula as condições para ele cumprir, este presente deixa de ser presente e passa a ser salário, porque ele estaria ganhando em decorrência de ter cumprido o estipulado. Mas promessa é graça, pois Paulo contrasta promessa com Lei. Ele diz que, se os da lei é que são os herdeiros, eles não precisam de fé, nem de promessa. Cada um se vira sozinho para conquistar a sua própria salvação. Era como se o apóstolo Paulo estivesse dizendo assim: "Você acha que pode conquistar sua salvação? Então, terá de cumprir a Lei. Vamos retirar a promessa feita a você e vamos retirar a fé". Porque é a fé que chama a justiça de Cristo para nós (fé que Deus nos dá), e a promessa é a garantia da eleição graciosa e incondicional de Deus. Sem fé não temos justiça de fora, mas somente a nossa própria, e sem promessa não temos salvação de maneira graciosa da parte de Deus. Na justificação, convidamos o que está fora, o que não é nosso, a vir para nós. Nossa justiça é, como disse Lutero, "alienígena". Você quer ser salvo sem fé e sem promessa? Vire-se sozinho com a Lei (é isso que Paulo está dizendo aqui); depare-se e enfrente a Lei; tente salvar-se sozinho. Mas há um detalhe que você não deve esquecer: cumpra toda a Lei! Porque se errar num ponto apenas, a Lei o condenará eternamente, porque Deus não se relaciona com pecadores a não ser na base da justiça de Seu próprio Filho.
O apóstolo Paulo diz que a salvação é para pecadores. Nunca devemos pensar que estes iluminados aqui estão caindo (sem perdão) porque pecaram. Não é um problema tão simples de pecado "diário" a que o escritor aos Hebreus se refere, mas um problema muito mais sério porque repousa sobre estes iluminados a ira de Deus e a ausência do perdão.
O apóstolo Paulo diz em Romanos no cap. 7: 14 -25:
"Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado."
Aqui há o que os puritanos chamavam de gemitus sanctorum que é o gemido dos santos, dos regenerados. Há muitas interpretações em cima deste texto. Alguns autores dizem que aqui Paulo está tratando do gemido do não-regenerado. Mas o homem não-regenerado não luta com a Lei de Deus, pois a Lei não faz parte do seu cotidiano, ele está cego e morto, não tem tanta consciência da Lei de Deus a ponto de dizer: "Desventurado homem que sou!". A consciência que ele tem é uma impressão da Lei original no seu coração e mente, mas mesmo assim, afetada pelo pecado (Rm 2:13-16). Um não regenerado não diz isso a não ser que o Espírito o regenere e contraste sua condição de pecador com a Lei de Deus. Isso se dá na regeneração. Se diz também que Paulo estaria se referindo ao farisaísmo de sua época, pois eles eram amantes da Lei. A este argumento respondo que os fariseus eram observadores da Lei de forma exterior. Quanto ao homem interior eles não tinham prazer na Lei de Deus, tendo em vista que eram os maiores transgressores dessa Lei. Jesus afirmou que quanto ao homem interior eles só tinham podridão, eram os "sepulcros caiados", os maiores hipócritas daquela época.
Temos salvação mesmo em estado de pecado porque Jesus disse que Ele veio para os doentes e não para os bons. Mas o pecado ainda é uma realidade na vida do crente. O pecado não tem mais nenhum poder acusador e condenatório sobre os justificados, mas atrapalha a vida espiritual do crente e sua intimidade com Deus(Sl 32; Sl 51). Tanto é que no dia a dia da nossa salvação é necessário que haja um advogado, (I Jo 2:1). Que palavras extraordinárias! Eis a razão de não sermos consumidos por causa dos nossos pecados atuais!
Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro.
Jesus é o nosso advogado e nossa propiciação; é a solução de Deus para que o pecado não nos condene, pois temos a justiça de Cristo. Por isso, toda vez que Deus olha para nós, mesmo que estejamos em pecado, Ele considera a justiça de Cristo como a nossa. Aqueles que afirmam que o crente perde a salvação por causa de um pecado cometido, estão, em outras palavras, dizendo que não têm um advogado, ou, se o têm, este é muito fraco porque o apóstolo João está dizendo exatamente isto: "Se todavia, alguém pecar, temos Advogado". Você já tentou chegar diante do juiz sem um advogado? A condenação é certa! Mas esta é a razão de não sermos consumidos em vista dos nossos pecados: temos um advogado!! E João ainda enfatiza mais: "Ele é a propiciação pelos nossos pecados...".
O que significa propiciação? Algumas versões famosas como RSV, NEB, NIV NRSV, traduzem erroneamente esta palavra por "expiação", mas esse não é o significado de HILASMOS, "propiciação", nem de HILASTERION, "propiciatório". Estas palavras, tanto no Velho Testamento como Novo Testamento significam o afastar a ira de Deus. Isso se relaciona sempre com o pecador, com a pessoa que praticou o delito, e não com o delito. Jesus é nossa propiciação porque quando pecamos, Ele é nosso advogado diante de Deus Pai. Jesus sempre diz ao Pai: "Este é justificado, não há condenação para ele". Jesus é o nosso Advogado, nossa propiciação porque, mesmo sendo salvos, quando pecamos diante de Deus, Cristo diz assim: "Pai, caia tua ira sobre mim (como já caiu) e não sobre aquele que foi justificado". Propiciação é afastar a ira de Deus de sobre aquele que merece a ira (Jo 3:36; Ef 2:3). Por isso nós permanecemos salvos mesmo pecando atualmente.
Para aqueles que acham que com o pecado do dia a dia perdem a salvação perguntamos: Quanto tempo podemos crêr que passamos salvos? Quanto tempo você passa salvo durante um dia? Cinco minutos? Um minuto? Um segundo? Quem pode garantir que agora mesmo não está pecando? Pode ser que agora mesmo você esteja condenado. Na verdade a coisa é muito mais séria porque a salvação é para pecadores. Seremos glorificados lá, no dia do juízo, mesmo que para Deus já somos considerados neste estado. Mas enquanto estivermos aqui, estamos naquele gemitus sanctorum. Paulo disse: "Desventurado homem que sou. Quem me livrará do corpo desta morte?". Por que? Porque na ressurreição o que é mortal será revestido de imortalidade e o que é corrupto será revestido pela incorruptibilidade (I Co 15:50-58). Por isso que essa glorificação e essa libertação total do poder do pecado será somente na eternidade. Mas o pecado não pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus (Rm 8:33-39). Se o amor de Deus estivesse em nós, esse amor, do dia para a noite se perderia porque fazemos coisas terríveis que entristecem ao Seu coração. Se dependêssemos da nossa integridade para que Deus nos amasse, não haveria um só dia em que não fôssemos odiados e que, consequentemente, estivéssemos perdidos. Mas o amor de Deus está em Cristo Jesus, porque somente Jesus satisfaz à Lei para nossa santificação e salvação. É algo que não está em nós. Observe as várias repetições da expressão "em Cristo Jesus "(Rm 8:39; Ef 1:5,6; 2:6,7,10).
Aqueles que dizem que perdem a salvação com o pecado, terminam se envolvendo em seríssimas implicações teológicas: 1) Eles não crêem na suficiência de Jesus como nossa justiça, nossa propiciação e nosso advogado; 2) Esses também não crêem na perfeição da justiça de Cristo como suficiente para satisfazer a Lei de Deus em tudo o que ela exige do pecador. Segundo o ensinamento do Novo Testamento sobre a expiação e propiciação, se um pecador volta a ser condenado por causa de seus pecados, isso indicará falhas na obra expiatória de Cristo. O que nos levaria, consequentemente, a concluir que a obra vicária de Jesus foi muito fraca para nos salvar da condenação eterna do pecado. Como compreender a perfeição da obra expiatória de Cristo se o pecado ainda tem poder condenatório sobre os quais foi aplicada esta obra? Como entender a qualidade da obra de Cristo se mesmo depois da nossa expiação e propiciação em Jesus, ainda aissim podemos ser acusados de pecado condenador? Tudo isto seria possível se a obra de Cristo fosse defeituosa e não atendesse as exigências da lei de Deus quanto a nossa salvação eterna.
Qual era o estado desses iluminados antes da queda? Quando olhamos para as características da vida daqueles antigos hebreus percebemos aspectos semelhantes da vida espiritual dos crentes nos dias de hoje. Vejamos:
1.Foram iluminados. Saíram de uma cegueira e começaram a enxergar.
2.Provaram o dom celestial das bênçãos oferecidas no evangelho.
3.Foram participantes do Espírito. O Espírito deu conhecimento, entendimento.
4.Provaram da Palavra. Quando lhes foi pregado o evangelho naquele dia eles se maravilharam com a Palavra. Ouviram da vontade de Deus, e até fizeram votos de observá-la.
5.Provaram dos poderes do mundo vindouro. Eles tiveram um claro entendimento do juízo de Deus sobre o mundo, das promessas de Deus, o desvendar do mundo futuro; tiveram uma clara distinção do juízo, bem como provaram dos milagres da era apostólica.
O que se tem argumentado normalmente na exegese deste texto é o seguinte:
1. Que a idéia de iluminação encontrada em FOTISTHENTAS, "iluminados" não se refere de fato à iluminação trazida pela verdadeira regeneração, fazendo o pecador enxergar sua própria perdição e necessidade de um Salvador, mas apenas a uma chispa da luz do evangelho.
2. Que o verbo grego GEYSAMENOS, "provaram", significa apenas "provar", indicando assim que aqueles hebreus apenas tiveram um "gostinho da graça", e não se fartaram da comida celestial.
3. Que DOREAS, "Dom" é contrastado com CHARISMATA, "Dom", ou "graça salvadora", e que significa apenas "dom", como qualquer outra bênção dada por Deus a todos os pecadores.
4. Que o termo METOCHOS, sempre indica "participante", "companheiro", mas nunca de fato quer significar intimidade, ou no caso do Espírito, "habitação".
Essa exegese de tais palavras e consequentemente a teologia extraída desta análise não podem ser sustentadas em todo o Novo Testamento pelas seguintes razões:
1. O termo FOTISTHENTAS, pode muito bem indicar a iluminação salvadora, que como revelação, é trazida à mente e ao coração dos homens sem Cristo para que entendam a verdade de Deus sobre o pecado e sobre a salvação (Jo 1: 9; Ef 1:18). Ainda mais, o termo HAPAX, sintaticamente ligado à FOTISTHENTAS aponta para algo que acontece uma só vez, o que pode ser dito da regeneração.
2. O uso de GEYSAMENOS no Novo Testamento não indica que ele sempre refere-se à um "provar" superficial, ou apenas a um "gostinho" daquilo que se prova. Podemos ver seu uso para um total envolvimento com aquilo que se prova, que é o caso de Mc 9:1 e Jo 8:52 (provar a morte). Este termo também pode ser visto como o verbo "comer"(At 10:10). Nestes dois usos distintos deste termo, não há a idéia simplesmente de "provar", mas de envolver e digerir.
3. DOREAS ,(dom), não é necessariamente um contraste com as verdades salvadoras implícitas no termo CHARISMATA. Podemos encontrar DOREAS sendo usado como sinônimo de CHARISMATA em textos como João 4:10 referindo-se a Jesus; Atos 8:20, referindo-se ao Espírito; Romanos 5:15, 17 referindo-se à vida eterna. O autor da epístola poderia estar usando um destes significados sem problema.
4. A palavra grega METOCHOS também reflete a mesma natureza de abordagem que estamos fazendo. Dizer que o termo alí refere-se apenas a uma "participação" do Espírito em vez de uma" habitação" do Espírito, não é convincente, tendo em vista que este termo também é usado para descrever nossa participação da vocação celestial no mesmo autor (Hb 3:1), e participantes de Cristo (Hb 3:14). O que pesa mais nesse argumento é que as duas ocorrências do termo, que contrastam com a interpretação sugerida, acontecem exatamente no mesmo autor, indicando uma unidade em seu pensamento sobre o termo METOCHOS.
Nosso grande problema com a exegese deste texto é que ela não ajuda a afirmar que o autor aos Hebreus estava falando de uma fé temporal, ou de uma pseudo-regeneração e pseudo-conversão. Calvino refere-se à queda desses hebreus como "fé temporal", mas ele não se baseia na exegese do texto, e sim, como estamos fazendo aqui, no estado posterior deles. Não conseguiremos encontrar pistas para descobrir se eles eram de fato regenerados ou não estudando o estado anterior deles, e sim estudando o estado posterior daqueles hebreus.
Mas, perguntamos: que tão grande queda foi essa que invalidou esse estado de graça e vetou a possibilidade e volta ao antigo estado de graça? Que trágica queda foi essa dos iluminados? A verdade está no versículo 6: "... caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia". Esse pecado é exatamente o problema que Paulo coloca em Gálatas 5:2-5, como já enunciamos anteriormente. Eles decaíram da graça porque procuraram a justificação por outro meio que não Cristo. Para isso não há perdão, não há como o homem ser salvo. Se a fé for anulada e cancelada a promessa, o que sobrará para o homem? A LEI! E sabe o que a Lei faz conosco nesta circunstância? Ela nos condenará friamente e nos levará ao inferno, pois o que ela exige para a nossa justificação não podemos cumprir. Estão condenados, diz o apóstolo Paulo. Você quer ser salvo Pela Lei? Cumpra toda a Lei. E por não podermos, estamos condenados, decaídos da graça, miseravelmente perdidos.
Esses Hebreus, diz o autor, estavam "crucificando para si mesmos o Filho de Deus". O que isso significa? Que esses "irmãos" estavam praticando obras da Lei, que era um caminho totalmente oposto ao caminho da graça. Por isso Paulo diz que os gálatas caíram da graça. Eles voltaram à prática desta Lei para sua justificação. Eles estavam negando o sacerdócio de Cristo, negando a nova aliança, toda a obra vicária do Senhor e voltando ao farisaísmo tão combatido por Jesus e pelo apóstolo Paulo. O uso da expressão "cair da graça" não quer dizer necessariamente "perda de um genuíno estado de salvação anterior", pois, geralmente encontramos essa expressão no Novo Testamento sempre que é feita referência à descristianização de algum membro da igreja ou relacionado à apostasia, e geralmente à pessoas que nunca tiveram salvação. Percebamos que nem Paulo, nem o autor aos Hebreus estão emitindo alguma forma de juízo revelacional, ou trazendo uma revelação sobre o estado espiritual daqueles que decaíram da graça. Não! Não é isto que está em vista aqui. Tanto Paulo quanto o autor aos Hebreus estão se dirigindo à igreja visível de Cristo, de maneira exortativa, e emitindo um parecer inspirado sobre a condição deles a partir de uma visível apostasia da graça. Ora, se alguém abandona o caminho da graça e abraça o caminho das obras, a conclusão inevitável é: ele decaiu da graça; voltou para o caminho das obras, para o caminho da Lei. Nesta condição, quem se salvará?
Quando os apóstolos chegaram em Éfeso (Atos 19), eles fizeram uma pergunta àqueles discípulos de João Batista. Quando lemos esta palavra "discípulos" aplicada a eles, parece que eram crentes, mas vamos saber se são, de fato, crentes, quando continuamos a leitura do texto e vemos o apóstolo perguntando: " Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes?". Então eles responderam: "Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo". Para Paulo aquilo era uma anormalidade: "Não receberam quando creram? O que está havendo?" Paulo pergunta ainda para eles: "Em quem vocês foram batizados? ". Eles responderam: "No batismo de João Batista quando estava pregando" . Parece que estou ouvindo Paulo dizer: "Eis aí a causa. Por isso que vocês não conhecem a Jesus". Porque a expressão "batismo em nome de Jesus", em todo Novo Testamento, significa conversão, regeneração. Isso porque, durante muito tempo, na igreja apostólica, batismo era, não apenas um sinal, mas a própria conversão. Era uma evidência clara da conversão pois eles perguntavam logo: "Vocês foram batizados em nome de quem?". Se não fosse em nome de Jesus, eles concluíam logo que não estavam salvos, pois eles tinham credenciais apostólicas para perguntar e concluir que o batismo em nome de Jesus representava a conversão.
Mas, por que a pregação e batismo de João Batista não salvaram aqueles discípulos? A resposta é que eles não haviam crido, tanto é que Paulo afirmou que eles deveriam ter recebido o Espírito quando cressem. Isto era porque João Batista estava pregando a mensagem messiânica e não a mensagem evangélica. Depois da vinda de Jesus, nenhuma mensagem messiânica pode salvar o homem. Bruner diz algo muito importante em seu livro TEOLOGIA DO ESPÍRITO SANTO, pág 161 "Desde a vinda de Jesus, o caso de cristãos crerem no Messias e, porém, serem batizados no batismo de João é naturalmente uma anomalia. E este é o problema por detrás desta passagem. Somente quando a fé no Senhor Jesus Cristo é ligada com o batismo nEle é que o cristão, é lógico, recebeu a iniciação cristã autêntica. O elo que faltava na formação espiritual dos efésios, portanto, não era o ensino sobre como ser batizado no Espírito Santo, era a fé e o batismo em Jesus. E quando foram dados esta fé e este batismo, assim também, gratuitamente, o Espírito também foi dado." Por isso, ninguém da velha dispensação que entrou na nova pode deixar de ser batizado em nome de Jesus. Mas o importante é que a mensagem messiânica não leva o homem, na era do Messias que chegou e está presente, à salvação. Por isso, eles estavam perdidos, sem salvação. Ora, se aquela mensagem messiânica não salvou àqueles, o que dizer daqueles hebreus que voltaram aos sacrifícios do Judaísmo? Estão perdidos tentando a justificação pela Lei. Para eles não existe nenhuma "obra" da Nova Aliança - Cristo - e sim somente a Lei, suas próprias obras e a aventura de buscar a justificação por ela. Por isso que eles decaíram da graça. Por isso que eles ao abandonarem o cristianismo e ao se voltarem para o judaísmo ficaram sacrificando `a Jesus. O autor perguntava: "Será que vocês vão novamente para um sacrifício que já foi consumado? Se é assim, Cristo de nada vale para vocês". A pregação messiânica não serve mais, a pregação deve ser evangélica - as Boas Novas. O que são as Boas Novas? Cristo, Deus Emanuel, Deus presente.
Mas, não estou dizendo com isso, que os crentes fiéis do Velho Testamento foram salvos cumprindo a Lei. Não pensem nunca nisso. O judaísmo e os fariseus de todas as épocas, como o homem natural, pensam que a salvação é uma conquista dele mesmo. O homem natural diz em relação à salvação: "Devo fazer". O homem regenerado pelo evangelho diz: "Está feito". No VT os crentes eram salvos pela fé em Deus. A prova disto é a exigência do sangue no relacionamento entre Deus e o pecador. Esta exigência já era prova de que o caminho a ser trilhado pelo pecador deve ser sempre o da graça, e nunca o das obras. Por isso o sangue já pregava o Evangelho da graça. Mas não era fé no sangue do animal, como queriam os fariseus, mas fé em Deus. O sangue deveria dirigir os olhares dos israelitas para o caminho da graça, para a salvação que era promessa. Mas muitos entendiam erroneamente que era o próprio sacrifício que expiava. Paulo diz destes que eles decaíram da graça porque só conseguiam enxergar o caminho das obras.
Quem são estes do judaísmo que tentam justificação pela Lei? São exatamente aqueles que entenderam erroneamente o caminho da salvação. O próprio Deus havia providenciado sacrifícios que pregariam as Boas Novas, dizendo que o pecado seria expiado e a ira de Deus seria aplacada, mas através do sacrifício de Cristo que viria, mas que já era dado eficazmente como certo - as Boas Novas, Jesus, Deus Emanuel, Deus conosco. Esta é a pregação evangélica. Paulo falou sobre isso: "Bem que eu poderia confiar na carne (como muitos confiam). Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais; circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da Igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível (Fl.3:4-6) . Esta é a expressão máxima: "quanto à justiça que há na lei... ". Este é o pensamento farisaico quanto à salvação. Os homens queriam conquistar a sua salvação cumprindo a Lei por si mesmos. Os fariseus pensavam assim. Paulo era um exemplo disso, pois ele diz que quanto a isso ele era "irrepreensível" .
O texto diz que, se eles abandonaram o verdadeiro caminho para a justificação que é Cristo, se estes iluminados saíram deste caminho e foram para o caminho do judaísmo para buscar esta justificação pelas obras da Lei, então, podemos concluir que não eram justificados. Se estes iluminados foram buscar a justificação através da Lei, concluímos então, que eles não haviam sido verdadeiramente justificados. Anularam a fé, cancelaram a promessa e tornaram Cristo algo inútil. Deus não perdoa este pecado. Deus não perdoa esta anulação da obra redentora. Este é o pecado contra o Espírito. Só os não regenerados são passíveis de um pecado desta gravidade. Isto significa que nos tais nunca houve a regeneração, a obra da regeneração do Espírito, e a prova disso é que seu estado de suposta graça não foi suficiente para mantê-los no caminho da graça - abandonaram a Cristo. Mas que regeneração é esta que os faz abandonar as Boas Novas? Eles sempre estiveram em Adão e não em Cristo (I Co 15:22). Em Adão todos morrem e em Cristo todos são vivificados. Se o estado destes iluminados é estado de morte e sobre eles repousa a ira de Deus, não há propiciação para eles. Estão ainda em Adão naturalmente condenados. Não há perdão para estes iluminados porque eles resolveram caminhar nesta trilha da justiça pelas obras da Lei, pois é sempre esse o caminho da religião natural da humanidade.
É bem verdade que a exegese daqueles termos importantes não apontam para uma falsa fé naqueles hebreus, mas a falsa conversão daqueles "crentes temporários" pode ser facilmente constatada pelo autor da epístola por contemplá-los num caminho de obras.

Nada denuncia mais a nossa condenação do que tentarmos nos salvar a nós mesmos.
Como entender a iluminação destes que caíram da graça? A pergunta seria: Pode, então, um não eleito, um não salvo, um não regenerado, participar, de alguma forma, da graça de Deus? Será que o homem natural, pode, em algum sentido, ser iluminado? Será que aqueles que não foram eleitos, que não foram contemplados para a obra da justificação sobre suas vidas, podem participar, em algum sentido, da graça de Deus? Em Marcos 4:14-19 temos esta resposta. O versículo 16 diz que estes "ouvindo a palavra, logo a recebem com alegria". Percebamos o envolvimento da fé temporal com a Palavra de Deus! Mas como "não têm raiz em si mesmos, sendo, antes, de pouca duração, e lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da Palavra, logo se escandalizam. Os outros, os semeados entre espinhos, são os que ouvem a palavra, mas os cuidados do mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições, concorrendo, sufocam a Palavra, ficando ela infrutífera. Os que foram semeados em boa terra são aqueles que ouvem a palavra e a recebem, frutificando a trinta, a sessenta e a cem, por um". Por que a palavra frutificou? Porque a semente caiu em boa terra, criou raiz e essa raiz foi aprofundada. O v. 17 diz que os que se escandalizam ficam assim porque "não têm raiz em si mesmos ". Por isso não duram, são de pouca duração. Nestes não há regeneração. A obra do Espírito na regeneração tem a dimensão de uma raiz que é cravada no interior do homem, num coração preparado por Deus (Ez 36:24-27). Sem esta raiz profunda não há regeneração, nem fé, nem santificação, nem obediência(Ef 1:4,5,13,14). Observem que esses foram os elementos indiscutíveis pelos quais, tanto Paulo quanto o autor aos Hebreus procuraram naqueles crentes, e que naquele momento estavam ausentes na vida daqueles irmãos. Então ele conclui: "Da graça decaístes". Por isso dura tão pouco. Mas há um envolvimento com a Palavra. Há uma duração, mesmo que pequena, há uma caminhada, uma iluminação, há um partilhar desta graça, mesmo sem raiz. Foram iluminados, mas não receberam os olhos da verdadeira visão espiritual, porque não tinham raiz. Entenderam certos princípios da vontade de Deus e até mesmo aguçaram suas consciências com a verdade do evangelho. Apenas se afastaram temporariamente das trevas do paganismo, do judaísmo, do caminho das obras da Lei. Os verdadeiros filhos de Deus têm a luz da vida (Jo 8:12), enquanto que os perdidos têm apenas pequenas faíscas, centelhas de luz dessa graça. Os iluminados de Hebreus 6 provaram o dom celestial mas não digeriram verdadeiramente o corpo e sangue de Cristo que está em João 6:53. Não comeram a carne, nem beberam o sangue de Cristo.
Foram participantes das operações do Espírito mas nunca chegaram a ser batizados com o Espírito tornando-se assim habitação deste Espírito. Provaram da boa Palavra e até se alegraram, mas faltou-lhes raiz. Provaram a Palavra, viram e maravilharam-se com as coisas que estão nesta Palavra. Até guiaram-se pelos seus preceitos de vida e dirigiram suas famílias por eles, mas não durou muito, pois, não havia raiz, por isso abandonaram esta Palavra.
Em Romanos capítulo 8:9, Paulo diz que, se o Espírito de Deus não está no crente este tal não é dEle. Eles não poderiam ter o Espírito de Cristo porque seria uma contradição. Como poderiam eles terem o Espírito de Cristo e ainda assim não estarem em Cristo? Logo, eles não tinham essa habitação. Apenas provaram das manifestações do Espírito, mas, não da habitação do Espírito. Estes estão condenados, pois não têm o Espírito, mas sim o pendor da carne. Portanto, esse "provar do Espírito", esse ser "participante do Espírito" que mais tarde leva o crente à salvação por obras não corresponde à teologia paulina da habitação do Espírito, pois o resultado da habitação do Espírito é contrastante com a postura daqueles hebreus apóstatas da graça (Rm 8:4-27).
Provaram os poderes do mundo vindouro, mas, contentaram-se apenas com as centelhas da ira de Deus. Entenderam que haverá um grande juízo sobre o mundo mas se contentaram com o que Paulo diz em Romanos 2:14-15 - "Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se". Esse era o tipo de lei, de poder do mundo vindouro com o qual esses iluminados que caíram se contentaram. Porque os não crentes também têm uma lei, só que não é aquela Lei que milita contra a carne, mas é uma lei que apenas provoca o remorso no coração do assassino. Que leva depressão ao espírito daquele que pratica o pecado, mas nunca o leva de volta à vontade de Deus. Nunca ele dirá: "no tocante ao homem interior, tenho prazer na Lei de Deus" (Rm 7:22). Mas, ao contrário, se contentam apenas com estas pequenas faíscas da luz de Deus, do Seu grande julgamento. Se contentaram apenas com esta concepção do julgamento de Deus. Uma outra concepção sobre os poderes do mundo vindouro é fundada no significado de DINAMEIS MELLONTOS AIÔNOS, "os poderes do mundo vindouro". O termo DYMANEIS pode ser entendido por milagres ou prodígios, indicando que aqueles hebreus poderiam ter provado dos poderes do reino dos céus, o que poderia ser exemplificado pela participação deles em uma época como a era apostólica, a qual foi confirmada com muitos poderes miraculosos.
Provaram do dom celestial. Certamente que eles até se esforçaram em conhecer melhor o Dom de Deus, Jesus. Até louvaram-no, fizeram-lhe orações e se alegraram com ele. Talvez tenham buscado socorro e amparo em Jesus. Quem sabe se eles, como muitos nos nossos dias, até foram curados, seus problemas solucionados, suas lágrimas estancadas nessa dimensão da presença de Cristo. Muitos deles até mesmo evangelizaram outros judeus e pregaram Jesus para eles. No entanto, abandonaram tudo isso, negaram tudo o que fizeram e voltaram para um caminho de obras. Então, o autor aos Hebreus diz: "Quão horrenda coisa é essa que vocês fizeram! Não há restauração para vocês!"
Tudo isso é a operação do Espírito na vida dos não regenerados como fruto da graça de Deus. E ainda assim, quando esses não regenerados caem deste estado, eles pecam contra o Espírito.

CONCLUSÃO DO NOSSO ESTUDO
• O Autor aos Hebreus não está querendo ensinar com aquelas qualidades dos iluminados que elas são superficiais. A exegese do texto não aponta para este caminho. As qualidades que estão ali (iluminação, dom celestial, provar a Palavra e os Poderes celestiais, ser participante do Espírito Santo) são as qualidades que devem ser encontradas em todos os que são verdadeiramente regenerados.
• Mesmo não tendo aqueles hebreus, de maneira profunda e eficaz, aquelas qualidades, a prova disto é que vieram a negá-las mais tarde, o autor da epístola estava dizendo que era impossível, depois da queda, para eles, o restaurar para o arrependimento. Neste ponto, o verbo ANAKAINIZEIN "restaurar ou renovar" está no infinitivo ativo, não trazendo nenhuma idéia passiva de "serem renovados ou restaurados por Deus". Tanto ADYNATON("impossível"), quanto ANAKAINIZEIN ("renovar") referem-se aos iluminados, tirando-lhes qualquer possibilidade deles mesmos chegarem à graça salvadora de Deus. Então a melhor tradução do texto seria: "É impossível a estes iluminados, por suas próprias obras, voltarem ao caminho da graça."
• O autor aos Hebreus olhando para a igreja de Cristo, contemplava a assembléia dos que foram iluminados, provaram o dom celestial, a Palavra de Deus e os poderes do Reino e eram participantes do Espírito, e entre estes estavam aqueles irmãos que mais tarde abandonaram esta assembléia dos santos. Para o autor da epístola, estes irmãos participaram de forma visível das bênçãos que cercam os eleitos de Deus. A prova deste meu argumento é o fato de não conter no texto nenhuma forma de avaliação revelacional ou profética sobre o interior de cada um daqueles hebreus desviados do evangelho de Cristo. O capítulo 6 inicia exatamente ao estilo de uma exortação (1-3), encaixa uma advertência em forma de lembrança, e continua com a exortação (9-12). O que quero dizer é que sua avaliação dos iluminados é do ponto de vista da assembléia visível dos santos. Se o julgamento que o autor faz sobre os iluminados é exortativo e em relação à assembléia dos santos, a qual ele podia contemplar, então, com o termo "queda", não devemos entender necessária e teologicamente "cair do estado de salvação eterna", nem a perda da justificação, pois eles nunca tiveram isso verdadeiramente. A idéia da queda corresponde a um abandono não somente da assembléia dos santos, mas também do caminho da fé e da graça salvadoras. Isto significa que o mero fato do autor dizer que caíram, quer dizer que eles deixaram a congregação dos santos e voltaram para o judaísmo. O participar das bênçãos dos regenerados quer dizer que tiveram um proveito de certa forma da atmosfera da graça. E o não serem restaurados para o arrependimento quer dizer que se isso depender das obras deles e do caminho que tomaram, jamais chegarão à graça salvadora e consequentemente nunca haverá perdão para eles.
• A queda dos iluminados de Hebreus 6 refere-se também a uma total renúncia de Deus, da Sua Palavra, do seu dom e do Seu Espírito. Esses iluminados alienaram-se do Evangelho de Cristo e da graça salvadora, e foram totalmente excluídos do perdão. Este tipo de pecado somente pode ser cometido pelos não eleitos, pois àqueles que violam a segunda tábua da Lei de Deus é-lhes dado o perdão, mas àqueles que caem da graça são deixados por Deus permanecer neste estado.
Qual a lição prática que estes iluminados que caíram trazem para nós?
1. Nós não podemos nos contentar apenas com esses sinais dessa iluminação para pensarmos em regeneração. Nunca confundamos esses sinais dos iluminados com a regeneração. Nem tudo que for chamado evangélico, nem toda movimentação no meio evangélico é o Evangelho. A prova está aqui. Iluminados participaram da graça, mas nunca foram salvos. Somos tendenciosos a considerar salvos, crentes, e evangélicos, aqueles que confessam uma iluminação deste tipo. Mas a Palavra de Deus ensina a perseverança na vontade de Deus e a suficiência de Cristo como evidências de nossa regeneração ( Mt 24:13; Jo 3:15,36; 5:24-25; 8:31; 10:26-29; 15:1-6; 15:10; I Jo 2:3-6,19,24,28,29; 3:7-10,24; 4:7,8,13,15,16; 5:4,5,18,19). O evangelho somente é verdadeiro quando Jesus é suficiente para a nossa salvação. Porém vemos tanto "marketing", tanta propaganda de um evangelho em que só Jesus não é suficiente.
2. O autor aos Hebreus se dirige a todos os crentes. Esta palavra não é dirigida apenas aos que caíram. Isso não está sendo escrito somente aos judaizantes da época do apóstolo; não se reduz apenas a uma época. Sua palavra é principalmente para os crentes fiéis que permanecem na congregação dos santos como um alerta para que ninguém venha a cair no mesmo delito da apostasia da graça. Decair da graça regeneradora só será possível se a pessoa nunca tiver sido alcançada por esta graça salvadora. Mas o "cair da graça" aqui é o participar visivelmente da graça e abandoná-la. É negar a graça, é anular a fé e cancelar a promessa. Sobre aqueles que decaem da graça o juízo é eterno. Mas sobre aqueles que decaem do estado de uma boa vida espiritual com Deus, Ele também tem juízo para eles. Ele também está dizendo que devemos nos sensibilizar de que os nossos pecados, a falta de sensibilidade para com o pecado, o cultivar o pecado na nossa vida, o achar que um pecado esporádico não faz mal a ninguém; o pensar que a mentira é menos pecado do que o adultério; e que a falta de compromisso, a insinceridade, a irresponsabilidade, a negligência, tudo isso são pecados menores do que o roubo ou assassinato é uma falta gravíssima nossa para com Deus.
Muitos pregam que perdem a salvação por caírem em adultério, ou num roubo ou qualquer pecado crasso, que chame atenção. Mas estão esquecidos de que João disse em Apocalipse que vão ficar de fora também os mentirosos(Ap 21:27; 22:15). Para os que têm tal concepção da salvação, um irmão mentiroso quase sempre nunca é visto como tão perdido quanto um "adúltero". Mas a Palavra de Deus diz que esse vai ficar de fora tanto quanto aquele que foi feiticeiro, que estava sob o paganismo ou judaísmo, que anularam a graça. Muitos mentirosos pensam que estão salvos, mas está escrito no livro: "MENTIROSO". Os que defendem a perda da salvação sempre estão pensando nos pecados graves e escandalosos, ao estilo da concepção do "pecado mortal" da Igreja Católica Romana. Nunca lhes vem à mente que se a estabilidade da salvação dependesse de nossa integridade ela seria perdida ao menor pecado, pois a Lei de Deus não admite qualquer forma de pecado, (Gl 3:22).
Com relação à vida espiritual da igreja o autor está dizendo: "Irmãos, fiquem em guarda contra a possibilidade de um sono em que um "pecadinho" se torne um pecado de estimação e vai vagarosa e sutilmente rastejando em vossas almas até tomar conta do coração e da mente. Tomem cuidado com este pecado que vai encontrando razões sociológicas, psicológicas, antropológicas e lógicas para um habitat em suas vidas, e quando vocês menos esperam estão na mais profunda letargia espiritual, distante da abundância da graça". Sobre estes Deus pesará a Sua mão. Estamos dizendo isso para que o povo de Deus se consagre cada dia mais.
* Esta exposição é baseada na obra puritana "A COMMENTARY ON THE HOLY BIBLE" de Matthew Poole, téologo puritano genebrino do século XVII.
BIBLIOGRAFIA
1. MATTHEW POOLE, A COMMENTARY ON THE HOLY BIBLE, Banner of Truth
2. GLEASON ARCHER, ENCICLOPEDIA OF BIBLE DIFICULTIES, Zondervan
3. MICHAEL HORTON, MODERN REFORMATION MAGAZINE, CURE
4. THE ANALYTICAL GREEK LEXICON
5. THE GREEK NEW TESTAMENT, UBS3
6. FREDERICK DALE BRUNER, TEOLOGIA DO ESPÍRITO SANTO, Vida Nova
7. FRITZ RIENECKER, CHAVE LINGUÍSTICA DO NOVO TESTAMENTO GREGO, Vida Nova
8. W. D. CHAMBERLAIN, GRAMÁTICA EXEGÉTICA DO GREGO NEO-TESTAMENTÁRIO, Cep
9. GINGRICH, LÉXICO DO NOVO TESTAMENTO GREGO/PORTUGUÊS, Vida Nova
10. BARBARA FRIBERG, O NOVO TESTAMENTO GREGO ANALÍTICO, Vida Nova
11. MAURICE ROBINSON, THE NEW TESTAMENT IN THE ORIGINAL GREEK ACCORDING TO THE BYZANTINE/MAJORITY TEXTFORM
12. BIBLE WINDOWS SOFTWARE VERSION 4.5, SILVER SOFTWARE

Predestinação e Eleição O que a Biblia diz?


