quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Soteriologia: A doutrina da Salvação - A Atuação do Espírito Santo na Obra de Redenção


Carlos R. Cavalcanti





SOTERIOLOGIA
A doutrina da salvação





2007




CAVALCANTI, Carlos R. Soteriologia: A doutrina da salvação. Recife. Editora C R C. 2007. 60p.
Conteúdo: Doutrinário-Teológico. Todos os direitos reservados. Proibido a reprodução por quaisquer meios, salvo em breves citações com indicação da fonte.




ÍNDICE

SOTERIOLOGIA
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO
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INTRODUÇÃO


CAPÍTULO 1

A PESSOA E A OBRA DO ESPÍRITO SANTO

1.1 A REVELAÇÃO PROGRESSIVA DO ESPÍRITO
SANTO...................................................................13

1.1.1 O Espírito Santo e Sua atuação no AT....................14

1.1.2 O Espírito Santo e a Encarnação do Verbo de
Deus.....................................................................17

1.1.3 O Espírito Santo e o Ministério de Jesus..............18
1.1.3.1 Jesus no poder do Espírito Santo.......................20



CAPÍTULO 2

2.1 A DISPENSAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO.............23

2.1.1 O Espírito Santo no Pentecostes.......................24
2.1.1.1 A promessa é para todos...................................26
2.1.1.2 O Espírito Santo Desce Sobre os Gentios.........27
2.1.1.3 As línguas no Novo Testamento........................30

2.1.2 Os ofícios do Espírito Santo...............................37
2.1.2.1 O Fruto do Espírito.............................................38

CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

























INTRODUÇÃO
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16. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, 17. o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós (Jo.14:16-17);

26. [...] mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito (Jo.16:26).


A soteriologia trata da obra redentora de Cristo e aborda sobre a atuação do Espírito Santo, o qual torna real no homem o que Cristo proveu na cruz do Calvário. Estudaremos, portanto, nos capítulos I e II o ministério do Espírito Santo, enfatizando o progresso da revelação, em que Ele é o agente revelador, e a Sua dispensação após o Pentecostes.
O Espírito Santo participou da obra da criação juntamente com Cristo, teve atuação importante na “Antiga Aliança”, porém Seu ministério começou no Pentecostes, depois que Jesus ascendeu ao céu (At.2:1-4), era preciso que Ele fosse para poder enviar o Consolador[1]. João Batista profetizou que Jesus batizaria com o Espírito Santo (Mc.1:8[2]; Jo.1:33); Jesus confirmou em (Jo.14:16, 18, 23, 26)[3] e cumpriu-se justamente como estava escrito no Antigo Testamento: “E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões” (Jl.2:28).
O batismo com o “Espírito Santo” é uma primeira obra da graça[4]. Os reformados estão de comum acordo que o batismo com ou no Espírito Santo acontece no momento da conversão em que o pecador justificado pela fé é introduzido ao corpo de Cristo, a igreja: “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em (eiz) um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito” (1Co.12:13 – Bíblia de Estudo Shedd, 1997 - negrito e parêntese nosso). O batismo com o Espírito Santo é a garantia da nossa salvação, se alguém não é batizado no Espírito Santo esse alguém não é salvo ainda[5]. Ninguém pode dizer que é filho de Deus sem ser batizado no Espírito de Deus, assim como ninguém pode dizer: “Senhor Jesus!, senão pelo Espírito Santo” (1Co.12:3), também não se pode dizer que nasceu do Espírito Santo, sem ser batizado por Ele. Trataremos, historicamente, da questão da segunda obra da graça sem deixar de salientar que a mesma foi motivo de divisões e de muita crise espiritual no meio evangélico em que pessoas querendo ser batizadas, à procura dessa experiência, frustraram-se, por não conseguirem, justamente porque aqueles que estão em Cristo já são batizados com o Espírito Santo, precisam apenas é de um transbordar desse Espírito. Hulse alerta-nos quanto a esse perigo:

A maior causa de divisão que se possa imaginar é negar este ensinamento, dividindo o corpo de Cristo em duas categorias; aqueles sobre os quais é dito terem o Espírito Santo adequadamente, mediante uma determinada experiência, e os que não têm tal experiência (1995. p.22).

Como estou introduzindo os capítulos, quero aproveitar para dizer que trataremos de um assunto no qual temos convivido diariamente no meio evangélico. São muitos os debates a respeito desse assunto, portanto, é de respeitável importância tanto para o meio acadêmico quanto para a vida espiritual de todo o cristão que busca o verdadeiro conhecimento das doutrinas bíblicas, pois devemos ter compromisso com a verdade revelada, e não com determinadas instituições que subjugam o homem a fim de torná-lo um alienado impotente, reproduzindo o pensamento que eles (os líderes) querem. Temos que engolir o que esses lideres querem? Somos seres racionais! Pensamos e sabemos o que pensamos. Temos a Bíblia agora! E a Reforma foi uma volta a “Sola Scriptura”. Isso também não quer dizer que as doutrinas das Igrejas nos torne insensíveis e percamos o primeiro amor devido ao zelo excessivo, assim como a Igreja de “Éfeso”. Odiava as obras dos “nicolaítas”, mas perdeu o que é de mais essencial: o amor. Sem ele, somos como sinos que soa: “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras: e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas” (Ap.2:4-5). Jorge Henrique Barros escreveu no primeiro capítulo de Uma Igreja Sem Propósito:

A essência aqui é o amor solidário. Uma importante advertência é necessária: não podemos valorizar um aspecto em detrimento de outro. Tanto o amor quanto a seriedade doutrinária são importantes. “A exortação para recuperar o primeiro não implica relaxamento doutrinário” (Ladd, 1980: 32). Doutrina sem amor corre o risco de assumir uma rigidez dogmática, na qual as pessoas passam a ser menos importantes. E, de fato, de quantas experiências, histórias e situações ouvimos falar, ou conhecemos pessoalmente, em que indivíduos são descartados em nome da doutrina. Joga-se a pessoa fora preferindo-se ficar com a doutrina” (BARROS, 2004. p.24).

Ele ainda acrescenta que uma “doutrina sem amor é legalismo. Amor sem doutrina é frouxidão e relaxo”. Quantas pessoas têm sido vítimas desses abusos! Líderes comprometidos com um “poder” que está acima dele, sem ser o poder Divino, massacra o povo de Deus em nome de uma fidelidade cega ao próprio homem. Ao invés de servirem a Deus, estão servindo ao seu próprio ventre, preferindo obedecer aos seus líderes corruptos e não ao seu Criador. Jesus tem algo para vocês líderes, que dizem que têm paixão pelas almas perdidas e jogam, insensivelmente, fora aqueles a quem Deus escolheu, como se fossem os donos da Igreja. O conselho para a igreja e os seus líderes: “Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas” (Ap.2:5). Ou seja, transforma tua maneira de pensar e de agir se não o julgamento virá.
Pessoas que conhecem as antigas doutrinas da graça, mas negam essas verdades porque estão presas nos seus guetos denominacionais. Servimos a Deus ou ao homem? O conhecimento da palavra de Deus liberta. A Reforma Protestante foi um movimento direcionado pela vontade de Deus; Lutero ao estudar a Bíblia (nas línguas originais grega e hebraica) descobriu verdades imutáveis e não poderia negar tão grandes descobertas. Mesmo diante da morte, ele preferiu enfrentar os poderosos, muito embora as condições fossem de morte. Quem conhece a verdade e nega, seria melhor que as não tivessem conhecido.






























“Quanto a mim, que eu jamais me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio da qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo” (Gl.6:14).

















CAPÍTULO 1
A PESSOA E A OBRA DO ESPÍRITO SANTO
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1.1 A REVELAÇÃO PROGRESSIVA DO ESPÍRITO SANTO

O Espírito Santo de Deus, a terceira Pessoa da “Santíssima Trindade”, sempre esteve presente e operante tanto na obra da criação como na de redenção. No princípio Ele estava com Deus e agitava as águas do abismo como relata o texto da Bíblia de Jerusalém: “Ora, a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um sopro de Deus agitava a superfície das águas” (Gn.1:2 – grifo nosso). Já a tradução João Ferreira de Almeida diz: “A terra, porém, estava sem forma e vazia: havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas” (Gn.1:2 – grifo nosso). O “huah” poderia ser traduzir por “grande vento” e é mencionado pela primeira vez aqui. Sua revelação foi progressiva, principalmente porque o homem não estava preparado para compreender o que ainda não tinha capacidade de assimilar. Como poderia entender um Deus Triúno, uma nação monoteísta, vivendo cercada de pagãos politeístas. Embora o Espírito Santo tendo uma atuação marcante e preparatória em toda história da revelação, somente a partir do Pentecostes é que Ele age de forma definitiva, plena e abrangente sobre toda terra, vivificando, convencendo os eleitos do pecado, da justiça e do juízo.