PREDESTINAÇÃO E ELEIÇÃO Segundo a Bíblia.

Poucas doutrinas das Escrituras são tão mal entendidas e conseqüentemente tão abusadas e pervertidas quanto essas duas doutrinas, mas a Escrituras as apresentam numa simplicidade relativa; se tal é o caso, por que então elas são tão mal entendidas e abusadas? A verdade é que essas doutrinas atacam a própria raiz do orgulho e vaidade do homem, e quando são entendidas e aceitas de modo correto, não deixam absolutamente nenhum espaço para o homem se regozijar ou se orgulhar em seus próprios feitos e realizações. Por esse motivo, o homem em seu orgulho e vaidade natural as rejeita, ou as modifica tanto a ponto de torná-las aceitáveis à sua mente orgulhosa.
Acerca da eleição, Abraham Booth disse:
Mas qual é a razão desse protesto contra a eleição? Se é que não estou muito enganado, dá para compreender esse protesto da seguinte forma. Essa doutrina põe o machado na raiz de toda excelência moral da qual nos gloriamos. Essa doutrina, em suas conseqüências naturais, demole todo subterfúgio do orgulho humano; já que não deixa nenhuma sombra de diferença entre um homem e outro, o motivo por que Deus deveria estimar e salvar esta pessoa, em vez daquela; mas ensina todos os que sabem e todos os que a adotam a descansar naquela máxima memorável; SIM, Ó PAI, PORQUE ASSIM TE APROUVE; reduzindo o assunto todo a graça divina e a soberania divina. — The Reign of Grace (O Reinado da Graça), p. 56. American Baptist Public¬ation Society, Philadelphia, sem data.
Um pregador idoso, amigo deste escritor, que desde então partiu para o Senhor, certa vez comentou que uma pessoa tinha de se converter para toda doutrina da Bíblia antes de realmente as aceitar, e em nenhuma doutrina é esse fato tão verdadeiro quanto no caso que estamos agora tratando. Este escritor passou por um longo período de conflito interno antes de chegar a aceitar essa doutrina; ele não tinha nenhuma pré-disposição para crer nela; aliás, ele estava inteiramente firme em sua oposição a ela, mas ele orava continuamente para que o Senhor lhe desse sabedoria e entendimento nas coisas espirituais, e o resultado foi esse. Até hoje, o orgulho carnal ainda se rebela contra essa doutrina, mas o espírito foi levado a se regozijar nela, achando nela grande consolo e segurança. É por causa desse grande conflito interno que o escritor não se envolve em argumentos e debates com aqueles que não crêem nessas doutrinas, pois ele crê que elas não são doutrinas que se pode aprender meramente com a sabedoria carnal, mas são doutrinas às quais devemos nos converter, e as quais só dá para aceitar pela graça. Tentar enfiar a Bíblia goela abaixo de outro crente raramente faz mais do que firmá-lo em sua oposição à doutrina proposta com tanto zelo. Isso não quer dizer que não podemos nos engajar em debate quieto e amistoso acerca dessas doutrinas ou outras da Palavra; isso podemos e devemos fazer, mas a qualquer momento que o debate vai além de amizade e tranqüilidade, é hora de terminá-lo, pois depois desse ponto não poderá haver proveito algum para nenhuma das duas pessoas.
Alguns rejeitam as doutrinas dos decretos de Deus completamente, dizendo que não seria justo no caráter de Deus oferecer decretos predeterminados quanto ao que virá a ocorrer no tempo. Contudo, Charles H. Spurgeon, num sermão sobre Efésios 1:5, respondeu bem a essa questão ao dizer:
É ao mesmo tempo uma doutrina das Escrituras e do bom senso, que tudo o que Deus faz no tempo ele predestinou fazer na eternidade. Alguns homens criticam a predestinação divina, e desafiam a justiça dos decretos eternos. Ora, se eles quiserem se lembrar de que a predestinação é o pano de fundo da história, como um plano de arquitetura, a execução do qual lemos nos fatos que acontecem, podem talvez obter uma leve pista para a irracionalidade de sua hostilidade. Nunca ouvi ninguém entre os mestres de forma maliciosa e deliberada criticar o modo como Deus trata suas criaturas humanas, mas ouvi alguns que nem mesmo ousariam colocar em dúvida a justiça de Seus conselhos. Se a coisa em si é certa, tem de ser certo que Deus tencionou fazer a coisa; se você não tem motivo para criticar os fatos, conforme você os vê na providência, você não tem base alguma para se queixar dos decretos, à medida que os acha na predestinação, pois os decretos e os fatos são apenas as semelhanças um do outro. Você tem algum motivo para criticar a Deus, que ele quis salvar você, e salvar a mim? Então por que você deveria criticar, pois as Escrituras dizem que ele predeterminou que ele nos salvaria? Não vejo, se o fato em si é compatível, o motivo por que o decreto deveria ser condenável. Não consigo ver razão alguma por que você deveria criticar a predestinação de Deus, se você não criticar o que realmente acontece como efeito dela. Que as pessoas apenas concordem em reconhecer um ato da providência, e quero saber como elas poderão, a não ser que se oponham descaradamente à providência, criticar a predestinação ou intenção que Deus fez com relação à providência. — Metropolitan Tabernacle Pulpit (Púlpito do Tabernáculo Metropolitano), p. 97. Pilgrim Publication, reimpressão, Pasadena, Texas, 1969.
De novo, de modo geral não é proveitoso pregar essa doutrina para pessoas perdidas, pois muitas delas estão procurando uma desculpa para continuar no pecado, e a perspectiva fatalista de “se vou ser salvo, serei não importa o que eu faça”, será rapidamente adotada, e a responsabilidade humana será removida imediatamente. Mas essa mesma coisa se aplica a muitas doutrinas amplamente diferentes das Escrituras, pois a pessoa perdida tem pouca compreensão espiritual, e muitas vezes usará os ensinos doutrinários como escudo ou defesa para continuar em sua maldade. Este escritor sabe de um exemplo em que a pregação do dever do dízimo para um homem não salvo foi utilizada como desculpa para não ser salvo, pois o homem perdido se isentava com a alegação de que “O pregador só estava interessado em conseguir mais dinheiro na igreja de modo que pudesse obter um aumento de salário”. Esse mesmo tipo de desculpa poderia ilustrar outros casos com relação a outras doutrinas também, de modo que quando dizemos que não é geralmente prudente pregar a predestinação e eleição para os perdidos, não queremos dizer isso com a exceção de outras doutrinas, mas só que a pessoa perdida tem necessidade de que apenas o evangelho lhe seja pregado. Tal indivíduo tem essa necessidade com quase qualquer outro assunto. J. M. Pendleton bem sabiamente diz que:
Deus começa com a eleição, mas o homem não pode. Ele deve começar com o chamado, e quando confirmado o seu chamado, confirma-se a eleição. O chamado é a única prova real da eleição. Portanto, veremos que o cerne da eleição é, nas mãos de um pecador, a mais difícil de todas as questões. A razão é que a eleição, não é da conta dele, e a nada que ele pode fazer com ela. — Christian Doctrines (Doutrinas Cristãs), p. 112. American Baptist Publication Society, Philadelphia, 1878.
Ao estudar essas doutrinas, deve-se reconhecer que essas doutrinas são bem profundas, quase impenetráveis, e por esse motivo, só podemos nos apegar aos ensinos das Escrituras, e não ousamos ir além deles, pois em nada a mente humana é menos preparada para raciocinar do que ao lidar com as doutrinas da predestinação e eleição. Alguns usam esse próprio fato como desculpa para rejeitar essas doutrinas, como se jamais devêssemos aceitar qualquer coisa que não estejamos em condições de compreender plenamente; outros, não encontrando um jeito de reconciliar a soberania de Deus com a responsabilidade humana nesse assunto, escolheram repudiar a eleição soberana de Deus. Mas isso é deixar de entender completamente o ponto; pois se entendemos, ou se podemos reconciliar esses dois fatos, de modo algum determina a verdade dos dois; mas, precisamos deixar Deus ser Deus, e Lhe dar crédito por saber algumas coisas que nem sabemos nem entendemos. Reconciliar as Escrituras não é algo que compete a nós; o que nos compete é simplesmente aprendê-las e crer nelas. Na verdade, a reconciliação é necessária apenas entre inimigos, e as Escrituras não estão em inimizade consigo. O Dr. Richard Fuller, ao falar da predestinação e livre agência, bem disse que:
Mostrei que é impossível rejeitarmos uma dessas duas grandes verdades, e é igualmente impossível nossas mentes as reconciliarem. Mas aí, como em toda parte, a fé tem de vir ao nosso auxílio, ensinando-nos a descansar, sem duvidar, na veracidade de Deus; fazendo-nos lembrar que “As coisas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus”; e repreendendo a arrogância que exige que nosso intelecto penetre e reconcilie aqueles pensamentos da mente divina que estão tão acima de nossos pensamentos como os céus estão acima da terra. — Sermons, Second Series (Sermões, Segunda Série), p. 19. American Baptist Publication Society, Philadelphia, 1877.
Charles H. Spurgeon, num sermão sobre 2 Tessalonicenses 2:13 14, semelhantemente diz dessa doutrina:
Não está aqui nas Escrituras? E não é teu dever se prostrar diante delas, e humildemente reconhecer o que tu não entendes — recebendo-as como a verdade ainda que não entendas seu sentido? Não tentarei provar a justiça de Deus ao ter assim eleito uns e deixado outros. Não me cabe justificar meu Mestre. Ele falará por Si, ele assim o faz: — “Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?” — The New Park Street Pulpit (O Púlpito da Nova Rua Parque), Vol. I, p. 316. Zondervan Publishing House, reimpressão, Grand Rapids, Michigan, 1963.
Como seria tolo esperarmos que numa xícara de chá caiba o oceano, assim também seria tolo esperarmos poder entender inteiramente as grandes obras e propósitos do Todo-poderoso, e é apenas jactância imensa que fará da nossa própria ignorância a base para rejeitar o que as Escrituras apresentam como a verdade.
Espero lidar com esse assunto de um modo que não seja exaustivo, quero apenas observar três coisas principais acerca dessa doutrina, e confiar que o Espírito de Deus guiará nosso entendimento na verdade à medida que estudarmos.
I. A DEFINIÇÃO DE ELEIÇÃO E PREDESTINAÇÃO.
Ambas dessas doutrinas serão consideradas juntas, pois muitas vezes se trata a eleição como um ramo da predestinação, e em outras vezes como equivalente à predestinação. O Dr. John Gill diz acerca dessas duas doutrinas:
Os decretos especiais de Deus com respeito às criaturas racionais comumente levam o nome de predestinação; embora se entenda isso num sentido amplo, para expressar toda coisa que Deus predeterminou…mas geralmente se considera a predestinação como consistindo de duas partes, e inclusive os dois ramos da eleição e reprovação, ambos com respeito a anjos e homens… Embora às vezes a predestinação tenha a ver apenas com esse ramo dela chamado eleição, e os predestinados significam apenas os eleitos. — Body of Divinity (Corpo da Divindade), Book II, capítulo 2, p. 176. Turner Lassetter, Atlanta, Georgia, 1950.
Considerando a partir desse ponto de vista negativo, deve-se observar que há muitas concepções erradas acerca dessa doutrina, e não será incorreto notar algumas delas de passagem.
(1) Alguns sustentam que a eleição é apenas para vocação, mas enquanto é verdade que às vezes se declare a eleição para a vocação ou um ofício, porém muitas vezes isso é uma conseqüência que se origina a partir de uma eleição para a vida eterna, em vez da própria eleição. “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça” (João 15:16). Aqui, é óbvio que a ordenação para ser frutífero é algo separado da eleição, embora necessariamente a pressuponha, e se origine dela.
(2) Outros sustentam que a eleição é unicamente um ato do homem: que, nas palavras de alguém: “Deus lança um voto em favor de vida eterna para você, e Satanás lança um voto contra, e o homem deve lançar o voto de decisão, quebrando assim o empate, e se elegendo”. As Escrituras que acabamos de citar, bem como muitas outras, definitivamente negam essa teoria; aliás, no que se refere à salvação, nunca se diz que o homem faz a eleição ou escolha; é um ato que é sempre estabelecido pelo Senhor. Se, como sustenta essa teoria, fosse o homem que fizesse a escolha, o povo de Deus não seria chamado de “os eleitos” — os escolhidos —, mas seria chamado de “os eleitores”. É estranho o modo como muitas vezes o homem, por suas próprias interpretações das Escrituras, faça parecer que o Senhor não sabe como dizer o que Ele quer dizer, e como se não se pudesse assim aceitar as Escrituras em seu sentido mais óbvio.
(3) Uma terceira concepção errada acerca da eleição, que sempre se baseia numa opinião distorcida dela, é que se é verdade que os homens são eleitos para a salvação, então jamais devemos pregar o evangelho para ninguém, nem nos esforçarmos de forma alguma para ver almas salvas, já que só Deus faz a eleição. Muitos que não crêem na eleição a distorcerão desse jeito a fim de ter um bode-expiatório, e alguns até daqueles que afirmam crer nela a distorcerão a fim de desculpar sua negligência, mas o dever dos cristãos de apresentarem o evangelho aos perdidos é de modo algum afetado pela eleição, desde que não há como conhecer o eleito a não ser pela sua resposta ao evangelho. Nosso dever é ser testemunhas de Jesus Cristo — apresentar o evangelho; a eleição para a vida eterna foi tratada numa eternidade passada, e será manifesta pelo Espírito aplicando a verdade salvadora à alma eleita a fim de regenerá-la e fazer com que confie no Salvador. Ainda que o homem não pudesse saber que os decretos de eleição de Deus eram tais que impediriam qualquer pessoa de chegar a se salvar, ou, por outro lado, fizessem com que toda alma perdida fosse salva, não afetaria minimamente o mandamento do Senhor para Seu povo de ser testemunhas fiéis de Sua verdade salvadora. O que Deus faz ou não faz não tem efeito algum em nossa responsabilidade de dar testemunho fiel acerca dEle.
(4) Ainda outros sustentam que na medida que essa doutrina é misteriosa, que não deveria pois ser pregada nem ensinada de forma alguma. Mas não é bem assim, pois não se pode ignorar nenhuma doutrina das Escrituras sem incorrer culpa séria diante de Deus; é necessário que os santos sejam informados da fonte e causa de sua salvação, para que em seu orgulho e prepotência não tentem tomar para si essa glória que pertence somente ao Senhor.
O que então é a eleição? A palavra significa simplesmente “escolher” e se refere à escolha eterna de homens indignos de ser os objetos da obra salvadora do Senhor no tempo. “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” (Efésios 1:4). As definições seguintes poderão nos ajudar a entender as doutrinas da predestinação e eleição.
A eleição é o ato eterno de Deus, pelo qual em Sua vontade soberana, e por causa de nenhum mérito antevisto neles, ele escolhe certos homens pecadores para receber a graça especial de Seu Espírito, e assim se tornarem participantes voluntários da salvação de Cristo. — A. H. Strong, Systematic Theology (Teologia Sistemática) p. 779. Fleming H. Revell Company, 1954.
Falando de predestinação, o Dr. J. M. Pendleton diz:
A predestinação abrange o propósito da eleição, e também, conforme será mostrado, o propósito da “reprovação”, como tem sido chamada, que, como bem se disse: “nada mais é do que negar a alguns a graça que é transmitida a outros” (Hill’s Divinity [A Divindade do Hill], p. 561) Pode-se expressar esses dois propósitos assim: “Que Deus escolheu em Cristo certas pessoas da raça caída de Adão, antes da fundação do mundo, para a glória eterna, de acordo com Seu próprio propósito e graça, sem relação com a fé e obras antevistas deles, ou quaisquer condições que eles tenham cumprido”; e que Ele negou ao resto da humanidade Sua graça e os entregou à desonra, e o justo castigo de seus pecados. — Christian Doctrines (Doutrinas Cristãs), p. 105. Ameri¬can Baptist Publication Society, Philadelphia, 1878.
As Escrituras apresentam essa doutrina, não só com a terminologia de “eleição”, mas também sob os termos de “escolher”, “ordenar”, “designar”, “determinar”, “destinar” e “constituir”, pois essa doutrina envolve a determinação soberana de Deus de exercer tais dons e graças em homens caídos específicos a fim de fazer com que certamente venham a conhecer a salvação de Seu Filho. Por causa do caráter dos propósitos do Senhor, essa realização é sempre atribuída totalmente a Deus, e jamais ao homem. Nenhuma obra, mérito ou fé humana, ou real ou antevista, pode chegar a entrar na determinação desse assunto. Isso é óbvio a partir de Romanos 9:11: “Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama)”. Ao se referir aos filhos que não haviam nascido, nem tinham feito nada de bom ou mau, e então ao se referir aos propósitos de Deus de acordo com a posição de eleição, mostra-se claramente que uma presciência de atos, mérito ou fé humana jamais entra no assunto, pois se entrasse, aí seria o lugar lógico para se fazer menção, mas o silêncio reina de modo supremo nesse exemplo.
Muitos sustentam uma eleição condicional — condicionada em alguma resposta humana, geralmente fé. Aliás, alguns pregadores mudaram a declaração das velhas confissões bíblicas de fé que quase todos os batistas costumavam sustentar de que “somos eleitos para Sua graça”, e deixaram seu texto assim: Somos “por condição eleitos para essa graça”. Isso soa bom para a mente orgulhosa e humanista do homem! Mas o fato das Escrituras é que, na gramática grega, existe apenas um tempo condicional, e a palavra “eleito” JAMAIS é nesse tempo.
E outro fato interessante que refuta a teoria acima acerca da eleição condicional é que em toda vez que aparece no Novo Testamento a palavra grega traduzida “eleito” ou “escolher”, quando Deus está fazendo a eleição, o verbo está na voz média. Isso é muito significativo, conforme mostra W. W. Goodwin.
Na voz média o sujeito é representado como agindo em si mesmo, ou de algum modo que tem a ver consigo. 1. Como agindo em si mesmo… 2. Como agindo por si mesmo ou com referência a si mesmo… 3. Como agindo num objeto que pertença a si mesmo. — A Greek Grammar (Gramática Grega), Section 1242, p. 267. Ginn & Company, Boston, 1892.
Por isso, NÃO DÁ para achar a causa da eleição no sujeito, assim escolhido, mas é devido totalmente por causa da determinação dAquele que faz a escolha. NÃO HÁ NADA NOS ELEITOS QUE MOVA DEUS A ESCOLHER ALGUM DELES, É TOTALMENTE DA GRAÇA.
A eleição, que se declara claramente ser eterna — isto é, antes que o tempo, o mundo, ou o homem tivessem vindo a existir. A única alternativa daqueles que determinaram não aceitar a soberania absoluta de Deus nesse assunto é baseá-la no mérito antevisto de algum tipo no homem, tal como fé, bondade ou utilidade; mas Romanos 9:11, citado acima, bem como o fato de que a fé, e aliás, “toda a boa dádiva”, se declara ser dádiva de Deus, anula essa teoria, e deixa a eleição ainda um ato soberano de Deus sem explicação a partir do lado humano do assunto. Será que Deus não tem o mesmo direito que nós temos, de exigir para si e escolher quem serão Seus amigos e parceiros a vida inteira? Se alguém tentar cobrar que Deus tem de lidar do mesmo jeito e grau com toda a humanidade, ele imediatamente se deparará com todos os tipos de dificuldades, pois Deus exige o direito soberano de fazer com quem é dEle conforme Ele quiser, como o dono da casa na parábola em Mateus 20:15: “Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?” Se alguém chega a ser salvo, é mais do que merecimento, e se ninguém chegar a ser salvo, não haveria base alguma para queixa, pois todos merecem apenas o inferno. Em nenhuma outra esfera o homem raciocina de modo tão incoerente como na questão da eleição. Por exemplo, se o governador de um estado perdoa um presidiário da prisão estadual, ninguém imediatamente começa a gritar que a fim de ser justo, ele tem de perdoar todos os outros presidiários igualmente culpados. Todos compreendem que perdoar um criminoso é um ato de graça e misericórdia, não de justiça, e que direitos e merecimento nada têm a ver com isso; mas os propósitos de eleição de Deus são exatamente paralelos a isso.
Temos de nos lembrar de que a eleição é totalmente de Deus, que foi realizada na eternidade passada, que é para a salvação, e que inclui todos os meios necessários para cumprir a salvação, como está escrito: “Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade; Para o que pelo nosso evangelho vos chamou, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo” (2 Tessalonicenses 2:13 14). Não resta assim nenhum espaço para o louvor do homem e suas obras ou atitudes, mas toda a glória é devida a Deus.
II. A ELEIÇÃO EM DETALHES.
Conforme já dissemos, a eleição é um ato totalmente de Deus, e o homem não tem parte nesse ato, como declaram com clareza as seguintes passagens: “E, se o Senhor não abreviasse aqueles dias, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos eleitos que escolheu, abreviou aqueles dias” (Marcos 13:20). Essa é a primeira vez em que aparece no Novo Testamento a palavra grega eklegomai (eklektous ous exelexato), e enfatiza o fato de que é a escolha de Deus que constitui certas pessoas como eleitas. Não importa que essa referência tenha a ver com o período da Grande Tribulação, nem (como as objeções de alguns) que essa referência tenha a ver só com os judeus (o que não é verdade, pois embora inclua os eleitos de Israel, não está limitada a eles, mas abrange todos os eleitos que estavam vivendo na terra naquela época). Prova que os homens são eleitos por causa da escolha de Deus, não do homem. “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” (Efésios 1:4). Outra vez é provada que Deus faz a escolha, mas se revela um fato adicional: não fomos escolhidos por causa de alguma santidade pessoal, mas em vez disso fomos escolhidos para essa condição, isto é, essa condição se origina da eleição de Deus. “Sabendo, amados irmãos, que a vossa eleição é de Deus” (1 Tessalonicenses 1:4). De novo, a eleição é ato de Deus.
A eleição é também atribuída a Cristo nas seguintes passagens: “Não falo de todos vós; eu bem sei os que tenho escolhido” (João 13:18). É óbvio que a referência não é à eleição para serviço, pois Judas Iscariotes havia sido escolhido para serviço, mas ele nunca foi salvo, e assim não poderia ter sido eleito para salvação. “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda… Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia” (João 15:16,19). Observe nesses últimos versículos que: (1) Cristo expressamente nega que o homem fez a escolha. (2) Que essa escolha não foi “para serviço”, como muitos afirmam que a eleição é, pois o serviço é algo que é em acréscimo à, e se origina da, eleição. (3) Essa eleição coloca os santos numa classe diferente do mundo. (4) O mundo odeia os santos porque eles foram eleitos por Cristo.
É verdade que um homem pode escolher servir a Deus, (Josué 24:15), mas tal escolha jamais se chama eleição, pois a eleição é sempre um ato divino quando tem relação com a salvação, que é geralmente o caso no Novo Testamento. A escolha dos homens de servir a Deus não significa nada quanto à sua eleição para a salvação, pois Judas Iscariotes havia escolhido, por suas próprias razões, seguir Cristo e, até certo ponto, servir a Deus, mas somos expressamente informados de que ele nunca foi salvo. Portanto, ele não era um dos eleitos.
Não só é declarada que a eleição é de Deus, mas que é também “em Cristo”, conforme está escrito: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo…” (Efésios 1:3-4). Com isso se quer dizer que todos os eleitos são englobados no Filho de Deus, e são aceitos diante do Pai apenas por causa dEle: “Para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado” (Efésios 1:6). É inteiramente natural para os homens orgulhosos e egoístas buscarem, em algum lugar em si mesmo, a causa de sua aceitação diante de Deus — em suas obras, ou em sua fé, ou talvez em seu serviço potencial ao Senhor, mas tal não é a fonte da aceitação de homem algum diante do Senhor, pois se fosse, o homem só teria segurança na mesma medida da sua fidelidade contínua ao Senhor. Mas pelo fato de que “somos agradáveis no Amado”, e não por causa de qualquer coisa em nós mesmos, temos eterna segurança, e jamais poderemos nos perder; nossa aceitação se baseia nos méritos gloriosos de Jesus Cristo, e jamais poderão falhar enquanto Ele mantiver Seu caráter santo e imaculado. O próprio Jesus Cristo teria primeiro de pecar, antes que pudéssemos chegar a nos perder, e isso, é claro, é um assunto além das possibilidades. Portanto, a salvação de todo verdadeiro filho de Deus está eternamente resolvida e segura.
A eleição é pessoal, tratando com indivíduos; é verdade que Israel era uma nação escolhida, conforme está escrito: “Por amor de meu servo Jacó, e de Israel, meu eleito, eu te chamei pelo teu nome”, (Isaías 45:4), mas de longe a maioria das referências à eleição e aos eleitos trata não com a nação de Israel, mas em vez disso com os santos individuais de Deus. Alguns declararam que nunca se menciona eleição como tendo a ver com salvação, mas é sempre em referência a Israel como nação eleita, ou caso contrário é uma eleição para serviço. Só dá para explicar essa declaração por ignorância ou preconceito, pois as Escrituras declaram: “Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade” (2 Tessalonicenses 2:13). “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses 5:9). “E creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna” (Atos 13:48). E há numerosas outras passagens que, de forma explícita ou implícita, declaram que a salvação é o resultado direto da eleição.
Isso nos leva a observar outra coisa acerca da eleição, a qual os oponentes da doutrina bíblica da eleição ou não percebem ou então ignoram. A eleição não é a mesma coisa que a salvação. Os oponentes muitas vezes tentam fazer a doutrina parecer absurda dizendo: “Então você crê que os eleitos foram salvos desde a eternidade passada?” A eleição é para a salvação, pois a eleição ocorre na eternidade passada, mas um homem só é salvo depois de nascer de novo, e as primeiras evidências desse novo nascimento são arrependimento e fé. A eleição é aquela determinação de Deus conduzir o homem as circunstâncias e debaixo de influências que certamente farão com que ele seja salvo.
A eleição de Deus é um assunto individual, exatamente como o modo como Deus trata os homens é individual; os homens não são salvos em grupo, e nem são eleitos em grupo. Num versículo os santos de Deus são chamados “a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido”, (1 Pedro 2:9), mas eles são na maioria das vezes citados em termos que frisam a eleição individual que o Senhor faz de cada um.
A eleição também se baseia na presciência de Deus, pois está escrito: “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Romanos 8:29). Tragicamente, há uma profunda ignorância dessa palavra “presciência” e sua aplicação. Caso contrário, há muitas vezes uma perversão absoluta desse texto a fim de se evitar seu ensino óbvio. Antes de lidar com esse texto, talvez seja bom ler também 1 Pedro 1:2, e lidar com ambos de uma só vez: “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo”.
Essa perversão de Romanos 8:29 e 1 Pedro 1:2 é feita por homens que declaram que essa é uma presciência da fé dos homens — que Deus elege os homens porque Ele antevê que eles crerão em Jesus Cristo. Mas por que Deus deveria elegê-los se Ele vê que eles vão crer de qualquer forma? Será que Ele é como muitos moderninhos que primeiro observam para ver de que jeito as coisas vão indo, então pulam na primeira tendência da moda que aparece de modo que pareça que eles estão de acordo com todo mundo? Dificilmente: É óbvio que essa não é uma interpretação que esses textos produzirão, a partir do fato de que essa presciência não é “o que” — isto é, sua fé, obras, atitude ou serviço potencial — mas é de “quem” — isto é, uma presciência de suas pessoas. De novo, não poderia ser de suas obras ou fé, pois isso faria com que Romanos 8:29 entrasse em conflito com 1 Pedro 1:2, onde se revela que a fé é conseqüência natural e resultado da eleição, pois Deus elege “para a obediência”, e 2 Tessalonicenses 2:13, onde os homens são escolhidos “para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade”. Em ambos os exemplos, revela-se que a obediência e a fé são conseqüência natural e resultado da escolha soberana de Deus, e não a causa dela. Veja também Atos 13:48, onde se apresenta a mesma coisa. Os homens dizem que Deus anteviu que os homens creriam, mas as Escrituras em parte alguma dizem isso; pelo contrário, o que Deus viu quando Ele olhou do céu foi descrença, desobediência e rebelião universal, conforme está escrito: “Deus olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não, nem sequer um” (Salmo 53:2-3). Isso resolve esse assunto para todos os que estão sujeitos à Palavra de Deus. Deus não elegeu os homens porque Ele anteviu que eles creriam, mas Ele os elegeu porque Ele anteviu que a menos que Eles os elegesse, e oferecesse os meios para conduzi-los à salvação, ninguém chegaria a ser salvo.
Ora, se essa presciência não é da fé deles, então a que isso se refere? Em 1 Pedro 1:20, essa mesma palavra grega que é traduzida “presciência” em 1 Pedro 1:2, é traduzida em 1 Pedro 1:20 “em outro tempo foi conhecido”. Acerca disso o Dr. B. H. Carroll diz:
Conforme Pedro declara a eleição, perguntamos: o que é? Significa escolhidos para a salvação. Quem elege? Deus o Pai. Ele elege de acordo com quê? De acordo com sua presciência. O que Ele quer dizer com presciência? A palavra grega é “prognosis:” “nosis” significa conhecimento, e “pro” (o “g” significa eufonia) quer dizer antes, ou presciência, e essa palavra é um substantivo usado apenas por Pedro no Novo Testamento. Ele o usa três vezes, conforme o seguinte: Atos 2:23; a passagem aí, 1 Pedro 1:2, e em 1 Pedro 1:20. Esses são os únicos lugares no Novo Testamento em que temos a palavra “prognosis,” presciência, que significa conhecer de antemão. Mas tanto Pedro quanto Paulo usam o verbo “prognosco,” que significa conhecer de antemão… Paulo usa a palavra em referência ao conhecimento de antemão que Deus tem de seu povo, e todas as outras vezes que Pedro fala do conhecimento de antemão de Deus. Ora, então a pergunta é: O que significa conhecer de antemão?… O uso de presciência no Novo Testamento era exatamente equivalente à predestinação. Qualquer estudioso da língua grega lhe diria isso. A eleição não se baseava em alguma bondade antevista no homem ou em algum arrependimento ou fé no homem, mas o arrependimento e a fé procedem da eleição, e não vice-versa. De modo que o que Paulo quer dizer com presciência é praticamente a mesma coisa que a predestinação; que na eternidade Deus determinou e elegeu de acordo com essa predestinação. — An Interpretation of the English Bible (Uma Interpretação da Bíblia em Inglês), Vol. 16, pp. 188 189. Broadman Press, Nashville, Tennessee, 1947.
Obviamente “conhecer antes” envolve mais do que mera presciência nessas passagens, pois em Atos 2:23 a presciência de Deus fez mais do que meramente conhecer de antemão a crucificação de Cristo, mas era realmente parte da força de entrega nela: “A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos”. O outro uso dessa palavra em 1 Pedro 1:20, onde se traduz “conhecido antes” revela essa mesma coisa, isto é, que essa palavra envolve não só presciência de um fato, mas também a execução de um fato. A presciência de Deus é pois equivalente ao ato de Ele decretar esse fato. Sua predestinação é o cumprimento de todos os eventos que têm a ver com as vidas de Seus eleitos. Portanto, como disse alguém, a eleição tem a ver com pessoas, enquanto a predestinação tem a ver com eventos.
Muitas vezes se usa a palavra “propósito” para denotar a firme decisão ou determinação da mente de buscar um objeto específico. Mas não seria sábio um Ser onisciente tornar qualquer coisa uma finalidade de ação, a menos que se saiba que dá para alcançá-la; e, se sabe que dá para alcançar, tem de se saber também os meios e o modo de obtenção. Assim, o propósito de Deus, abrangendo tanto finalidade quanto meios, tem de abranger tudo o que ele determinou fazer ou permitir. — Alvah Hovey, Manual of Systematic Theology (Manual de Teologia Sistemática), p. 96. Ameri¬can Baptist Publication Society, Philadelphia, 1880.
Não só isso, mas enquanto todos sabemos o que significa “antes” quando adicionado a “conhecer”, muitos não consideraram o uso bíblico da palavra “conhecer”, mas presumiram que só se refere à consciência mental de algo. O primeiro uso de “conhecer” nas Escrituras mostra que se refere a entrar numa íntima união de amor com outro (veja Gênesis 4:1). Esse é o mesmo uso no primeiro uso de “conhecer” no Novo Testamento em Mateus 1:25. Maria também usou essa palavra na mesma forma em Lucas 1:34. É verdade que essa palavra foi usada nessas passagens referindo-se a uma união física, mas ilustra o uso espiritual, como o físico faz em muitos exemplos. Assim, ao “conhecer antes” certas pessoas, Deus estava simplesmente entrando numa íntima relação espiritual de amor com elas em Cristo, o representante delas, como em Efésios 1:3 4. Essa presciência de Deus o Pai equivale em sentido quanto ao que se declara de Israel em Jeremias 31:3. “Há muito [ou na eternidade passada] que o SENHOR me apareceu, dizendo: Porquanto com amor eterno te amei [ou, te escolhi para mim mesmo], por isso com benignidade te atraí [ou, chamado eficaz]”. Deus tomou a iniciativa com relação à redenção do homem antes que o homem até viesse a existir, e assim, independente de alguma fé real ou possível, obras ou mérito de qualquer tipo. É graça, pura graça, SOBERANA GRAÇA.
A fim de interpretar corretamente a Palavra de Deus, precisamos considerar todas as vezes que uma palavra ou frase aparece, e interpretar cada uma em harmonia com todas as outras; mas se fizermos isso, então não podemos tomar qualquer um dos cognatos dessa palavra “conhecer [antes]”, isolá-la dos outros usos, e dar-lhe um sentido diferente dos outros. Assim, não dá para forçar o termo “dantes conhecer” em Romanos 8:29 a se referir a uma presciência passiva das ações do homem no tempo, quando as formas do substantivo e do verbo dessa palavra em outros lugares mostram que envolve uma força ativa que realiza o fato assim “dantes conhecido”. Parece óbvio para este escritor que a palavra grega traduzida “dantes conheceu” em Romanos 8:29 tem a força de “entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus” como na verdade a mesma palavra é traduzida em Atos 2:23, e a maioria dos grandes teólogos batistas do passado tinha esse consenso.
A eleição não se baseia em alguma obra ou ato humano, real ou previsto, mas em vez disso é soberana, conforme está escrito: “Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece” (Romanos 9:15-16). E de novo: “Assim, pois, também agora neste tempo ficou um remanescente, segundo a eleição da graça. Mas se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Se, porém, é pelas obras, já não é mais graça; de outra maneira a obra já não é obra” (Romanos 11:5-6). E ainda de novo: “Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; Para que nenhuma carne se glorie perante ele” (1 Coríntios 1:26-29).
O homem foi criado e existe para um propósito supremo — para que Deus seja nele glorificado, e Deus jamais tolera nada que vá além daquilo que contribui para Sua glória, pois está escrito: “Certamente a cólera do homem redundará em teu louvor; o restante da cólera tu o restringirás” (Salmos 76:10). Isso explica o motivo por que a eleição é soberana, e o motivo por que Deus lida com o homem em graça — é para que a glória possa ser toda dEle; e isso explica também o motivo por que a doutrina da eleição é tão desagradável ao paladar do homem — não lhe deixa espaço algum para se gloriar em si mesmo. Assim as Escrituras declaram que a vontade e os propósitos de Deus são os fatores determinantes de Sua relação com o homem: “E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, Para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado… Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra; Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade” (Efésios 1:5-6, 9-11).
A rebeldia do homem em aceitar a doutrina da eleição resume-se a apenas uma coisa — ele está indisposto que Deus seja soberano nesse assunto. Ao reconhecer a soberania absoluta de Deus, não teremos problemas com a doutrina da eleição, nem com nenhum dos temas relacionados, pois se Deus tem o direito soberano de fazer com Sua criação conforme bem quiser, e se Ele não pode agir de modo injusto, então tudo o que Ele faz será certo, quer nós seres humanos mortais consigamos ou não entender as razões para Suas ações. Nem mesmo a doutrina da reprovação nos afligirá ao reconhecermos a justiça e soberania de Deus. No entanto, muitos inflam a reprovação (ou rejeição, como também é chamada) para proporções desnecessárias, não percebem sua conexão com o pecado do homem e tornam decreto arbitrário enviar alguns para o inferno sem relação com a descrença disposta do homem. J. M. Pendleton bem diz:
Se se diz que a eleição de alguns é a rejeição de outros, pode-se comentar: A Rejeição é um termo desnecessariamente forte, e é preferível dizer que Deus deixou outros como estavam. A doutrina da eleição os deixa onde eles estariam se não houvesse eleição alguma. Nenhuma injustiça lhes é feita. A verdade é, a eleição não é injustiça para ninguém, embora seja uma bênção inexpressável para alguns. É preciso uma multidão que nenhum homem pode contar do meio da raça caída de Adão, mas Deus pode contá-los e elevá-los à esperança e céu. — Christian Doctrines (Doutrinas Cristãs), pp. 106 107. American Baptist Publication Society, Philadelphia, 1878.
Alguns, em ignorância abjeta, afirmam às vezes que essa doutrina ensina que Deus arbitrariamente manda todos os não eleitos para o inferno “sem uma chance” e exclusivamente como um ato de soberania, mas tal idéia ignora os fatos (1) Que ninguém vai para o inferno exceto por pecado real e pessoal, e assim todo indivíduo no inferno estará ali por justiça. (2) Que nenhum homem vai para o inferno exceto depois de uma vida inteira de pecado, incredulidade e rejeição ao único remédio para o pecado. (3) Que nenhum incrédulo pode saber de sua eleição ou sua não eleição até o fim da vida, e enquanto há vida ele não só tem a oportunidade de se arrepender e se salvar, mas também convites nesses sentido lhe são oferecidos. Séculos atrás, João Bunyan escreveu sobre a Reprovação:
Tenho de lembrá-lo novamente acerca desses detalhes: 1. Que a reprovação eterna não torna um homem pecador. 2. Que a presciência de Deus, que os reprovados perecerão, não torna nenhum homem pecador. 3. Que a infalível determinação de Deus para a condenação daquele que perece não torna homem algum pecador. 4. A paciência, a longanimidade e a moderação, até que o reprovado se prepare para a destruição eterna, não tornam nenhum homem pecador. — The Doctrine of Election And Reprobation, in The Complete Works Of John Bunyan (A Doutrina da Eleição e Reprovação, nas Obras Completas de John Bunyan), Vol. II, p. 285. National Foundation For Christian Educat¬ion, reimpressão, Marshallton, Delaware, 1968.
Nenhum homem tem o direito de falar contra o modo como Deus se relaciona com o homem, qualquer que seja tal relação, e é somente mediante a presunção e prepotência blasfema que alguém ousa agir desse jeito. “Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?” (Romanos 9:20-21). Portanto, que nenhum homem orgulhoso desafie o modo como Deus se relaciona com o homem, mas em vez disso que ele se regozije no fato de que Deus escolheu alguns do mundo para serem Seus escolhidos, e que o homem confie no Senhor Jesus para obter a salvação de sua alma para que ele possa ter a certeza de que está incluído entre os escolhidos, e agora humildemente se regozijar nessa eleição.
De novo, que se observe que a eleição inclui todos os meios necessários para a chamada dos eleitos entre o restante do mundo. Aqueles que não crêem nessa doutrina muitas vezes acusam aqueles que crêem de incoerência porque pregam o evangelho e se esforçam para obter a salvação das almas dos homens; ao agirem desse jeito, eles traem sua ignorância, ou então são culpados de propositalmente mal-representar a verdade, pois todos os que verdadeiramente entendem e crêem nessa doutrina também crêem que Deus não só escolheu certas pessoas para serem somente dEle na eternidade, mas que Ele também ordenou os meios para levá-las ao arrependimento e fé no tempo. Referindo-se a Romanos 8:30, o Dr. J. M. Pendleton diz:
Nesse versículo temos, se é que podemos assim chamar, uma corrente de ouro de quatro elos, e essa corrente alcança de eternidade a eternidade. O primeiro elo é a predestinação, e o último é a glorificação, enquanto os dois elos no meio são chamado e justificação. O primeiro elo não tem conexão alguma com o último, exceto mediante os elos intermediários. Isto é, não há jeito de o propósito de Deus na predestinação poder alcançar sua finalidade na glorificação, se o chamado e a justificação não ocorrerem. Mas o chamado e a justificação são inseparáveis de “a conversão a Deus, e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo” (Atos 20:21). O arrependimento e a fé, então, sem mencionar outras coisas, são meios mediante os quais se realiza o propósito de Deus na eleição. Portanto, Deus, ao predestinar a salvação para seu povo, predestinou o arrependimento deles, e a fé e todos os outros meios necessários para a salvação deles. — Christian Doctrines (Doutrinas Cristãs), pp. 110 111. American Baptist Publication Society, Philadelphia, 1878.
Se nos perguntassem o motivo por que temos de pregar o evangelho se Deus escolheu os homens para a salvação, deixamos Paulo responder: “Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade; Para o que pelo nosso evangelho vos chamou, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo” (2 Tessalonicenses 2:13-14). Se nos perguntassem de modo faccioso o motivo por que então não pregamos somente aos eleitos, respondemos primeiramente que não podemos saber antecipadamente quem são eles, a não ser pela reação deles ao evangelho, mas ainda que pudéssemos saber antecipadamente quem são eles, isso em nada nos aliviaria do dever de “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15). Quantos eleitos há, e quem são, de modo algum afeta nossa responsabilidade de proclamar fielmente a todo o mundo o evangelho da graça salvadora de Deus; é responsabilidade de Deus chamá-los através do evangelho que pregamos. O evangelho tem um de dois resultados quando é pregado: justificação ou juízo; assim, Paulo diz: “Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem. Para estes certamente cheiro de morte para morte; mas para aqueles cheiro de vida para vida. E para estas coisas quem é idôneo?” (2 Coríntios 2:15-16). A pregação do evangelho torna mais ainda os homens responsáveis de prestar contas a Deus por sua incredulidade e rejeição.
III. A DETERMINAÇÃO DA ELEIÇÃO.
Muitas vezes se faz a pergunta: “Como uma pessoa pode saber que ela pertence aos eleitos?” O que todos temos de compreender é que enquanto nosso Senhor disse: “Mas, não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus”, Lucas 10:20, mas não temos jeito algum de subir até o céu e contemplar aquele maravilhoso e glorioso Livro da Vida do Cordeiro, em que estão inscritos todos os santos de todas as épocas. Mas se esse é o caso, como então se pode saber que ele pertence aos eleitos? Não simplesmente porque ele é membro de uma igreja, pois isso nada prova, como revela o caso de Judas Iscariotes; e um homem não pode saber que ele é dos eleitos porque ouviu a pregação do evangelho e sentiu a convicção da Palavra, pois Mateus 20:16 declara que “muitos são chamados, mas poucos escolhidos”. O chamado do evangelho mexe com muitos corações que nunca são transformados e nunca são vivificados pelo Espírito Santo, e assim o número dos eleitos é muito menor do que o número dos que sentiram a convicção e ouviram um chamado de receber o Salvador.
Quando consideramos as referências aos homens sendo chamados em Romanos 8:30: “E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou”, e 1 Coríntios 1:23 24: “Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos. Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus”, e 2 Tessalonicenses 2:14: “Para o que pelo nosso evangelho vos chamou, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo”, e outras passagens, então se torna óbvio que além do chamado normal, que vem mediante a pregação, e que muitas vezes é mais ineficaz do que não, há outro chamado que é sempre apenas para os eleitos, e sempre resulta em justificação, e finalmente se completará na glorificação. Esse último chamado é o que os teólogos do passado chamavam de chamado eficaz, enquanto o primeiro chamado é conhecido como o chamado geral; a menos que se faça essa distinção, o resultado será muita confusão, e parecerá que os propósitos de Deus muitas vezes falham na realização. O chamado eficaz, porém, não falha, sendo idêntico com regeneração, de modo que qualquer pessoa nasce de novo quando esse chamado lhe vem. Esse chamado é co-extensivo com o número daqueles que são justificados e glorificados, pois não há quebra entre eles, nem diminuição nem aumento no número de pessoas entre o chamado, a justificação e a glorificação em Romanos 8:30. Note a correlação entre “aos que” e “estes” aparecendo três vezes.
Ninguém tem a garantia de sua eleição, exceto ao se submeter ao chamado do evangelho e se arrepender de seus pecados e confiar na obra expiatória do Senhor Jesus Cristo, pois essas coisas são as primeiras evidências da eleição de alguém, como está escrito: “… e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna” (Atos 13:48). Esse versículo sofre enorme violência por parte daqueles que não crêem na eleição soberana de Deus, alguns tentando tornar a ordenação para a vida subseqüente ao ato de crer, e outros desafiando o sentido da palavra traduzida “ordenado”.
Quanto à primeira dessas duas reações a esse versículo, temos só de citar as palavras do Dr. A. T. Robertson, cuja autoridade como estudioso grego é inquestionável, pois ele é conhecido e reconhecido como um dos grandes estudiosos gregos da geração passada. Ele diz:
Não há nenhum tipo de truque que possa fazer significar que aqueles que creram foram depois ordenados. Foi a fé salvadora que foi exercitada somente por aqueles que foram ordenados para a vida eterna, aqueles classificados para a vida eterna, que foram assim revelados como alvos da graça de Deus pela posição que tomaram para o Senhor neste dia. — Word Pictures In The New Testament (Retratos da Palavra no Novo Testamento), Vol. III, pp. 200 201. Broadman Press, Nashville, Tenn., 1930.
A única ordem correta dessa sentença é com ordenação à vida eterna indo antes, e sendo a causa da fé que se estava exercendo. Quanto à segunda reação a esse versículo — o desafio do sentido da palavra traduzida “ordenado” — alguns dizem que se deve lhe atribuir um sentido reflexivo: “se dispuseram para a vida eterna”. Não somos informados acerca do motivo por que essa palavra tem de receber tal atribuição, a menos que seja forçada a concordar com a idéia de antemão deles. É suficiente responder que essa palavra (grego tasso) jamais sustenta tal sentido no Novo Testamento conforme manifestará um estudo de todas as vezes que essa palavra aparece; (veja Mateus 28:16; Lucas 7:8; Atos 13:48; 15:2; 22:10; 28:23; Romanos 13:1; 1 Coríntios 16:15). Só no último exemplo a ação da sentença chega a ser reflexiva, e é reflexiva apenas porque o pronome reflexivo eatous a exige. O próprio verbo jamais é reflexivo, e tentar forçá-lo a ser mostra uma indisposição de se aceitar o sentido claro do verbo original.
Além dos mais, se torna ainda mais óbvio que a Versão do Rei James traduz essa palavra de modo correto quando consideramos que quase todos os tradutores do Novo Testamento reconhecem esse como o sentido verdadeiro dessa palavra, e assim a traduzem. É interessante notar que os homens muitas vezes lidam de modo bem negligente com as Escrituras quando fazem comentários sobre elas, muitas vezes tentando forçar suas próprias crenças nelas, mas quando eles as estão traduzindo, eles são mais prudentes, e parecem temer lidar com elas do mesmo modo sacrílego que lidam em seus comentários. Das mais de trinta versões que este escritor consultou, apenas duas traduziram essa palavra de modo diferente de “ordenar”, “nomear”, “destinado”, “escolhido”, e palavras de importância semelhante. Uma dessas duas é a Versão do Novo Mundo (das testemunhas-de-jeová), que é bem conhecida por sua falta de confiabilidade. A outra versão é a Bíblia Viva, que se reconhece como paráfrase, e não uma tradução, mas até mesmo essa versão, embora use a palavra “desejaram” no texto, dá, no rodapé, o sentido de “arranjados para” ou “ordenados para”. O sentido passivo mostra com clareza que a disposição não era do homem, e assim deve ter sido de Deus, pois Satanás certamente jamais tentaria determinar ninguém para a vida eterna. Cremos que esses fatos acerca de Atos 13:48 falam por si mesmos.
Que o homem não tenha o poder intrínseco de crer, e que ele tem de pertencer ao número dos eleitos antes que possa crer no evangelho, é óbvio a partir de João 10:26: “Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito”. Essa é uma declaração difícil, mas não temos a liberdade de rejeitá-la simplesmente porque não podemos entendê-la, pois não é o único versículo que ensina essa verdade profunda, pois João 6:44 45 também declara: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim”. Se o Pai não atrair uma pessoa, e lhe der o poder da fé, então esse indivíduo não pode se salvar; assim, toda a glória da salvação pertence ao Senhor e somente a Ele.
Do ponto de vista humano, determina-se a eleição pela vida que alguém vive, e por esse motivo só é possível sabermos com certeza nesta vida mediante o exemplo de uma vida de santidade. Paulo disse acerca dos tessalonicenses: “Sabendo, amados irmãos, que a vossa eleição é de Deus”, 1 Tessalonicenses 1:4, mas como ele sabia disso? Ele próprio dá a resposta no versículo precedente: “Lembrando-nos sem cessar da obra da vossa fé, do trabalho do amor, e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai” (versículo 3). Quando compreendemos que os homens são eleitos para a fé e obediência, e não por causa destas, (2 Tessalonicenses 2:13; Atos 13:48; 1 Pedro 1:2), então compreendemos que onde as vemos, há evidência de eleição. Na salvação somos criados “em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas”, (Efésios 2:10), de modo que uma vida constante em boas obras é evidência de que alguém foi salvo, e conseqüentemente de que é uma pessoa eleita.
A eleição é uma doutrina misteriosa, mas maravilhosa; é uma doutrina que, embora não deixe espaço para o orgulho e vaidade, é porém uma grande bênção para o homem, pois garante a salvação de cada um dos eleitos de Deus. Alguns repudiam a doutrina da eleição, dizendo que mostra ser respeitadora de homens, mas deixa alguns sem esperança de salvação. A verdade é que ninguém pode saber se ele pertence aos eleitos ou não eleitos, exceto crendo ou então morrendo sem arrependimento, o que coloca a questão toda no nível da fé ou falta de fé do indivíduo. Observe o que Jesus diz acerca disso: “Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (João 6:37). Aí aprendemos: (1) Que só aqueles que foram dados a Cristo no pacto da redenção virão a Ele. Isso se refere, é claro, à eleição. (2) Todos aqueles que foram assim dados virão a Cristo. A salvação de todos os eleitos é assegurada pelo chamado eficaz e a atração deles. Essa é graça eficaz ou irresistível. (3) Que embora essas coisas sejam gloriosamente assim, há porém também a esperança para todos os que se achegam a Cristo em fé serão por Ele recebidos. Assim, enfatiza-se a responsabilidade humana, de modo que ninguém pode culpar a Deus por qualquer homem que se perde. Já que ele não pode saber de antemão acerca de sua não eleição, e já que se oferece a promessa de aceitação a todos os que se achegam, o homem perdido se perde exclusivamente por causa de sua própria incredulidade da promessa de Deus.
Nosso chamado e eleição podem ser afirmados — afirmados para nós e para outros homens, pois Deus já os conhece, sendo obra dEle. Assim diz Pedro: “Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis” (2 Pedro 1:10). As coisas às quais se refere Pedro, que tornam firmes o chamado e eleição de alguém, são aquelas boas obras que se esperam de toda pessoa que verdadeiramente nasceu de novo, e que manifestam que ele é verdadeiramente salvo. Elas são boas obras que se originam da fé (veja os versículos 5 9).
A eleição, sendo obra de Deus, e sem causa humana, glorifica a Deus enquanto ao mesmo tempo humilha o homem, e essa é a razão principal por que é tão desagradável ao paladar do homem. Quando nos lembramos da declaração de Paulo de que, “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem”, (Romanos 7:18), então temos de reconhecer que quase qualquer coisa que humilhe o orgulho carnal, enquanto glorifica a Deus, pode ser presumida como verdadeira. Nada de bom jamais teve sua origem na carne, e nada de ruim (nada verdadeiramente ruim à luz dos propósitos de Deus) jamais procede de Deus.
Autor: Pr Davis W. Huckabee
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br