1.1.1 O Espírito Santo e Sua atuação no Antigo Testamento

Em (Gn.1:2)[6], encontramos a primeira referência ao “huah” (vento de Deus) soprando sobre o abismo; em (Gn.2:7)[7], o “huah” é o Espírito de Deus dando o fôlego de vida, e o homem que havia sido criado por Deus passa a ser alma vivente; o Espírito Santo é de uma forma geral quem gera e sustenta a vida: “O Espírito de Deus me fez, e o sopro do Todo-Poderoso me dá vida” (Jó.33:4), “Se ocultas o rosto, eles se perturbam; se lhes cortas a respiração, morrem e voltam ao seu pó. Envias o teu Espírito, eles são criados, e, assim, renovas a face da terra” (Sl.104:29, 30); o Espírito Santo, diz a Escritura, vinha sobre os juízes capacitando-os a agirem poderosamente: “Veio sobre ele o Espírito do SENHOR, e ele julgou a Israel; saiu à peleja, e o SENHOR lhe entregou nas mãos a Cusã-Risataim, rei da Mesopotâmia, contra o qual ele prevaleceu” (Jz.3:10); o Espírito do Todo-Poderoso dava sabedoria ao homem e Jó tinha convicção dessa realidade quando afirmou: “Na verdade, há um espírito no homem, e o sopro do Todo-Poderoso o faz sábio” (Jó.32:8); o Espírito Santo também capacitou os artistas para que desempenhassem um papel importante na construção do Tabernáculo e dos adornos das vestes sacerdotais: “[...] e o enchi do Espírito de Deus, de habilidade, de inteligência e de conhecimento, em todo artifício [...]” (Êx.31:3); “Falarás também a todos os homens hábeis a quem enchi do espírito de sabedoria, que façam vestes para Arão para consagrá-lo, para que me ministre o ofício sacerdotal” (Ex.28:3); o Espírito foi dado aos setenta para ajudar a Moisés no trabalho de governar e julgar Israel: “Então, o SENHOR desceu na nuvem e lhe falou; e, tirando do Espírito que estava sobre ele, o pôs sobre aqueles setenta anciãos [...]”; Josué também tinha o Espírito do Senhor: “Disse o SENHOR a Moisés: Toma Josué, filho de Num, homem em quem há o Espírito, e impõe-lhe as mãos” (Nm.27:18); o Espírito do SENHOR também veio sobre o rei Saul e Davi capacitando-os para tão grande obra: “Chegando eles a Gibeá, eis que um grupo de profetas lhes saiu ao encontro; o Espírito de Deus se apossou de Saul, e ele profetizou no meio deles” (1Sm.10:10), “Tomou Samuel o chifre do azeite e o ungiu no meio de seus irmãos, e, daquele dia em diante, o Espírito do SENHOR se apossou de Davi [...]” (1Sm.16:13); os profetas falam pelo Espírito do SENHOR: “depois, o Espírito de Deus me levantou e me levou na sua visão à Caldéia, para os do cativeiro; e de mim se foi a visão que eu tivera” (Ez.11:24); “Sim, fizeram o seu coração duro como diamante, para que não ouvissem a lei, nem as palavras que o SENHOR dos Exércitos enviara pelo seu Espírito, mediante os profetas que nos precederam, daí veio a grande ira do SENHOR dos Exércitos” (Zc.7:12).
Assim agia o Espírito Santo no Antigo Testamento, operando de forma geral e especial: de uma forma geral Ele age “de diferentes maneiras e em harmonia com os objetos envolvidos” sustentando toda sorte de vida (BERKHOF, 2OO2: 393); de uma forma especial Ele capacita indivíduos, como vimos, para realizar a obra do SENHOR de tal maneira que os objetivos são alcançados para a glória de Deus Pai.

1.1.2 O Espírito Santo e a Encarnação do Verbo de Deus

Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo (Mt.1:18, 20)

A natureza de Cristo, segundo o credo reformado, foi “concebida no ventre da abençoada virgem Maria pelo poder do Espírito Santo, sem o concurso do homem”. Comenta o Dr. Russell Shedd: “Jesus foi concebido por obra e graça do Espírito Santo, e nasceu de Maria, sendo esta ainda virgem. Sua concepção foi sobrenatural, não de semente humana, mas divina” (BÍBLIA DE ESTUDO SHEDD, 1997: 1328). “[...] e lhe porás o nome de Jesus (yehôshua’, que significa: “O Senhor (Jeová) é a salvação”) porque ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt.1:21b – parêntese nosso). Berkhof diz que o elemento mais importante com relação ao nascimento de Jesus Cristo foi a operação miraculosa do Espírito Santo, portanto a semente incorruptível colocada no ventre de Maria pelo Santo Espírito não estava sujeita a herança pecaminosa de Adão, ou seja, não estava incluída na aliança das obras, estava, portanto, livre da culpa e do pecado.

1.1.3 O Espírito Santo e o Ministério de Jesus

O Espírito do SENHOR Deus está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados; a apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram e a pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado, a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para sua glória (Is.61:1-3)

Jesus começa Seu ministério sendo batizado por João, o qual vê o céu se rasgar e o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele (cf. Mt.3:16) para que fosse identificado por João como o Messias prometido que redimiria Israel. Conforme F.F. Bruce, o Espírito do SENHOR ao descer sobre Jesus identificou-O como o sucessor eterno do trono de Davi[8]. Dr. Russell Shedd tem a mesma opinião que Bruce:

O Espírito veio em forma corpórea para que os presentes pudessem reconhecer a Jesus como Messias (cf.Is.11:2,3; 42:1)[9] e para mostrar que estaria aberta a possibilidade de uma vida cheia do Espírito Santo (4:1, 14)” (COMENTÁRIO BÍBLIA SHEDD, 1997: 1429).

O próprio João Batista só reconheceu que Jesus era o Messias pelo sinal (o Espírito em forma de pomba), a voz do céu (cf. Mt.3:17)[10] confirma a visão:

Eu não o conhecia; aquele, porém, que me enviou a batizar com água me disse: Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo. Pois eu, de fato, vi e tenho testificado que ele é o Filho de Deus (Jo.1:33-34).


O que queremos enfatizar, na verdade, é a ação do Espírito de Deus na vida de Jesus mostrando que Ele é guiado pelo Espírito a fazer a vontade do Pai. Na Sinagoga de Nazaré (cf. Lc.4:16-19) mostra que essa profecia está cumprindo-se na prática:

[...] depois do batismo que João pregou, como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele (At.10:37b, 38).


1.1.3.1 Jesus no poder do Espírito Santo
Jesus cheio do Espírito foi guiado ao deserto, e ali, durante quarenta dias jejuando foi tentado pelo Diabo que procurou desviar Sua missão estabelecida por Deus (cf. Lc.4:1)[11]. Essa narrativa lembra os quarenta anos de Israel no deserto (Nm.14:34)[12] em que ele falhou na obediência e Jesus cumpre o propósito do Pai em obediência. Continua, no poder (dunamei - dinamei) do Espírito, Seu ministério na Galiléia (cf. Lc.4:14)[13]. Esse mesmo poder (dunamin - dinamim) (cf. At.1:8)[14] é oferecido ao crente no Pentecostes; Jesus glorifica a Deus Pai através do Espírito Santo (cf. Lc.10:21)[15]; ofereceu-se a Si mesmo, pelo poder do Espírito eterno, para purificar nossas consciências das obras mortas (cf. Hb.9:14)[16] padecendo morte de cruz para nos dar vida; o mesmo Espírito esteve agindo na ressurreição vivificando o corpo de Jesus Cristo (cf. Rm.1:4; 8;11)[17]; dias depois da Sua ressurreição, Jesus aparece aos discípulos e sopra sobre eles e diz: “Recebei o Espírito Santo” (Jo.20:22). Todavia, a atuação plena do Espírito Santo selando os que por Cristo vão sendo chamados (cf. 2Tm.2:19; Ef.1:13) dar-se-á no Pentecostes cumprindo a profecia de (Jr.31:33 e Jl.2:28)[18].
























CAPÍTULO 2
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2.1 A DISPENSAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO

E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco (Jo.14.16 – negrito nosso).

Outro (gr. Allos = outro da mesma espécie), Consolador (gr. Para “ao lado de” e kletos “chamado). Significa encorajador, quem dá força. Cristo está presente na igreja, no coração do crente através do Espírito Santo. Não só o Espírito Santo habita no crente, mas o Deus triúno faz nele morada: “Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada” (Jo.14:23 – grifo nosso).
A dispensação do Espírito marca uma nova era[19] na história da redenção do povo de Deus. Ele vai atuar na obra de salvação realizada por Cristo Jesus na cruz, regenerando, santificando e influenciando o coração daqueles que o Pai lhe confiou[20] de forma que nenhum deles se perca, pois é a vontade de Deus: “E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia” (Jo.6:39). A ressurreição do último dia é o ápice da obra de redenção em que o selo do Espírito Santo é a marca dos que participarão da própria natureza de Deus (cf. Ef.4:30)[21].

2.1.1 O Espírito Santo no Pentecostes

1 Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; 2 de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. 3 E apareceram, distribuídas entre eles, línguas (gr. glwssai, glossai) como de fogo e pousou uma sobre cada um deles. 4 Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas (gr. glwssai, glossai), segundo o Espírito lhes concedia que falassem (At.2:1-4 – negrito, grifo e parêntese nosso).