sexta-feira, 13 de março de 2009

Fotos da Igreja Evangélica Missionária















domingo, 30 de novembro de 2008

Eleitos para a Salvação e Chamada Eficaz


Carlos R. Cavalcanti






OS ELEITOS PARA A SALVAÇÃO
E
CHAMADA EFICAZ





2007

Estudos realizados no culto de doutrina da
Igreja Evangélica Missionária no Janga
Sempre se reformando

ROBERTO, Cavalcanti R. Eleitos Para a Salvação e Chamada Eficaz. Recife. Editora CRC , 2007. 67p.
Conteúdo: Doutrinário. Todos os direitos reservados. Proibido a reprodução por quaisquer meios, salvo em breves citações com indicação da fonte.

GRÁFICA E EDITORA CRC
Fone: (81) 8710.5364 / 94212595
roberttocavalcantti@hotmail.com




ÍNDICE
....................................................


1. ELEITOS PARA A SALVAÇÃO....................................05
1.1 Eleitos na Eternidade..............................................................................13
1.2 Se Cristo morreu por todos, como afirmam os universalistas, por que todos não irão ser salvos?......................................................................20
1.3 O mundo pode ter vários significados. Depende do contexto em que é empregado.............................................................................................23
2. A CHAMADA EFICAZ..................................................45
2.1 Qual a importância dessa doutrina?......................................................46
2.2 Chamados pelo poder de Deus que opera em nós............................52
2.3 A certeza de que o chamado é para a salvação...................................60
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS









“Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor” (1Co.1:9 – negrito nosso).










1
ELEITOS PARA A SALVAÇÃO

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“Tendo Jesus falado estas coisas, levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti, assim como lhe conferistes autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste” (Jo. 17:1-2).
“Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra” (v.6).
“É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus [...]”(v.9).
“[...] Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que eles sejam um, assim como nós” (v.11b).
“Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (v.17).
“E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade” (v.19:8).
“Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste [...]” (v.24a).

Não é preciso ser sábio ou já ter freqüentado um curso de Teologia para entender esses versículos, basta ser nascido de Deus; os filhos de Deus ouvem e entendem a Sua Palavra (Jo.17:8) pelo Espírito Santo (cf. 1Jo.2:27) que lhes foi outorgado (Rm.5:5) . O v.6 do texto de João 17, não deixa dúvidas de que apenas os eleitos serão salvos, aqueles que guardaram a Sua palavra porque eram dEle e o nome de Deus foi revelado a eles (os eleitos) através de Cristo Jesus. Foi exclusivamente por esses que Cristo morreu. Não foi, portanto, especificamente, por cada pessoa do mundo, mas pelos que Lhe foram confiados porque eram de Deus, e não do mundo (v.14b). A “eleição” é uma doutrina bíblica rejeitada pela “Igreja Católica Romana”, porém, resgatada durante a “Reforma Protestante” do século XVI. Todas as Igrejas na época, nos seus artigos de fé, tinham a mesma opinião quanto a esse respeito: Deus elegeu para a salvação eterna, segundo o beneplácito de Sua vontade, um povo pecador, inimigo de Deus, que merecia a justa condenação, para ser instrumento de Sua bondade e misericórdia. Deixando o resto a sua própria sorte, pois, todos pecaram e afastados foram da glória de Deus. Como Ele não deve nada as suas criaturas, não tinha, portanto, a obrigação de salvar ninguém, mas aprouve a Ele salvar alguns dentre a raça caída, demonstrando Seu amor e misericórdia, porque assim foi do Seu agrado (cf. Rm.9:15-16) .
A rejeição a essa doutrina vem aumentando devido a grande apostasia que por sua vez é algo profético. Podemos constatar que esse crescimento é uma característica marcante do homem na sociedade pós-moderna, o qual, por essa razão, sente uma grande dificuldade em compreender as antigas doutrinas da graça. Por se multiplicar a iniqüidade muitos se afastou da sã doutrina por diversos motivos, os principais são: o cuidado com as coisas do mundo, a procura de doutrinas que promovam a satisfação da carne, o descompromisso com o Reino de Deus e o relaxo espiritual. Analisemos o artigo 20 da confissão de fé dos países baixos, e veremos o quanto as igrejas se desviaram da fé reformada:

Cremos que Deus, que é perfeitamente misericordioso e justo, enviou seu Filho para tomar a natureza na qual se havia cometido a desobediência, a fim de satisfazer e levar sobre ela o castigo dos pecados por meio de sua amarga paixão e morte. Assim, pois, demonstrou Deus a sua justiça contra o seu próprio Filho quando carregou sobre Ele nossos [dos eleitos] pecados; e derramou sua bondade e misericórdia sobre nós [os eleitos] que éramos culpados e merecedores de condenação, entregando seu Filho para ser morto por nós [os eleitos], movido por um mui perfeito amor, e ressuscitando-o para nossa [dos eleitos] justificação, para que por Ele tivéssemos [nós, os eleitos] a imortalidade e a vida eterna.

Sabemos, portanto, através das Escrituras, que os falsos mestres descompromissados com a palavra de salvação, e que corrompem as verdades nelas contidas, estão condenados em si mesmo (cf. Tt.3:11) . Muitas igrejas, atualmente, agem dessa forma, a fim de dar sustentabilidade às falácias arminianas, porque foi assim que suas idéias corrompidas receberam a justa condenação pelo Sínodo de Dort em que se expunha a doutrina reformada (DORT, 1618 – 19 – Editora Cultura Cristã. p11).
Um dos erros grosseiros da doutrina “arminiana” apresentada na “Remonstrânçia” e refutada no “Sínodo de Dort” foi a seguinte:

A eleição incompleta e não-definida de certas pessoas para a salvação se baseou nisto: Deus previu que elas começariam a crer, se converteriam, viveriam em santidade e piedade, de que até continuariam nisto por algum tempo. Eleição completa e definitiva de pessoas, porém, ocorreu porque Deus previa que elas perseverariam em fé, conversão, santidade e piedade até o fim. Isto é, constitui a dignidade graciosa e evangélica pela qual a pessoas que é escolhida é mais digna que outra que não é escolhida. Conseqüentemente a fé, a obediência de fé, a piedade e a perseverança não são frutos da imutável eleição para a glória. São condições e causas previamente requeridas e previstas como cumpridas naqueles que serão eleitos completamente. Só com base nestas condições ocorre a eleição imutável para a glória (DORT, Editora Cultura Cristã, ps.25, 26).

Vejamos agora de uma forma bíblica como os Teólogos reunidos no Sínodo de Dort refutaram tais heresias:


Este erro está em conflito com toda a Escritura que repete constantemente para nossos ouvidos e corações, estas e semelhantes afirmações: a eleição não [se dá] por obras mas por aquele que chama... (Rm.9:11), ... e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna; (At.13:48) ... nos escolheu nele antes da fundação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis perante ele... (Ef. 1:4); não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros... (Jo.15:1, 6); ... se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça (Rm.11:6). Nisto consiste o amor; não em, que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou, e enviou o seu filho... (1Jo.4:10) (DORT, Editora Cultura Cristã, ps. 26).

O Evangelho pregado na maioria dos nossos púlpitos não exalta, nem glorifica a Deus. É um Evangelho de prosperidade material, em que uns ficam bastante ricos e o resto continua na miséria, o que é pior, sem receber o leite espiritual para o crescimento do verdadeiro crente. O povo, sedentos da palavra de Deus, ao ouvirem os mercenários da prosperidade e agiotas da fé, entra em estado de êxtase, devido aos relâmpagos, trovões e todo espetáculo empregado por esses atores que se dizem ministros do Evangelho. Quando o culto termina, os irmãos vão para casa cheios de promessas vazias e sedentos como beduínos no deserto, posto que esses mercenários são como nuvens vazias, não sai uma gota d’água . A estes que se introduzem no meio do povo de Deus com dissimulação, foram antecipadamente pronunciados para a condenação: “[...] homens ímpios, que transformaram em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo” (Jd.4). “Ai deles! Porque prosseguiram pelo caminho de Caim, e, movidos de ganância, se precipitaram no erro de Balaão, e pereceram na revolta de Corá” (Jd.11).
Esse estudo tem a finalidade de responder algumas indagações que são feitas por determinados irmãos e até mesmo por aqueles que passaram pelo curso de Teologia, mas, desejam, de coração, conhecer a verdade sobre esta tão importante e sublime doutrina: A eleição.
Os eleitos de Deus anelam por conhecê-Lo, bem como o plano de salvação que nos foi preparado antes que houvesse mundo. Se você não consegue entender essas verdades, peça sabedoria a Deus que a todos dá livremente (cf. Tg.1:5) .

1.1 Eleitos na Eternidade

Que dizer então? Israel não conseguiu aquilo que tanto buscava, mas os eleitos o obtiveram. Os demais foram endurecidos, como está escrito: “Deus lhes deu um espírito de atordoamento, olhos para não ver e ouvidos para não ouvir, até o dia de hoje (Rm.11:7 – negrito nosso).

1) A pergunta mais freqüente que ouvimos no meio evangélico a respeito da eleição está relacionada à idéia de que Deus seria injusto caso houvesse escolhido alguns para salvação e deixado os outros em sua própria perdição.

- Analisaremos uma parábola, muito conhecida, que mostra a liberdade de Deus agindo soberanamente. E Ele não é injusto como se pensa, mesmo agindo dessa forma. A bondade de Deus não pode ser medida com critérios humanos.

Porque o reino dos céus é semelhante a um dono de casa que saiu de madrugada para assalariar trabalhadores para a sua vinha. E, tendo ajustado com os trabalhadores a um denário por dia, mandou-os para a vinha. Saindo pela terceira hora, viu, na praça, outros que estavam desocupados e disse-lhes: Ide vós também para a vinha, e vos darei o que for justo. Eles foram. Tendo saído outra vez, perto da hora sexta e da nona, procedeu da mesma forma, e, saindo por volta da hora undécimo, encontrou outros que estavam desocupados e perguntou-lhes: Por que estivestes aqui desocupados o dia todo? Responderam-lhes: Porque ninguém nos contratou. Então, lhes disse ele: Ide também vós para a vinha. Ao cair da tarde, disse o senhor da vinha ao seu administrador: Cama os trabalhadores e paga-lhes o salário, começando pelos últimos, indo até aos primeiros. Vindo os da hora undécima, recebeu cada um deles um denário. Ao chegarem os primeiros, pensaram que receberiam mais; porém também estes receberam um denário cada um. Mas, tendo-o recebido, murmuravam contra o dono da casa, dizendo: Estes últimos trabalharam apenas uma hora; contudo, os igualaste a nós, que suportamos a fadiga e o calor do dia. Mas o proprietário, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço injustiça; não combinaste comigo um denário? Toma o que é teu e vai-te; pois quero dar a este último tanto quanto a ti. Porventura, não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom? Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão os últimos (porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos) (Mt.20:1-16).

A parábola fala da justiça de Deus agindo soberanamente na escolha dos que irão ser salvos: “...porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos” (v.16). O dono da vinha tem todo o direito de fazer o que quiser com o que é dele (v.15), porém os trabalhadores que chegaram primeiro achou que o dono da vinha era injusto por ter pago o mesmo valor aos que chegaram por último. Ele faz o que quiser com o que é seu. Da mesma forma, o Filho do homem salva a quem Ele quiser: “Pois assim como o Pai ressuscita e vivifica os mortos, assim também o Filho vivifica aqueles a quem quer” (Jo. 5:21). Quando Deus salva um e não o outro, não está sendo injusto, mas, justo, pois a salvação pertence a Ele. Na verdade, os olhos dos que não entendem a doutrina da Eleição, são maus porque Deus é bom e provou Seu amor para conosco tendo Cristo Jesus morrido na cruz sendo nós ainda pecadores. Ele não pode ter provado o Seu amor para conosco e no final das contas alguns desse perderem a salvação. Os que ficarão na sua própria condenação são os que não foram eleitos. Deus não é injusto por não ter elegido a todos (v.16).
A Bíblia esclarece, muito bem, que Deus escolheu pela Sua graça um povo para salvação, e Jesus Cristo na Sua oração sacerdotal pede por eles, não pelo mundo: “É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus [...]” (Jo.17:9). Não só o Capítulo 17 de João, mas, toda a Bíblia fala de eleição, de um remanescente fiel que irá ser salvo. No tempo de Noé, muitos pereceram, e poucos foram salvos (Lc.17:26, 27; 1Pe.3:20) . O mesmo sucedeu nos dias de Ló (Gn.19:29; Lc.17:28, 29) . Nos tempos de Elias e (Is.10:22) como afirma o apóstolo Paulo em (Rm.11; Rm.9:27). Ele aponta que nos dias dele também havia um remanescente segundo a eleição da graça (cf. Rm.11:5) . Portanto, não nos surpreende que também “no tempo atual” há um remanescente segundo essa eleição.
A Confissão de fé Batista de 1689 tem posição Calvinista a respeito da “eleição”:

Em seu propósito eterno, e de acordo com o pacto estabelecido entre ambos, aprouve a Deus escolher e destinar o Senhor Jesus, seu Filho unigênito, parta ser o Mediador entre Deus e os homens: para ser o Profeta, Sacerdote e Rei, o Cabeça e Salvador de sua Igreja... Deus de toda a eternidade, Deus deu-Lhe um povo para ser sua descendência, e para que, em tempo, esse povo seja por Ele redimido, chamado, justificado, santificado e glorificado... Por sua obediência perfeita, e pelo sacrifício que fez de Si mesmo..., o Senhor Jesus satisfez plenamente a justiça de Deus, obteve a reconciliação e adquiriu uma herança eterna no reino dos céus para todos quantos foram dados a Ele pelo Pai... Cristo certamente aplica e comunica eficazmente a redenção eterna, para todos quantos Ele a obteve... (Capitulo 8, parágrafos 1, 5 e 8).

O texto de João 17:1 não deixa dúvidas, Jesus Cristo foi glorificado pelo Pai, o qual lhe concedeu autoridade sobre toda a carne “a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste”. É chegada a hora de ser consumado o que Deus havia providenciado na eternidade a favor daqueles que eram Seus. É revelado que muitos irão permanecer na perdição, ou seja, não foram eleitos para a salvação. Não podemos, todavia, pensar que entre os eleitos alguns possam vir a perder a salvação. Primeiro, porque a salvação é eterna, aconteceu antes na mente do Criador. “Eram teus” (v.6), foram dados a Cristo para que os purificassem através da obra de redenção realizada na cruz. Essa obra foi um ato único, eterno e eficaz. Portando, os que foram conferidos a Cristo Jesus alcançarão, de fato, vida eterna (v.2). Podemos pensar com toda certeza que estão seguros, principalmente porque têm um sumo sacerdote que está a destra de Deus e intercede por nós . Segundo, essa garantia também é vista no v.9: “É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus [...]”. Você acredita que os eleitos que foram conferidos a Cristo Jesus para vida eterna, os que Ele deseja que estejam ao Seu lado (Jo.17:24a) possam por algum motivo perder a salvação? Ensinar que os eleitos de Deus podem perder a salvação é antibíblico. Se isso fosse possível, a eleição perderia seu significado, aqueles que Deus deu a Cristo para que Lhes fossem conferido vida eterna ainda estariam perdidos. Vida eterna é justamente algo que começa em um passado eterno, foi consumado no tempo e no espaço, e permanecerá para sempre. Não podemos, no entanto, acreditar que essa salvação seja quebrada no tempo presente por algum tipo de pecado posto que nossa dívida foi paga completamente, Cristo satisfez a justiça de Deus morrendo na cruz pelos nossos pecados. Ter essa visão, de que os eleitos podem perder a salvação, é ser criança na fé. Ora, diz a Bíblia, os salvos não perdem a salvação:
Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm.8:38-39).
Como vimos, não existe nada que possa nos afastar do amor de Deus, que está em Jesus Cristo nosso Senhor. Ou ainda há algo pelo qual alguém que está em Cristo possa perder a salvação? Se existisse essa possibilidade, o sacrifício de Jesus Cristo na cruz teria sido ineficaz, contradizendo, dessa forma, as Escrituras, como por exemplo: (Hb.10:12-14; Jo.10:25-30) . Na verdade, aquele que começou a boa obra em tua vida há de concluí-la até o dia de Cristo Jesus.

2) Se foram eleitos alguns para salvação, como explicar (Jo.3:16) que diz: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”?

- Muitos insistem que Jesus morreu por todos. Se pensarmos dessa forma, estaremos descartando os textos que nos ensinam a respeito do castigo eterno e afirmando que não existe inferno, assim como a eleição. Pois, eleição significa escolher alguns dentre muitos.

1.2 Se Cristo morreu por todos, como afirmam os universalistas, por que todos não irão ser salvos?

A Bíblia afirma que “muitos são chamados, mas poucos, escolhidos” (Mt.22:14); “E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo” (Ap.20:15); “Os perversos serão lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus” (Sl.9:17). Analisemos, portanto, o texto de (Jo.17).