É o início da Igreja Cristã, e todos são batizados pelo Espírito Santo segundo a promessa de Cristo (At.1:4)[22]. Significa a presença contínua e não esporádica habitando em toda a igreja (1Co.3:16; 12:12,13)[23]. A Sua presença enche a igreja de vida, promove poder para propagar o Evangelho, confronta o mundo sem temor, ganha almas e operar milagres. Conclui-se que aqueles que fazem parte desse corpo (igreja) todos são batizados com o Espírito Santo. Esse batismo é o novo nascimento e garante a nossa salvação (cf. Jo.10:28)[24].
Houve apenas um Pentecostes, porém, há repetidas plenitudes para serviço: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito [...]” (Ef.5:18). O verbo encher (gr. πληροϋσθε) encontra-se no imperativo tempo presente e indica uma ação contínua. É algo a ser feito constantemente.

2.1.1.1 A promessa é para todos.

Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor nosso Deus, chamar (At.2:39 – grifo nosso).

A promessa é universal, diz respeito a todos. Não é privilégio de alguns grupos pentecostais ou carismáticos. É uma promessa para todos os que fazem parte do corpo de Cristo. Uma promessa é algo que acontece porque o que prometeu é fiel. Não é preciso fazer nada para conseguir se fosse preciso fazer algo para conseguir o batismo com o Espírito Santo, a promessa deixaria de ser promessa. Deus prometeu e Ele vo-lo dará o Espírito Santo para que esteja para sempre convosco.

Ouvindo os apóstolos, que estavam em Jerusalém, que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João; os quais, descendo para lá, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo; porquanto não havia ainda descido sobre nenhum deles, mas somente havia sido batizados em o nome do Senhor Jesus. Então, lhes impunham as mãos, e recebiam estes o Espírito Santo (At.8:14:18).

Esses acontecimentos são interligados, há uma progressão de eventos, do começo ao fim. O objetivo é confirmar a promessa que é para todos os escolhidos (Ef.1:4)[25], ou seja, para todos os que Deus resgatou desta presente era perversa, segundo a vontade de nosso Deus e Pai (cf. Gl.1:4b)[26],

2.1.1.2 O Espírito Santo Desce Sobre os Gentios.
Ainda Pedro falava estas coisas quando caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, que vieram com Pedro, admiraram-se, porque também sobre os gentios foi derramado o dom do Espírito Santo; pois os ouviam falando em línguas e engrandecendo a Deus (At.10:44-46 – grifo nosso).

Aqui foi através da palavra, não foi preciso a imposição de mãos, o Espírito Santo caiu sobre os gentios sem que estes fossem batizados nas águas (cf. At.10:47)[27].
O batismo com o Espírito Santo aconteceu imediatamente à conversão, ou seja, “enquanto Pedro falava” “caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra” “[...] confirmando, segundo comentário da Bíblia Shedd, sua inclusão na igreja sem conversão ao judaísmo”. Os que eram da circuncisão admiraram-se porque estavam ouvindo os gentios de língua grega falando em aramaico as grandezas de Deus, isso para confirmar que a graça de Deus os havia alcançado. As línguas, no sentido de confirmar a dispensação da graça, que alcançaria o mundo, só acontecem entre judeus e gentios.

Na Grécia.

[...] perguntou-lhes: Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes? Ao que lhe responderam: Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo. Então, Paulo perguntou: Em que, pois, fostes batizados: Responderam: No batismo de João. Disse-lhe Paulo: João realizou batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que vinha depois dele, a saber, em Jesus. Eles, tendo ouvido isto, foram batizados em o nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam. Eram, ao todo, uns doze homens (At.19:2-7).


O texto é bastante claro, eles creram e foram batizados no batismo de João, todavia, ainda não faziam parte do corpo de Cristo (a igreja) que acabara de ser formada em Jerusalém no Pentecostes. Todos que iam se batizando, através da imposição de mãos, aderiam ao corpo de Cristo. O batismo foi uma seqüência para formação da igreja nascente, era algo desconhecido, por isso, eles respondem admirados: “[...] nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo”. É óbvio, o Reino estava se expandindo: “[...] mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e series minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (At.1:8). Crer em Jesus antes do Pentecostes era ser batizado no batismo de João:

Eu vos batizo com água, para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo (Mt.3:11).


Isso não implica em pensar que logo após o Pentecostes todos os crentes de outras localidades tivessem que ser batizados automaticamente. Eles foram sendo informados, e houve uma seqüência que foi até aos confins da terra, do batismo com o Espírito Santo o qual desciam sobre eles com imposição de mãos ou pela palavra quando eles criam e automaticamente sendo incorporados ao corpo de cristo (a igreja), também não podemos dizer que algumas pessoas só passaram a ser crentes depois da imposição de mãos. Não, eles agora passaram a fazer parte de uma nova aliança selada com o sangue de Cristo.
Para o biblista John Stott o que realmente importa é que os quatros elementos estão unidos. Eles eram partes distintas de uma única iniciação em Cristo, feita com batismo e imposição de mãos (exteriormente), e com a fé e o dom do Espírito (interiormente).

2.1.1.3 As línguas no Novo Testamento
As línguas em Atos eram “glossais” = “dialetos”, ou seja, línguas inteligíveis. Tinha o objetivo de proclamar as grandezas de Deus na língua materna de cada povo. Era o sinal que marcava um novo tempo na história de salvação, ou seja, serviu de bênçãos para os gentios que ouviram as grandezas de Deus em seus próprios idiomas, serviu, também, de juízo para os judeus incrédulos:

“1 Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; 2 de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. 3 E apareceram, distribuídas entre eles, línguas (gr. glwssai, glossai) como de fogo e pousou uma sobre cada um deles. 4 Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas (gr. glwssai, glossai), segundo o Espírito lhes concedia que falassem. 5 Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu. 6 Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, por quanto cada um os ouvia falar na sua própria língua (gr. glwssai, glossai). 7 Estavam, pois , atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? 8 E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua (gr. dialektw, dialekto) materna? 9 Somos partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, 10 da Frigia, da Panfilia, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem, 11 tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios. Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas (gr. glwssai, glossai) as grandezas de Deus? 12 Todos, atônitos e perplexos, interpelavam uns aos outros: Que quer isto dizer? (At. 2:1-12 grifo nosso).

O local que eles estavam foi invadido por um vento impetuoso (cf. At.2:2) e ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outra língua conforme o Espírito lhes concedia que falassem. Pessoas de várias nacionalidades estavam ali e cada uma ouvia falar em sua própria língua (glossais = dialetos), (cf. At.2:8), das grandezas de Deus (cf. At.2:11b). Portanto, as línguas do Pentecostes não eram línguas de anjos, nem um dialeto desconhecido, pois todos ouviam falar em seu próprio idioma. Tinha, dessa forma, o objetivo de evangelismo, de transmitir as boas novas (grandezas de Deus) de uma forma grandiosa, todos ficaram atônitos porque aquelas pessoas eram galileus e falavam aramaico, eles, porém, estavam ouvindo em seu próprio idioma.
O dom de línguas (glossais), na dispensação do Espírito, no NT, ocorreu pelo menos, depois do Pentecostes em Jerusalém, em três lugares: Cesaréia, Éfeso e Corinto.

Cesaréia

44 Ainda Pedro falava estas coisas quando caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. 45 E os fiéis que eram da circuncisão, que vieram com Pedro, admiraram-se, porque também sobre os gentios foi derramado o dom do Espírito Santo; 46 pois os ouviam falando em línguas (gr.glwssaiz, glossais)[28] e engrandecendo a Deus. Então, perguntou Pedro: 47 Porventura, pode alguém recusar a água, para que não sejam batizados estes que, assim como nós, receberam o Espírito Santo? 48 E ordenou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Então, lhe pediram que permanecesse com eles por alguns dias (At.10:44-48 grifo nosso).

As línguas (glossais) faladas em Cesaréia pelos gentios foram idiomas conhecidos pelos “fiéis que eram da circuncisão, que vieram com Pedro” e “os ouviam falando em línguas” “engrandecendo a Deus”. Se eles ouviam os gentios “engrandecendo a Deus” em seu próprio idioma, isso significa que eles estavam falando em glossais aramaica, pois os gentios falavam grego ou a língua nativa, e os discípulos, aramaico. Aqui acontece com os gentios o mesmo que aconteceu no dia de Pentecostes em (cf. At. 2:1-12). Só que no Pentecostes eles falaram em glossai para o mundo, pessoas de várias nacionalidades estavam ali e ouviam falar das “grandezas de Deus”. Em Cesaréia eles falam para os fiéis da circuncisão (judeus convertidos ao cristianismo) “agradecendo a Deus” louvando-O no idioma judaico (aramaico). Isso aconteceu, justamente, para comprovar que os gentios também estavam sendo alcançados pela graça salvadora e a promessa estava cumprindo-se, e é para todos quanto Deus chamar: judeus e gentios.


Éfeso

6 E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas (gr. glwssaiz , glossais) como profetizavam. 7 Eram, ao todo, uns doze homens (At.19:6-7 grifo nosso).

O mesmo tipo de língua (glossais) falada no dia do Pentecostes e em Cesaréia é o mesmo falado em Éfeso: dialetos humanos. Nada diz estes versículos que nos leve a crer que falaram em línguas de anjos (ininteligíveis). Ao falar em línguas eles estavam profetizando as grandezas de Deus e marcando um novo tempo, assim como, os gentios de Cesaréia[29].

Corinto
[...] a outro, operações de milagres; a outro, profecias; a outro, discernimento de espíritos; a um variedade de línguas (gr. glwssvn, glosson); e a outro, capacidade para interpretá-las (1Co.12:10 grifo nosso).

Aqui também fica entendido que se trata de um dialeto como em (cf. At.2:4-11), provavelmente desconhecido para quem está falando, mas conhecido para o ouvinte¹. O dom de línguas deveria ser usado para edificar a comunidade, quem estava falando em línguas na igreja de Corinto, estava edificando a si próprio e a forma correta era a edificação do corpo. Por isso quando Paulo diz: “Quem fala em língua a si mesmo se edifica [...]” (1Co.14:4), ele está dizendo que aquela pessoa está agindo egoistamente porque esse dom não é individual. Como não tinha ouvintes específicos de outras nacionalidades, assim como em Jerusalém, nem quem as interpretassem a fim de edificar a igreja, tendo em vista, pois, que esse dom fala das grandezas de Deus, engrandecendo e louvando-O pelos Seus poderosos feitos, por isso mesmo tinha como objetivo edificar o corpo de Cristo (a igreja), o Espírito Santo não exalta a nada nem ninguém além de Cristo no culto.
Em (1Co.12:28 e 30) Paulo usa respectivamente a mesma palavra para “dialeto” que usou anteriormente: “...variedades de línguas” (v.28) (gr. genh glwssvn , gnen glosson); “línguas” (v.30) (gr. glwssaiz, glossais).

- A introdução de (1Co.13) é feita com o final do (1Co.12) que diz: “Kai eti kaq uperBolhn odon umin deiknumi”. “E eu passo a mostra-vos ainda um caminho sobremodo excelente”.

Ainda que eu fale as línguas (gr. glwssaiz, glossais) dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine” (1Co.13:1).

Glossais. Dialetos humano falado no Pentecostes. “Ainda que fale as línguas dos anjos” trata-se de uma “hipérbole” intencional para chamar atenção para aqueles que usam os dons sem a prática do amor ágape o qual ultrapassa todos os dons, que por sua vez, os membros da igreja devem aspirar. Deus é amor (Jo.3:16)[30]. Nada podemos afirmar, sobre a expressão empregada por Paulo: “línguas dos anjos”[31], tenha sido usada, ou seja, que o Espírito Santo tenha se manifestado com línguas celestiais para ministrar edificando a igreja nascente. Todavia, Paulo diz que vai mostrar um caminho mais excelente (gr. ύπερβολήν), ele faz comparações e a hipérbole é um exagero de palavra. Vejamos: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos”, a palavra “ainda significa que ele não falava; “Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas [...]”. Só quem conhece todos os mistérios e tem todo conhecimento é Deus; “Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado [...]”. Ele não possuía nada para dá aos pobres, para se sustentar fabricava tendas. O que ele deixa claro é que os dons sem o amor é como o sino que soa.

2.1.2 Os ofícios do Espírito Santo
O Espírito Santo, o Consolador, tornou-se depois do Pentecostes o executor da obra de redenção, regenerando e santificando os que por Ele são convencidos do pecado da justiça e do juízo. Dessa forma Ele ministra em duas áreas específicas nos frutos do Espírito e capacitando sua igreja com dons Espirituais.

2.1.2.1 O Fruto do Espírito

Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei (Gl.5:22-23).

O fruto do Espírito é implantado naqueles que nascem de Deus e são cultivados pelo próprio Espírito Santo fazendo com que o novo homem ande em novidade de vida e não mais esteja sujeito a carne. Todavia, “[...] a carne, milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si [...]”, esse conflito é inevitável, não pode ser evitado, a vitória, no entanto, também, não pode ser evitada, pois quem vence é o maior e o apóstolo João diz quem é o maior: “Filhinhos, vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo” (1Jo.4:4). E se o que está nos verdadeiros crentes é maior, temos, portanto, a certeza da vitória sobre a carne, o mundo e o diabo. Essa vitória a pesar de já ter sido conquistada, por Jesus na cruz do Calvário, ela vem sendo consolidada (cf. Fp.2:12) na vida de cada crente através do amadurecimento do fruto do Espírito que acontece gradativamente. Afinal de contas o apóstolo Paulo diz em sua Carta aos Romanos que fomos predestinados para sermos conforme à imagem de Jesus Cristo[32].
O fruto do Espírito são qualidades morais cuja origem é Divina, todavia não há aqui pretensão de fazer uma lista completa de virtudes. O que Paulo selecionou foram características essenciais antes corrompidas pelo pecado que começa a ser restaurada, após a regeneração, pelo Espírito Santo. Passaremos a ver com detalhes cada uma dessas qualidades:
1. O amor (gr. Αγάπη).
O amor ágape é o amor pelo qual Deus nos amou primeiro: “Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado[33]” (Rm.5:5). Para que pudéssemos amar com o amor que Ele nos amor.
Esse amor é a base, o fundamento onde todos os outros frutos são edificados. Ninguém pode dizer que tem um fruto e o outro não; o que pode acontecer é que alguns frutos amadurecem mais rápido que outros.
O amor (ágape) nos constrange e leva-nos a agir ao contrário daquilo que a lógica estabeleceu como padrão. (1Co.13) é o exemplo daqueles que nasceram do Espírito: vivem um amor que não busca seus próprios interesses.
2. A alegria (gr. Χαρά).
Esta alegria não é gerada por elementos externos que produz uma momentânea e falsa alegria, mas é produzida pelo Espírito Santo de Deus que habita naqueles que por Ele foram regenerados (cf. 1Pe.23). Portanto, é uma alegria que não depende das circunstâncias e mesmo diante das labutas do dia-a-dia os filhos de Deus não desanimarão. Esta alegria impulsiona o crente a permanecer firme nas promessas do Senhor ajudando-o a não se desesperar diante das injustiças. Mesmo que choremos e tenhamos fome e sede de justiça há uma alegria imensurável como fonte de água viva que transborda para a vida eterna[34]. Escrevendo aos romanos o apóstolo Paulo ensina: “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm.14:17).
3. A paz (gr. Είρήνη).
No hebraico paz é shalom: “Então, Gideão edificou ali um altar ao SENHOR e lhe chamou de o SENHOR é Paz” (Jz.6:24). Todos os que andam na presença de Deus desfruta dessa paz. Os israelitas perderam a paz porque não andaram nos caminhos do SENHOR (cf.Jz.6:1).
Na “Nova Aliança”, Cristo é a nossa paz (cf. Ef.2:14),[35] uma paz que excede todo entendimento (cf. Fp.4:7); porque, como a alegria, a paz não depende das circunstâncias e nem pode ser arrebatada por Satanás. Foi o príncipe da paz que nos deu: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração nem se atemorize” (Jo.14:27). Essa paz não significa que seremos tirados da luta e da tribulação que cai sobre toda humanidade. Mas, seremos guardados nessa hora (cf. Ap.3:10)[36]. Quem tem essa paz é aprovado no dia da tribulação. Ao contrário do mundo que vive uma angústia eterna.
4. Longanimidade (gr. Μακροθυμία)[37].
Longanimidade é a paciência[38] com que Deus segura Sua ira diante da iniqüidade do homem: “Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição [...]” (Rm.9:22). Portanto longanimidade é a capacidade gerada pelo Espírito Santo no cerne do espírito humano em que ele passa a suportar determinadas afrontas sem se irar. O apóstolo Paulo exorta os colossenses a procederem como eleitos de Deus[39], cultivando os frutos do Espírito Santo. A longanimidade também se evidencia na capacidade de esperar: “Eis que temos por felizes os que perseveram firmes. Tendes ouvido da paciência de Jó e vistes que fim o Senhor lhe deu; porque o Senhor é cheio de terna misericórdia e compassivo” (Tg.5:11).
5. Benignidade (gr. Χρηστοτης).
Celebrarei as benignidades do SENHOR e os seus atos gloriosos, segundo tudo o que o SENHOR nos concedeu e segundo a grande bondade para com a casa de Israel, bondade que usou para com eles, segundo as suas misericórdias e segundo a multidão das suas benignidades (Is.63:7).

Este fruto do Espírito, segundo muitos comentadores, é o que de maneira maravilhosa reflete mais o amor de Deus para com os outros sem interesses paralelos.
A benignidade evidencia-se na misericórdia e compaixão que exercemos para com o nosso próximo. O mundo age na base do interesse, visando algo em troca principalmente a glória deste mundo. Enquanto aqueles que nasceram de Deus, foram transformados pelo Seu poder já não pensam em amar por algo em troca, como os elogios ou os benefícios que possam advir de tais atitudes.
O maior ato da benignidade do SENHOR foi manifesto em Cristo Jesus para salvar pessoas que não mereciam, mas Ele prova o Seu amor para conosco tendo Cristo Jesus morrido na cruz sendo nós ainda pecadores. Vejamos a Carta do apóstolo Paulo endereçada a Tito:

Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por mós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna” (Tt. 3:4-7 – grifo nosso).