 Em (Jo.17:1-2) na oração sacerdotal de Jesus, a vida eterna é concedida a todos os que foram dados a Cristo pelo Pai. E por que a maioria irá para o inferno? Porque todos, nesse contexto, significa os eleitos de Deus. E nem todos foram eleitos para salvação:

Tendo Jesus falado estas coisas, levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti, assim como lhe conferistes autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste.
 Se Cristo morreu por todos, por que só serão salvos aqueles a quem foi manifestado o nome de Deus? “Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo” (v.6 – negrito nosso).
 Se Cristo morreu por todos, por que só serão salvos aqueles que têm guardado a “Palavra de Deus”? Sabendo que a salvação é pela fé e a fé é um dom de Deus. “Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra” (v.6 – negrito nosso).
 Se Cristo morreu por todos, por que Ele não rogou pelo mundo, mas apenas pelos que são de Deus?: “É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus [...]” (v.9 – negrito nosso).
 Se Cristo morreu por todos, por que Ele pede a Deus que guarde apenas os que lhes foram conferidos para a salvação?: “[...] Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que eles sejam um, assim como nós” (v.11b – negrito nosso).
 Se Cristo morreu por todos, por que todos não são “santificados na verdade”? Só os eleitos, aqueles que foram destinados à vida são os que Cristo Jesus pede para que o Pai os santifique na verdade? “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (v.17 – negrito nosso).
 Se Cristo morreu por todos, por que a vontade do Filho não é a de que “todo mundo” esteja onde Ele estiver? Mas, o desejo dEle é que só os que foram dados pelo Pai esteja com Ele: “Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste [...]” (v.24ª – negrito nosso).
O pensamento desenvolvido pelos arminianos a respeito da eleição é o seguinte: Os que irão se perder irão pelo fato de terem rejeitado a graça salvadora pelo seu livre-arbítrio. Em outras palavras, a salvação foi consumada por cada pessoa do mundo, encontra-se, porém, a disposição dos que quiserem aceitar ou não. Em primeiro lugar, quero esclarecer que “todo mundo” em (Jo. 3:16) refere-se, apenas, a todos os eleitos (judeus e gentios) e não a cada pessoa do mundo. Na concepção judaica, só os que cumpriam a Lei iriam para o paraíso. Na época, o “Sheó” estava divido em “Geena” e “Paraíso” e os gentios e judeus que não cumpriam a Lei iriam para o Geena. Quando o Messias viesse, só os que cumpriam a Lei ressuscitariam, todos os outros seriam deixados para trás. Por isso, “mundo” é usado em oposição a idéia de que só Eles iriam ser salvos.
Não só Jo.3:16, mas, existem outros versículos que são usados pelos universalistas a fim de apoiarem essa interpretação, afirmando que Cristo morreu por cada pessoa no mundo. Veremos que tais alegações não procedem. É falta de conhecimento bíblico. Podemos afirmar que tanto o pelagianismo quanto o arminianismo são frutos da apostasia que há de vir sobre o mundo. O mundo a que me refiro é o mundo cristão, o qual se afastou da fé reformada, pois o mundo pagão não tem do que apostatar.

1.3 Mundo pode ter vários significados. Depende do contexto em que é empregado.

Mundo – Cosmo - Universo: “[...] assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor”. (Ef.1:4 – negrito nosso)

- Mundo em Ef. 1:4 significa muito mais que o planeta terra, refere-se a tudo o que foi criado por Deus: Cosmo, Universo.

Mundo – os que ainda não haviam sido alcançados pela graça salvadora – “O mundo jaz no maligno”.

- “O mundo jaz no maligno”. O sistema mundial está estruturado na injustiça, bem como os que dele usufruem corruptamente. A palavra “mundo” neste sentido também não significa que todas as pessoas estivessem no maligno. Os eleitos de Deus, alcançados pela graça salvadora, estão em Cristo Jesus, e vivem nesse mundo. Portanto, a palavra mundo neste contexto é, também, limitada a um grupo de pessoas presas ao sistema corrompido.

Mundo – no gr. “todo mundo” – “Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda população do Império para recensear-se” (Lc.2:1).
“Toda a população do Império” – (mundo habitado – gr. Οίκουηένην) . O mundo habitado não estava resumido apenas ao Império Romano. Havia muitos países que faziam fronteira com o Império e não participaram desse recenseamento. Mundo, portanto, nesse contexto se refere ao “Império Romano” e não a cada pessoa que existia naquela época.

Mundo – os não eleitos: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós” (Jo.14:16, 17 – negrito nosso).
Nesses versículos o escritor diz que “o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não vê, nem o conhece [...]”, se for interpretado como os arminianos fazem com Jo.3:16, significaria afirmar que cada pessoa do mundo ainda estaria morta em seus delitos e pecados, e que o sangue de Jesus não nos purificou de toda a injustiça, justamente porque não podemos receber o Espírito da verdade. Mas, no final do versículo ele diz: “vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós”. Em (Jo.14:16-17), bem como em (Jo.3:16) mundo não significa todos literalmente, mas uma quantidade, os não eleitos. Ou seja, todos os que serão deixados em sua própria cegueira espiritual porque não podem receber o que não conhecem: o Espírito Santo.

Mundo – uma grande multidão: “De sorte que os fariseus disseram entre si: Vede que nada aproveitais! Eis aí vai o mundo após ele”! (Jo.12:19 – negrito nosso).
O mundo não seguia a Jesus, porém uma grande multidão. Nesta passagem, “mundo” é usado como força de expressão, uma hipérbole, um exagero de palavra. O mundo inteiro, no sentido literal, seguia a Jesus? Não. O sacrifício expiatório de Jesus Cristo foi pelo mundo inteiro? No sentido literal? Claro que não. Se fosse, todos seriam salvos. Algo é certo, todos os eleitos serão alcançados pela graça. Analisemos, pois, (Jo. 6:39): “E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu: pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia”. Será que Cristo realizou a vontade do Pai em consumar a obra de redenção morrendo na cruz por aqueles (os eleitos) que o Pai Lhe deu (Jo.6:37)? Ele disse que desceu do céu para fazer a vontade daquele que O enviou (cf. Jo.6:38; 10:25) e a vontade daquele que O enviou é esta: “que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia” (Jo.6:39b). Em (Jo.10:28-29) está claro, os eleitos de Deus jamais serão arrebatados da mão do Pai, pois foi-lhes dado a vida eterna em Cristo Jesus.
Os salvos foram eleitos na eternidade (cf. Ef.1:4) e selados para esse fim (cf. Jo.6:27): a salvação.
Será que a vontade de Deus Pai é menor do que a vontade humana? E que o pensamento arminiano, em que se afirma poder resistir a graça Divina, é verdadeiro? A Bíblia diz que não. A graça de Deus é eficaz e irresistível , Ele mesmo afirma: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” (Jo.10:27-28 - negrito nosso).
Quando a Bíblia diz que o Espírito Santo é quem convence o homem do pecado da justiça e do juízo, significa que Ele só opera miraculosamente e eficazmente nos eleitos, quebrando a resistência e a inimizade que havia antes . É contraditório afirmar que alguém convenceu outro e não obteve o resultado esperado. Logicamente isso não teria sido um convencimento. Se Cristo salva, é porque Ele realmente dá vida a todos os que o Pai lhe deu. Da mesma forma é com o Espírito Santo, se Ele convencer é porque ouve aceitação, posto ser eficaz a Sua atuação. A Confissão de Fé de Westminster, sobre isto, nos informa que:

Seção I. – Todos aqueles a quem Deus predestinou para a vida, e somente esses, aprouve ele, no tempo por ele determinado e aceito, chamar eficazmente, por sua Palavra e por seu Espírito, daquele estado de pecado e de morte, em que estão por natureza [...]” (CONFISSÃO DE FÉ WESTMINSTER. 1999: 231).

Mundo – pessoas de diversas localidades: “[...] pela palavra da verdade do evangelho que chegou até vós; como também em todo o mundo está produzindo fruto e crescendo [...]” (Cl.1:5, 6 – negrito nosso).

Nesse caso mundo refere-se ao Império Romano. O Evangelho estava sendo pregado por todo o mundo com bastante aceitação. O Império Romano era considerado de proporção mundial. Não podemos interpretar que o Evangelho tinha alcançado, de uma forma geral, todo o mundo de então. Principalmente porque a história bíblica mostra que havia países que ainda não havia sido alcançados pelo Evangelho.

Mundo – eleitos: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo.1:29 – negrito nosso).
Aqui também está se referindo aos eleitos de Deus (judeus e gentios). Se o Cordeiro tivesse feito expiação pelos pecados de cada pessoa do mundo é claro que o mundo inteiro seria salvo . Todos sendo salvos, a doutrina do inferno estaria na Bíblia sem sentido. Pois está escrito que muitos não tiveram suas vestes lavadas com o sangue do Cordeiro de Deus, ouvirão, portanto, naquele dia: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mt.25:41). Esta é uma realidade que muitos irão enfrentar eternamente (eterno - gr. Anion).
“Todos”, também, em alguns contextos, referem-se aos “eleitos de Deus” (judeus e gentios) e não a todas as pessoas do mundo, como acreditam alguns arminianos.
É falso afirmar que Cristo consumou uma obra expiatória pelos nossos pecados (cf. 2Co.5:19) e colocou a disposição de pessoas mortas nos seus delitos e pecados para que elas pudessem escolher ou rejeitar a vida. O texto de (Dt.30.19) é interpretado pelos arminianos como se os israelitas pudessem escolher a vida, porém, eles escolheram a morte. Por que não escolheram a vida? Justamente porque a Lei gera consciência de pecado , e não vida. Se a Lei gerasse vida não era preciso outra Aliança . A Bíblia diz que foi Cristo Jesus quem nos deu vida: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” (Ef.2:1). A salvação, portanto, pertence ao nosso Deus, foi dada autoridade ao Filho para consumar a obra de redenção e dar vida eterna a todos os eleitos de Deus:
Tendo Jesus falado estas coisas, levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti, assim como lhe conferistes autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste (Jo. 17:1-2).
Em João 17:1-2, está escrito que a vida será dada aos eleitos de Deus. Não é como afirmam alguns arminianos: “algo consumado e colocado a disposição de quem quisesse”.
Temos muitos versículos que corroboram com o pensamento reformado (bíblico) afirmando que o homem não tem capacidade de escolher a Deus, de decidir se O aceita ou não. Estávamos mortos nos nossos delitos e pecados e fomos, portanto, objeto da Sua graça e do Seu amor. Vejamos alguns desses versículos:
Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça [...]” (Jo.15:16); “Havendo grande debate, Pedro tomou a palavra e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que, desde há muito, Deus me escolheu dentre vós para que, por meu intermédio, ouvissem os gentios a palavra do evangelho e cressem” (At.15:7); “[...] assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef.1:4-5). “Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade (2Ts.2:13 – negrito nosso).
Como vimos, a salvação é incondicional , é dada aos eleitos sem que eles possam resistir. “Pois quem jamais resistiu à sua vontade?” (Rm.9:19). Se a salvação estivesse a disposição da humanidade ninguém teria a capacidade de alcançá-la, visto que todos estão mortos espiritualmente, são inimigos de Deus (Rm.5:10) . Todas as suas faculdades estão corrompidas pelo pecado sendo os seus desejos o de fazer a vontade do diabo (cf. Jo.8:44) e não a de Deus. Inimigos da Cruz de Cristo (cf. Fl.3:18) , destinados a perdição (cf. Fl.3:19) .
3) Segundo os ensinamentos arminianos, Deus elegeu conforme Sua presciência. Ou seja, Ele elegeu ou predestinou aqueles a quem previu que teriam fé e se arrependeriam. Isso é o que vem sendo ensinado na maioria das igrejas.
- Muitos estão sendo ensinados dessa forma. É uma doutrina corrompida de origem pelagiana que rouba a glória da Deus, isso é muito perigoso. É importante salientar que a salvação pertence ao nosso Deus: “Do SENHOR é a salvação, e sobre o teu povo, a tua bênção” (Sl.3:8). “Ao SENHOR pertence a salvação!” (Jn.2:9). O homem não contribui para que a eleição o alcance. É algo que pertence ao SENHOR.
Quem são os verdadeiros eleitos? Alguém pode responder? Só Ele sabe, pois, conhece a real intenção do nosso coração . Isso não quer dizer que Ele nos elegeu devido a esse conhecimento prévio. Não, Ele nos elegeu porque fomos instrumento do Seu amor sem que houvesse nada de bom, de virtuoso em nós que O inclinasse a fazer tal escolha. Fomos, como já disse, alvo da Sua graça, do Seu poder, do Seu infinito amor; o motivo pelo qual nos escolheu em Cristo, eu não sei. Acredito que nem na eternidade saberemos.
Se fossemos escolhidos porque Deus previu que iríamos crer, isso não seria eleição de Deus, e sim, nossa. Nós escolheríamos a Deus, iríamos até Ele através das nossas próprias obras. Todavia, Ele diz: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça” [...] (Jo.15:16). Judas foi escolhido como vaso de desonra para que se cumprissem as Escrituras . Não foi o contrário. Jesus não foi pego de surpresa, nem o conheceu porque viu que ele iria agir daquela forma, como um diabo (opositor), mas porque isso foi decretado na eternidade conforme o Seu propósito, para acontecer, no tempo estabelecido pelo Eterno, sem que Judas pudesse mudar aquela situação. Em (Jo.17:12) ele é chamado de filho da perdição, o que significa, em ultima análise, que nasceu para que através da sua atitude “se cumprisse a Escritura”. Vemos a soberania de Deus quando Ele diz que nem um dos Seus discípulos se perdeu “exceto o filho da perdição”.
Como todos pecaram e foram destituídos da glória de Deus, encontram-se mortos nos seus delitos e pecados sob a ira de Deus. Portanto, todos mereciam a justa condenação: a morte eterna. Contudo, aprouve, pois, a Ele, salvar alguns dentre a humanidade caída pelo Seu infinito amor, mostrando assim sua misericórdia para com esses sem que houvesse mérito em nenhum deles; foi pela graça mediante a fé, não pelas obras para que ninguém se gloriasse.
A própria Bíblia mostra que a teoria arminiana é um desvio da sã doutrina (apostasia). Se a eleição fosse devido a algo bom que existisse em alguns homens, a salvação não seria pela graça, mas pelas obras. Os judeus religiosos pensavam que seriam salvos pelas obras da Lei, e Jesus disse-lhes: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo.6:44). Só se entende essas palavras pelo Espírito de Deus. Muitos judeus incrédulos rejeitaram a mensagem de Jesus Cristo e disseram: “Duro é este discurso; quem o pode ouvir?” (Jo.6:60). Respondeu Jesus: “Isso vos escandaliza?” (Jo.6:61b). Jesus pergunta aos Seus discípulos se eles queriam ir embora também, como fizeram os incrédulos: Os discípulos entenderam a mensagem pela fé e responderam: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna” (Jo.6:68). Eles creram e entenderam que Jesus era o Messias o Santo de Deus. Jesus disse depois dessas declarações que os discípulos foram escolhidos por Ele (cf. Jo.6:70) . Os que não foram, deixaram de andar com Ele por causa da doutrina que os escandalizavam .
Ainda hoje, essa palavra, quando exposta de forma genuína escandaliza os que não foram “destinados para a vida eterna” .
4) Até os que se dizem Teólogos fazem essa pergunta absurda: “Se Deus elegeu alguns para a salvação e reprovou os outros, por que evangelizar se os eleitos vão ser salvos de qualquer forma?”
- A Palavra de Deus não diz isso! Lutero, Calvino e os reformados nunca pensaram dessa forma. Esse argumento é falho, para não dizer ridículo. Na verdade, ele tem o objetivo de macular a doutrina da eleição.
Fomos chamados para levar as boas novas de salvação a toda criatura, não sabemos, portanto, quem são os eleitos de Deus, só sabemos que no momento certo, só eles responderão ao chamado de Deus através da instrumentalidade da Sua Palavra: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado” (Mc.16:15-16). Os que não foram eleitos para salvação não poderão crer. Permanecerão mortos nos seus delitos e pecados e serão deixados na sua própria incredulidade. O apóstolo Paulo nos esclarece o motivo:

[...] porque, tendo o conhecimento natural de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis (Rm.1:21-22).

A fé, dos eleitos, vem através da pregação da Palavra. O apóstolo Paulo mostra que o remanescente em Israel, na sua época foi chamado dessa forma:
Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém, invocarão aquele em quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas! Mas nem todos obedeceram ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem acreditou na nossa pregação? E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo (Rm.10:13-17).
O que me deixa estarrecido e bastante triste, é o fato de que muitas “igrejas” estão lançando dúvidas com pensamentos equivocados a respeito da eleição. Portanto, estão pregando um Evangelho diferente para seus fiéis, adulterando a Palavra de Deus. Todavia a Escritura afirma categoricamente que tais pessoas quando admoestadas e permanecem irredutíveis são pecadoras, estando condenadas em si mesmas. Vejamos o que diz os versículos a respeito dos que rejeitam a palavra da verdade:
Quanto àquele que provoca divisões, advirta-o uma primeira e uma segunda vez. Depois disso, rejeite-o. Você sabe que tal pessoa se perverteu e está em pecado; por si mesmo está condenada (Tt.3:10, 11).
Em nossos dias, doutrinas contrárias a ortodoxia continua com o mesmo espírito faccioso dilacerando o Corpo de Cristo (a Igreja). Certifique-se! Analise a Confissão de fé Reformada e os Cânones de Dort e procure ver as confissões que estão sendo usadas atualmente pelas igrejas arminianas! Não faça um juízo antecipado do calvinismo sem primeiro analisar a Bíblia e suas doutrinas como os reformadores na Europa e os puritanos na Inglaterra fizeram. Tenho observado que a maioria dos que fazem críticas ao calvinismo nunca leu nada sobre Calvino, e desconhece completamente a fé reformada. Como poderão entender se nunca leram nada? O eunuco estava lendo o texto de Isaias, porém, ele estava entendendo? Claro que não! Foi preciso Filipe explicar conforme está escrito no livro de Atos 8:26-40).









2
CHAMADA EFICAZ
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Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou (gr. καλέσαντος = kalessantos) das trevas para a sua maravilhosa luz (1Pe.2:9 – negrito e parêntese nosso).

M
uitos benefícios são concedidos aos homens, ou seja, de uma forma geral o SENHOR derrama suas bênçãos sobre justos e injustos. Porém o Espírito de Deus, conforme ensina a Escritura, no Pacto da Graça, assegura eficazmente a salvação dos eleitos de Deus que serão chamados segundo o Seu poder (cf. Ef.1:19) que opera naqueles que foram dados ao Filho (cf. Jo. 17: 2) . Essa Graça ou chamada eficaz atua exclusivamente nos que foram escolhidos desde o princípio para a salvação mediante o Evangelho (cf. 2Ts.2:13, 14) .

2.1 Qual a Importância Dessa Doutrina?
Ela enfatiza o amor, a justiça e a fidelidade de Deus no plano de salvação, visa exclusivamente glorificá-Lo, pois tudo que recebemos provém dEle . Portanto, devemos preservar e cuidar para que a mesma não seja esquecida por todos aqueles que se dizem cristãos. É verdade que a igreja está em crise, posto que o genuíno Evangelho não tem sido pregado, principalmente, pelas igrejas que se afastaram da fé reformada. Por isso devemos preservar a unidade doutrinária, armando-nos contra os inimigos da fé, como fizeram os apóstolos . Pois, essa maravilhosa doutrina foi corrompida principalmente pelos pelagianos e arminianos. Vejamos primeiro como acreditam os reformados e depois como o arminianismo torceu a verdade:

Outros que são chamados pelo ministério do Evangelho vêm e são convertidos. Isto não pode ser atribuído ao homem, como se ele se distinguisse por sua livre vontade de outros que receberam a mesma e suficiente graça para fé e conversão, como a heresia orgulhosa de Pelágio afirma. Mas isto deve ser atribuído a Deus: como Ele os escolheu em Cristo desde a eternidade, assim Ele os chamou efetivamente no tempo. Ele lhes dá fé e arrependimento; Ele os livra do poder das trevas e os transfere para o reino de seu Filho. Tudo isso Ele faz a fim de que proclamem as grandes virtudes daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz e se gloriem, não em si mesmos, mas no Senhor, como é o testemunho geral dos escritos apostólicos (Cl.1:13; 1Pe.2:9; 1Co.1:31) (DORT, Editora Cultura Cristã, 1618 – 1619. p.37, 38 – negrito nosso).
Todos aqueles a quem Deus predestinou para a vida, e somente esses, aprouve ele, no tempo por ele determinado e aceito, chamar eficazmente, por sua Palavra e por seu Espírito, daquele estado de pecado e de morte, em que estão por natureza, à graça e salvação por meio de Jesus Cristo (Seção I. VOCAÇÃO EFICAZ. Confissão de Fé WESTMISNTER – 1646 – negrito nosso).

Esse era o pensamento das igrejas contido nas confissões de fé. Pensamento fundamentado nas Sagradas Escrituras em que o SENHOR é exaltado pelos Seus maravilhosos feitos, como afirmam os Cânones de Dort e as Confissões das Igrejas Reformadas.

Assim como muitos livros neo-testamentários foram escritos, principalmente, para combater certas heresias que surgiam na igreja nascente, como é o caso do gnosticismo e dos judaizantes, houve também a necessidade dos pais da igreja sustentarem o mesmo testemunho dos apóstolos escrevendo contra os que procuravam infamar o caminho da verdade. Da mesma forma, surgem os credos e as confissões com o objetivo de preservar as verdades que foram transmitidas aos eleitos. Porque como diz A. A. Hodge:

“[...] em todas as ocasiões surgiram hereges pervertendo as Escrituras, exagerando certos aspectos da verdade e negando outros igualmente essenciais, e assim, com efeito, transformaram a verdade de Deus em mentira” (CONFISSÃO DE FÉ WESTMISNSTER. Editora os Puritanos, 1999. p.22).

A Confissão Belga afirma que a Bíblia é suficiente para a nossa salvação revelando tudo que é necessário para o crescimento espiritual dos que são chamados para a vida. No seu artigo 7 ela diz: “Cremos que esta Sagrada Escritura contém perfeitamente a vontade de Deus e suficientemente ensina tudo o que o homem deve crer para ser salvo (2Tm.3:16-17; 1Pe.1:10-12) ”. Todos os Credos e Confissões são de valor unicamente na medida em que estão de comum acordo com as Escrituras, tendo sidos elaborados e definidos pela igreja que tem autoridade para isso.

Vejamos agora como a verdade foi transformada em mentira:
Um caso de corrupção doutrinária é “A Remonstrância” (pleito, pedido) conhecido como os “cinco pontos arminianos” em que o quarto ponto, refutado pelos teólogos calvinistas, diz que a “Graça pode ser rejeitada”:

Graça e livre vontade são as causas parciais que operam juntas no início da conversão. Pela ordem destas causas a graça não precede à operação da vontade do homem. Deus não ajuda efetivamente a vontade do homem para sua conversão, enquanto a própria vontade do homem não se move e decide se converter (Heresias refutadas: p.45 – Sínodo de Dort entre 1618 – 1619).

Analisaremos, pois, os versículos bíblicos que confirmam a eficácia da Graça salvadora que opera pelo poder de Deus na vida dos que foram eleitos na eternidade para a salvação, pela santificação do Espírito (cf. 2Ts.213) .

2.2 Chamados pelo Poder de Deus que Opera em Nós.

“[...] e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder [...]” (Ef.1:19 – negrito nosso).

Certo dia, ao ouvir um hino que dizia, “Só depende de você. Que Deus muda esse quadro, só depende de você. Olha só o seu estado! Depende de você que Ele muda de uma vez a sua vida”. Terminado o hino, como era culto de doutrina tive, como pastor, a responsabilidade de explicar, com maiores detalhes, que hinos como o que foi cantado, não bendiz ao SENHOR, ao contrário, roubam-Lhe a glória. Posto que a salvação pertence Ele. Não precisando, portanto, de permissão para derramar o Seu Espírito Santo sobre os que foram escolhidos desde toda eternidade. Deus é poderoso, em (Jo:17:1-2) lemos: “[...] assim como lhe conferistes autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste”. Jesus cumpriu a vontade do Pai expiando todos os pecados daqueles que foram predestinados para salvação em Cristo Jesus. Mesmo assim, muitas pessoas bem intencionadas, porém erradas, dizem que Jesus Cristo pede permissão para dar vida aqueles que estão mortos nos seus delitos e pecados (cf. Ef.2:1) . Muitas frases que ouvimos diariamente nos programas Evangélicos através dos canais de televisão são como estas: “Para que Deus possa abrir a porta do Reino, é preciso que você queira”. “Deus não faz nada a não ser que você permita, Ele precisa do nosso consentimento”. Geralmente esses pregadores estão na mídia e são as estrelas do culto. Ensinar essa forma deteriorada e corrompida de evangelho, é simplesmente uma heresia. A Bíblia nos alerta quanto ao perigo que elas representam. O apóstolo Paulo escreve a Tito como a verdadeiro filho, segundo a fé que era comum aos eleitos a fim de abrir-lhes os olhos a respeito de falsas doutrinas que estavam surgindo no seio da igreja: “Evita o homem faccioso , depois de admoestá-lo primeira e segunda vez, pois sabes que tal pessoa está pervertida, e vive pecando, e por si mesma está condenada” (Tt.3:10-11). Em outras versões diz que está condenada em si mesmo.
O que a Bíblia ensina a respeito da salvação é totalmente diferente do que a maioria das igrejas (que se afastaram da fé reformada) estão oferecendo atualmente. Não sou contra uma igreja cheia e que está em crescimento, mas fico triste com uma igreja sem qualidade espiritual, que não cresce no conhecimento da palavra de Deus, iludindo os fiéis com falsas promessas de prosperidade e de poder espiritual. O que estão oferecendo atualmente para manter as igrejas cheias é justamente aquilo que as pessoas do mundo buscam, uma satisfação imediata, e um culto em que a palavra de Deus não tem um lugar primordial, porém, um show é oferecido com o intuito de agradar aos ouvintes e prendê-los, muitas vezes, pelas falsas profecias, manifestações de curas milagrosas e o dom de línguas. A palavra quando é pregada nesses locais é adulterada. Por isso a Bíblia relata que muitos um dia irão ouvir diante do Trono de Deus, no julgamento final: Afastai-vos de mim malditos para o fogo eterno que está preparado para o diabo e seus anjos.
O que a Bíblia ensina sobre o que deve ser pregado nos púlpitos a respeito da nossa eleição em Cristo Jesus? Eleição confirmada através da chamada eficaz. Os que foram chamados “segundo a força do seu poder” (Ef.1:19) perseverarão até o fim, não pela sua própria força, mas devido a Cristo Jesus que está assentado a destra do Pai e intercede por nós. Isso é ensinado nos púlpitos atualmente? Não! Portanto, como disse Jesus a Nicodemos: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito” (Jo.3:8). Isso significa que o homem não nasce da vontade da carne, mas do Espírito que sopra especificamente sobre os eleitos dando-lhes vida eterna. Se não for o poder de Deus que opere de forma milagrosa nos que estão mortos espiritualmente, eles não terão desejo de vir a Cristo para terem vida, posto estarem mortos nos seus delitos e pecados. Quando Jesus diz: “Eu vos dei vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” (Ef.2:1). Significa que não temos essa capacidade de nos mover nesse sentido (em direção a Deus). Não depende de você! “Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Rm.9:16). Não tem para onde correr! Só os eleitos serão salvos .
Você percebe que ao ouvir as boas novas de salvação alguns crêem e a maioria rejeita? Será que essa rejeição é devido a liberdade de escolha que os arminianos pensam possuir? Decidindo entre a vida e a morte? Com toda a certeza, não! Calvino diz que o espantoso poder de Deus se manifesta quando somos trazidos da morte para a vida; éramos filhos do inferno, somos, portanto, transformados em filhos de Deus e herdeiros da vida eterna .
Outro comentário importante a respeito do poder de Cristo, que opera eficazmente nos eleitos, atraindo-os a Si, encontra-se no comentário de Efésios de John Stott que diz:

É em função da ressurreição de Cristo dentre os mortos e sua entronização sobre os poderes do mal que ele se tornou o cabeça da igreja. A ressurreição e a ascensão eram demonstrações decisivas do poder divino. Pois se há dois poderes que o homem não pode controlar, mas que pelo contrário, sobre ele exercem domínio, são a morte e o mal. O homem é mortal. Não pode evitar a morte. O homem está caído. Não pode vencer o mal. Deus em Cristo, porém, derrotou a morte e o mal e, portanto, pode nos salvar de ambos (2001: 34).

A salvação é exclusivamente obra de Deus, o homem não contribui com coisa alguma. Um morto não pode dar um passo para a vida a não ser que haja uma intervenção Divina, pois só Jesus, que venceu a morte e despojou todo principado e potestade, tem poder para nos salvar da morte eterna.
Alguém pode até pensar: “Ora! Se Deus é bom, com toda certeza, Sua Graça alcançará a todos, pois Deus não faz “acepção” de pessoas, a maioria, na verdade, não aceita porque resiste a Graça pelo seu livre-arbítrio.
Esse pensamento cai por terra quando consideramos uma premissa: “Segundo a eficácia da força do seu poder”. Se é pela força do Seu poder, que opera em nós, com a qual Cristo foi levantado dentre os mortos, quebrando as cadeias que nos prendiam ao pecado, como poderemos afirmar a resistência a Graça salvadora do nosso Deus? Resistir a vontade soberana do Senhor significa afirmar que o Seu poder é limitado a vontade humana. E a Bíblia é taxativa ao afirmar que ninguém resiste a vontade de Deus.
2.3 A Certeza de que o Chamado é para a Salvação.

Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou (Rm.8:29-30 – negrito nosso).

O chamado que o apóstolo usa freqüentemente não é aquele em que se pode decidir se deseja ir ou não. É realmente um chamado eficaz para a salvação . O texto de (Rm.8:29-30) esclarece muitas coisas principalmente a questão do “chamado eficaz” para a salvação. Notemos que há uma ordem que se fecha no cumprimento do propósito eterno de Deus que é a salvação do Seu povo. E o apóstolo começa afirmando que Deus conheceu, predestinou, chamou, justificou e glorificou. Aqui forma-se uma corrente inquebravel cujo final é a glorificação completa. Também, fica evidente que os eleitos, os quais Ele conheceu de antemão, não perdem a salvação; serão chamados eficazmente, no tempo determinado, porque foram predestinados, e porque foram predestinados terão a garantia da glorificação final.

Conheceu. (κλητοις = cleitois: chamado, convocado) .
Os arminianos interpretam essa passagem da seguinte forma: Deus conheceu de antemão aqueles que teriam fé em Cristo Jesus para a salvação. Assim sendo, baseado nessa fé desenvolvida pelo próprio homem, Ele decidiu predestinar para a vida eterna aqueles que iriam exercê-la. Todavia, as “Igrejas Protestantes” rejeitam essa interpretação, fruto das idéias humanistas, principalmente porque a fé é um dom de Deus e Ele dá a quem quiser. Não é o homem que produz a fé, é Deus:

[...] graça e paz vos sejam multiplicadas, no pleno conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor. Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude [...] (2Pe.1:2-3);

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus (Ef.2:8);

Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele (Fl.1:29);

E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido (Jo.6:64).

Ao contrário do que os arminiamos pensam, o “conhecimento” de Deus ou sua “presciência” está relacionado com Seu decreto eterno a respeito da eleição da graça , ou seja, Ele previu o que faria na vida dos eleitos . Comentando o v.29 Calvino afirma:

[...] este conhecimento depende do beneplácito divino, visto que, ao adotar aqueles a quem ele quis, Deus não teve qualquer conhecimento antecipado das coisas fora de si mesmo, senão que destacou aqueles a quem propôs eleger (2001: 306).

Anthony Hoekema tem a mesma opinião ao afirmar que “o chamado é mencionado no mesmo fôlego que a eleição” (2002: 92). O pensamento de Calvino é extraordinário. Ele diz que o conhecimento prévio de Deus não é um mero conhecimento do que irá acontecer, como imaginam alguns neófitos, mas, significa a adoção pela qual os réprobos são distinguidos dos Seus eleitos .




CONCLUSÃO
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Como vimos, na Palavra de Deus, ninguém merecia a salvação. Todos pecaram e afastados estão da glória de Deus e o salário do pecado é a morte. Assim sendo o Deus eterno e santo mostra sua justiça punido o pecado no homem. Todavia, aprove a Ele não só mostrar o Seu poder nos vasos de desonra preparados para a perdição, como também mostrar Seu amor e misericórdia salvando alguns dentre a humanidade caída para o louvor da Sua glória.
Agindo assim, Ele não está sendo injusto para com os que são deixados nas suas próprias maldades. Pois, ninguém tinha o direito à salvação. Não foi por méritos de obras que os eleitos foram chamados à vida eterna, foi escolha daquele que chama segundo a Sua boa vontade.






















REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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BÍBLIA DE ESTUDO DE GENEBRA, 1999.

BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo. Editora Cultura Cristã, 2001. 720p.

CALVINO, João. Romanos. São Paulo. Editora Parakletos, 2001. 534p.

GREGOR, Wright. R. K. Mc. A Soberania Banida: Redenção para a cultura pós-moderna. São Paulo. Editora Cultura Cristã, 1998. 263p.

HENDRIKSEN, William. Romanos: Comentário do Novo Testamento. São Paulo. Editora Cultura Cristã, 2001. 704p.

HOEKEMA, Anthony. Salvos Pela Graça: A Doutrina Bíblica da Salvação. São Paulo. Editora Cultura Cristã, 2002. 285p.

JAMES, Kennedy D. Verdades que Transformam: doutrinas cristãs para sua vida de hoje. São Paulo. Editora Fiel, 2005. 296p.

LLOYD-JONES, Martyn. Salvos Desde a Eternidade. São Paulo. Editora PES, 2005. p.89. 208p.

OWEN, John. Por Quem Cristo Morreu. São Paulo. Editora PES, 1996.

OS CÂNONES DE DORTE. São Paulo. Editora Cultura Cristã. 64p.

WILBUR, Gingrich F. / DANKER, Frederick W. LÉXICO do Novo Testamento: grego / português. São Paulo. Editora Vida Nova, 2007. 228p.

WESTMINSTER, Confissão de fé. Comentada por A. A. Hodge. Editora os Puritanos, 1999. 596p.



DO MESMO AUTOR:

 Apocalipse: As sete igrejas da Ásia. Uma interpretação histórica.

 Quem matou Allan Kardec?

 As Principais Festas Judaicas.

 Violência e Santidade no Antigo Testamento.

 Reencarnação ou Ressurreição quem está com a razão?

 Quando Surgiu a Doutrina da Reencarnação ?

 Usos e Costumes dos Judeus em Pernambuco.

 Soteriologia: As doutrinas da salvação.

 A Soberania de Deus e o Livre-Arbítrio.

 O Sermão do Monte e os Frutos do Espírito: Como viver uma vida de santidade.


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sábado, 8 de novembro de 2008

Pentecostalismo e Neopentecostalismo: Avivamento ou Apostasia?


Carlos R. Cavalcanti






Pentecostalismo
e
Neopentecostalismo

Avivamento ou Apostasia ?






2008





CAVALCANTI, Carlos R. Pentecostalismo e Neopentecostalismo: Avivamento ou apostasia? Recife. Editora CRC. 2008. 98p.
Conteúdo Histórico-Apologético. Todos os direitos reservados à Editora CRC. Podendo, portanto, ser usado trechos em citações de trabalho acadêmicos.