Como filhos de Deus, devemos nos interessar até pelos nossos inimigos, em todos os sentidos, principalmente no que concerne em lhes dá o que há de melhor, de mais essencial. O que uma pessoa pode querer que seja maior do que a vida eterna que Cristo nos deu? Devemos, portanto, pregar o Evangelho da salvação para elas. Isso não significa pensar que o lado social deve ser negligenciado. O mundo tem sua maior fome do Pão que veio do Céu: Jesus Cristo. Se há algo de bom que se possa fazer por alguém é dar-lhe desse pão que verdadeiramente sacia a fome.
Vejamos um bom exemplo da benignidade sendo exercida de forma altruísta: Uma jovem da comunidade (do Janga), mas que não era membro de nossa igreja, ficou doente. Quem fica doente e está ali na cama de um hospital sabe como é importante a visita de um amigo, principalmente dos parentes. E essa jovem ficou doente justamente quando seu pai havia parado de pagar o plano de saúde, e por incrível que pareça seus pais estavam em outro estado tendo a jovem ficado apenas com sua avó. Durante a cirurgia, no “Hospital da Restauração,” o apêndice estrangulou e ela ficou entre a vida e a morte. Com a jovem, tinha que ficar um acompanhante; sabemos as dificuldades para encontrar alguém que se disponibilize, nessas ocasiões, no sentido de render, de está ali dando um apoio, pernoitando com o enfermo. Foram três pessoas que estiveram no Hospital durante o tempo em que ela esteve internada: a avó, a amiga e a Irª. Solange que se disponibilizaram, deixando seus afazeres para está ali durante várias noites. Elas fizeram isso por amor, compaixão, sem nenhum interesse egoísta; Cristo foi quem melhor expressou esta qualidade. Na medida em que estamos sendo transformados na imagem do Filho de Deus[40] passaremos a agir, cada vez mais, como o nosso Salvador Jesus Cristo.
6. Bondade (gr. Τοιουτων).
Bondade[41] é generosidade em ação para com os outros. Uma pessoa é bondosa quando ajuda os necessitados como no caso do bom samaritano. Somos verdadeiros adoradores de Deus quando quebramos as muralhas das diferenças e só assim passaremos a ser conhecidos como verdadeiros cristãos. Esse fruto do Espírito, atualmente, está sendo pouco cultivado, ou melhor, está sendo negligenciado. Na verdade, sem o conhecimento da palavra de Deus os frutos permanecerão verdes ou levarão muito tempo para amadurecerem. A igreja de Roma é um bom exemplo desse conhecimento, pois o apóstolo diz que eles eram instruídos: “Meus irmãos, eu mesmo estou convencido de que vocês estão cheios de bondade e plenamente instruídos, sendo capazes de aconselhar-se uns aos outros [..]” (Rm.15:14).
Vejamos o que Tiago fala a esse respeito: “De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo: Se um irmão ou irmã estiver necessitado de roupas do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: “Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se, sem porém lhe dar nada, de que adianta isso?” (Tg.2:14-16).
“Você pode ver que tanto a fé como as obras estavam atuando juntas, e a fé foi aperfeiçoada pelas obras” (Tg.2:19). Como vimos ai está a bondade de Deus que foi derramada em nossos corações pelo Seu infinito amor. Portanto não podemos ser crentes egocêntricos, voltados exclusivamente para nossos próprios interesses. Devemos, pois, nos preocupar com o nosso próximo, quando agimos dessa forma estamos buscando primeiro o Reino de Deus e sua justiça, e com toda certeza, todas as outras coisas nos serão acrescentadas. Se agirmos de outra forma não estaremos evidenciando, através das nossas obras, a ação do Espírito Santo em nosso viver. Como crentes, raquíticos na fé, estaremos, desestruturados, vulneráveis as intempéries desta vida.
É importante salientar que toda boa obra, feita com o objetivo de obter mérito diante de Deus surge de um desejo egoísta daqueles que querem ser elogiados pelos outros. No entanto as obras do fruto do Espírito é um desejo gerado pelo “Espírito Santo”, por isso, podemos dizer que as obras não somos nós que fazemos, mais, Deus quem as faz. Somos apenas instrumentos em Suas mãos a fim de abençoarmos os outros. Somos guiados pelo Espírito a fazer a vontade de Deus.

7. Fé (gr. Πίστις).
Esse fruto do Espírito foi dado aos santos (Jd.3)[42] para que eles mantenham a fidelidade, perseverem no dia mal que há de vir sobre todo o mundo, para por a prova os que habitam na terra (cf. Ap.3:10). O apóstolo Paulo disse que o que vence o mundo é a nossa fé. W. Phillip Keller escreveu que a fé impulsiona o crente a vitória:
Ela crê que, para Deus, tudo é possível. Por isso marcha em frente, permanece firme, continua leal, mesmo em meio a reveses e decepções. Essa fé é estável, mesmo em face de experiências abaladoras, pois seu olhar está fixado naquele que é fiel, e não no caos e confusão das circunstâncias que nos cercam (1981: 128).

No mundo secular se você crer em algo significa que você acredita naquilo. E quando se acredita em alguma coisa as pessoas começam a agir harmoniosamente com a fé naquilo que acreditam. Assim como acontece no mundo econômico financeiro, se uma pessoa acredita que determinado investimento irá dar certo ele, com toda convicção, investirá todos seus recursos porque acredita, tem fé naquilo que está fazendo. Assim é com as coisas espirituais, ou se tem fé ou não se tem. Por isso, algumas pessoas ouvem a palavra e não acreditam, porque não têm fé no que ouviram. Elas permanecem incrédulas porque o diabo cegou as suas consciências para que não lhes resplandeça a luz do Evangelho da Graça de Deus. E com toda certeza, ninguém quer vir a Ele para ter vida, a não ser que Ele dê vida aquele que está morto nos seus delitos e pecados. Tudo isso pela ótica bíblica de que a fé é um dom de Deus e que o homem só é salvo por ela. Vejamos o que o apóstolo Paulo diz: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef.2:8-9 – grifo nosso).
Fé também significa fidelidade[43]. Somos convidados a ser fiéis até a morte (Ap.2:10)[44]. Isso não significa pensar que podemos perder a salvação caso haja infidelidade, pois, trata-se, sem sombra de dúvida de exortação para o crente manter o testemunho (martíria) fiel da palavra de Deus nesse mundo estruturado na injustiça que se levanta contra o SENHOR do céu e da terra.


Para sermos fiéis escreveu Israel Belo Azevedo:

Não adianta ler a Bíblia toda em um mês. Isto pode ser até uma prática para um tempo de euforia, mas o crescimento virá com a leitura constante, cuidadosa, meditativa, realizada anos após anos. É um investimento para a vida toda (2003: p65).

8. Mansidão (gr. Πραΰτης).
Mansidão no hebraico significa gentileza, humildade, suavidade, brandura (Pv.15:33; 18:12; 22:4; Sf.2:3; Sl.18:35; 45:4). No grego ela tem o mesmo significado (Mt.5:5; 11:29; 21:5; 1Co.4:21; 2Co.10:1; Gl.5:22).
Na medida em que somos transformados de glória em glória na imagem de Cristo, tornamo-nos, cada vez mais, mansos e humildes de coração. Jesus é o grande exemplo: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma” (Mt.11:29).
Os mansos não são covardes, ao contrário do que se pensa, eles são pacificadores, onde há discórdia eles levam a paz, agem dessa forma porque são cheios do Espírito Santo e procuram, assim como a corsa anseia por água, encherem-se do Espírito de Deus: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Ef.5:18).
O mundo precisa de pessoas mansas, que dêem testemunho com suas vidas da vitória que Cristo conquistou na Cruz. Agindo assim, Deus é glorificado e exaltado entre as nações. Quem procede dessa forma são os verdadeiros adoradores. Onde estão os mansos da Igreja? Um líder manso é uma pessoa que vive em prol do Reino, ou seja, busca a unidade e o crescimento espiritual dos seus liderados. O mundo é diferente, a arrogância, a prepotência, o individualismo e a auto-exaltação são marcas características do líder mercenário que denigre o Evangelho para adquirir o que o vazio do seu espírito almeja insaciavelmente.
Uma grande característica dos verdadeiros mansos é que eles não se conformam com esse mundo mau e procuram transformá-lo, sem ser pela violência, mas através da paz e do amor de Deus. A transformação acontece pelo testemunho fiel.
9. Domínio Próprio (gr. έγκράτεια).
Esta palavra significa autocontrole, domínio próprio, ponto de equilíbrio entre um extremo e outro. O homem guiado pelo Espírito Santo não é um descontrolado, um colérico, mas uma pessoa que diante de uma situação que humanamente falando exige uma atitude enérgica (violenta), o servo de Deus consegue dar a volta por cima e agir com moderação[45] (autocontrole).
Fomos chamados a agirmos com sobriedade: “Mas tu sê sóbrio em tudo [...]” (2Tm.4:5); “E já que está próximo o fim de todas as coisas; portanto, sede sóbrios [...]” (1Pe.4:7). Por que esse fruto é tão importante em nossas vidas? Muito sal pode prejudicar a saúde; a luz em excesso pode cegar; o fogo sem controle pode destruir. O super crente pode ser uma má influência e levar os irmãos a cometerem os mesmos excessos. O apóstolo Paulo fala à igreja de Corinto, a fim de doutriná-la, ensinando que os carismas sem amor são como o bronze que soa (cf. 1Co.13:1). Ali havia um grupo de super crentes e eles achavam-se altamente espirituais porque falavam em línguas, mas, o apóstolo se dirigiu a eles como a carnais, meninos em Cristo (cf. 1Co.3:1-2). Quando os frutos permanecem verdes não existe o equilíbrio necessário para o funcionamento sadio, não haverá unidade e Deus ama a unidade: “Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que eles sejam um, assim como nós” (Jo.17:11).



























CONCLUSÃO
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A soteriologia é uma doutrina muito importante, porque trata, justamente, da nossa salvação. É, portanto, preciso estudá-la de uma forma bastante responsável posto que há muitas coisas escritas sobre esse assunto que foge a ortodoxia cristã e podemos cair nas malhas do falso ensino. Mas como se proteger de tais doutrinas? Estude a Bíblia e quando procurar alguém para lhe ensinar que seja comprometido com a palavra de Deus.
Muitos não acreditam nas antigas doutrinas da graça porque não estudam, não são como os crentes de Beréia: que investigavam todos os dias as Escrituras. Os crentes de hoje têm pouco ou nenhum interesse pelo estudo teológico. O Evangelho dessas pessoas é de uma linguagem superficial, sincretizado, valorizando as experiências isoladas (emocionalismo) dando, também, uma maior ênfase às coisas materiais (teologia da prosperidade) deixando de pregar todo o conselho de Deus. O apóstolo Paulo incentiva-nos com muitos conselhos a pregação do Evangelho da salvação (cf. Ef.1:17). Para que assim aconteça precisamos conhecer a Bíblia e nos familiarizar com as suas doutrinas.




















REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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AMARAL, Leila. Nova Era: um desafio para os cristãos. Editora Paulinas. São Paulo, 1994.

BÍBLIA DE ESTUDO SHEDD, Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. São Paulo. Vida Nova, 1997. 1929p.

BELO, Israel Azevedo de. O Fruto do Espírito: a vida cristã como ela deve ser. São Paulo. Editora Sepal, 2003. p73. 103p.

BERKHOF, Loius. Teologia Sistemática. São Paulo. Editora Cultura Cristã, 2001. 720p.

NICODEMUS, Augustus Lopes. Cheios do Espírito. São Paulo Editora Cultura Cristã. São Paulo, 1998. 78p.

ORTON, H. Wiley / CULBERTSON, Paul T. Introdução à Teologia Cristã. São Paulo. Casa Nazareno de Publicações. São Paulo, 1990. 516p.

PACKER, J. I. Teologia Concisa: Síntese dos fundamentos históricos da fé cristã. São Paulo. Editora Cultura Cristã, 1998. 246p.
FHILLIP, Keller W. Frutos do Espírito Santo. Minas Gerais. Editora Betânia, 1981. 151p

ROBERTSON, Palmer O. A Palavra Final: Resposta bíblica à questão das línguas e profecias hoje. São Paulo. Editora Os Puritanos, 1999. 167p.

HODGE, Charles. Teologia Sistemática. São Paulo. Editora Hagnos, 2001. 1711p.

SPROUL, R.C. Ministério do Espírito Santo. Editora Cultura Cristã. São Paulo, 2002. 160p.



















DO MESMO AUTOR:

Ø Os Adventistas do Sétimo Dia: Um abismo eterno.

Ø Como Responder as Testemunhas de Jeova.

Ø Quem matou Allan Kardec? Desmascarando os Espíritos.

Ø Reencarnação ou Ressurreição: Quem está com a razão?

Ø Apocalipse: As sete igrejas da Ásia. Uma interpretação histórica

Ø Quando Surgiu a Doutrina da Reencarnação ?

Ø Usos e Costumes dos Judeus em Pernambuco.

Ø A Soberania de Deus e o Livre-Arbítrio.

Ø Violência e Santidade no Antigo Testamento.

Ø O Sermão do Monte e o Fruto do Espírito: Como viver uma vida de santidade.

Ø Eleição e Chamada Eficaz. Doutrinas Bíblicas.

Ø As Principais Festas Judaicas.

Contato: Fone (81) 9421.2595
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1.2.2.2 Os Dons do Espírito



1.2.3 O Espírito Santo e a Igreja



1.2.4 O Espírito Santo e o mundo






































































[1] “Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei” (Jo.16:7).

[2] “Eu vos tenho batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo”.

[3] “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco [...]”. “Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros”. “Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada”. “[...] mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito”.

[4] “Depois de constatarmos que 1Co.12:13 refere-se a Cristo batizando com o Espírito e fazendo-nos beber do Espírito, precisamos observar em seguida que “todos nós” participamos deste batismo e deste beber. Ser batizado e beber são claramente expressões equivalentes. Todos os cristãos experimentaram as duas coisas. Além disto, o tempo aoristo dos dois verbos (“fomos batizados”, “foi dado a beber”) deve ser compreendido não só como uma alusão ao acontecimento do Pentecostes quando de sua conversão” (STOTT, John. Batismo e Plenitude do Espírito Santo: O mover sobrenatural de Deus. São Paulo. Vida Nova, 2004. p31).
[5] “[...] em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória” (Ef.1:13, 14 – negrito nosso).
[6] “A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas”.

[7] “Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente”.
[8] BRUCE F. F. João: introdução e comentário. São Paulo. Vida Nova, 2004. p.58.

[9] “Repousará sobrre ele o Espírito do SENHOR, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do SENHOR. Deleitar-se-á no temor do SENHOR; não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos [...]”.
“Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem a minha alma se compraz; pus sobre ele o meu Espírito, e ele promulgará o direito para os gentios”.

[10] “E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”.
[11] “Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo mesmo Espírito, no deserto [...]”.

[12] “Segundo o número dos dias em que espiastes a terra, quarenta dias, cada dia representando um ano, levareis sobre vós as vossas iniqüidades quarenta anos e tereis experiência do meu desagrado”.

[13] “Então, Jesus, no poder do Espírito, regressou para a Galiléia, e a sua fama correu por toda a circunvizinhança”.

[14] “[...] mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra”.

[15] “Naquela hora, exultou Jesus no Espírito Santo e exclamou: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelastes aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado”.

[16] “[...] muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!”.

[17] “[...] e foi designado Filho de Deus com poder, segundo o espírito de santidade pela ressurreição dos mortos, a saber, Jesus Cristo, nosso Senhor [...]”.

[18] “Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depôs daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo”.
“E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões [...]”.
[19] “Nova Era que estou me referindo significa um novo tempo na história da redenção. Diferente da Nova Era pagã-satânica que tem um significado místico vejamos: “Segundo as previsões astrológicas, a Nova Era diz respeito à Era de Aquário e a aparição de Avatares neste momento crítico da evolução planetária. Aquário é um signo representado por um ancião que, com seu cântaro de água, faz jorrar sobre a Terra o verdadeiro alimento, a sabedoria, que permitirá o crescimento pessoal, espiritual e político do gênero humano” (AMARAL, Leila. Nova Era: um desafio para os cristãos. Editora Paulinas. São Paulo, 1994. p.17142p).

[20] “E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido (Jo.6:65).

[21] “E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção”.
[22] “Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem”.

[23] “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”.
“Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e tosos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também como respeito a Cristo. Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito”.

[24] “Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão” (NVI).
[25] “Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença” (NVI).

[26] “[...] o qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai”.

[27] “Porventura, pode alguém recusar a água, para que não sejam batizados estes que, assim como nós, receberam o Espírito Santo”.
[28] COMENTÁRIO: Bíblia de Estudo Almeida (At.10:46). “At. 2:4: 19:6. Aqui se repete, entre os gentios, o que aconteceu no dia do Pentecostes; cf. At. 2:2-4)”.


[29] COMENTÁRIO: Bíblia de Estudo de Genebra (At.19:6). “A experiência que os gentios de Éfeso tiveram quando receberam o Espírito Santo é paralela àquela dos judeus (2:4,11), dos samaritanos (8:14-17) e dos gentios tementes a Deus (10:44-46). Este episódio é uma extensão da experiência do Pentecostes para ainda um outro grupo de pessoas (v.2). “Profetizavam”, nesta passagem , pode ser equivalente a “falar... as grandezas de Deus” (2:11), ou falando e “engrandecendo a Deus” (10:46).

[30] “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

[31] COMENTÁRIO: Bíblia de Estudo de Genebra (1Co. 13:1-3). “Usando de um exagero intencional, Paulo enfatizou a inutilidade dos dons quando exercidos sem o concurso do amor. A expressão “línguas dos homens” refere-se, provavelmente, ao dom de falar em línguas estrangeiras (At.24-11), enquanto que a adição “e dos anjos” pode ser um exagero deliberado (similar a “compreender todos os mistérios” ou “remover montanhas”). Se os crentes de Corinto reivindicavam usar a linguagem dos anjos é impossível de determinar (12:10). A expressão “ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado” também pode ser uma declaração dramaticamente exagerada.


[32] Rm.8:29
[33] Δοθέντος – imposto, dado, imputado sem que se possa questionar.
[34] “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva”.
[35] “Porque ele é a nossa paz”.

[36] “Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra”.


[37] “No idioma em que o apóstolo Paulo escreveu (gr. coinê), “longanimidade” (macrothumia, em que “makros” é “grande”, “longo” e “thumos” quer dizer “paixão”, “sentimento”)” (BELO, Israel Azevedo de. O Fruto do Espírito: a vida cristã como ela deve ser. São Paulo. Editora Sepal, 2003. p73. 103p).