Gráfica e Editora CRC
Fones: (81) 9421.2595 / 8710.5364









ÍNDICE
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INTRODUÇÃO

CAPÍTULO I
1.1 As Igrejas que surgiram da Reforma Protestante..........11

1.1.1 Benefícios da Reforma no campo religioso.........................14
1.1.1.1 A degradação religiosa na Igreja Romana...........................15
1.1.2 A teologia das igrejas Reformadas......................................17
1.1.2.1 As confissões doutrinárias...................................................19
1.1.2.2 Desvio doutrinário...............................................................27

CAPÍTULO II
2.1 O surgimento do Pentecostalismo.......................................33
2.1.1 Influência wesleyana de santidade.........................................41
2.1.2 Congregação Cristã no Brasil..............................................55
2.1.3 Assembléia de Deus..........................................................58
2.1.4 A segunda onda Pentecostal vai da década de 50 a 70.....61
2.1.4.1 Igreja do Evangelho Quadrangular..................................61
2.1.4.2 O Brasil para Cristo.........................................................63
2.1.4.3 Deus é Amor....................................................................73

CAPÍTULO III
3.1 O surgimento do Neopentecostalismo.........................75
3.1.1 A Igreja Universal do Reino de Deus.............................78
3.1.1.1 O culto da IURD.............................................................80
3.1.1.2 O mal visto por Edir Macedo..........................................85
3.1.2 Igreja Renascer em Cristo...............................................86
3.1.3 Igreja Sara nossa Terra....................................................88

CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS BÍBLIOGRAFIA






INTRODUÇÃO
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O Movimento “Pentecostal” e o “Neopentecostal”, é considerado uma das mais populares e crescentes forças da cristandade nos nossos dias. As principais características doutrinárias desse movimento que provoca o crescimento dessas Igrejas é o “batismo do Espírito Santo”, “o dom de línguas”, “as profecias”, “o dom de curas e a ênfase na experiência pessoal”. Muito embora crescimento e popularidade sejam evidentemente desejáveis, eles não podem ser usados como um teste para aprovar práticas que a si mesmo, se consideram como verdadeiras, porque várias seitas heréticas (Testemunhas de Jeová, Mórmons e os Adventistas do Sétimo Dia) e falsas religiões também têm alcançado grande popularidade e crescimento usando os mesmos procedimentos. O movimento Pentecostal e Neopentecostal é um fenômeno do século vinte. Visto que suas práticas e ensinos são diferentes dos que os cristãos reformados têm ensinado, acreditamos ser sensato examinar esses ensinos à luz das Escrituras. Não estamos, portanto, dizendo que eles não são cristãos. Estaremos examinando suas práticas não porque temos algo pessoal contra eles, ao contrário, os amamos e queremos nos encontrar no céu. Devemos ser como os crentes de Beréia e analisar todas essas práticas à luz das Escrituras Sagradas.
Deus nos ordena a "julgar todas as coisas" (1Ts 5:21). Somos exortados a nos "apegar à palavra fiel" e a "convencer os que contradizem" (Tt 1:9). Assim, oferecemos este trabalho no espírito do amor cristão, amor por nossos irmãos, e acima de tudo, pela verdade de Deus. Ao examinarmos qualquer assunto, a pergunta mais importante é: "Que diz a Escritura" (Gl 4:30)?
Por que essa preocupação com a doutrina? A resposta está na Bíblia. Os apóstolos escreveram alguns livros da Bíblia para combater o ensino herético, que corrompia a palavra de Deus, o próprio Jesus combateu a doutrina dos fariseus porque era desprovida de amor e do conhecimento de Deus. Vejamos o que diz Mateus 16:12: “Então, entenderam que não lhes dissera que se acautelassem do fermento de pães, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus”. Jesus estava preocupado com a doutrina que estava sendo ensinada ao povo. Em Marcos 7: 6-7 Ele acusa os religiosos da Sua época de ensinar doutrinas que são preceitos de homens. O que isso quer dizer? Ora! Eram doutrinas que foram desviadas dos seus propósitos originais, para beneficio próprio: “Respondeu-lhe: Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens”. O apóstolo Paulo também estava bastante preocupado com as falsas doutrinas que surgiam a cada dia, porque contaminavam os crentes levando muitos a se desviarem do verdadeiro conhecimento de Deus:

“[...] para que não mais sejamos como meninos, agitado de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” (Ef.4:14).

Os pais da Igreja defenderam a fé contra o mundo e as heresias que surgiam dentro da própria Igreja: Justino o Mártir (100 – 165 d. C.), Irineu (130 – 200 d. C. anti-gnostico), Tertuliano (160 – 230 a. C.), Clemente de Alexandria (155 – 255 a. C.) foram alguns dos que se importou com a sã doutrina.




CAPÍTULO I
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1.1 As Igrejas que surgiram com a Reforma Protestante
Com a Reforma do século XVI, surgiram três ramos da fé protestante: o Luterano, o Reformado e o Anglicano. Os anabatistas que alguns historiadores e sociólogos da religião afirmam ser paralelo a Reforma, por alguns motivos trataremos separadamente.
Os Luteranos e Calvinistas concordavam com os principais pontos da Reforma. Porém, quando as idéias de Calvino se expandiram a partir de Genebra, algumas regiões Luteranas aderiram aos princípios doutrinários Calvinistas. Quanto aos Anglicanos, continuaram, apesar de haver rompido com a Igreja Romana, com a mesma liturgia. Surge, então, em virtude disso, um movimento, influenciado pelos Reformados Calvinistas conhecidos como “Puritanos” (Presbiterianos e Congregacionais discendentes da Igreja Anglicana), que lutam por reformas dentro da Igreja Estatal, principalmente pureza e simplicidade no culto:

Os puritanos entendiam que muitos “trapos do papado” continuavam na Igreja Anglicana e queriam purificá-la de acordo com a Bíblia, aceita por eles como regara infalível de fé e prática. Por isso receberam a alcunha de puritanos, por volta de 1568 (CAIRNS, 2000: 273)

Os anabatistas foram um dos vários movimentos que surgiu da insatisfação religiosa Católica na Europa central. Esses grupos eram conhecidos como cristãos zelosos, mais fanáticos do que zelosos. Vejamos o que Nichols tem a nos dizer:

Pode-se dizer que a doutrina fundamental dos anabatistas era uma concepção particular a respeito da Igreja. Esta, sustentavam eles, é uma comunidade de pessoas regeneradas, isto é, convertidas. Ninguém mais tinha a ver com a mesma. Decorria daí a crença deles de que os adultos, desde que somente estes poderiam experimentar a conversão. Os que se filiavam a essas sociedades eram batizados, pois o batismo que já tivessem recebido na infância era destituído de significado. Por causa dessa atitude, eles foram chamados de anabatistas, isto é, os que batizavam novamente. Em decorrência da idéia que tinham sobre a Igreja, não admitiam a existência de uma Igreja oficial, reconhecida pelo Estado. Uma Igreja sob o controle do poder civil, que podia ser ou deixar de ser cristão, diziam eles, não podia ser a verdadeira Igreja. Por essa razão, eles se separavam e não queriam qualquer aproximação com as igrejas reformadas, pois todas elas eram Igrejas reconhecidas pelo Estado (2004: 194)


Surgiram na Suíça devido a liberdade que existia nesse pais. Conrad Grebel (1498 – 1526) foi o fundador desse movimento. Eles deram origem aos Menonitas e aos Batistas. Em 1526, devido a heresia de querer rebatizar os que aderiam as suas fileiras, o conselho decidiu punir com a morte por afogamento todos quantos esposassem os princípios anabatistas .

1.1.1 Os Benefícios da Reforma no campo religioso
A Reforma foi a resposta de Deus a religião corrompida (a religião do medo) em que ela servia apenas para esconder a injustiça. “Por sua grande doutrina bíblica do sacerdócio de todos os cristãos, Lutero libertou os homens do temor e, libertos do medo, eles foram” (NICHOLS, 2004: 161).
A cristandade protestante e o mundo foram beneficiados com o novo modelo de Cristianismo Protestante Reformado. Toda corrupção que a Igreja havia acumulado durante muito tempo foi rejeitada pelos reformadores. O lema, agora, era a volta às Escrituras, uma vida de pureza e fidelidade a “Palavra de Deus” que havia sido banida da vida do povo. Martinho Lutero é um instrumento nas mãos de Deus para traduzir a Bíblia para o alemão e esclarecer o povo através da pregação da palavra.

1.1.1.1 A degradação religiosa na Igreja Romana
Outro grande motivo da depreciação da religião da “Igreja Romana” foi o ensino de uma forma adulterada do Cristianismo. Devido a toda corrupção, a igreja permitiu que o Evangelho fosse sendo substituído, pouco a pouco, conforme seus interesses egoístas, por uma nova forma de religião de ritos e sacramentos que autorgavam uma salvação mágica, como por exemplo: 1) Oração aos espíritos bondosos da Virgem e dos santos; 2) foi infundido no imaginário coletivo o medo dos maus espíritos; 3) as relíquias milagrosas eram vendidas, como “pedaços de cruz”; negociavam o perdão de pecados mediante indulgências e amedrontavam seus fiéis com o fogo do purgatório que criaram, prometendo, no entanto, aliviar essa situação com missas pagas. Papa Sixto IV.
O Vaticano com seus concílios alteram a doutrina cristã. Essas alterações foram consideradas dogmas, impedindo o clero de raciocinar, examinar e decidir entre o certo e o errado! Muitos dogmas são baseados em lendas e suposições, outros estão impregnados de crendices que rebaixam o nível do cristianismo original. A maioria foi criada com fins lucrativos, como é o caso da doutrina do Purgatório, 503 d.C. (a galinha dos ovos de ouro do Vaticano), Transubstanciação, 1215 d.C., o Celibato, 1074 d.C., a Infabilidade Papal, 1870 d.C., o Culto à Maria, 431 d.C., o uso da água benta, 830 d.C., canonização de santos, 933 d.C., outros conferem ao clero certa autoridade e influência social. Mesmo, antes da Reforma, diante de tal degradação, sempre ouve lideres e igrejas que não compactuavam com tais abusos e foram perseguidas pelo papa. Entre eles estão: os Albigenses, os Valdenses e os Anabatistas.



1.1.2 A teologia das igrejas Reformadas
A teologia forjada em todo conflito da Reforma tinha como estrutura a volta a Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Cristus, Soli Deo Gloria, que foram confirmados nos Concílios, Confissões de Fé e no “Sínodo de DORT” e etc. A Confissão de Fé Holandesa também seguiu os ensinamentos de Calvino, ensinamentos esses que enfatizam a soberania de Deus no sentido de que Ele planejou na eternidade tudo o que aconteceria para o louvor da Sua glória. As Igrejas que surgiram da Reforma Protestante em sua maioria eram Calvinistas.

• Vejamos o que afirma Paulo Anglada no seu livro o Calvinismo:
O termo empregado para identificar as doutrinas a que Spurgeon se refere não é tão apropriado. Não por não corresponder às doutrinas ensinadas por João Calvino, mas porque, na verdade, essas doutrinas não são subscritas apenas por ele. O calvinismo é a síntese das doutrinas ensinadas por João Calvino, que por sua vez, é a redescoberta da pregação apostólica do evangelho bíblico; e também é confessada na maioria das confissões de fé protestantes. O calvinismo, portanto, são as antigas doutrinas da graça. As confissões de fé das igrejas Luterana, Reformada, Presbiteriana, Anglicana, Congregacional e Batista professam, todas elas, pelo menos nas suas confissões de fé originais, o sistema doutrinário conhecido como calvinismo (2000: 2).

A doutrina Calvinista, portanto, tornou-se conhecida principalmente através dos cincos pontos: Depravação total, eleição incondicional, expiação limitada, graça eficaz e perseverança dos santos, que foram uma resposta em defesa da doutrina bíblica contra os cinco pontos arminianos conhecidos como “Remosntrance”: Livre-arbítrio ou habilidade humana, eleição condicional, redenção universal, graça resistível e queda da graça, que bania a soberania de Deus e exaltava a autonomia humana. A limitação de Deus pela soberania humana O torna incapaz de satisfazer as necessidades de um mundo perdido e que esses dogmas foram fragmentando a ortodoxia até seu desaparecimento . O verdadeiro avivamento, hoje, seria a volta do arminianismo às Escrituras. Recuperar o que foi perdido. Fazer como os reformadores, ter responsabilidade com a Palavra de Deus, libertando-se das estruturas corruptas.

1.1.2.1 As confissões doutrinárias
As igrejas Reformadas elaboraram Confissões de fé, todavia, o pensamento em torno da soberania de Deus era unânime:

A teologia reformada, calvinista, dá ênfase à soberania de Deus, em virtude da qual Ele determinou soberanamente, desde toda a eternidade, tudo quanto há de suceder, e executa a Sua soberana vontade em Sua criação toda, natural e espiritual, de conformidade com o Seu plano predeterminado. Isso está em plena harmonia com Paulo, quando ele diz que Deus “faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade” (Ef.1:11) (BERKHOF, 2002: 95)

Os Cânones de Dort refletem o pensamento teológico Calvinista Reformado que vigorava unânime em toda Europa. Antes de citar alguns desses pensamentos, quero salientar que o Calvinismo não é algo novo, criado por Calvino, mas são antigas doutrinas da graça que há muito tinha sido abandonadas pela “Igreja Católica Romana”. Essa doutrina é a doutrina de Jesus Cristo, dos apóstolos, pregada por Agostinho, e resgatadas pelos Reformadores.
Vejamos os cinco pontos do Calvinismo composto entre (1618 – 1619) em que se expunha a doutrina Reformada que condenou a heresia arminiana:


1) Depravação total: Incapacidade total do homem
O homem, depois da Queda, teve sua natureza completamente corrompida pelo pecado, e nesse estado, morto espiritualmente, não responderá em nenhum grau no sentido de produzir frutos de salvação. Ele está separado de Deus e nada pode fazer para voltar, através da sua própria força, ao estado de santidade que possuía antes da pecar:

Portanto, todos os homens são concebidos em pecado e nascem como filhos da ira, incapazes de qualquer ação que os salve, inclinados para o mal, mortos no pecado e escravos do pecado. Sem a graça do Espírito Santo regenerador não desejam nem tampouco podem retornar a Deus, corrigir sua natureza corrompida ou ao menos estar dispostos a essa correção (DORT, 1618 – 1619: 35)

Citações Bíblicas: (Sl 51:5; Jr 13:23; Rm 3:10-12; 7:18; 1Co 2:14; Ef 1:3-12; Cl 2:11-13).

2) Eleição incondicional: Decreto eterno de Deus
Todos pecaram e afastados foram da glória de Deus, estão condenados a morte eterna e Deus não tem obrigação de salvar ninguém, mas aprove a Ele salvar alguns segundo o beneplácito de Sua vontade, mostrando, assim, sua misericórdia aos pecadores eleitos para a salvação:

Deus nesta vida concede a fé a alguns enquanto não concede a outros. Isto procede do eterno decreto de Deus. Porque as Escrituras diz que Ele ...faz estas coisas conhecidas desde séculos... e que ...ele faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade... (At.15:18; Ef.1:11). De acordo com este decreto, Ele graciosamente quebranta os corações dos eleitos, por duros que sejam, e os inclina a crer. Pelo mesmo decreto, entretanto, segundo seu justo juízo, Ele deixa os não-eleitos em sua própria maldade e dureza de coração (DORT, 1618 – 1619: 18).

Citações bíblicas: (Ml 1:2-3; Jo 6:65; 13:18; 15:6; 17:9; At 13:48; Rm 8:29, 30-33; 9:16; 11:5-7; Ef 1:4-5; 2:8-10; 2Ts 2:13; 1Pe 2:8-9; Jd 1:4).

3) Expiação limitada: A eficácia da morte de Cristo
A expiação é limitada porque se Cristo houvesse morrido por todos e todos não fossem salvos, a morte expiatória de Jesus Cristo não teria sido eficaz. Quando a Bíblia usa a palavra todos ela está se referindo a todos os escolhidos, como por exemplo: muitas vezes quando Paulo e os apóstolos falavam “todos” eles estavam se dirigindo a uma determinada comunidade eclesiástica e não a todas as pessoas do mundo, em outras ocasiões todos significavam judeus e gentios. Vejam só, quando digo para minha congregação: “Quero que todo mundo esteja na igreja na próxima aula”, eu não estou me referindo a todas as pessoas do mundo, mas apenas a minha congregação.

Pois este foi o soberano Conselho, a vontade graciosa e o propósito de Deus, o Pai, que a eficácia vivificante e salvífica da preciosíssima morte de Seus Filho fosse estendida a todos os eleitos. Daria somente a eles a justificação pela fé e, por conseguinte os traria infalivelmente à salvação. Isto quer dizer que foi da vontade de Deus que Cristo, por meio do sangue na cruz (pelo qual Ele confirmou a nova aliança), todos aqueles e somente aqueles que foram escolhidos desde a eternidade para serem salvos e lhe foram dados pelo Pai. Deus quis também que Cristo os purificasse de todos os pecados por meio do seu sangue, tanto do pecado original como dos pecados atuais, que foram cometidos antes e depois de receberem a fé. E que Cristo os guardasse fielmente até o fim e finalmente os fizesse comparecer perante o próprio Pai em gloria, sem mácula, nem ruga (Ef.5:27) (DORT, 1618 – 1619: 3O, 31)

Citações bíblicas: (Jo 17:6,9,10; At 20:28; Ef 5:15; Tt 3:5).

4) Graça eficaz:
Embora o homem seja completamente depravado, inclinado para o mal, a graça de Deus o convencerá da justiça do pecado e do juízo. Pois quem resistirá a vontade de Deus? (cf. Rm.9:19b).

O homem não deixou, apesar da Queda, de ser homem dotado de intelecto e vontade; e o pecado, que tem penetrado em toda a raça humana, não privou o homem de sua natureza humana, mas trouxe sobre ele depravação e morte espiritual. Assim também a graça divina da regeneração não age sobre os homens como se fossem máquinas ou robôs, e não destrói a vontade e as suas propriedades, ou a coage violentamente. Mas a graça a faz reviver espiritualmente, traz-lhe a cura, corrige-a e a dobra de forma agradável e ao mesmo tempo poderosa. Como resultado, onde dominava rebelião e resistência da carne, agora, pelo Espírito, começa a prevalecer uma pronta e sincera obediência. Esta é a verdadeira renovação espiritual e liberdade da vontade. E se o admirável Autor de todo bem não agisse desse modo conosco, o homem não teria esperança de levantar-se da sua queda por meio de sua livre vontade, pela qual ele, quando ainda estava em pé, se lançou na perdição (DORT, 1618 – 1619: 40)

Citações bíblics: (Jr 3:3; 5:24; 24:7; Ez 11:19; 20; 36:26-27; 1Co 4:7; 2Co 5:17; Ef 1:19-20; Cl 2:13; Hb 12:2).

5) Perseverança dos santos: A certeza desta preservação
“Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (Fp.1:6); “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cisto Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte” (Rm.8:1, 2); se estamos mortos para o pecado, porque fomos vivificados pelo sangue de Cristo, como poderemos retroceder e cair do estado de graça em que nos encontramos sabendo que estamos seguros com Cristo e Sua destra nos protege (cf. Jo.10:25- 30).

Os crentes podem estar certos e estão certos dessa preservação dos eleitos para a salvação e da perseverança dos verdadeiros crentes na fé. Esta certeza ocorre de acordo com a medida de sua fé, pela qual eles crêem, com certeza, que são e permanecerão verdadeiros e vivos membros da Igreja, e que têm o perdão dos pecados e a vida eterna (DORT, 1618 – 1619: 49).

Citações bíblicas: (Is 54:10; Jo 6:51; Rm 5:8-10; 8:28-32, 34-39; 11:29; Fp 1:6; 2Ts 3:3; Hb 7:25).

Os cinco pontos que refutaram as doutrinas arminianas são conhecidos como “os cinco pontos do calvinismo”, por ter sido João Calvino um estudioso da Bíblia e tido a responsabilidade de ensinar a Palavra de Deus sem a corrupção que caracterizava o romanismo.


1.1.2.2 Desvio doutrinário
No auge da Reforma Protestante já surgem movimentos que se afastam da doutrina bíblica. Os anabatistas é um desses grupos que segue paralelo a Reforma, porém o mais significativo é o movimento liderado pelos seguidores de Jacobus Armínius teólogo holandês (1560 – 1609), nasceu em Oludewater, no sul da Holanda. Foi ordenado em 1588 e de 1603 a 1609 ensinou em Leiden. De formação Calvinista, revoltou-se contra alguns destes princípios teológicos Calvinistas que achava incompatível com a filosofia da época. Suas idéias ganharam popularidade por ser fácil, simples e paradoxal.
O que ele escreveu foi reunido e publicado, depois de sua morte, pelos seus seguidores em um panfleto, com cinco pontos, conhecidos como “Remonstrance” onde são expostos, com algumas alterações, seus pontos de vistas. A intenção era fazer uma mudança nas doutrinas de fé das Igrejas Reformadas na Holanda (países baixos) que só foi resolvido o impasse com o “Sínodo de Dort”:

Depois da morte de Armínio, em 1609, “A Remonstrância” (pleito, pedido). Com este manifesto, os arminianos tentarem ganhar a simpatia dos líderes da província mais poderosa, a Holanda. Eles declararam que uma revisão do catecismo e da confissão de fé era uma coisa normal, e certamente uma coisa permitida se o governo convocasse um sínodo nacional (DORT, 1618 – 1619: 9).

Os cinco pontos arminianos, que contradiziam a ortodoxia bíblica, foram tirados de um manuscrito de Armínio:

1) Livre-arbítrio ou capacidade humana
Embora a queda de Adão tenha afetado seriamente a natureza humana, as pessoas não ficaram num estado de total incapacidade espiritual. Todo pecador pode arrepender-se e crer, pelo seu livre-arbítrio, cujo uso determinará seu destino eterno. O pecador precisa da ajuda do Espírito, e só é regenerado depois de crer, porque o exercício da fé é a participação humana no novo nascimento.
Citações Bíblicas: (Is 55:7; Mt 25:41-46; Mc 9:47-48; Rm 14:10-12; 2Co 5:10)

2) Eleição condicional
Deus escolheu as pessoas para a salvação, antes da fundação do mundo, baseado em Sua presciência. Ele previu quem aceitaria livremente a salvação e os predestino. A salvação ocorre quando o pecador escolhe a Cristo; não é Deus quem escolhe o pecador. O pecador deve exercer sua própria fé, para crer em Cristo e ser salvo. Os que se perdem, perdem-se por livre escolha: não quiseram crer em Cristo, rejeitaram a graça auxiliadora de Deus.
Citações Bíblicas: (Dt 30:19; Jo 5:40; 8:24; Ef 1:5-6, 12; 2:10; Tg 1:14; 1Pe 1:2; Ap 3:20; 22:17).

3) Redenção Universal ou Expiação Geral
O sacrifício de Cristo torna possível a toda e qualquer pessoa salvar-se pela fé, mas não assegura a salvação de ninguém. Só os que crêem nEle, pelo seu livre-arbítrio, serão salvos.
Citações Bíblicas: (Jo 3:16; 12:32; 17:21; 1Jo 2:2; 1Co 15:22; 1Tm 2:3-4; Hb 2:9; 2Pe 3:9; 1Jo 2:2)

4) Graça resistível
Deus faz tudo o que pode para salvar os pecadores. Estes, porém, sendo livres, podem resistir aos apelos da graça. Se o pecador não reagir positivamente, o Espírito não pode conceder vida. Portanto, a graça de Deus não é infalível nem irresistível. O homem pode frustrar a vontade de Deus para sua salvação.

Citações Bíblicas: (Lc 18:23; 19:41-42; Ef 4:30; 1Ts 5:19)

5) Perda da salvação
Embora o pecador tenha exercido fé, crido em Cristo e nascido de novo para crescer na santificação, ele poderá cair da graça. Só quem perseverar até o fim é que será salvo.

Citações Bíblicas: (Lc 21:36; Gl 5:4; Hb 6:6; 10:26-27; 2 Pe 2:20-22).

O resultado da controvérsia arminiana x calvinista no Sínodo de Dort foi a vitória das doutrinas defendidas nos cinco pontos sobre os remosntrantes em que seus defensores foram condenados e expulso da Holanda por seis anos.
Todavia, devido ao pensamento filosófico estóico, ao liberalismo, ao maniqueísmo, ao pelagianismo e o humanismo, os ensinamentos arminianos vêm ganhando nos últimos anos muitos adeptos em todo o mundo. Um dos grandes incentivadores dessa propagação é o espírito antropocêntrico. Esse foi o motivo da Queda: a auto-suficiência e o desejo de ser Deus (síndrome de Lúcifer).


























CAPÍTULO II
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2.1 O Surgimento do Pentecostalismo no Brasil
O Pentecostalismo no Brasil surge em Belém do Pará, no início do século XX, com os missionários suecos, naturalizados americanos, “Daniel Berg” e “Gumar Vingren” que fundaram a “Igreja Assembléia de Deus” em 1911 e “Luigi Francescon”, italiano valdense que era da Igreja Presbiteriana de Chicago; influenciado pelo Pentecostalismo funda em São Paulo a “Igreja Congregação Cristã no Brasil” (1910). Essa primeira fase que vai de 1950 – 1970 é conhecida, e foi utilizada por Paul Freston , pelo termo “onda”.
Conforme Monteiro , Berg e Gumar vieram para o Brasil abordo de um navio de terceira classe, chegaram a Belém do Pará, no dia 19 de novembro de 1910 e se hospedaram na Igreja Batista na rua João Balby. O Pastor da Igreja estava longe de saber que a Igreja seria dividida pela pregação herética dos missionários e que ali surgiria o maior fenômeno religioso de todos os tempos: o Pentecostalismo, com ênfase no batismo com o Espírito Santo como segunda obra da graça, o que contradiz claramente a ortodoxia cristã.
Mendonça tem a mesma opinião quanto a divisão, na Igreja Batista, provocado pelo fenômeno das línguas que os missionários trouxeram para Belém do Pará afirmando ser um novo derramar do Espírito Santo:

O Pentecostalimo no Brasil está ligado de modo direto ao movimento de Los Angeles. Um sueco de nome Daniel Berg, membro da Igreja de Durham, veio para o Brasil como missionário e, após provocar cisão numa igreja batista em Belém do Pará, fundou, junto com seu compatriota Gunnar Vingren, as Assembléias de Deus, em 1911 (MENDONÇA, 1990: p.47, 48)

O cisma , ocorrido na Igreja Batista em Belém do Pará pelos Missionários Daniel Berg e Gumar Vingen devido as práticas estranhas que os missionários trouxeram dos movimentos Pentecostais nos Estados Unidos da América, e que essas mesmas práticas já haviam sido barradas anteriormente pelo apóstolo Paulo em (1Co.12:3; 14:6, 9, 18, 19, 22, 27). Por acaso, foi obra do Espírito Santo de Deus? Não. Por quê? Porque o Espírito é uma promessa para todos quanto Deus chamar, e não para um grupo exclusivo de pessoas que se acham mais espirituais do que outros.
O que a Bíblia ensina, realmente, sobre o batismo com o Espírito Santo? Será que a maioria dos pastores estão comprometidos com as verdades bíblicas? Ou estão mais preocupados em agradar aos homens? Muitos dizem que o batismo com o Espírito Santo é uma segunda obra da graça, e vem acompanhado do falar em línguas estranhas. Isso estava acontecendo na Igreja de Corinto onde um grupo que falava em línguas, e por esse motivo se achava mais espiritual do que os outros irmãos. Porém, Paulo se dirige a eles como a carnais, meninos na fé. O apóstolo, para corrigir o erro doutrinário afirma que todos foram batizados no mesmo Espírito: “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito” (1Co.12:13).
Está claro, quem não for batizado com o Espírito Santo não é salvo, ou seja, não foi alcançado pela graça salvadora. O batismo é o penhor, o selo, a garantia segura da nossa salvação (cf. Ef.1:13-14; 4:30). Manuel Canuto confirma minha declaração:

Não existe a possibilidade de ser crente convertido, sem ter sido batizado com o Espírito, que realiza no homem sua justificação, os faz filhos adotivos, os santifica e os sela. Não existe crente que não tenha tudo isso (Revista. OS PURITANOS. Batismo com o Espírito Santo. Ano IX : nº. 04 : Outubro / Novembro / Dezembro: 2001. p.2).

O Pentecoste foi um acontecimento único. O Espírito foi derramado, conforme profecia de (Joel 2:28; Isaias 32:15), e permanece até hoje na igreja. Todos os que forem sendo incorporados ao corpo de Cristo, pela graça mediante a fé que vem pelo ouvir a Palavra de Deus, são batizados automaticamente. O batismo é uma promessa, e uma promessa não é algo que se vá buscar e lutar para conseguir, ao contrário é algo que acontece no tempo determinado tendo em vista que o Espírito Santo nos é outorgado, imputado (Rm.5:5), o que significa em última análise que Ele é derramado sem que possamos resistir a Sua operação miraculosa, diz as sagradas Escrituras.
A doutrina Pentecostal é de que o batismo com o Espírito Santo acontece depois da conversão, e se houver uma busca intensa. Esse batismo não ocorre com todos os crentes, segundo essa doutrina, apenas com os mais espirituais, e será acompanhado do falar em línguas estranhas a fim de que fique comprovado que houve, realmente, o batismo, o que é uma doutrina antibíblica.
A igreja pentecostal é composta dos que são, e dos que não são batizados com o Espírito Santo. Porém, a Bíblia diz que todos são batizados no mesmo Espírito, e nem todos falam em línguas (cf. 1Co.12;28-31) . Analisemos, pois, um texto muito importante que irar esclarecer muitas dúvidas: “No caso de alguém falar em outra língua, que não sejam mais do que dois ou quando muito três, e isto sucessivamente, e haja quem interprete. Mas, não havendo intérprete, fique calado na igreja [...]”. O apóstolo Paulo não proibia, mas, doutrinou a igreja no sentido de eliminar tais práticas. Por quê? Primeiro, a igreja era composta de crentes vindo do judaísmo e do paganismo. As línguas que eles estavam falando em Corinto eram usadas nos templos pagãos. Ao entrar em estado de estase (nos templos pagãos) muitos falavam em línguas, que na verdade eram línguas de demônios. As pessoas que viam tudo aquilo ficavam fascinadas acreditando que eles estavam em contato com os deuses. Essas manifestações dava um certo destaque espiritual e muitos trouxeram para dentro da igreja essa bagagem cultural. Todavia, Paulo corrige a falha doutrinando-os de forma a eliminar aquelas manifestações que não trazia crescimento a igreja. Quando ele diz que fale um de cada vez e no máximo três e se tiver quem interprete, era por que não havia quem interpretasse.
Será que hoje não está da mesma forma, ou até pior? Quando entramos em uma igreja e vemos todos falando em línguas, que é o costume dos Pentecostais, será que Deus está operando ali? Será que é um mover do Espírito como afirmam alguns? Será que o Espírito Santo vai de encontro ao que está estabelecido na sagrada Palavra? Claro que não! Se a Bíblia diz que fale no máximo três e vemos todos falando ao mesmo tempo, com certeza, não é o Espírito Santo de Deus, pois Ele não vai de encontro ao que estar estabelecido na Palavra de Deus. Outros falam e não interpretam, é Deus que está operando? Não! E o que é tudo aquilo? São obras da carne como diz o apóstolo Paulo: “Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, e sim como a carnais, como a crianças em Cristo” (1Co.3:1). O mais agravante, é que o Pentecostalismo dividiu o Corpo de Cristo, e quem faz isso é a heresia. Vejamos o que diz Tito 3:10: “Evita o homem faccioso , depois de admoestá-lo primeira e segunda vez, pois sabes que tal pessoa está pervertida, e vive pecando, e por si mesma está condenada” (negrito meu). Toda essa divisão que aconteceu na igreja devido ao movimento Pentecostal enquadra-se nesse versículo.

2.1.1 Influência wesleyana de santidade E.U.A.
O movimento Pentecostal teve sua influência nos movimentos de santidade (holiness), avivamentos ocorridos no início do século XX . O avivamento liderado por João Wesley e seu irmão Carlos no século XVIII, tinha como principais metas proclamar a doutrina da santificação total ainda nesta vida, experiência de Wesley, tendo a participação de pregadores leigos que ganharam o mundo, pregando, principalmente na América do Norte.
Os movimentos de avivamentos wesleyanos caracterizam-se, segundo o manual da Igreja do Nazareno 2001 – 2005, por três marcos históricos:
1. O primeiro: Surge no século XIX no Leste dos Estados Unidos de onde a doutrina de santidade cristã é espalhada no novo mundo. “Na América do Norte, a Igreja Metodista Episcopal foi organizada em 1784. O seu propósito declarado foi “reformar o Continente e espalhar a santidade escriturística sobre estas terras” (MANUAL NAZARENO, 2001 – 2005: 15).

As bases das doutrinas de “santificação total neste mundo” como afirmou Wesley é, para os Reformadores Calvinistas, um desvio da ortodoxia vigente e não está de acordo com as Escrituras. A obra de santificação, operada pelo Espírito, é progressiva. Portanto, a inteira santificação dar-se-á na glorificação, não neste mundo. Biblicamente, todos os que foram chamados segundo o propósito de Deus, são posicionalmente santos porque foram chamados para o uso exclusivo de Deus (cf. 1Pe.2:9). Esse desvio doutrinário de João Wesley foi motivo de muitos debates e controvérsias que ainda permanecem. Um dos problemas é que muitos crentes buscam a santificação total e se frustram, porque não a encontra e outros que pensam ter encontrado se frustram da mesma forma, porque descobrem com o tempo, que estão vivendo uma fantasia que não condiz com a realidade daquilo que foi ensinado. Todos os crentes de doutrina teológica Wesleyana vêem-se sempre praticando coisas que não condiz com a doutrina da inteira santificação. Quem é inteiramente santificado não peca mais. Por que então estas pessoas continuam a pecar e dizer que são inteiramente santificadas? A bíblia deixa bem claro: “[...] estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai Jesus Cristo, o Justo” (1Jo.2:1).
2. O segundo: O reavivamento de santidade se alastrou através da pregação de Charles F. Finney. Este se deu dentro dos círculos evangélicos em que as pessoas reagiam de forma como se a conversão estivesse acontecendo naquele momento. Para R.K. Mc Gregor Wright, “Finney inventa o reavivalismo” (1998: 36). Seu humanismo era pelagiano , porém, quanto a salvação era arminiano. Acreditava que o avivamento dava-se através de meios apropriados que induzia o homem a aceitar a Jesus Cristo como seu salvador pessoal e não através da ação do Espírito Santo como está escrito: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito” (Jo.3:8).
Finney foi quem introduziu a prática do apelo e as pessoas que se rendiam a Cristo vinham à frente e através de oração confessavam seus pecados. Uma de suas frases: “Ontem à noite 60 pecadores sedentos levantaram-se e foram para o banco dos convertidos” (WRIGHT, 1998: 36). Wright afirma que com as introduções das novas práticas o avivamento passou a ser apenas números conseguidos através de propagandas e campanhas evangelísticas em que os convertidos vinham a Cristo, muitas vezes, pelo emocionalismo a que os ouvintes eram submetidos. Dessas reuniões de avivamento surgiam muitas igrejas de santidade independentes que se adequavam às novas realidades que surgiam a cada dia . Jonathan Edwards ao contrário de Finney falou a respeito de reavivamento como algo sobrenatural operado pelo Espírito Santo.

3. O terceiro: Em 1890, segundo o Manual do Nazareno 2001 – 2005, surge uma nova onda de grupos de santidade independente, estes com características Pentecostais, ou seja, dão ênfase as línguas estranhas.

Do ponto de vista teológico, o movimento pentecostal moderno tem sua origem no movimento de “santidade” que, por sua vez, deve muito ao conceito wesleyano de perfeição cristã como segunda obra da graça, distinta da justificação (MENDONÇA, 1990: 47).
A movimentação de pessoas reunindo-se e orando, por uma vida de santidade, por uma experiência mística com Deus surge de um desejo profundo por mudanças. Pois, segundo John Walker, o cenário religioso era em geral de apostasia e frieza (2002: 7). O mundo, segundo ele, havia afetado a igreja de tal forma que não era possível distinguir o profano do sagrado. Essa citação mostra o cenário que ele pinta da sociedade protestante americana:

O protestantismo Americano era rico, culto e influente, mas, com exceção de uns poucos grupos conservadores, seu estado espiritual era de decadência. Imperavam o liberalismo, o formalismo, o mundanismo, o profissionalismo ministerial, a consciência de classe, a ausência de experiência com Deus etc. (WALKER, 2002: 7).

A igreja é um organismo vivo, é um instrumento nas mãos de Deus, é luz e sal da terra que caminha em um mundo pecaminoso deixando marcas positivas. Todavia, é profético que a igreja nos últimos tempos enfrentará uma grande apostasia (2Ts.2:3) . É importante também salientar, que enquanto a igreja de Cristo estiver aqui na terra, sofrerá ataques do mundo, no sentido de que ela assimilará elementos dessa cultura. Por isso têm igrejas que parecem estar vivas, mas, estão mortas (Ap.3:1b) . O culto Pentecostal tinha cara de avivado, porém estava morto. Ele tomou o rumo contrário ao seguido pelos reformadores. Se estava havendo uma apostasia, com o Pentecostalismo ela aumentou. Por quê? Porque houve uma divisão do corpo de Cristo. Era para ser uma volta a pureza do Evangelho como aconteceu na Reforma: um resgate da teologia que havia sido corrompida nos vários Concílios.
O Pentecostalismo nega a suficiência das Escrituras porque estão à procura de algo mais, que possa preencher suas necessidades espirituais. John MacArthur escreveu algo importante sobre esse assunto. Ele dá um exemplo de dois irmãos que receberam uma herança e ficaram muito ricos, mas, ao invés de usufruir a herança eles se isolaram do mundo e começaram a colecionar todo tipo de porcaria que encontravam, porque achavam que poderia se útil algum dia. Eles morreram nos detritos que chegou a 140 toneladas de lixo. Tinham uma herança, mais não souberam aproveitar:

Muitos crentes vivem a vida cristã dessa mesma forma. Desprezando as abundantes riquezas de uma herança que não se corrompe (1Pe.1:4), eles exploram minuciosamente os escombros da sabedoria humana, colecionando lixo. Como se as riquezas da graça de DEUS (Ef. 1:7) não lhes bastassem, como se “todas as coisas que conduzem à vida e à piedade” (2Pe. 1:3) não fossem suficientes, eles procuram complementar os recursos que, em Cristo, lhes pertencem. Gastam a vida toda acumulando, inutilmente, experiências emocionais, novos ensinos, orientações de gurus espertalhões ou qualquer coisa mais que possam acrescentar à sua coletânea de experiências espirituais (2001: 32, 33).


Azusa Street
Aqueles que nascem de Deus, procuram o verdadeiro alimento que está contido na Palavra de Deus para o seu crescimento espiritual (cf. 2Pe.2:2). Não vai atrás de experiências que “a” ou “b” tiveram. A sua experiência pode não ser a minha. A mística não condiz com a realidade. Alguns crentes na igreja de Colossos estavam sendo intimidados por pessoas que alegavam ter um conhecimento mais profundo a respeito das coisas espirituais, além daquela que só cristo pode conceder:

Não permitam que ninguém que tenha prazer numa falsa humildade e na adoração de anjos os impeça de alcançar o prêmio. Trata-se de alguém que não está unido à Cabeça, a partir da qual todo o corpo, sustentado e unido por seus ligamentos e juntas, efetua o crescimento dado por Deus (Cl.2:18-19 - NVI).

As pessoas que iniciaram o movimento Pentecostal e Neopentecostal eram leigas em assuntos teológicos. Até hoje há uma resistência ao estudo, muitos acreditam que não precisam se preparar e dizem que a “letra mata”, que o “Espírito Santo nos ensina todas as coisas”, para sustentar o relaxamento com o estudo da Palavra de Deus.
William H. Durham era pastor batista com idéias wesleyanas. Carente da Palavra de Deus vai para Los Angeles influenciado pelas notícias de que a “Igreja Missão de Fé Apostólica”, localizada na Rua Azusa Street, 312 estava realizando um grande movimento de avivamento, e no dia 2 de maio de 1906 afirma ter recebido o batismo com o Espírito Santo. Outro foco de propagação do Pentecostalismo, que incendeia ainda mais o movimento da Azusa Street, foi a “Escola Bíblica de Topeka”, EUA, onde era defendida por Charles Pahram a idéia de que falar em línguas era a evidência do batismo com o Espírito Santo.
Outro grande defensor das idéias Pentecostais foi o pregador W. J. Seymour , foi expulso da Igreja da evangelista Nelly Terry, em Los Angeles, EUA, ao pregar em (At.2:4) e afirmar em sua exposição que Deus tem uma terceira bênção além da santificação que é o batismo com o Espírito Santo .
“Seymour começou a promover reuniões nas casas dos irmãos, que foram atraídos pelas manifestações, e no dia 6 de abril de 1906, numa dessas reuniões, um menino de oito anos falou em línguas, seguido de outras pessoas. Iniciava-se assim, pelo menos formalmente, o movimento pentecostal” nos Estados Unidos da América.
Analisemos, pois, como a falta de conhecimento da Palavra de Deus leva o povo à morte! A Confissão Belga, Reformada, afirma no seu artigo 2 que Deus se revela através da Sua Palavra: “Segundo: Deus se fez conhecer, ainda mais clara e plenamente, por sua sagrada e divina Palavra , isto é, tanto quanto nos é necessário nesta vida, para sua glória e para a salvação dos que Lhe pertencem”. A Confissão de fé de Westminster Cap. I sobre as Sagradas Escrituras, seção I, tem o mesmo ponto de vista da Confissão Belga:

[...] portanto aprouve ao Senhor, em diversos tempos e diferentes formas, revelar-se à sua Igreja e declarar aquela sua vontade . E depois, para melhor preservar e propagar a verdade, e para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e a malícia de Satanás e do mundo, entregou a mesma para que fosse plenamente escrita . Isso torna a Sagrada Escritura totalmente indispensável , tendo então cessado aquelas antigas formas de Deus revelar sua vontade a seu povo .

Como vimos, nessas duais Confissões, a Bíblia é suficiente para a nossa salvação. Não é preciso sair atrás de movimentos, nem de manifestações de poder, porque o Espírito que nos regenerou e está sobre nós, povo eleito de Deus, nos capacitando, pois somos guiados por Ele para uma vida de santidade e obediência (cf. 1Pe.1:2) . Todavia, Durham precisou de algo mais, estava à procura de uma experiência mística que desse sentido a sua religiosidade. João 17: 3 afirma categoricamente que a salvação é o conhecimento de Deus e de Jesus Cristo a quem Ele enviou. Isso é o que dá sentido a nossa vida, buscar esse conhecimento é algo que os salvos anelam e procuram constantemente. Falar em línguas estranhas gera conhecimento? O apóstolo Paulo diz que não:

Agora, porém, irmãos, se eu for ter convosco falando em outras línguas, em que vos aproveitarei, se vos não falar por meio de revelação, ou de ciência, ou de profecia ou doutrina? (1Co.14:6). Contudo, prefiro falar na igreja cinco palavras com o meu entendimento, para instruir outros, a falar dez mil palavras em outra língua (1Co.14:19).

Gritos entéricos dentro da Igreja ou em qualquer outro lugar geram conhecimento? Também, não! Portanto, o avivamento da Azusa Street tomou o rumo contrário, posto que o verdadeiro avivamento é uma volta às Escrituras.
Poul Freston divide os vários movimentos Pentecostais que ocorreram no Brasil em “três ondas”, da seguinte forma: a primeira onda tem seu início na década de 50 com as Igrejas “Congregação Cristã no Brasil” e “Assembléia de Deus”.

2.1.2 Congregação Cristã no Brasil (1910)
A Congregação Cristã no Brasil (CCB) foi fundada por Louis Francescon, um italiano naturalizado americano, nascido a 29 de março de 1866 em Nuovo. Era filiado a Igreja Presbiteriana na qual chegou a ancião (presbítero). Porém, converteu-se ao Pentecostalismo. Monteiro, sobre a apostasia de Francescon, nos traz uma excelente contribuição:

Lois Francescon converteu-se ao pentecostalismo em fins de abril de 1907, passando a freqüentar a missão do reverendo W.H. Durham, na North Avenue, em Chicago, e lá, a 25 de agosto do mesmo ano, recebeu o batismo com o Espírito Santo, expressando-se pela primeira vez em línguas que jamais havia ouvido (1989: 84)

E segue, segundo uma revelação, para outros países a fim de propagar a nova religião. Vejamos o que diz Monteiro a esse respeito:

A partir de março de 1908, obedecendo ao que chamou determinação divina, abandonou por completo os afazeres habituais para dedicar-se exclusivamente à religião, não obstante fosse pobre e ainda tivesse mulher e seis filhos menores para prover a subsistência. Mesmo assim, seguiu o seu destino (1989: 84)

No dia 20 de junho, Francescon funda em São Paulo, no Brás, com o apoio de dissidentes presbiterianos e batistas , a Igreja Pentecostal CCB segundo o modelo congregacional americano. A igreja, como podemos ver, foi fundada por um leigo sem conhecimento teológico, influenciado pelo movimento Pentecostal dispensacionalista com ênfase em uma interpretação literal.
Baseado em alguns versículos, como: “Porque o Espírito Santo vos ensinará, naquela mesma hora, as coisas que deveis dizer” (Lc.12:12) e “[...] porque a letra mata, mas o espírito vivifica” (2Co.3:6), dizem que não precisam de outra luz. Esses textos são o suficiente para a CCB se oporem a qualquer tipo de publicação. Mendonça diz que é uma comunidade de cultura oral; “[...] não publica nada, a não ser seu relatório anual. Também não recomenda a leitura de nenhuma literatura religiosa a não ser a Bíblia” (1990: 50). Monteiro também afirma que eles não possuem jornais para publicar suas doutrinas, nem literatura religiosa (1989). Sua membresia é predominantemente constituída de pobres que são atraídos pelo amável acolhimento e promessa de ascenderem socialmente. Há uma grande liberdade nessa igreja que difere das outras Pentecostais por não ter uma doutrina que a caracterize definindo-a quem realmente ela é. Os crentes dessa igreja não estão sujeitos a nenhuma disciplina, a não ser por causa de adultério. Um Pastor do Centro Apologético Cristão de Pesquisa, João Flavio Martinez afirma que o proselitismo agressivo da CCB com os outros evangélicos é herança Presbiteriana. Isso não é verdade, tendo em vista que os Presbiterianos, por serem calvinistas, não praticam os longos apelos para que os visitantes decidam aceitar a Jesus ou não: “A Congregação Cristã no Brasil crê na predestinação e por isso não faz campanhas evangelísticas nem apelos à conversão” (MENDONÇA, 1990: 49). O proselitismo agressivo é uma característica da Assembléia de Deus.
A CCB usa o véu baseando-se em (1Co.11:1-16). Não existe um ministério pastoral, eles dizem que o único pastor é Jesus, por outro lado, mantêm um grupo de anciãos sem ser remunerados. Ela é uma das igrejas Pentecostais que experimentou um grande crescimento. “Até 1986, totalizavam 1.015.619 crentes”

2.1.3 Assembléia de Deus (1911)
Mendonça afirma que a Assembléia de Deus é a mais numerosa “[...] contaria com 13 milhões de adeptos e 52mil casas de oração, assistidos por 10mil e 500 pastores e assemelhados. Isto em números redondos” (1989: 75). Migraram do Norte para o Nordeste e depois para o Sul. Só em 1927 chegaram a São Paulo. Ela, como todas as Igrejas Pentecostais, era composta de operários de baixa renda. Com o passar do tempo, nos centros urbanos, a igreja abriu as portas, ou seja, investiu na classe média um pouco intelectualizada e exigente, isso acarretou várias mudanças nos seus usos e costumes. Ou muda ou perde a membresia. Vejamos o que declara Mendonça a esse respeito:

Há informação de que nas Assembléias de Deus começam a se verificar conflitos entre conservadores e alguns segmentos tendentes a modificar costumes tradicionais pentecostais e, em particular das Assembléias, com referência às vestes, principalmente das mulheres, ao uso da televisão, rádio, cinema etc. A ascensão social e o acesso à instrução acabam atingindo seriamente os pentecostais (1990: 51)

A Assembléia de Deus é, conforme Mendonça, de “teologia arminiano-wesleyana e eclesiologia batista” (1990: 48). Só que essa doutrina, arminiano-wesleyana, na AD sofre depreciações da mesma forma que aconteceu com a Igreja do Nazareno. Sua doutrina é arminiano-wesleyano, porém, com muitas mudanças. Na verdade, existe uma ortodoxia cristã que vem sendo adulterada a cada dia. Diga-se de passagem, quem éramos quando a doutrina bíblica da Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Cristus, Soli Deo Gloria foi resgatada na Reforma Protestante, e quem somos agora com uma doutrina corrompida nos EUA e enviada para os países de terceiro mundo?
No Brasil, o Pentecostalismo encontra terreno fértil nas camadas mais desprovidas da sociedade. Eles são atraídos pelos discursos sensacionalistas e manifestações milagrosas. Todavia, esse crescimento pode até estimular a visão de muita gente, mas Deus não se deixa impressionar. Se Deus desse a importância, como nós damos, aos números, a porta que conduz a salvação seria muito maior do que a que conduz ao inferno: “Respondeu-lhe: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão” (Lc.13:24);

Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela (Mt.7:13, 14).


2.1.4 A segunda onda Pentecostal vai da década de 50 a 70.
Muitas igrejas surgem nessa época, porém, as mais significativas são a do “Evangelho Quadrangular”, “Brasil para Cristo” e “Deus é Amor”.

2.1.4.1 A Igreja do Evangelho Quadrangular
A igreja recebeu este nome em 1922, em Oakland, Califórnia, inspirado, segundo Ainee Semple McPherson, na visão que tivera durante uma pregação de Ezequiel de quatro querubins com quatro rostos simbolizando os quatro ângulos do ministério de Jesus Cristo: o salvador, o batizador com o Espírito Santo, o grande médico e o rei que há de voltar. Antes, chamava-se “Igreja do Avivamento Contínuo”.
A Igreja do Evangelho Quadrangular no Brasil foi fundada pelo missionário americano “Harold Williams” em São João da Boa Vista no ano de 1951. A igreja multiplicou-se rapidamente no país e no dia 08 de abril de 1968, inaugura o templo-sede na “Praça Olavo Bilac”, em São Paulo. Conforme o comentário de Mendonça, a igreja havia alcançado patamares de crescimento incrível:

Em 1966, segundo Read e Ineson, a soma das parcelas atribuídas à Igreja Quadrangular e à Cruzada totalizavam 24.493 fiéis, 171 Igrejas e congregações satélites, e um crescimento de 35,5%, atribuído à Cruzada, e de 20,1% à Igreja (1990: 53).

Mendonça acrescenta que a Igreja do Evangelho Quadrangular, eclesiasticamente, assemelha-se à Igreja Metodista do Brasil ao se dividir administrativamente em regiões e distritos eclesiásticos (1990:53). Ela era subordinada à “International Church of the Foursquare Gospel”. A esfera de decisão das questões de relevância doutrinária ou administrativa está em Los Angelis, essa hierarquia rígida torna a dependência completa. Por isso, a supervisão dos trabalhos de evangelização é de um caráter fiscalizador permanente.

2.1.4.2 O Brasil para Cristo
Essa Igreja foi fundada pelo missionário Manuel de Mello em 1956, dissidente da Assembléia de Deus e depois do movimento de cura divina promovido pela Cruzada Nacional de Evangelização. Manoel de Mello fez sua Igreja crescer bastante nas primeiras décadas, diferente das outras Igrejas Tradicionais e Pentecostais. Envolveu-se na vida política elegendo representantes no legislativo. Filiou-se à “Confederação Evangélica do Brasil” e ao “Conselho Mundial de Igrejas”. Manteve intenso relacionamento com as igrejas tradicionais. Conforme Mendonça a igreja contava em 1966 com 93.096 fiéis, distribuídos em 359 Igrejas e congregações satélites, com uma taxa de crescimento de 14,3%. Na cidade de São Paulo tem um templo com capacidade para cerca de 15 mil pessoas.

Fragmentação nas Seitas
Dois missionários sem conhecimento teológico fazem um racha na Igreja Batista em Belém do Pará e funda uma Igreja Pentecostal que mais tarde se chamaria “Assembléia de Deus”. Um membro dessa igreja que já era um racha, Manuel de Mello, funda sua própria igreja sem conhecimento adequado para isso. Por sua vez, começa a surgir milhares de igrejas conhecidas como Igrejas (agências) de curas divina. Com o surgimento dessas igrejas, novas heresias tomam conta do cenário religioso. O que escreveu Mendonça sobre essas agências:

A cura divina como tal, isto é, como objetivo único de um grupo ou de um líder carismático, não constitui Igreja, mas “movimento”. Os líderes carismáticos de cura divina estabelecem balcões de oferta de bens de religião a uma clientela flutuante e descompromissada na qual a relação do fiel com o sagrado ocorre na base do “dar para receber” A prática dos grupos de cura divina avizinha-se das práticas de magia, e como afirmou Emile Durkheim, não há Igreja mágica embora alguns desses grupos mantenham seu discurso nos parâmetros da fé cristã, sua prática às vezes se afasta dela, enquanto outros apresentam discurso e prática quase irreconhecíveis do ponto de vista do cristianismo (MENDONÇA, 1990: 54).

Geralmente os grandes movimentos de cura divina têm como líder um fanático que encontra ambiente adequado nas fragilidades dos fiéis. Passaremos a analisar como algumas personalidades se comportavam ao receber o poder de cura que afirmavam ser Deus o doador dessa dádiva. Falo assim, devido a um alerta que as Escrituras faz nesse sentido, quando afirma que: “[...] porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos” (Mt.24:24 – negrito meu). “Se possível” até os eleitos. Porém, eles serão guardados, fazem parte dos 70000 que não dobraram os joelhos a Baal (cf. Rm.11:1-5).

Alguns líderes do Movimento de Cura Divina
Um jovem do Canadá conhecido como Branham liderou uma campanha influenciando outras pessoas a buscarem o avivamento conhecido como “Chuva Serôdia”. Sua primeira experiência com Deus, segundo (WALKER, 2002: 33) foi aos sete anos quando ele estava irado com sua mãe. Parou debaixo de uma arvore para descansar, e ali ouviu um som de um vento que soprava de forma que chamou sua atenção. De repente ele afirma ter ouvido uma voz que dizia: “Nunca beba, fume, ou contamine seu corpo de maneira alguma, pois eu tenho uma obra para você fazer quando ficar mais velho”. Essa voz, ele afirma ter ouvido várias vezes. O interessante é que essa experiência é parecidíssima com a de Josef Smith.
Com o passar do tempo, já com 21 anos conta-se que ele foi envenenado com gás quando trabalhava. No leito de morte, mesmo sem nunca ter bebido, fumado ou praticado algo que desabonasse a sua conduta sabia que não estava preparado para se encontrar com Deus:
Ouvi aquela mesma voz que disse: ‘Nunca beba ou fume’. Mas desta vez a voz dizia: ‘Eu chamei você e você não foi’. As palavras se repetiram três vezes. Então eu disse: ‘Senhor, se é você, deixe-me voltar novamente para a terra e eu pregarei seu evangelho dos eirado, ruas e esquinas. Eu falarei a todo mundo sobre isto!’ (WALKER, 2002: 34).

Nesta citação notamos claramente a ação de Satanás enganando o jovem inexperiente Branham. Ele vem como anjo de luz, com a maior sutileza e enganaria, se possível, até mesmo os eleitos de Deus. “Eu chamei você e você não foi”. A Bíblia diz que ninguém jamais resistiu a Sua vontade (cf. Rm.9:19). Jesus, quando chamou os discípulos, eles vieram, ninguém resistiu, nem se perdeu, exceto o filho da perdição que havia sido destinado a esse fim, cumprir os propósitos de Deus (cf. Jo.17:12). Paulo de Tarso foi chamado e não resistiu a vontade de Senhor. Efésios 3:20, o apóstolo Paulo afirma que fomos salvos pelo poder de Deus que opera em nós. Porém, esse jovem enganado por Satanás diz que a vontade de Deus não se realizou e Seus planos foram frustrados na medida em que a vontade de Deus foi resistida, prevalecendo a de Braham. A Bíblia de uma forma geral nos diz que Deus cumprirá todo Seu propósito. Portanto, essa visão foi maligna, e muitos que seguiram esse falso profeta foram também enganados.
Depois desse episódio, ele começou novamente a buscar a Deus e procurava locais escondidos para orar e meditar, como por exemplo: barracas abandonadas. E foi em uma dessas que ele viu uma luz entrar na barraca em forma de cruz conforme afirma (Walker, 2002). Nesse dia uma voz lhe falou em linguagem ininteligível. Por esse motivo ele entendeu que deveria fazer a vontade de Deus e pregar o Evangelho. Tornou-se pregador e fundou uma igreja que prosperou muito. Crescimento sem sustentabilidade, sem o conhecimento da Palavra de Deus, e a igreja que foi construída sobre a areia desmoronou, sua esposa e filha morreram em uma enchente, todavia, naquela noite ele disse que foi visitado em sonho por Deus e recebeu poder para prosseguir (WALLER, 2002:35).
Em 1946, ele afirma ter recebido a visita de um anjo que confirmou seu ministério de cura:

Uma luz se espalhou pela cabana e ele viu uma grande estrela como uma bola de fogo derramando luz sobre o chão. Aterrorizado, ouviu passos e, vindo em sua direção através da luz, os pés de um homem. “Ele tinha um rosto liso, sem barba, cabelos pretos até os ombros, uma com feição mais para escura, um semblante muito agradável. Chegando mais perto seus olhos fixaram os meus. Vê no quão aterrorizado eu estava, ele começou a falar: ‘Não temas. Fui enviado da presença de Deus Todo-Poderoso para lhe dizer que sua vida peculiar e seus caminhos mal-entendidos têm sido para indicar que Deus tem enviado você para levar um dom de cura divina para as pessoas do mundo. Se você for sincero e levar as pessoas a crer em você, nada resistirá diante de sua oração, nem mesmo câncer’” (WALKER, 2002:35).

A partir dessa revelação, William Branham começou a realizar muitos milagres de cura, e sua fama foi logo propagada. Nas suas reuniões de cura, milhares de pessoas vinham ouvi-lo, interessados pelo que estava sendo realizado pelo evangelista. O incrível é que o método que ele estava usando era utilizado pelos médiuns: “Com sua mão esquerda discerniria ou detectaria as doenças das pessoas. Ele leria pensamentos e fatos da vida passada das pessoas” . Nas suas reuniões muitas vezes era um anjo que ministrava a cura . Ele usava métodos de adivinhação da cultura pagã: “[...] falava detalhes da vida de desconhecidos (nome, endereço, fatos passados, doenças etc)” . Para enganar ainda mais, um fotógrafo profissional ao revelar uma foto dele ficou surpreso porque sobre sua cabeça havia uma auréola de luz . Todavia, a máscara do santarrão caiu, e de profeta de Deus, como se auto-entitulou, passou a anticristo. Vejamos o que nos relata WALKER:

[...] ele mesmo é o mensageiro que introduzirá a segunda vinda de Cristo. Assim como João Batista veio no espírito de Elias para anunciar a primeira vinda, do mesmo modo William Branham seria o profeta do século XX. Ele chegou a predizer que a “Segunda Vinda de Cristo” ocorreria em 1977” .

Predizer quando será a Segunda Vinda de Cristo é outro grande sinal de um falso profeta.
A conclusão de John Walker é bastante interessante, pois ele afirma que depois da morte de Branham surgiu uma seita que afirmava que ele iria ressuscitar dos mortos, mesmo sem acontecer a ressurreição seus seguidores continuaram a idolatrá-lo .
Diante de todos esses acontecimentos, Deus é soberano para agir da forma que lhe apraz. Em Isaías 46: 9- 11 fica esclarecido quem Ele é:

Eu sou Deus, e não há nenhum outro, eu sou Deus, e não na nenhum como eu. Desde o início faço conhecido o fim, desde tempos remotos, o que ainda virá. Digo: ‘Meu propósito permanecerá em pé, e farei tudo o que me agrada.

Deus cura e continuará curando; em momento algum tivemos a intenção de querer afirmar que Deus deixou de agir, porém, o que aconteceu foi algo que enaltecia a carne, os sinais de maravilhas que os falsos profetas irão demonstrar estão incluídos os de cura. Os magos no Egito fizeram milagres diante do povo , mas, foi pelo espírito de belzebu. Eles foram desmascarados, bem como todos os deuses do Egito. O Diabo engana através das curas, e o que encontramos atualmente nas igrejas de cura divina são verdadeiros rituais de pajelança.
O importante é o conhecimento da Palavra de Deus. A igreja de Filadélfia tinha pouca força, porém, havia guardado a Palavra de Deus e não negado o Seu nome. Em virtude dessa perseverança o Senhor tem uma promessa para esses crentes: “Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra” (Ap.3:10 – negrito meu). O texto não diz: Porque guardastes o dom de cura, ou de expulsar Demônios, muito menos de falar em línguas estranhas, Ele nos guardará da provação que há de vir sobre o mundo inteiro. Porém, Ele diz: “Porque guardaste a palavra da minha perseverança eu vos guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro”. A provação nesse texto refere-se ao julgamento final, e só os que guardaram a Palavra de Deus e não negaram o Seu nome serão guardados naquele dia, o dia da Ira de Deus, do Seu julgamento final, o dia em que o joio será lançado no fogo. Você está preparado para esse grande dia em que os salvos serão recebidos com grande alegria no seio de Abraão? E os falsos profetas dirão naquele grande dia ao “Filho do Homem” que está assentado no trono:

[...] naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade” (Mt.7:22-23).

Esse é o preço dos que rejeitam a lei de Deus pela glória efêmera desse mundo que irá passar com toda sua concupiscência.

2.1.4.3 Deus é Amor
A Igreja Pentecostal Deus é Amor, fundada por David Miranda, se espalhou, no início, por diversas áreas da periferia de São Paulo; atualmente encontra-se em todos os Estados Brasileiros. Seu público, ainda hoje, é a massa carente, despreparada, que luta por sobrevivência, saúde e emprego. Seu proselitismo exacerbado atrai os aflitos de todas as religiões sem exigir das pessoas nem um compromisso a não ser parte das graças recebidas que são os dízimos e as ofertas. “Na cura divina a graça é fim, e não percurso, como nas Igrejas Pentecostais” (MENDONÇA, 1990: 54). Mendonça considera essa igreja como um movimento. Sua população ainda é descompromissada. Todavia, tem um papel, bem como as Pentecostais, bastante importante diz Mendonça:

Sem entrar em valores religiosos, o Pentecostalismo e o movimento de cura divina exercem papel social importante, promovendo a catarse dos conflitos do cotidiano que desabam sobre a classe trabalhadora pobre e periférica dos grandes centros urbanos e das áreas camponesas de trabalhadores assalariados (1990: 55).





































CAPÍTULO III
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3.1 O surgimento do Neopentecostalismo
O Neopentecostalismo, também conhecido dentro do movimento Pentecostal como terceira onda, tem seus maiores representantes na “Igreja Universal do Reino de Deus”, “Igreja Internacional da Graça”, “Renascer em Cristo” e “Sara a Nossa Terra”.
O surgimento e crescimento dessas igrejas estão relacionados, também, com a situação econômica, social, política e cultural do Brasil no século XX. Devido ao grande desenvolvimento econômico, tardio, mas, acelerado e descontrolado. Passos nos mostra que em pouco tempo passamos de rural para urbano inchando as cidades (2005), as igrejas que surgem, nesse contexto social, crescem numericamente, porém, sem qualidade; não existe conhecimento da palavra de Deus. Um exército assim, despreparado, sem testemunho positivo para impactar o mundo, que não maneja bem a “Palavra da Verdade”, só pode crescer através de uma palavra falsificada que não desagrade ao mundo. Quando a Verdade é proclamada com fidelidade só crêem os que forem destinados a salvação . A verdadeira conversão é acompanhada de mudança de vida, somos salvos para sermos transformados na imagem do Filho de Deus . No Pentecostalismo e no Neopentecostalismo o emocionalismo e as experiências de cada um são confundidos com uma vida de santidade. A Bíblia diz que o crescimento na santificação vem através do conhecimento da Palavra de Deus. O Espírito Santo aplica a Palavra em nossos corações gerando um desejo de buscarmos esse alimento espiritual.

O Êxodo Rural
A população do campo, em busca de trabalho nos grandes centros urbanos, “trazem consigo a religiosidade católica popular que vai se adaptando ao novo contexto das grandes cidades, onde terão de refazer as dinâmicas de socialização e as suas representações religiosas” (PASSOS, 2005: 55). O imigrante procura, por necessidade de sobrevivência, adequar-se as novas realidades. Incorpora os novos símbolos da religião de mercado o que não lhe é estranho. O Neopentecostalismo surge nesse cenário, com a teologia da prosperidade, trazendo a resposta eficaz às novas necessidades. Passos comenta que: O “capitalismo selvagem parece ser proporcional a um sagrado selvagem” (2005:55). Na verdade, uma prosperidade que exclui a maioria não vem de Deus, é antibíblica e gera idolatria.
A sã doutrina, nessa conjuntura religiosa mística, vem sendo esquecida com o passar do tempo. Atualmente novos elementos estão sendo sincretizados do paganismo para que dessa forma as necessidades do povo sejam respondidas. É justamente isso que o mundo quer, uma religião que não denuncie o pecado, que se conforme com as injustiças, que não haja mais fronteiras claras com o mundo. O apóstolo Pedro é bastante taxativo quando afirma:

Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade [...] (2Pe.2:1-2).


3.1.1 A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD)
Entre as igrejas que se formaram do ramo Pentecostal, a que mais se afirma hoje é a “Igreja Universal do Reino de Deus”, fundada por Edir Macedo Bezerra, no Brasil, em 1977. Edir Macedo queria ser professor, mas abandonou os estudos universitários. Atormentado por problemas de depressão, procurou conforto na “Igreja Católica” e, em seguida no “Espiritismo” e nos “Terreiros de Umbanda”. Não encontrando alívio nem resposta aos seus problemas, aderiu à “Igreja Pentecostal Nova Vida” e ali ficou até 1974, quando, com um grupo de companheiros, fundou a “Igreja Cruzada do Caminho Eterno”. Em 1977, após um desentendimento com alguns de seus companheiros, fundou com Romildo Soares e Roberto Augusto Alves, a Igreja Universal do Reino de Deus, no Rio de Janeiro. Atribuiu a si o título de bispo e pediu a Roberto Augusto que o consagrasse. Em seguida, tanto Roberto Augusto como Romildo Soares separaram-se e Edir Macedo, único dos fundadores, ficou na liderança da Igreja recém fundada.

3.1.1.1 O culto da IURD
Entre as pessoas que aparecem no culto da Igreja Universal, a maioria vive problemas de vários tipos. O culto visa principalmente a oferecer a essas pessoas alguma solução para esses problemas que as atormentam.
- Desemprego e questões financeiras;
- Vida familiar e amorosa;
- Saúde;
- Vida espiritual elevada.
A Igreja Universal oferece, para isso, rituais diferenciados para as situações que afligem a maior parte das pessoas:
Os rituais dos cultos levam os fiéis a orar por uma ou outra dessas intenções, conforme os dias da semana.

1) Domingo: Culto de Celebração ao Espírito Santo;
2) Segunda: Reunião dos Empresários;
3) Terça: Sessão Espiritual do Descarrego;
4) Quarta: Reunião dos Filhos de Deus;
5) Quinta: Culto da Família;
6) Fonte de Libertação;
7) Reunião da Prosperidade.

Uma das idéias-mestras da Igreja Universal é que o diabo é, praticamente, a causa única e última de todos os males que nos afligem, o bode expiatório por tudo que de mal existe no mundo.
Somente através de uma vida de obediência a Palavra de Deus, principalmente quando se é um dizimista fiel, Deus o livra da ação de Satanás. Usam Malaquias 3:8-12 sem entendimento, afirmando que existe um demônio que Deus só repreende se houver fidelidade com o dízimo. Como se Deus estivesse limitado a alguma coisa.
Para ter sucesso no exorcismo, não é suficiente o trabalho do pastor: é necessária a colaboração do fiel, colaboração que é dada através do pagamento do dízimo, considerado uma obrigação, pois, fazendo isso, devolve-se a Deus o que é de Deus. A oferta, dada além do dízimo, não é obrigatória, mas é uma condição para receber em dobro ou sete vezes mais.
Os pastores são ensinados por Edir Macedo a pedir, e até a forçar o povo a dar dinheiro.
Ele tem o dinheiro em grande estima: "O dinheiro é uma ferramenta sagrada que Deus usa na sua obra", disse uma vez numa entrevista ao Jornal.
A adoração e o louvor a Deus não são prioridades na igreja de Edir Macedo. A ênfase está sobre a Teologia da Prosperidade em que eles afirmam que os fiéis irão comer o melhor desta terra. Um texto do Antigo Testamento, mal interpretado pelos pastores de Edir Macedo para dar fundamento a sua Teologia. O texto, na verdade, trata de promessas dirigidas aos judeus e não ao Israel espiritual (a igreja de Cristo). Edir Macedo não entende que as bênçãos da igreja transcendem, são superiores a da Antiga Aliança. Veja o que Paulo disse aos efésios: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo” (Ef.1:3 - NVI). O versículo não deixa dúvidas, “com todas as bênçãos espirituais”, não são algumas, porém, todas. Diante dessa promessa, de que deveremos ter falta? Será que os irmãos devem continuar pedindo o que já foi dado? Ou será que as bênçãos foram colocadas a nossa disposição e precisamos conquistá-las? Não! O texto é claro, e diz que: “[...] o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais”. Ele já nos abençoou (gr. Εύλογήσαζ), o verbo está no passado, é algo que aconteceu. Portanto, a “Teologia da Prosperidade” é antibliblica. Uma prosperidade que exclui a maioria gera idolatria. Por que a maioria continua na miséria? Todos os dias estão ali, em busca das pseudo promessas, procurando mudar a sua vida financeira e essa transformação não acontece de fato? Eles não entendem que a Graça de Deus nos basta e que não devemos acumular tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam (cf. Mt.6:19-20). “Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Como que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt.6:31-33).
A Igreja Universal volta-se contra todas as igrejas tradicionais, inclusive as Pentecostais numa reação característica de seita herética.
Uma estatística de 1996 atribuía à Igreja Universal 3,5 milhões de fiéis, 7 mil pastores, milhares de assistentes voluntários, ou obreiros, 2 mil templos no Brasil e 225 no exterior, em 34 países, 2 canais de televisão, a TV Record e a TV Rio, emissoras de rádio, jornais, uma agência de turismo e um Banco, o Banco de Crédito Metropolitano. Não é pouco para uma Igreja que começou em 1977 com algumas dezenas de fiéis.
3.1.1.2 O mal visto por Edir Macedo
Numa entrevista concedida à revista Veja de 6 de dezembro de 1995, Edir Macedo comentou também sobre as características do demônio, conforme é visto e ensinado pelos adeptos da Universal. Eis, a seguir, alguns trechos da entrevista que se encontra a disposição na Internet:
Existe um espírito que só atua na destruição do lar. Você pode verificar isso a partir das etapas que o casal enfrenta na vida. Esse espírito normalmente vem dos pais. Se eles são divorciados, o mesmo espírito que destruiu o lar dos pais vai destruir o lar dos filhos, dos netos, dos bisnetos. Isso é uma herança maldita. Ele passa de pai para filho por todas as gerações, até que a pessoa tenha um encontro com Jesus. Aí, corta-se toda a maldição.
Existe o espírito da prostituição (prostitutas, homossexuais) e de enfermidades. Este faz a pessoa se manter doente por toda a vida. Por exemplo, a epilepsia é causada por um espírito. Há muitas pessoas que foram curadas da epilepsia sem medicação, apenas por "influência da 'libertação'.
Essa força maligna, que toma a mente e faz a pessoa ficar louca, perturbada e toma o coração, essa força causa raiva, ódio, doenças. Há pessoas que têm feridas nas pernas que não cicatrizam nunca. Por quê? Aquilo é um espírito que está alojado ali. Aquilo é um espírito. Aqueles que têm dor de cabeça constante, daquelas que não há médico que descubra a causa...pois bem, isso é o espírito. A pessoa que tem uma dor de estômago, mas o médico não descobre a causa, isso é um espírito. Todas as pessoas que sentem dores, vão ao médico e ele não consegue diagnosticar nada, estão tomadas pelo demônio. Essas são doenças espirituais. E quando o problema é espiritual, não há medico que consiga resolver.
3.1.2 A Igreja Renascer em Cristo
Fundada em 1986 pelo casal Estevão e Sonia Hernandes. Essa igreja é procurada especialmente por jovens, devido a seu trabalho de recuperação de dependência de drogas. O grande uso da música é uma das marcas características da Igreja Renascer. “A doutrina da Prosperidade” é também um dos pilares da sua Teologia.
Em 1999, a Igreja Renascer em Cristo possuía aproximadamente 200 templos no Brasil e quatro no exterior. Em 2005 o número de templos multiplicou e em 2006 apesar dos seus fundadores terem passado por um grande escândalo relacionado a sonegação de impostos e de terem mentido para autoridades alfandegária no Aeroporto dos EUA. Os adeptos afirmam que esses escândalos são obras de Satanás para impedir o crescimento do Reino de Deus. Mesmo com todos os escândalos a Igreja continua na mídia.