[38] “Outro aspecto do fruto do Espírito é a longanimidade isto é, paciência;. Essa virtude espelha e reflete o caráter de Deus, não tem lugar para as explosões de mau-humor e uma personalidade de pavio curto” (SPROUL, R.C. Ministério do Espírito Santo. Editora Cultura Cristã. São Paulo, 2002. p.145. 160p).

[39] “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade” (Cl.3:12 – Bíblia de Estudo SHEDD).
[40] “Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm.8:29 - NVI).

[41] “[...] a bondade é uma qualidade do caráter de Deus a que muitos de nós não sabem dar o devido valor” (FHILLIP, Keller W. Frutos do Espírito Santo. Minas Gerais. Editora Betânia, 1981. p115. 151p).
[42] “Amados, embora estivesse muito ansioso por lhes escrever acerca da salvação que compartilhamos, senti que era necessário escrever-lhes insistindo que batalhassem pela fé de uma vez por todas com fiada aos santos” (NVI).
[43] “Mas o fruto da fé envolve mais do que confiar. Significa que nos tornamos dignos de confiança. Uma pessoa de fé é não somente uma pessoa que confia, mas uma pessoa que merece confiança” (SPROUL, C. R. O ministério do Espírito Santo. São Paulo. Editora Cultura Cristã, 1997. p147).

[44] “Não tenha medo do que você está prestes a sofrer. O Diabo lançará alguns de vocês na prisão para prová-los, e vocês sofrerão perseguição durante dez dias. Seja fiel até a morte, e eu lhe darei a coroa da vida” (NVI).
[45] “A falta de modéstia, o extremismo e a ostentação não se ajustam ao domínio próprio. Manifesta-se aqui o nível moderado do auto-controle. O espírito não é rude em nem imperioso. Ele nem é violento e nem grosseiro” (SPROUL, 1997: p148).

sábado, 23 de agosto de 2008

PENTECOSTALISMO E NEOPENTECOSTALISMO: Avivamento ou Apostasia ?




Carlos R. Cavalcanti






Pentecostalismo
e
Neopentecostalismo

Avivamento ou Apostasia ?






2008





CAVALCANTI, Carlos R. Pentecostalismo e Neopentecostalismo: Avivamento ou apostasia? Recife. Editora CRC. 2008. 94p.
Conteúdo Histórico-Apologético. Todos os direitos reservados à Editora CRC. Podendo, portanto, ser usado trechos em citações de trabalho acadêmicos.

Gráfica e Editora CRC
Fones: (81) 3436.2582 / 8710.5364










ÍNDICE
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INTRODUÇÃO

CAPÍTULO I
1.1 As Igrejas que surgiram da Reforma Protestante..........09

1.1.1 Benefícios da Reforma no campo religioso.........................11
1.1.1.1 A degradação religiosa na Igreja Romana...........................12
1.1.2 A teologia das igrejas Reformadas......................................14
1.1.2.1 As confissões doutrinárias...................................................17
1.1.2.2 Desvio doutrinário...............................................................24

CAPÍTULO II
2.1 O surgimento do Pentecostalismo.......................................31
2.1.1 Influência wesleyana de santidade..........................................39
2.1.2 Congregação Cristã no Brasil...............................................51
2.1.3 Assembléia de Deus
2.1.4 A segunda onda Pentecostal vai da década de 50 a 70.....57
2.1.4.1 Igreja do Evangelho Quadrangular..................................57
2.1.4.2 O Brasil para Cristo.........................................................59
2.1.4.3 Deus é Amor....................................................................70

CAPÍTULO III
3.1 O surgimento do Neopentecostalismo..........................73
3.1.1.1 O culto da IURD..................................................................78
3.1.1.2 O mal visto por Edir Macedo...............................................82
3.1.2 Igreja Renascer em Cristo....................................................84
3.1.3 Igreja Sara nossa Terra....................................................85

CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS BÍBLIOGRAFIA








INTRODUÇÃO
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O Movimento “Pentecostal” e o “Neopentecostal”, é uma das mais populares e crescentes forças da cristandade nos nossos dias. As principais características doutrinárias desse movimento que provoca o crescimento dessas Igrejas é o “batismo do Espírito Santo”, “o dom de línguas”, “as profecias”, “o dom de curas e a ênfase na experiência pessoal”. Muito embora crescimento e popularidade sejam evidentemente desejáveis, eles não podem ser usados como um teste para aprovar práticas que a si mesmo, se consideram como verdadeiras, porque várias seitas heréticas (Testemunhas de Jeová, Mórmons e os Adventistas do Sétimo Dia) e falsas religiões também têm alcançado grande popularidade e crescimento usando os mesmos procedimentos. O movimento Pentecostal e Neopentecostal é um fenômeno do século vinte. Visto que suas práticas e ensinos são diferentes dos que os cristãos reformados têm ensinado, acreditamos ser sensato examinar esses ensinos à luz das Escrituras. Não estamos, portanto, dizendo que eles não são cristãos. Estaremos examinando suas práticas não porque temos algo pessoal contra eles, ao contrário, os amamos e queremos nos encontrar no céu. Devemos ser como os crentes de Beréia e analisar todas essas práticas à luz das Escrituras Sagradas.
Deus nos ordena a "julgar todas as coisas" (1Ts 5:21). Somos exortados a nos "apegar à palavra fiel" e a "convencer os que contradizem" (Tt 1:9). Assim, oferecemos este trabalho no espírito do amor cristão, amor por nossos irmãos, e acima de tudo, pela verdade de Deus. Ao examinarmos qualquer assunto, a pergunta mais importante é: "Que diz a Escritura" (Gl 4:30)?
Por que essa preocupação com a doutrina? A resposta está na Bíblia. Os apóstolos escreveram alguns livros da Bíblia para combater o ensino herético, que corrompia a palavra de Deus, o próprio Jesus combateu a doutrina dos fariseus porque era uma doutrina desprovida de amor e do conhecimento de Deus. Vejamos o que diz Mateus 16:12: “Então, entenderam que não lhes dissera que se acautelassem do fermento de pães, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus”. Jesus estava preocupado com a doutrina que estava sendo ensinada ao povo. Em Marcos 7: 6-7 Jesus acusa os religiosos da Sua época de ensinar doutrinas que são preceitos de homens. O que isso quer dizer? Ora! Eram doutrinas que foram desviadas dos seus propósitos originais, para beneficio próprio: “Respondeu-lhe: Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens”. O apóstolo Paulo também estava bastante preocupado com as falsas doutrinas que surgiam a cada dia, porque contaminavam os crentes levando muitos a se desviarem do verdadeiro conhecimento de Deus:

“[...] para que não mais sejamos como meninos, agitado de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” (Ef.4:14).

Os pais da Igreja defenderam a fé contra o mundo e as heresias que surgiam dentro da própria Igreja: Justino o Mártir (100 – 165 d. C.), Irineu (130 – 200 d. C. anti-gnostico), Tertuliano (160 – 230 a. C.), Clemente de Alexandria (155 – 255 a. C.) foram alguns dos que se importou com a sã doutrina.







CAPÍTULO I
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1.1 As Igrejas que surgiram com a Reforma Protestante
Com a Reforma do século XVI, surgiram três ramos da fé protestante: o Luterano, o Reformado e o Anglicano. Os anabatistas que alguns historiadores e sociólogos da religião afirmam ser paralelo a Reforma, por alguns motivos trataremos separadamente.
Os Luteranos e Calvinistas concordavam com os principais pontos da Reforma. Porém, quando as idéias de Calvino se expandiram a partir de Genebra, algumas regiões Luteranas aderiram aos princípios doutrinários Calvinistas. Quanto aos Anglicanos, continuaram, apesar de haver rompido com a Igreja Romana, com a mesma liturgia. Surge, então, em virtude disso, um movimento, influenciado pelos Reformados Calvinistas conhecidos como “Puritanos” (Presbiterianos e Congregacionais discendentes da Igreja Anglicana), que lutam por reformas dentro da Igreja Estatal, principalmente pureza e simplicidade no culto:

Os puritanos entendiam que muitos “trapos do papado” continuavam na Igreja Anglicana e queriam purificá-la de acordo com a Bíblia, aceita por eles como regara infalível de fé e prática. Por isso receberam a alcunha de puritanos, por volta de 1568 (CAIRNS, 2000: 273)

Os anabatistas foram um dos vários movimentos que surgiu da insatisfação religiosa Católica na Europa central. Esses grupos eram conhecidos como cristãos zelosos, mais fanáticos do que zelosos:

Pode-se dizer que a doutrina fundamental dos anabatistas era uma concepção particular a respeito da Igreja. Esta, sustentavam eles, é uma comunidade de pessoas regeneradas, isto é, convertidas. Ninguém mais tinha a ver com a mesma. Decorria daí a crença deles de que os adultos, desde que somente estes poderiam experimentar a conversão. Os que se filiavam a essas sociedades eram batizados, pois o batismo que já tivessem recebido na infância era destituído de significado. Por causa dessa atitude, eles foram chamados de anabatistas, isto é, os que batizavam novamente. Em decorrência da idéia que tinham sobre a Igreja, não admitiam a existência de uma Igreja oficial, reconhecida pelo Estado. Uma Igreja sob o controle do poder civil, que podia ser ou deixar de ser cristão, diziam eles, não podia ser a verdadeira Igreja. Por essa razão, eles se separavam e não queriam qualquer aproximação com as igrejas reformadas, pois todas elas eram Igrejas reconhecidas pelo Estado (NICHOLS, 2004: 194)

1.1.2 Benefícios da Reforma no campo religioso
A Reforma foi a resposta de Deus a religião corrompida (a religião do medo)[1] em que ela servia apenas para esconder a injustiça. “Por sua grande doutrina bíblica do sacerdócio de todos os cristãos, Lutero libertou os homens do temor e, libertos do medo, eles foram” (NICHOLS, 2004: 161).
A cristandade protestante e o mundo foram beneficiados com o novo modelo de Cristianismo Protestante Reformado. Toda corrupção que a Igreja havia acumulado durante muito tempo foi rejeitada pelos reformadores. O lema, agora, era a volta às Escrituras, uma vida de pureza e fidelidade a “Palavra de Deus” que havia sido banida da vida do povo. Martinho Lutero traduziu a Bíblia para o alemão e esclarecia o povo através da pregação da palavra.