Cultos: Os cultos são todos os dias. O dinheiro arrecadado de todas as Igrejas são depositados em uma conta particular do Bispo Estevão Henandes e da Bispa Sônia.
Os pastores são pressionados a alcançarem uma cota mensal nos dízimos. Os que não conseguem são considerados fracos e sem unção. Os salários são enviados para os pastores depois que eles fazem o depósito da arrecadação mensal. Esse salário varia muito, alguns recebem uma miséria, outros ganham muito bem, depende do tempo e da posição que os mesmos assumem na Igreja. O pastor vale pelo dízimo que arrecada. Se a Igreja não cresce para poder dá um bom lucro, o pastor é descartado: coloca-se outro em seu lugar. A santificação, ninguém sabe o que é isso. O interesse pessoal é que predomina. A maioria estão a procura de tirar proveito de alguma coisa. E não é só nessa Igreja, mas até mesmo nas Igrejas Reformadas o amor é algo raro. Quando o Filho do Homem voltar será que encontrará fé na terra?

3.1.3 A Igreja Sara Nossa Terra
A Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra é uma Igreja Evangélica Neopentecostal. Foi criada em fevereiro de 1992, em Brasília, Brasil, pelos bispos Robson e Maria Lúcia Rodovalho que acreditam que a Terra está ferida pelas desigualdades sociais, miséria, fome, corrupção, bruxaria e todas as formas de exploração do mal. Sua visão é de sarar o país, a sociedade, a cultura e as famílias. O casal pertencia a Igreja Renascer.
O Ministério possui hoje, cerca de 550 igrejas espalhadas pelo Brasil e exterior e estão sob a coordenação da Federação Nacional Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra. Esta Comunidade é dirigida por um Conselho de Bispos e um Conselho Diretor, responsáveis pelas Igrejas em todo o Brasil e Exterior. Por meio da “Fundação Sara Nossa Terra” e “Associação Ministério Comunidade Evangélica” (AME), a Igreja desenvolve trabalhos de cunho sócio-cultural e promove assistência a famílias carentes.
Atualmente, o Ministério Sara Nossa Terra conta com um canal de televisão, “TV Gênesis” e uma “Rádio, Sara Brasil FM”, com programação diária, voltada para a família. A Rádio Sara Brasil FM e a TV Gênesis estão presentes em diversas cidades brasileiras, tanto em TVs por assinatura, como UHF. O “Jornal Sara Nossa Terra” e a “Revista Sara Brasil”, também são instrumentos de comunicação da denominação.
A Sara Nossa Terra conquistou espaço na mídia por ser freqüentada por vários jogadores de futebol e algumas sub-celebridades, que se converteram e "mudaram suas vidas".
Visão Apostólica
Sarar a nossa Terra através de igrejas locais aliançadas e governadas pelo ministério apostólico, em todo mundo. Que sejam instrumentos para trazer o Reino de Deus, através do avivamento produzido pelo compromisso de oração, devoção e santidade, e através de profundas mudanças sociais em nossa cultura. Tanto por meio de escolas, faculdades e obras sociais que expressam o amor de Deus, como pela mídia (rádios, jornais e TV), bem como através de todos os espaços possíveis que possam ser preenchidos pelo povo de Deus.
É louvável querer ver o povo de Deus unido e assumindo o controle. Todavia, olhando do ponto de vista em que os verdadeiros crentes estão, na mão do Pai (cf. Jo.10:28), isso não significa nada diante do que Cristo tem preparado para aqueles que O amam. O Reino de Deus não é comida nem bebida, nem significa manter o controlhe das coisas desse mundo. É algo muito maior doque tudo isso: “Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor” (Hb.12:28 – negreto nosso). Recebemos um Reino inabalável, eterno e não precisamos nem devemos investir em outro reino aqui nesse mundo, devemos sim, buscar o que é eterno.

Visão para Igrejas Locais
Fazer de cada não cristão um cristão, de cada cristão um discípulo, de cada discípulo um líder, edificando assim uma Igreja que manifesta a presença de Deus através de prodígios e manifestações sobrenaturais.
Declaração de Fé
1. Cremos que a Bíblia é a palavra de Deus, inspirada e infalível(II Pe.1:21)
2. Que Deus se revelou como Pai, Filho e Espirito Santo (II Co 13:14).
3. Na divindade de Jesus, em seu nascimento virginal, em sua morte expiatória, em sua ressurreição corporal e em sua ascensão à destra do Pai (1ts.4:14)
4. Que o homem foi criado bom e justo, mas perdeu essa natureza por cair voluntariamente no pecado (Gn.1:26-31)
5. Que a única esperança para a salvação do homem é através do sangue redentor de Cristo (Hb.9:27)
6. Que todos que se arrependerem de seus pecados e crerem em Jesus como seu Salvador e Senhor, serão salvos pela graça por meio da fé. (Ef.2:6-7)
7. Que a santificação e a vida vitoriosa são requisitos para a esposa de Cristo (Ef.5:25-2







































CONSIDERAÇÕES FINAIS
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A Bíblia ensina que os dons, sinais e milagres, servem para um propósito determinado; uma vez que ele foi cumprido, os dons cessaram (cessaram alguns, no sentido de perder a funcionalidade, ou seja, de já ter cumprido seu papel na Igreja Primitiva). As línguas modernas, as profecias e curas pela fé não se parecem em nada com o que aconteceu nos dias de Cristo e dos apóstolos. O testemunho objetivo da História é de que esses dons cessaram após o encerramento do cânon do Novo Testamento. Cristo e os apóstolos operaram seus milagres em público, até mesmo diante de seus inimigos. Desafiamos nossos irmãos carismáticos a fazerem o mesmo e provarem ao mundo e aos crentes não-carismáticos que esses dons são verdadeiros. Até que venham a existir evidências bíblicas e comprobatórias que sustentem as reivindicações carismáticas. Nós devemos considerar as práticas carismáticas como enganosas e fraudulentas (2 Co 13:1). Ainda que creiamos que os "curadores da fé" de nossos dias vivem enganados e (deliberadamente ou não) cometendo fraudes. Também cremos que Deus cura o seu povo, atendendo suas orações. Se você está freqüentando uma igreja carismática, sinta-se exortado a deixá-la e a freqüentar uma igreja que seja centrada na verdade revelada nas Escrituras. Deus não se impressiona com os grandes números, entretenimento tolo e com os falsos milagres dos pregadores carismáticos. Ele quer sim, que você freqüente uma igreja que ensine a verdade e O adore da maneira que Ele determinou na Sua Palavra.






BÍBLIOGRAFIA
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ANGLADA, Paulo. Calvinismo: As Antigas Doutrinas da Graça. São Paulo. Editora Puritanos, 2000. 151p.

BOAVENTURA, Carlos. O Brasil Pentecostal: Uma análise da história. Rio de Janeiro. Editora Nova Jerusalém, 2006. 183p.

BOICE. James M / PACKER, J. I / SPROUL, R. C. / MCGRATH, Alister. Religião de Poder: A Igreja sem fidelidade bíblica e sem credibilidade no mundo. Editora Cultura Cristã, 1998

CAIRNS, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos: Uma história da Igreja Cristã. São Paulo. Editora Vida Nova, 1995. p.248.

DREHER, Martin N. A Igreja Lantino-Americana no Contexto Mundial. São Leopoldo. Editora Sinodal, 1999. 244p.

FALCÃO, Samuel. Predestinação. Recife, 1989. 200p.

GEISLER, Norman. Eleitos, mas livres: uma perspectiva equilibrada entre a eleição divina e o livre-arbítrio. São Paulo.Vida, 2005. 318p.

GUTIÉRREZ, Benjamin F. Na Força do Espírito: Os Pentecostais na América-Latina: um desafio às igrejas históricas. São Paulo. AIPRAL, 1996. 290p.

JOHN, F. MacArthur, Jr., Os Carismáticos: Uma Perspecitiva Doutrinária - The Charismatics: A Doctrinal Perspective - (Grand Repids: Zondervan, 1978)

LUTERO, Martinho. Nascido Escravo. Editora Fiel, 1525. 93p.

MUNIZ, Beatriz Souza de / MAURO, Luís Martino Sá (orgs). Sociologia da Religião e Mudança Social. São Paulo. Paulus, 2004. 173p.

MENDONÇA, Antônio Gouvêa / VELASQUES, Prócoro Filho. Introdução ao Protestantismo no Brasil. São Paulo. Edições Loyola, 1990. 279p.

MACARTHUR, John. Nossa Suficiência em Cristo: Três influências letais que minam a sua vida espiritual. São Paulo. Editora Fiel, 2001. 252.

OWEN, John. Apostasia do Evangelho: A natureza e as causas da apostasia do Evangelho. São Paulo. Editora os Puritanos, 2002. 206p.

PASSOS, João Décio. Pentecostais: origens e começo. São Paulo. Paulinas, 2005. 118p.

SANTOS, Alfredo Oliva dos. A História do Diabo no Brasil. São Paulo. Fonte Editora, 2007. 288p.

SOUZA, Alderi Matos de / NICODEMUS, Augustus Lopes / SOLANO, Francisco Portela Neto / CARLOS, Heber Campos de. Fé Cristã e Misticismo: Uma avaliação bíblica de tendências doutrinárias atuais. São Paulo. Editora Cultura Cristã, 2000. 171p.

WRIGHT, Gregor R. K. Mc. A Soberania Banida: Redenção para a cultura pós-moderna. São Paulo. Editora Cultura Cristã, 1998. 267p.


WALKER, John. A Igreja do Século XX: A história que não foi contada. Belo Horizonte, MG. Editora Atos, 2002. 300p.
Do mesmo autor.









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segunda-feira, 13 de outubro de 2008

ENSINANDO DE SIÃO: UMA ANTIGA HERESIA




ENSINANDO DE SIÃO
JUDEUS-MESSIÂNICOS
UMA HERESIA ANTIGA

Pr. Carlos R. Cavalcanti
Teólogo, Historiador, Antropólogo, Especialista em Religiões, Cultura Judaica e Simbologia Judaica.


Muitas heresias têm surgido dentro da igreja e as Escrituras nos advertem a termos cuidado quanto aos falsos mestres que se apresentam dissimuladamente, mas são lobos em pele de ovelhas:


“Assim como, o meio do povo, surgiram falos profetas, assim também haverá entre vos falos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas,e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; Também , movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme” (2Pe.2:1-3).


No A.T. houve falsos mestres e profetas. Portanto, é mister que na igreja, haja falsos mestres introduzindo heresias para sua própria destruição. Se a Bíblia diz que isso vai acontecer na igreja, como querem alguns ir de encontro a Palavra de Deus? O que devemos fazer é nos preparar com a Palavra de Deus para não cairmos nas ciladas do diabo. A apostasia sempre foi uma realidade dentro da igreja cristã. E ela e gerada, em épocas de crise, pelo descontentamento de algumas pessoas que procuram uma vida de santidade independente da comunidade cristã a fim de operar independentemente sua própria salvação. Esse foi o caso do monasticismo (século IV) em que pessoas se retiraram para cavernas e colinas ao longo do Nilo no Egito para levarem uma vida de meditação e ascética a fim de melhorarem espiritualmente.
Atualmente, diante da grande apostasia, algumas pessoas por falta de conhecimento e discernimento espiritual da história do cristianismo primitivo, tem levado muitos a uma imagem irreal dessa Igreja como se ela não tivesse problemas. Roque Frangiotti nos traz um excelente comentário: “Ainda hoje, cristãos de todas as tendências se reportam à Igreja primitiva como a um “encanto”, para encontrar nela uma forma de fé fundamental, pura, exemplar. Basta uma leitura menos superficial de alguns textos tidos como mais antigos do cristianismo, para se desfazer esta concepção mítica, idílica da “Igreja Primitiva”. (1995:8).

Não é errado, de forma alguma, as pessoas quererem viver como os primeiros cristãos. Essa comunidade é modelo para todos nós:

“Perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédios dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade” (At.2:42-45).

Essa comunidade à medida que foi crescendo, os problemas começaram a surgir. Foi necessário haver um concilio em Jerusalém para revólver as confusões que se instalaram no seio daquela comunidade. Havia tendência e divisões entre helenistas e judaizantes (cf. At.6:1-7). Os fiéis de origem grega queixavam-se dos de origem hebraica. O diácono Estevão foi acusado de blasfemar contra Moises e subverter a lei e os costumes judaicos (cf. At.6:13-14). Nessa época havia várias tendências, uma herética conhecida como “ebionitas”, os “elenistas”, os “judaizantes moderados” e os “radicais”. Os radicais diziam: “É necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a lei de Moisés” (At.15:5b). Os ebionitas: seu pensamento encontra-se nas Pseudoclementinas (apócrifo). Os moderados: Pedro e Tiago, o “irmão do Senhor”, eram tolerantes, eles buscaram o equilíbrio a fim de facilitar a convivência com os radicais. As medidas de Pedro e Tiago foram tomadas no Concílio de Jerusalém (cf. At.15:132-21). Os elenistas: Judeus-cristãos tinha como mestre Paulo e Barnabé.
Com o a expanção da igreja surgem outras formas de heresias, como os “nicolaítas”, “elcasaíta”, o “adocionismo de Hermas”, “o adocionismo ebionita”, gnosticismo e etc.
Mesmo diante de toda crise porque a igreja vem passando, não devemos temer, o SENHOR conhece os Seus. Se fosse da Sua vontade manter aquela comunidade, Ele não teria espalhado todos eles no ano 70 d.C. e o apóstolo Paulo convocaria o povo a voltar a igreja de Jerusalém, uma igreja genuinamente judaica. Mas, isso não era preciso, pois a igreja de Jesus Cristo esteja onde estiver é santa, tem dono: “...à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (1Co.1:2 – negrito meu). Mesmo devido a todo mal que afetava a igreja de Corinto, o apóstolo Paulo diz que eles foram enriquecidos em toda a Palavra e em todo conhecimento (cf. 1Co.1:5). “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe.2:9). A igreja de Laudicéia era infeliz, miserável, pobre, cega e nua (cf. Ap.3:17), era uma igreja morna, mas pertencia a Deus. O que ela tinha que fazer para sair daquela situação era buscar na fonte da sabedoria, em Deus; nossa suficiência está nas Palavras de Deus e quando Ele diz: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo” (Ap.3:20). Na verdade, só os eleitos ouvirão a voz do Senhor (cf. Rm.8:28; 1Ts.1:4). Portanto, meus irmãos, o apóstolo Paulo nos exorta a santidade em qualquer lugar que o povo de Deus esteja reunido: no Brasil, no Japão ou em Jerusalém, tanto faz. “Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai” (Jo.4:21). Ele procura verdadeiros adoradores que O adorem em espírito e em verdade. Ele não está interessado em ritualismo que foram sombras de realidades ainda maiores que se cumpre em Cristo Jesus. Os rituais festivos judaicos não serviam de nada quando se tinha o coração impuro (Is.1:10-17). Devemos, portanto, buscar a santificação sem a qual veremos a Deus e deixar de lado os rudimentos da lei. Pois, a Bíblia é suficiente para nossa salvação.
Passaremos agora a refutar as heresias Judaico-Messiânico defendidas por Marcelo Miranda Guimarães que é um dos Membros da IES.
O que ele defende como perfeição cristã é uma antiga heresia judaica. Analisaremos cada item à luz da Bíblia.


Por Marcelo Miranda Guimarães (*)

“Jesus, cujo verdadeiro nome em sua língua materna, é Yeshua Ben Yosef, ou seja, O Deus-que-salva Filho de José, tem procurado por uma noiva nos últimos 2 mil anos. Um pouco cansado de procurar sua autêntica noiva, resolveu escrever algumas considerações, solicitando a amigos que as publiquem em seus sites, MSN, Orcut, etc., enviando e-mails a irmãos e amigos. Ele disse que desta vez Ele tem pressa, pois Seu Pai já tem uma data marcada e agora o tem pressionado bastante.
Sem dúvidas, há muitas boas noivas candidatas, mas Jesus procura a mais autêntica.
Sabendo disso, me coloquei imediatamente à disposição de Jesus, no sentido de ajudá-lo nesta procura. Era tarde da noite e já me encontrava em minha cama, quando adormeci, perguntando:- o que posso eu fazer para lhe ajudar, Jesus? Por onde posso começar? A quem devo procurar? ... Adormeci e subitamente acordei no meio de um sonho. Tentei me lembrar do que tinha sonhado, mas não consegui. Devagarzinho, comecei a imaginar quais seriam os recados que Yeshua gostaria de enviar à sua Igreja. De repente imaginei Jesus falando o seguinte: - “fale à minha noiva que ela precisa me conhecer melhor...” e foi falando, falando... foi quando então, me levantei e tomei nota dos13 itens abaixo:

1. “Minha noiva precisa me ver como um judeu. Nasci em Belém, me criei em Nazaré ensinei nas melhores sinagogas de meu país. Sou um judeu, educado nos princípios da Torá, livro escrito pelo meu Pai através de Moisés. Fui circuncidado no 8º. dia e me orgulho do meu povo, pois vim primeiramente para anunciar as Boas Novas para eles. Com este povo meu Pai tem uma aliança e um chamado irrevogável” (Marcelo Miranda Guimarães, 2008);

Refutação: Na sua introdução ele afirma que Jesus está procurando há dois mil anos por uma noiva. Isso não merece nem refutação, mas como já comecei vou terminar. Esse rapaz digo senhor é um poço vazio, não tem conhecimento de nada. Acredito que até a “Igreja Ensinando de Sião não concorda com ele. Em primeiro lugar Jesus não está à procura de uma noiva porque Ele já tem. A igreja de Cristo é um povo que foi escolhido antes da fundação do mundo para ser santo e irrepreensível diante do Senhor: “...assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para seremos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça...” (Ef. 1:4-6).

• A noiva já foi comprada há dois mil anos atrás com o seu precioso sangue vertido na crus: “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue” (At.20:28). Você é um verdadeiro herege ao afirmar que Cristo está por ai à procura de uma noiva. Outros versículos (1Co.6:20; 7:23; Ap.5:9).
• A igreja é a noiva de Cristo, portanto, o apóstolo São João escreve para as sete igrejas que se encontram na Ásia: “João, às sete igrejas que se encontram na Ásia, graça e paz a vós outros, da parte daquele que é, que era e que há de vir, da parte dos sete Espíritos que se acham diante do seu trono” (Ap.1:4). Como é que Cristo poderia está desde o primeiro século procurando uma noiva se Ele está falando para elas através do aposto João? Quando Jesus morreu naquela cruz, Ele morreu especificamente por alguém, para expiação de seus pecados foi algo real. Ele também disse que veio fazer a vontade do Pai (Jo.6:38) e a vontade do Pai e que nenhum daqueles que foram dados a Cristo se perca, e eu o ressuscitarei no último dia (Jo.6:39). A igreja de Cristo Jesus está sobre a proteção divina (Jo.10: 25-30). Não devemos ficar como se não tivesse solução. Deus está sentado em um alto e sublime trono, está no controle do universo. Não há o que temer.
• Ainda na introdução ele afirma que Jesus está um pouco cansado de procurar Sua noiva. Eu nem vou refutar isso. Só quero mostrar que os judeus-messiânicos acreditam que são, por serem judeus, a verdadeira noiva de Cristo. Portanto, esse pensamento é incorreto, pois, Cristo, dos dois fez um só povo através da cruz (cf. Gl.3:28).
• O pior de tudo é a neurose, esse senhor recebeu várias mensagens de Cristo, o que é típico das Seitas Heréticas. Quando essas pessoas querem dá credibilidade aos seus pensamentos heréticos, dizem que recebeu a mensagem de Deus. Nesse caso o próprio Jesus entra em contado com esse moço desesperado. As Testemunhas de Jeová, os Mórmons e os Adventistas do Sétimo Dia e muitos outros tiveram uma revelação igual.
Essas palavras foram dirigidas aos judaizantes de extremas direita que estavam pervertendo a fé dos irmãos (cf. At.15:1): “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” (Gl.1:6-9). William Hendriksen na Epístola aos Gálatas, traz um excelente comentário sobre esse assunto: “Os gálatas, dessa forma, estavam sendo lançados em confusão por homens que estavam desejando e tentando virar de ponta a cabeça o evangelho que tem Cristo por centro e que o glorifica, o evangelho cristocêntrico. Certamente que o ensino segundo o qual a salvação dos homens é por meio da fé mais as obras da lei não passa de uma perversão do verdadeiro evangelho que proclama as “boas-novas” da salvação (pela graça) pela fé somente” (1999:64).

No item 1 ele declara algo absurdo afirmando que foi Jesus que transmitiu tais mensagens. “Minha noiva precisa me ver como um judeu”. A Palavra de Deus é suficiente para nossa salvação e qualquer outra revelação é maldição, Deus já revelou o que tinha de ser revelado para nossa salvação. A noiva de Cristo precisa vê-Lo com “Senhor” e “Salvador” (cf. 1Co.12:3).
“...me orgulho do meu povo, pois vim primeiramente para anunciar as Boas Novas para eles. Com este povo meu Pai tem uma aliança e um chamado irrevogável”. “...me orgulho do meu povo”, ele está se referindo exclusivamente ao povo judeu. O povo de Deus, em primeiro lugar, é o que faz a Sua vontade (cf. Jo.14:23, 24) e não o povo judeu, posto que não existe mais judeus ou gentios: “Dessarte, não pode haver judeu nem grego nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl.3:28).
“Com este povo meu Pai tem uma aliança e um chamado irrevogável”. Vejamos o que a Bíblia diz: “Pergunto, pois: terá Deus, porventura, rejeitado o seu povo? Deus modo nenhum! Porque eu também sou israelita da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim” (Rm.11:1). No versículo 2 ele responde que Deus não rejeitou o Seu povo a quem de antemão conheceu. O apóstolo Paulo também afirma que Deus preservou um remanescente fiel segundo a eleição da graça (Rm.11: 2-7). Porém, a maioria como no tempo de Elias foram rejeitados: “Que diremos, pois? O que Israel busca, isso não conseguiu; mas a eleição o alcançou; e os mais foram endurecidos, como está escrito: Deus lhes deu espírito de entorpecimento, olhos para não ver e ouvidos para não ouvir, até ao dia de hoje” (Rm.11:7-8). Meus amados o apóstolo Paulo nos diz que a Palavra de Deus não falhou quanto as promessas feita aos judeus. Todavia, “...nem todos os de Israel são, de fato, israelitas; nem por serem descendentes de Abraão são todos seus filhos” (Rm.9:6-7). “...filhos de Deus não são propriamente os da carne, mas devem ser considerados como descendência os filhos da promessa” (Rm.9:8) os quais estão incluídos os gentios: “Que diremos, pois? Que os gentios, que não buscavam a justificação, vieram a alcançá-la, todavia, a que decorre da fé; e Israel, que buscava a lei de justiça, não chegou a atingir essa lei. Por quê? Porque não decorreu da fé, e sim como que das obras. Tropeçarem na pedra de tropeço, como está escrito: Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, e aquele que nela crê não será confundido” (Rm.9:30-33). Ora, a questão dos judeus-messiânicos é a mesma da época de Paulo. Hoje também eles estão lendo as Escrituras, mas sem entendimento: “Porque lhes dou testemunho de que eles Têm zelo por Deus, porém não com entendimento. Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus. Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Rm.10:2-4). Mas nem todos os judeus e também gentios não obedecem ao Evangelho: “Mas nem todos obedeceram ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem acreditou na nossa pregação?” (Rm.10:16).

2. Diga à minha noiva que ela deve gostar de festas. Há muitas festas celebradas no mundo, mas eu quero celebrar as minhas festas. Lembre a ela que numa dessas festas, a de Tabernáculos, a tomarei para celebrar nossas bodas de casamento. Durante os sete dias dessa festa, estaremos em núpcias e expressando-nos mutuamente nosso grande amor;

Refutação: Jesus nunca ordenaria isso para Sua igreja; como judeu cumpridor da lei, Ele participou das festividades, porém o que tem ordenado em Sua Palavra para que a igreja cumpra são os ritos do “Batismo e a Santa Ceia”. As festas tinham um significado pedagógico, era sombra do que havia de vir, e apontava, em última análise, para Cristo onde tudo se cumpriu categoricamente. Vejamos: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo” (Cl..2:16-17 – negrito meu); (cf. Hb.10:1).

3. Diga à minha querida noiva para não se preocupar muito com o que levar, pois, primeiro, não tenho carro, casa ou tão pouco uma conta bancária. Tenho somente um cavalo branco que será usado somente no dia que eu tomar posse do meu reino aqui na terra. Minha noiva, depois esposa, tomará posse desse reino comigo. A casa que vamos morar, será a do meu Pai. Ela é muito bonita e já tem tudo arranjado e em ordem. Na verdade, trata-se do antigo Templo construído por um ancestral de minha tribo, Salomão. Mas, seus palácios estarão todos reconstruídos até lá e, esplendidamente, restaurados. Quanto ao meu salário, diga a ela para não se preocupar também, pois o Sogro é riquíssimo, dono absoluto do ouro e da prata do mundo;
Refutação: Pensamento dispensacionalista. O movimento dispensacionalista surgiu nos meados do século XIX na Inglaterra com os Irmãos ou Irmãos de Plymnoutrh. Seu maior expoente foi John Nelson Darby (1800 – 1882), um irlandês insatisfeito com a igreja Anglicana da qual era ministro, uma das características do grupo de Darby foi o desprezo por qualquer tipo de organização denominacional ou forma de culto. Rejeitaram muitas coisas acreditando estarem voltando à forma de culto primitivo dos primeiros crentes na época apostólica. Foi justamente nessa tentativa que desenvolveram um novo modelo de interpretação bíblica conhecido atualmente como dispensacionalista em que as profecias são interpretadas literalmente. Quem muito contribuiu para propagar esse pensamente foi a publicação da Bíblia de Referência de Scofield, em 1909. Dessa forma é propagada nos meios cristãos uma falsa e defeituosa hermenêutica a respeito do modo como Deus trata como homem, com a salvação e a respeito da igreja de Cristo.
Os dispensacionalista acreditam que Deus trata diferentemente com a Igreja e com Israel. Todos os dispensacionalistas são pré-milenistas. Acreditam que depois da Grande Tribulação Cristo irá reinar em Jerusalém, onde na época estará tudo preparado para o culto no templo e os sacrifícios durante o milênio. Analisemos, pois, Apocalipse 20:1-6, a única passagem na Bíblia que fala explicitamente de um reinado de mil anos após a Segunda Vinda de Cristo. A derrota de Satanás começou com a Primeira Vinda de Cristo. E que o Milênio, em que Cristo reinará com Sua Noiva, nos versos 4 a 6 já está acontecendo e seu final dar-se-á com a Segunda Vinda de Cristo. Conforme A nthony A. Hoekema o reinado de mil anos deve acontecer antes da Segunda Vinda de Cristo e não depois:

“Não apenas no livro de Apocalipse, mas em qualquer outro lugar no Novo Testamento, o juízo final está ligado à Segunda Vinda de Cristo (veja Apocalipse 22:12 e as seguintes passagens: Mt.16:27; 25:31, 32; Jd.14, 15 e especialmente 2Ts.7;10). Sendo assim, é óbvio que o reinado de mil anos de Apocalipse 20:4-6 deve acontecer antes, e não depois da Segunda Vinda de Cristo” (O Milênio, 1990: 145).

Os que morreram em Cristo estão reinando com Ele aguardando a ressurreição do Corpo que acontecerá por ocasião da Segunda Vida.

“Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quis foi dada autoridade de julgar. Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos” (Ap.20:4-5).

Após a ressurreição Sua noiva poderá adorar a Deus, servir a Ele e reinar com Cristo de uma maneira ainda mais rica do que agora. Eles adoração e servirão a Deus por toda eternidade na Nova Terra e não nessa que um dia irá passar:

A Bíblia confirma essa catástrofe final

No sermão profético de Jesus, narrado por Marcos 13:25; Lucas 21:25-27; Mateus 24:29 diz:

Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas (gr. asteras - asteróides) cairão do firmamento, e os poderes dos céus (energia gravitacional que equilibra os corpos no espaço, eletromagnéticas, nucleares fraca e forte que atuam nos céus) serão abalados.

“Todo o exército dos céus se dissolverá, e os céus se enrolarão como um pergaminho; todo o seu exercito cairá, como cai a folha da vide e a folha da figueira” (Is. 34:4).
“Esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, “serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão’’ (2 Pe. 3:12). A linguagem escatológica é usada em toda Bíblia para falar do fim que acontecerá em breve. O dia e a hora, ninguém sabe.

Vi quando o Cordeiro abriu o sexto selo, e sobreveio grande terremoto. O sol se tornou negro como saco de crina, a lua toda, como sangue, as estrelas do céu caíram pela terra, como a figueira, quando abalada por vento forte, deixa cair os seus figos verdes, e o céu recolheu-se como um pergaminho quando se enrola (Ap. 6:12-14).

Assim como o Senhor estendeu o universo através da Sua palavra criadora (bereshith bará), no fim Ele recolherá, precipitará os acontecimentos por ocasião do Seu juízo:

Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono (Ap. 20:11 e 12).

Todos serão julgados e o mal será para sempre vencido e lançado para dentro do lago de fogo justamente com aqueles cujos nomes não foram encontrados no “Livro da Vida” (cf. Ap. 20:15). Todavia, isso é o começo de uma nova existência, a visão final de João é que Deus fará tudo novo, para o povo redimido:

Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a Nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para seu esposo (Ap. 21:1-2).

Como a Bíblia diz, e a ciência prova, o mundo teve um começo e terá um fim, não o fim da matéria existente, mas uma transformação radical para uma nova ordem. O planeta está caminhando como um bêbado para seu destino final. A linguagem usada é profética, aponta para esse momento que acontecerá por ocasião da “Segunda Vinda de Cristo”:

Terror, cova e laço vêm sobre ti, ó morador da terra. E será que aquele que fugir da voz do terror cairá na cova, e, se sair da cova, o laço o prenderá; porque as represas do alto se abrem, e tremem os fundamentos da terra. A terra será de todo quebrantada, ela totalmente se romperá, a terra violentamente se moverá. A terra cambaleará como um bêbado e balanceará como rede de dormir; a sua transgressão pesa sobre ela, ela cairá e jamais se levantará. Naquele dia, o SENHOR castigará, no céu, as hostes celestes , e os reis da terra, na terra” (Is. 24:17-21).

“Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão’’ (Lc. 21:33).
Os salvos, os que aceitaram Jesus como seu Senhor e Salvador, herdarão um novo céu e uma nova terra, onde gozarão as bem aventuranças :

[...] ali não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: escreve, porque estas palavras são verdadeiras. Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida (Ap. 21:4b-6 – grifo nosso).

Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhe cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte (Ap. 21:8).

4. Diga á ela para ir acostumando com a cidade de Jerusalém. Ela terá que mudar para lá. Ela é a minha cidade que meu Pai escolheu para eu morar com a minha esposa e de lá, reinar;

Refutação: Não tem sentido pensar que Cristo já não está reinando. A terra que Cristo irá reinar com Sua igreja será na Nova Terra no estado eterno. E não na Palestina que conhecemos hoje. Isso é uma fantasia romântica de alguns grupos como as Testemunhas de Jeová.

5. Minha noiva precisa ainda entender de minhas funções ministeriais. Primeiro sou Rei, descendente do reinado de David, da tribo de Judá e preciso de uma rainha. Precisa falar com minha noiva o que é ser e viver como rainha, pois ela desempenhará um importante papel no reino. Segundo, sou sacerdote da suprema ordem de Melquisedeque. Tenho meus ofícios de adoração ao meu Pai dentro da mais profunda e pura liturgia judaica. É bom minha noiva ir se acostumando com isto, pois não haverá projetor, telão e televisão para acompanhar as lindas e espirituais melodias. Terceiro, sou um profeta do Altíssimo, e minha noiva precisará conhecer bem tudo aquilo que se cumprirá no milênio até que haja novos céus e desça a deslumbrante e eterna Jerusalém de ouro;

Refutando: A liturgia judaica é coisa do passado. A verdadeira liturgia vemos em Apocalipse. Os verdadeiros adoradores o adoram em espírito e em verdade. Muito diferente dos rituais judaicos que para mais nada serve. A Jerusalém que desce do céu é arquétipo de perfeição, as ruas são de ouro e cristal. Toda essa simbologia é usada para falar de algo que com outras palavras não haveria entendimento. O escritor usa o que há de melhor para descrever a beleza da nova Jerusalém. Não devemos entender literalmente como se fosse realmente de ouro. Na verdade, nem ouvido ouviu, nem olho jamais viu, nem nunca penetrou no coração de alguém o que Deus tem preparado para os que O amam.

6. Lembre à minha noiva que falo todas as línguas dos homens, mas ela estudará e ensinará as Escrituras de meu Pai em hebraico. Ela precisa pensar de um modo mais judaico, conhecendo a filosofia da Torá e dos Profetas. Hoje eu sinto uma dificuldade enorme em me fazer entender, pois minha noiva, embora bela, está muito limitada e acostumada aos conceitos Greco-romanos;

Refutação: Em nenhum lugar fala que Cristo estudará e ensinará as Escrituras em hebraico. Isso é uma fantasia judaico-cristã. O que Deus realmente fez foi proclamar, por ocasião do Pentecostes, as grandezas de Deus, em vários idiomas. Mesmo os gentios estando “muito limitado e acostumados aos conceitos Greco-romano” eles foram alcançados e justificados. E Israel tendo todos os privilégios, “...adoção e também a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas; deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo segundo a carne (Rm.9:4-5), não alcançaram a justificação. Portanto esse negócio de conceito disso e daquilo outro não vale nada. Porque Deus conhece os que lhes pertence.

7. Diga à minha noiva que não sou político e nem aprovo o sistema político dos homens. Há muita corrupção e injustiça. Peça a ela para não se envolver muito com isto. A final, meu reino não é deste mundo. Peça à minha noiva para aprender um pouquinho sobre a teocracia. Vamos precisar destes conceitos, quando ela estiver reinando comigo;

Refutação: Essas apelações fantasiosas não têm poder algum. A Bíblia é suficiente. O que uma pessoa precisa encontra-se ali. Mesmo nós não pertencendo a esse mundo, estamos no mundo e temos responsabilidades com aqueles que estão vivendo dissolutamente, principalmente às pessoas que estão se deixando levar por todo o vento de doutrina. Qualquer um cristão pode se envolver na política. Se ele vê que não dá pra ele, renuncie o mandato.

8. Diga á minha noiva que embora não seja rico e nem médico, adoro viver e cuidar dos pobres e enfermos. Gosto de libertar os cativos e oprimidos. Minha noiva precisa urgente a gostar e a cuidar dos pobres, eles são muitos e estão necessitados;

Refutação: A verdadeira noiva de Cristo sabe disso. Vocês sabem disso? Estão fazendo alguma coisa? Se estão, amém!

9. Diga a ela que aí na terra, eles têm me elegido o maior empresário de todos os tempos, o maior psiquiatra, o maior terapeuta, o maior gestor de negócios, o maior líder, o maior mestre, etc. Na verdade nunca fui nada disso, apenas fui um humilde servo de meu Pai a serviço do povo e de Seu Reino. Apenas ensinei os princípios da Torá, vivendo e fazendo tudo que me chegava às mãos com muito amor. Aliás, tudo que quero é amor, pois meu Pai é amor e eu vim Dele, tenho a natureza Dele. Também sou amor e procuro uma noiva que seja também a personificação deste amor;

Refutação: “...o maior empresário de todos os tempos, o maior gestor de negócios” eu sei que Ele não foi. O resto com toda certeza ele foi muito mais.

10. Diga à minha noiva que embora quando aí na terra vivi me chamaram de glutão e beberão. Isto eu nunca fui! Pelo contrário sempre me alimentei conforme as leis alimentares da Torá dadas por meu Pai. Minha noiva tem o direito (se gentia) de não comer minha comida e beber minha bebida, mas ela precisa saber prepará-los e que eu nunca mudei meus costumes. Sou o mesmo ontem, hoje e de sempre;

Refutação: Tudo isso é conversa mole. Jesus quebrou todos os paradigmas da Sua época. Trabalhou no sábado, comeu sem purificar as mãos, se juntou com os publicamos e pecadores, não apedrejou a adúltera, tocou em leprosos etc. A Bíblia deixa bem claro que os rudimentos da lei não vale nada: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo” (Cl.2:16). Meus amados irmãos, diz a Bíblia: “Cuidado que ninguém vos venha a enredar co9m sua filosofia e vás sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (Cl.2:8); “...tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz..” (Cl.2:14). “Ordenanças” aqui se refere aos rudimentos da lei: Coma isso e não aquilo, beba isso e não aquilo, não toque nisso, faça assim e desse jeito (cf. Cl.2:20-23). Portanto, a dívida que era contra nós foi pregada na cruz, não se deve mais viver sob a maldição da lei, por Cristo se fez maldito por nós.

11. Diga à minha noiva para não preocupar muito com as instituições, associações, denominações religiosas, bem como com a intolerância e arrogância de seus líderes. Na verdade, minha noiva se encontra no meio delas. O que eu busco é uma noiva santa, pura, nova e sem defeito como eu. O que não posso é colocar-me em jugo desigual com uma noiva que não se identifica comigo. Sou judeu e continuo judeu;
Refutação: A igreja de Cristo não é uma igreja judaica, mas, uma igreja composta de gentios e de judeus. A noiva de Cristo nunca se preocupou com instituições, muito embora viva dentro de uma. As igrejas da Ásia Menor, cada uma tinha um nome, cada comunidade é uma instituição Divina, uma nação santa, povo de propriedade de Jesus. Esse proselitismo não dos judeu-messiânicos não tem futuro nenhum.

12. Diga à minha noiva que eu e meu Pai ainda trabalhamos muito sem cessar e que continuamos a nos descansar aos sábados, no Shabat. Ele foi criado para isto e mais do que isto, ele é um sinal da minha aliança com o povo de Israel que não foi rejeitado e nem substituído por ninguém. Minha noiva é composta de judeus e gentios que crêem em mim e que constituem a família do meu Pai. Ambos entrarão no descanso shabático quando chegar o milênio e reinaremos juntos. O Shabat é o meu dia e eu sou Senhor dele. Ele nos lembra disso tudo, a criação, o homem redimido, e o reino vindouro do qual não podemos nos esquecer;

Refutação: O sábado. Do Livro: Adventistas do Sétimo Dia: Um abismo eterno.
Pelo Pr. Carlos R. Cavalcanti.

“Santificar o Sábado ao Senhor importa em salvação eterna”. (Livro: Testemunhos Seletos, vol. III p.22, ELLEN GOULD WHITE,1956).
Assim quando os Adventistas teimam que a guarda do Sábado é indispensável para nossa salvação, não é porque estejam estribados na verdade Bíblica, mas sim nas alucinações da Sra. Ellen Gould White. Essa falsa profetisa declara que a guarda do sábado constitui o selo entre Deus e o seu povo nos dias atuais:

Que é, pois, a mudança do Sábado, senão o sinal da autoridade da igreja de Roma – “a marca da besta”; O selo da lei de Deus se encontra no quarto mandamento... Os discípulos de Jesus são chamados a restabelecê-lo, exaltando o Sábado [...] (Livro: O Grande Conflito, Ed. condensada. 1992, p. 267 e 269. grifo nosso).

Jesus Cristo cumpriu (plerosai – encher, completar) toda Lei (o que nem um homem conseguiu) (cf. Mt.5:17) , o apóstolo Paulo escrevendo aos romanos afirma, categoricamente, que o fim da Lei é Cristo (cf. Rm.1:4) . A Lei foi dada ao homem para que ele vivesse bem, e não o homem à Lei. A questão da Lei não está restrita apenas ao sábado, mas a quaisquer preceitos como a circuncisão, questões alimentares e etc. O apóstolo Paulo também trata dessa questão quando afirma que qualquer pessoa que procurar se justificar através das obras da Lei Cristo de nada valerá para ele . E os Adventistas buscam como os fariseus a justificação através da guarda do sábado
O propósito do sábado foi preservar a vida evitando a injustiça praticada no trabalho, principalmente a do escravo, evitando que se cometesse injustiça, do mesmo ter que trabalhar sem descanso. O corpo precisa de descanso para reativar suas energias. O princípio de humanizar foi deturpado pelos fariseus. Jesus é o Senhor do sábado e não recriminou seus discípulos que no sábado passando pelas searas, estando com fome, colheram espigas e comeram (cf. Mt.12:1) ; a vida é mais importante que o sábado (cf. Mc.3:1-6; Jo.5:1-10); Jesus disse para os fariseus: “Meu Pai trabalha até agora e eu trabalho também” (Jo.5:17); os fariseus acusavam Jesus de violar a Lei do sábado (cf. Jo.5:18) . Jesus disse que trabalhava no sábado, porém os Adventistas agem como os fariseus, criticam e deturpam a palavra de Deus. Está claro que Cristo cumpriu a Lei por nós e o sábado está incluído nela. Jesus acusou os fariseus de não cumprirem a Lei, da mesma forma os ASD dizem que cumpre e acreditam que serão salvos justamente por isso. Os judeus bem como os Adventistas do Sétimo Dia que procuram justificar-se através das obras da Lei estão vivendo sob maldição. É isso que afirma o apóstolo Paulo:

Já os que se apóiam na prática da Lei estão debaixo de maldição, pois está escrito: Maldito todo aquele que não persiste em praticar toas as coisas escritas no livro da Lei. É evidente que diante de Deus ninguém é justificado pela Lei, pois “o justo viverá pela fé” (Gl.3:10-11).

A divisão da Lei .
Os ASD, para imporem a obrigatoriedade da guarda do sábado, se valem de argumentos infundados estabelecendo uma distinção entre a Lei Moral e Lei Cerimonial, Lei de Deus e Lei de Moisés, dizendo que a Lei Moral ou Lei de Deus se restringe aos “Dez Mandamentos” e continuará para sempre, e que a Lei de Moisés ou Lei Cerimonial abrange o Pentateuco escrito por Moisés e foi abolida.
Esta distinção é incoerente, mais defendida pelos ASD. Qualquer estudante da Bíblia, sério, que tenha compromisso com a palavra de Deus, perceberá que tanto o Decálogo quanto as Leis complementares são Leis de Deus e seu conteúdo moral não se restringe aos “Dez Mandamentos”, ou seja, as Leis complementares têm seu conteúdo moral.

A Lei do amor.
Tanto o Decálogo, quanto as Leis complementares não foram extintas como se não servisse para mais nada, foram, sim, reduzidas por Cristo Jesus: quando foi experimentado pelos fariseus (cf. Mt.22:34-40); (Rm.13:8-10). Quem ama o próximo ama a Deus e quem ama a Deus não rouba, não cobiça, não adultera, cumpre o sábado e todas as outras Leis complementares, justamente porque Jesus cumpriu toda Lei, algo que os “fariseus” e “saduceus” não conseguiram. A Lei agora é a do amor, sem ela somos uma farsa.

A Lei de Deus e a Lei de Moisés são a
Mesma ?

A Bíblia declara que só há um “Legislador” e este é Deus: "Porque o Senhor é o nosso Juiz; o Senhor é o nosso Legislador" (Is.33:22; Tg.4:12). Se há um só legislador afirmamos, com segurança, que essa suposta distinção entre Lei de Deus (os Dez Mandamentos) e Lei de Moisés (O Livro da Lei) não resiste a uma pesquisa bíblica, porque indistintamente a mesma Lei é chamada de Lei de Deus e Lei de Moisés, porque Deus a deu por meio dele, e não que sejam duas Leis distintas como ensinadas pelos ASD. Vamos a um teste:

E chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da porta das águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da Lei de Moisés (Ne.8:1). Observe a expressão "o livro da Lei de Moisés". Este mesmo livro, denominado de "Lei de Moisés" é, a seguir, assim chamado: "E leram no livro, na Lei de Deus; e declarando e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse"; "E acharam escrito na Lei que o Senhor ordenará, pelo ministério de Moisés [...] (Ne.8:8; 8:14).

Como se vê, o livro da Lei é chamado indiferentemente de "Lei de Moisés" e de "Lei de Deus" sempre se tratando das mesmas Leis e não de Leis distintas. É falso o argumento dos ASD sobre a divisão da Lei. Essa farsa não resiste a uma análise séria sobre a palavra “Lei” na Bíblia, mas que vulgarmente foi imposta pelos ASD, para sustentar a obrigatoriedade da guarda do sábado sem a qual ninguém verá a Deus.
Os dois Concertos.
A Bíblia fala do Concerto da Lei, conhecido como o Antigo Concerto, Antiga Aliança, Antigo Pacto ou Velho Testamento e o Novo Concerto, ou Nova Aliança, também conhecido como o tempo da Graça. Os Dez Mandamentos são encontrados dentro do Antigo Concerto e assim quando os ASD nos interrogam por que não guardamos o sábado, que é o quarto mandamento, respondemos que o sábado está tão integrado dentro do Decálogo, quanto o Decálogo, por sua vez, está integrado no Antigo Testamento. Este, segundo a Bíblia, foi abolido e substituído pelo Novo Concerto, o “concerto da graça”. Vejamos então as provas bíblicas segundo as quais os “Dez Mandamentos” integravam o Antigo Concerto:

Então o Senhor vos falou do meio do fogo; e a voz das palavras ouviu, porém, além da voz, não viste semelhança nenhuma. Então, vos anunciou ele o seu concerto, que vos prescreveu, os Dez Mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra (Dt.4:12-13).

A abolição do Antigo Concerto.
Por intermédio do profeta Jeremias Deus anunciou um “Novo Concerto”, desde que o povo de Israel, que havia prometido tão prontamente observar os mandamentos do Antigo Concerto não o fez, invalidando assim aquele concerto. Fizeram um bezerro de ouro e prostraram-se diante dele, adorando-o, é isso que constitui a quebra do concerto, quando o povo se prostitui com os ídolos, dobrando seus joelhos a baal (cf. Ez.20:18) , esquecendo-se do Deus que os tirou da terra do Egito com sua mão poderosa vencendo o Faraó e seu exército no Mar Vermelho (cf. Os.4:17; Sl.103:38).



Vejamos também Jr.31:31-34:
Eis que vem dias, diz o Senhor, em que farei um concerto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme o concerto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles invalidaram o meu concerto, apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor. Mas este é o concerto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração (e não na pedra) e eu serei seu Deus e eles serão o meu povo. E não ensinará alguém mais o seu próximo, nem alguém a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor, porque todos me conhecerão, desde o mais pequeno deles até ao maior, diz o Senhor; porque perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados (Jr. 31:31-34) .

Vimos que o profeta Jeremias profetizou sobre o Antigo Concerto. Agora, vejamos o que declarou Zacarias sobre o mesmo:

Tomei a vara chamada Graça e a quebrei, para anular a minha aliança, que eu fizera com todos os povos (Zc.11:10). Com essas palavras Zacarias figuradamente contempla a abolição do Antigo Concerto celebrada com as doze tribos de Israel (cf. Dt.33:1-4; Êx.24:4-8). Zacarias continua: "Eu lhes disse: se vos parece bem, dai-me o meu salário; e, se não, deixai-o. Pesaram, pois, por meu salário trinta moedas de prata. (Zc.11:12). Compare com (Mt.27:3-10, Cl.2:14-17).

A abolição do Antigo Concerto é confirmada
A abolição da Antiga Aliança ou Concerto é declarado pelo escritor do livro de Hebreus, nestas palavras:

Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente, quanto é ele também Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas. Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria sendo buscado lugar para uma segunda. E, de fato, repreendendo-os, diz: Eis aí vêm dias, diz o Senhor, e firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá, não segundo a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os conduzir até fora da terra do Egito; pois eles não continuaram na minha aliança, e eu não atentei para eles, diz o Senhor. Quando ele diz Nova, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido está prestes a desaparecer (Hb.8:6-9, 13).
[...] então, acrescentou: Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade. Remove o primeiro para estabelecer o segundo (Hb.10:9).
[...] o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica. E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecente, como não será de maior glória o ministério do Espírito! Porque, se o ministério da condenação foi glória, em muito maior proporção será glorioso o ministério da justiça. Porquanto, na verdade, o que, outrora, foi glorificado, neste respeito, já não resplandece, diante da atual sobreexcelente glória. Porque, se o que se desvanecia teve sua glória, muito mais glória tem o que é permanente (2Co.3:6-11).

Pois, aqui os ASD não têm como fugir da realidade, o apóstolo Paulo chama categoricamente os Dez Mandamentos de "Ministério da morte" e os taxa como transitórios. Este último versículo claramente explica que o que foi com glória haveria de acabar. Agora, para saber o que se acabou, perguntemos: O que foi para glória? O v.7 nos dá a resposta: "E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória [...]". Que Lei foi gravada em pedras pelo dedo de Deus? A resposta só pode ser uma: OS DEZ MANDAMENTOS. Leiamos: "O Senhor me deu as duas tábuas de pedra, escritas com o dedo de Deus; e nelas tinha escrito conforme todas aquelas palavras que o Senhor tinha falado convosco [...]" (Dt.9:10). "Então, disse o Senhor a Moisés: Sobe a mim, ao monte, e fica lá, e dar-te-ei tábuas de pedra, e a lei, e os mandamentos [...]" (Êx.24:12). "Então, vos anunciou ele o seu concerto, que vos prescreveu, os dez mandamentos, os escreveu em duas tábuas de pedra" (Dt.4:13) .

O escritor da Epístola aos Hebreus se reporta ao primeiro Concerto dizendo:


Pelo que também o primeiro não foi consagrado sem sangue; por que havendo Moisés anunciado a todo povo todos os mandamentos segundo a lei (Hb.9:18,19); (Hb.8:7).


a) A abolição do sábado.
Encontramos em (Os.2:11) uma profecia sobre a abolição do Sábado: "E farei cessar todo o seu gozo, as suas festas, as suas luas novas e os seus sábados; e todas as suas festividades". Encontramos essa confirmação em (Cl.2:16-17) que diz:

Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo (Cl.2:17-18) .

Não há mais o que comentar a respeito das festas e do sábado, porque a palavra de Deus é bem clara quanto a cessação das festas judaicas.

A DIFERENÇA ENTRE AS DUAS ALIANÇAS
ANTIGA ALIANÇA
1) Dada por Moisés (Jo.1:17).
2) Jugo de servidão (Gl.5:1).
3) Findou em Cristo (Rm.10:4).
4) Produz Morte (2Cor.3:7).
5) Produz Condenação (2Cor.3:9).
6) Era sombra (Cl.2:14-17)
7) Exige Justiça (Lc.10:28).
8) Nada aperfeiçoou (Hb.7:19).
9) Veio em glória (2Cor.3:7).
10) Pobre para salvar (Hb.9:9).
11) Relembra o pecado (Hb.10:3).
12) Glória encoberta (2Cor.3:13).
13) Traz maldição (Gl.3:10).
14) Sob a lei (Rm.6:14,15).
15) Sem herança (Rm.4:13).
16) Ratificado c/ sangue de animais (Hb.9:16-22).
17) Produz ira (Rm.4:15).
18) Não pode remir (Hb.10:4).
19) Abolição predita (Os.2:11) NOVA ALIANÇA
1) Dada por Cristo (Hb.8:6;9:15).
2) Lei da liberdade (Tg.1:25).
3) Estabelecida por Cristo (Hb.10:9).
4) Produz Vida (Rm.8:2).
5) Produz liberdade (Gl.5:1).
6) É realidade (Hb.10:1-18).
7) Oferece Justiça (Jo.1:17; 3:16)
8) Produz perfeição (Hb. 7:19).
9) Maior Glória (2Cor.3:8-10).
10) Salva perfeitamente (Hb.7:25).
11) Apaga o pecado (Hb.8:12).
12) Refletindo glória (2Cor.3:8).
13) Liberta da maldição (Gl.3:13).
14) Sob a graça (Gl.3:22-25).
15) Eterna herança (Hb.9:15).
16) Ratificado com o sangue de Jesus Cristo (Mt.26:26-28).
17) Livra da ira (Rm.5:9).
18) Redime (Gl.3:13; Hb.9:25).
19) Estabelecimento predito (Hb.8:7)

O domingo - o “DIA DO SENHOR”.
Dizem os ASD no folheto "Por que se Guarda o domingo?":

"O domingo, segundo (dicionário de Inglês) Webster, chama-se assim (dia do sol), por que era antigamente dedicado ao sol ou ao seu culto".

Para justificar a afirmação de que o sábado é o dia do Senhor e que se deve guardar esse dia como os judeus na Antiga Aliança, afirmam que o domingo (sunday – dia do sol) era a comemoração do “solstício de inverno”, ou seja, a comemoração de uma festa pagã (festa da colheita). É importante lembrar aos ASD de que o sábado, em inglês, escreve-se "saturday" e que significa dia dedicado ao deus Saturno. De Saturno surge às festas saturnais, dedicadas ao deus da agricultura. Logo, se é pagão o domingo por designar o dia do sol em inglês, o sábado, pela mesma lógica e razão, seria o dia pagão por designar o dia dedicado a Saturno.
Os ASD, por certo, não ignoram que os dias da semana eram indicados por nome de planetas e astro sol, como segue: domingo: dia do Sol, segunda: dia da Lua, terça: dia de Marte, quarta: dia de Mercúrio, quinta: dia de Júpiter, sexta: dia de Vênus, SÁBADO: DIA DE SATURNO.
Os ASD argumentam que os pais da igreja primitiva guardavam o sábado. Com a maior facilidade, descobrimos que essa afirmação é falaciosa, os pais da igreja adoravam no domingo. Era um dia especial conhecido como “dia do Senhor” (Ap.1:10). A Bíblia Shedd comenta esse versículo e diz: “Na época de ser escrito este Livro (95 d.C.), o domingo já tinha sido consagrado pela igreja como o dia especial de cultuar ao Senhor Jesus Cristo” (1997: 1759).

• OS PAIS DA IGREJA.
- Justino, o Mártir. 100-167 d.C. Eis aqui como Justino, o Mártir, descreveu o culto primitivo dos cristãos: "No domingo há uma reunião de todos que moram nas cidades e vilas, lê-se um trecho das memórias dos Apóstolos e dos escritos dos profetas, tanto quanto o tempo permita. Termina a leitura, o presidente, num discurso, admoesta e exorta à obediência dessas nobres palavras. Depois disso, todos nos levantamos e fazemos uma oração comum. Fim da oração, como descrevemos antes, pão e vinho e ação de graças por eles de acordo com a sua capacidade, e a congregação responde, Amém. Depois os elementos consagrados são distribuídos a cada um e todos participam deles, e são levados pelos diáconos às casas dos ausentes. Os ricos e os de boa vontade contribuem conforme seu livre arbítrio; esta coleta é entregue ao presidente (pastor) que, com ela, atende a órfãos, viúvas, prisioneiros, estrangeiros e todos quantos estão em necessidade" (Manual Bíblico, Halley).
- Inácio, 100 d.C. disse: "Aqueles que estavam presos às velhas coisas vieram a uma novidade de confiança, não mais guardando o sábado, porém vivendo de acordo com o dia do Senhor".
- Tertuliano, 160-220 d.C. No início do século III, Tertuliano chegou a afirmar que: Nós (os cristãos) nada temos com o sábado, nem com outras festas judaicas, e menos ainda com as celebrações dos pagãos. Temos nossas próprias solenidades: O Dia do Senhor [...] (On indolatry 14). Em "De oratione". Tertuliano insiste na cessação do trabalho no domingo como dia de culto para o povo de Deus.
- O ensino dos Apóstolos, obra siríaca. Encontramos um testemunho muito interessante na obra citada, que data da segunda metade do século III, segundo a qual os apóstolos de Cristo foram os primeiros a designar o primeiro dia da semana como dia do culto cristão: "Os apóstolos determinaram, ainda: no primeiro dia da semana deve haver culto, com leitura das Escrituras Sagradas, e a oblação. Isso porque, no primeiro dia da semana o Senhor nosso ressuscitou dentre os mortos, no primeiro dia da semana o Senhor subiu aos céus, e no primeiro dia da semana vai aparecer, finalmente com os anjos celestes (Ante-necene fathers, 8668). (Enciclopédia Vida, autor judeu: Archer).
- Eusébio de Cesaréia, 264-340 d.C. Bispo de Cesaréia, historiador da Igreja, viveu e foi preso durante a perseguição de Diocleciano contra os cristãos, a qual foi o último e desesperado esforço de Roma por varrer da terra o cristianismo. Um dos seus objetivos (objetivos de Roma) especiais foi destruir todas as escrituras cristãs [...] Eusébio viveu até o reinado de Constantino. Um dos primeiros atos de Constantino, ao ascender ao trono, foi mandar preparar, sob a direção de Eusébio [...] Cinqüenta BÍBLIAS para as Igrejas de Constantinopla (Halley) (os manuscritos que temos, provavelmente, saíram do trabalho de Eusébio). Agora vejamos o que Eusébio pensava a respeito da guarda do sábado: "Eles, portanto, não consideravam a circuncisão, nem observavam o Sábado, como também nós; nem nos abstemos de certos alimentos, nem consideramos outras imposições que Moisés subseqüentemente entregou para serem observadas em tipos e símbolos, porque tais coisas não dizem respeito aos cristãos [...]"; "Também celebravam os dias do Senhor como nós, para comemorar a sua ressurreição" (Livro: História da Igreja, Eusébio, século III, p.27, 106, Editora CPAD, ed.1999).

13. Diga à minha noiva para não resistir este artigo e nem tão pouco ficar triste com ele. Na verdade, procuro uma noiva que seja nova. Eu, Jesus, parei nos meus 33 anos e meio e continuo jovem, bonito e muito ativo nas obras do meu Pai. Mas, o problema é que minha noiva que aí na terra deixei já está com 1975 anos e meio. Isto é, depois do ano que morri e ressuscitei. Isto tem sido um grande problema para mim, casar-me com uma noiva de 1975 anos de idade. Está velha demais e ela só chegou nesta idade por milagre do meu Pai. Para resolver esta questão, convenci ao meu Pai, que enviasse urgente o Seu Espírito Santo com um bisturi espiritual e fizesse uma cirurgia plástica nesta minha noiva um tanto já velha e acabada. Afinal, Paulo, meu irmão e amigo que também mora aqui no céu, escreveu numa carta que enviou aos Efésios que minha noiva será sem ruga e sem mácula. Então, ela é nova e virgem. E para cumprir tudo o que meus santos escreveram, meu Pai, acaba de autorizar que Seu Espírito Santo fará esta proeza: - restaurar por completo minha noiva, mas nos moldes de como a deixei há dois mil anos atrás. Guardamos aqui no céu uma foto de como ela era. Ou seja, quero ver a minha noiva com graça, poder, unção e ação igualzinha aquela que conheci no primeiro século de nossa era. Restaurar é a ordem divina. Diga que à minha noiva que não resista a esta cirurgia. Não dói e será rápida.

Espero vê-la, então, nova e muito bonita. Até o dia em que irei pessoalmente buscá-la. Diga a ela que fique preparada, pois depois que eu arrebatá-la, nos casaremos logo em seguida. Os preparativos para a grande festa já estão quase tudo pronto. Diga a ela que se cuide bem e continue fiel, debaixo das minhas bênçãos e do meu querido Pai que está no controle de tudo.

Refutação:

Lehitraot ( até breve)!

(*) Marcelo Miranda Guimarães, casado, 4 filhos, engenheiro industrial, MBA Economia e Finanças. Teólogo e fundador do Ministério Ensinando de Sião e da Congregação Judaico-Messiânica Há Tzion em Belo Horizonte. Criador da Engenharia Espiritual ( www.engenhariaespiritual.com)

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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

ACERCA DOS DONS ESPIRITUAIS (1Coríntios 12, 13)


ACERCA DOS DONS ESPÍRITUAIS
Comentário 1Coríntios 12, 13


“1 A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes. 2 Sabeis que, outrora, quando éreis gentios, deixáveis conduzir-vos aos ídolos mudos, segundo éreis guiados. 3 Por isso, vos faço compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: Anátema, Jesus! Por outro lado, ninguém pode dizer: Senhor Jesus!, se não pelo Espírito Santo” (1Co.12: 1-3).

1. “A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes” (v.1).
Aos coríntios, não faltavam nenhum dom (1Co.1:7). Porém, eles eram ignorantes quanto a sua verdadeira utilização. Os dons devem ser usados de forma proveitosa, para edificação da igreja, e não em benefício próprio, egoístas (1Co.14:4), quando usado dessa forma, perde o seu propósito, ou seja, os dons sem o amor é como um metal que soa ou o sino que tine (1Co.13:1).

2. “...deixáveis conduzir-vos aos ídolos mudos...” (v.2).
Antes eles eram gentios, guiados pelos ídolos mudos (1Co.12:2), viviam na ignorância e cegueira espiritual. Cada um buscando seus próprios interesses. Agora não, a graça de Deus os havia alcançados, portanto, aquele modo de vida deveria ser deixado para traz, eles eram novas criaturas em Cristo Jesus, não poderia continuar vivendo como antes. Era preciso praticar o amor “para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Co.1:8). Fiel é Deus que os havia chamado a comunhão de Deus Filho (v.9). Todavia, a ignorância a respeito dos dons deveria ser dissipada através da doutrina, e foi justamente para isso que o apóstolo Paulo escreveu essa carta: Trazer luz a respeito de como proceder corretamente para o crescimento da igreja.

3. “...ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: Anátema , Jesus!...” (v.3).
São muitas as interpretações a esse respeito. A Bíblia de Estudo de Genebra, por exemplo, acredita que não era alguém realmente proferindo maldição contra Jesus . Na verdade, a maioria dos comentários são superficiais, não traz nada de concreto sobre se alguém convertido do paganismo estava em estase chamando Jesus de maldito ou não. O comentário de David Prior é muito importante:

Será que Paulo o está colocando em oposição à confissão cristã verdadeira, Senhor Jesus, a fim de lembrar aos coríntios o tipo de expressão que eles poderiam muito bem ter ouvido quando eram pagãos e assistiam a cultos locais (“Maldito Jesus”)? Nesse caso, ele estaria dizendo que, em contraste, o Espírito (pneuma) do Deus único e verdadeiro exalta Jesus como Senhor (2001: 206, 207).

Werner de Boor pensa da mesma forma, os gentios que se convertiam ao cristianismo ouviam os judeus pronunciarem que Jesus era “anátema” . Possivelmente o apóstolo Paulo estava mostrando que os judeus que acusavam Jesus de maldito não falavam pelo Espírito Santo, porém, quando alguém na igreja afirmava conscientemente que “Jesus era Senhor”, falava pelo Espírito Santo. Era uma confissão de fé e isso exaltava e glorifica a Jesus como Senhor. O Imperador era considerado um “deus”, “benfeitor” e “senhor”, mas os cristãos diziam: “não, Jesus Cristo é quem é o Senhor”.
Os irmãos na igreja de Corinto estavam falando em línguas estranhas, ninguém entendia nada e Cristo não estava sendo glorificado como Senhor. Os judeus em suas Sinagogas proferiam maldição a Jesus e não era pelo Espírito Santo, Jesus era desonrado por eles, da mesma forma os que estavam falando em línguas ininteligíveis na igreja, também não glorificavam a Jesus como Senhor.

A verdadeira “espiritualidade” não conduz a pessoa a um êxtase, ao individualismo ou a um outro mundo, mas para dentro da vida da igreja local, numa expressão do compromisso pessoal com Jesus como Senhor e com o seu corpo aqui na terra (PRIOR: 2001: 208).

4. “Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo” (v.4).
O Espírito Santo capacitou a igreja primitiva com uma variedade de dons extraordinários. Porem, a ênfase maior era direcionada ao dom de língua, porque chamava a atenção e eles se achavam mais espirituais do que os outros irmãos. Por isso o apóstolo Paulo diz que não existe apenas um dom, são vários, e o Espírito é quem opera em todos eles para um fim proveitoso.
Da mesma forma “há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo” (v.5). Cada um tem o seu ministério e Deus é quem abençoa a todos, portanto todos eles são importantes parta o crescimento espiritual da igreja. Acontece o mesmo na diversidade de operações, pois é Deus que opera tudo em todos (v.6).

5. “A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso” (v.7).
O Espírito Santo dá o dom a cada um conforme a necessidade que surge na igreja. Essa distribuição é feita e operada por Ele (v.6) para um fim proveitoso (v.7) e não usado egoisticamente para sua própria edificação (1Co.14:4). Em Corinto, os dons de línguas estranhas estavam sendo usados para satisfação própria, e não para o crescimento da igreja que glorifica a Cristo no culto.

“Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento; a outro, no mesmo Espírito, a fé; e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar; a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las. Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente” (1Co.12:8-11).

6. “Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente” (v.11)
Dos VS. 8-10 o apóstolo Paulo menciona nove dons que são repartidos particularmente pelo Espírito Santo e dado a cada um como quer. Portanto, os crentes não têm os mesmos dons, nem todos os dons. Eles acreditavam, por falar em línguas estranhas que eram batizados com o Espírito Santo e os outros irmãos que não falavam em línguas, não eram. Por isso o apóstolo Paulo esclarece:

“A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Porventura, são todos apóstolos? Ou, todos profetas? São todos mestres? Ou, operadores de milagre? Têm todos dons de curar? Falam todos em outras línguas? Interpretam-nas todos? Entretanto, procurai, com zelo, os melhores dons” (1Co.12:28-31 – negrito meu).

Os Vs. De 28-30 são conclusivos. Nós como corpo de Cristo temos ministérios e dons diferentes. Assim como cada membro do corpo tem sua utilidade, pôs Deus na igreja cada um também com uma função específica. Portanto, são todos apóstolos, tem todos o dom de curar, falam todos em línguas, todos são intérpretes? Não. Da mesma forma que existe, hoje, nas igrejas Pentecostais, naquela época na igreja de Corinto já existia, provavelmente, desejo de alguns serem tão espirituais quanto os que falavam em línguas estranhas pensavam que eram. Na verdade, o apóstolo os chama de carnais, crianças em Cristo (cf. 1Co.3:1).
7. “Entretanto, procurai, com zelo, os melhores dons” (v.31).
Segundo Werner de Boor existe dons maiores do que outros. Mas, eles não devem ser usados para nos exaltarmos. Entretanto, o apóstolo dos gentios faz uma analogia com o corpo humano mostrando que o corpo tem vários membros e cada um tem sua importância especifica para o bem estar e funcionamento correto do corpo. Dessa forma, nem um é melhor ou mais importante que o outro. Assim é a igreja com os dons Espirituais . Então, porque o v. 31 nos manda procurar com zelo os melhores dons? Será que temos a capacidade de escolher o dom que quisermos? Ou é o Espírito Santo que distribui como lhE agrada? (v.11).
O apóstolo Paulo fala dessa forma porque está ocorrendo um fenômeno estranho na igreja de Corinto, que são as línguas. E ele chama a atenção daquelas pessoas que se achavam espirituais para que elas refletissem em tudo quanto o apóstolo havia falado nos versículos anteriores a respeito dos dons.
Por que era um fenômeno estranho?
• Era algo que não aconteceu em outra igreja. Pelo menos, o apóstolo Paulo não trata desse assunto nas outras cartas;
• Era uma língua que ninguém entendia (14:2, 5, 9, 13, 19).

- A introdução de (1Co.13) é feita com o final do (1Co.12) que diz: “Kai eti kaq uperBolhn odon umin deiknumi”. “E eu passo a mostra-vos ainda um caminho sobremodo excelente”

Ainda que eu fale as línguas (gr. glwssaiz, glossais) dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine” (1Co.13:1).

Glossais. Dialetos humano falado no Pentecostes. “Ainda que fale as línguas dos anjos” trata-se de uma “hipérbole” intencional para chamar atenção para aqueles que usam os dons sem a prática do amor ágape o qual ultrapassa todos os dons, que por sua vez, os membros da igreja devem aspirar. Deus é amor (Jo.3:16) . Nada podemos afirmar, sobre a expressão empregada por Paulo: “línguas dos anjos” , tenha sido usada, ou seja, que o Espírito Santo tenha se manifestado com línguas celestiais para ministrar edificando a igreja nascente. Todavia, Paulo diz que vai mostrar um caminho mais excelente (gr. ύπερβολήν), ele faz comparações e a hipérbole é um exagero de palavra. Vejamos: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos”, a palavra “ainda significa que ele não falava; “Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas [...]”. Só quem conhece todos os mistérios e tem todo conhecimento é Deus; “Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado [...]”. Ele não possuía nada para dá aos pobres, para se sustentar fabricava tendas. O que ele deixa claro é que os dons sem o amor é como o sino que soa.