1.1.1.1 A degradação religiosa na Igreja Romana
Outro grande motivo da depreciação da religião da “Igreja Romana” foi o ensino de uma forma adulterada do Cristianismo. Devido a toda corrupção, a igreja permitiu que o Evangelho fosse sendo substituído, pouco a pouco, conforme seus interesses egoístas, por uma nova forma de religião de ritos e sacramentos que autorgavam uma salvação mágica, como por exemplo: 1) Oração aos espíritos bondosos da Virgem e dos santos; 2) foi infundido no imaginário coletivo o medo dos maus espíritos; 3) as relíquias milagrosas eram vendidas, como “pedaços de cruz”; negociavam o perdão de pecados mediante indulgências e amedrontavam seus fiéis com o fogo do purgatório que criaram, prometendo, no entanto, aliviar essa situação com missas pagas. Papa Sixto IV.
O Vaticano com seus concílios alteram a doutrina cristã. Essas alterações foram consideradas dogmas, impedindo o clero de raciocinar, examinar e decidir entre o certo e o errado! Muitos dogmas são baseados em lendas e suposições, outros estão impregnados de crendices que rebaixam o nível do cristianismo original. A maioria foi criada com fins lucrativos, como é o caso da doutrina do Purgatório, 503 d.C. (a galinha dos ovos de ouro do Vaticano), Transubstanciação, 1215 d.C., o Celibato, 1074 d.C., a Infabilidade Papal, 1870 d.C., o Culto à Maria, 431 d.C., o uso da água benta, 830 d.C., canonização de santos, 933 d.C., outros conferem ao clero certa autoridade e influência social. Mesmo, antes da Reforma, diante de tal degradação, sempre ouve lideres e igrejas que não compactuavam com tais abusos e foram perseguidas pelo papa. Entre eles estão: os Albigenses, os Valdenses e os Anabatistas.

1.1.2 A teologia das igrejas Reformadas
A teologia forjada em todo conflito da Reforma tinha como estrutura a volta a Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Cristus, Soli Deo Gloria, que foram confirmados nos Concílios, Confissões de Fé e no Sínodo de Dort e etc. A Confissão de Fé Holandesa também seguiu os ensinamentos de Calvino, ensinamentos esses que enfatizam a soberania de Deus no sentido de que Ele planejou na eternidade tudo o que aconteceria para o louvor da Sua glória. As Igrejas que surgiram da Reforma Protestante em sua maioria eram Calvinistas.
· Vejamos o que afirma Paulo Anglada no seu livro o Calvinismo:
O termo empregado para identificar as doutrinas a que Spurgeon se refere não é tão apropriado. Não por não corresponder às doutrinas ensinadas por João Calvino, mas porque, na verdade, essas doutrinas não são subscritas apenas por ele. O calvinismo é a síntese das doutrinas ensinadas por João Calvino, que por sua vez, é a redescoberta da pregação apostólica do evangelho bíblico; e também é confessada na maioria das confissões de fé protestantes. O calvinismo, portanto, são as antigas doutrinas da graça. As confissões de fé das igrejas Luterana, Reformada, Presbiteriana, Anglicana, Congregacional e Batista professam, todas elas, pelo menos nas suas confissões de fé originais, o sistema doutrinário conhecido como calvinismo (2000: 2).

A doutrina Calvinista, portanto, tornou-se conhecida principalmente através dos cincos pontos: Depravação total, eleição incondicional, expiação limitada, graça eficaz e perseverança dos santos, que foram uma resposta em defesa da doutrina bíblica contra os cinco pontos arminianos conhecidos como “Remosntrance”: Livre-arbítrio ou habilidade humana, eleição condicional, redenção universal, graça resistível e queda da graça, que bania a soberania de Deus e exaltava a autonomia humana. A limitação de Deus pela soberania humana O torna incapaz de satisfazer as necessidades de um mundo perdido e que esses dogmas foram fragmentando a ortodoxia até seu desaparecimento[2]. O verdadeiro avivamento, hoje, seria a volta do arminianismo às Escrituras. Recuperar o que foi perdido. Fazer como os reformadores, ter responsabilidade com a palavra de Deus libertando-se das estruturas corruptas.
1.1.2.1 As confissões doutrinárias
As igrejas Reformadas elaboraram Confissões de fé, todavia, o pensamento em torno da soberania de Deus era unânime:

A teologia reformada, calvinista, dá ênfase à soberania de Deus, em virtude da qual Ele determinou soberanamente, desde toda a eternidade, tudo quanto há de suceder, e executa a Sua soberana vontade em Sua criação toda, natural e espiritual, de conformidade com o Seu plano predeterminado. Isso está em plena harmonia com Paulo, quando ele diz que Deus “faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade” (Ef.1:11) (BERKHOF, 2002: 95)

Os Cânones de Dort refletem o pensamento teológico Calvinista Reformado que vigorava unânime em toda Europa. Antes de citar alguns desses pensamentos, quero salientar que o Calvinismo não é algo novo, criado por Calvino, mas são antigas doutrinas da graça que há muito tinha sido abandonadas pela “Igreja Católica Romana”. Essa doutrina é a doutrina de Jesus Cristo, dos apóstolos, pregada por Agostinho, e resgatadas pelos Reformadores.
Vejamos os cinco pontos do Calvinismo composto entre (1618 – 1619) em que se expunha a doutrina Reformada que condenou a heresia arminiana:

1) Depravação total: Incapacidade total do homem
O homem, depois da Queda, teve sua natureza completamente corrompida pelo pecado, e nesse estado, morto espiritualmente, não responderá em nenhum grau no sentido de produzir frutos de salvação. Ele está separado de Deus e nada pode fazer para voltar, através da sua própria força, ao estado de santidade que possuía antes da pecar:

Portanto, todos os homens são concebidos em pecado e nascem como filhos da ira, incapazes de qualquer ação que os salve, inclinados para o mal, mortos no pedado e escravos do pecado. Sem a graça do Espírito Santo regenerador não desejam nem tampouco podem retornar a Deus, corrigir sua natureza corrompida ou ao menos estar dispostos a essa correção (DORT, 1618 – 1619: 35)
A Bíblia faz muitas afirmações a esse respeito: (Sl 51:5; Jr 13:23; Rm 3:10-12; 7:18; 1Co 2:14; Ef 1:3-12; Cl 2:11-13).

2) Eleição incondicional: Decreto eterno de Deus
Todos pecaram e afastados foram da glória de Deus, estão condenados a morte eterna e Deus não tem obrigação de salvar ninguém, mas aprove a Ele salvar alguns segundo o beneplácito de Sua vontade, mostrando, assim, sua misericórdia aos pecadores eleitos para a salvação:

Deus nesta vida concede a fé a alguns enquanto não concede a outros. Isto procede do eterno decreto de Deus. Porque as Escrituras diz que Ele ...faz estas coisas conhecidas desde séculos... e que ...ele faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade... (At.15:18; Ef.1:11). De acordo com este decreto, Ele graciosamente quebranta os corações dos eleitos, por duros que sejam, e os inclina a crer. Pelo mesmo decreto, entretanto, segundo seu justo juízo, Ele deixa os não-elitos em sua própria maldade e dureza de coração (DORT, 1618 – 1619: 18).
Citações bíblicas: (Ml 1:2-3; Jo 6:65; 13:18; 15:6; 17:9; At 13:48; Rm 8:29, 30-33; 9:16; 11:5-7; Ef 1:4-5; 2:8-10; 2Ts 2:13; 1Pe 2:8-9; Jd 1:4).

3) Expiação limitada: A eficácia da morte de Cristo
A expiação é limitada porque se Cristo houvesse morrido por todos e todos não fossem salvos, a morte expiatória de Jesus Cristo não teria sido eficaz. Quando a Bíblia usa a palavra todos ela está se referindo a todos os escolhidos, como por exemplo: muitas vezes quando Paulo e os apóstolos falavam “todos” eles estavam se dirigindo a uma determinada comunidade eclesiástica e não a todas as pessoas do mundo, em outras ocasiões todos significavam judeus e gentios. Vejam só, quando digo para minha congregação: “Quero que todo mundo esteja na igreja na próxima aula”, eu não estou me referindo a todas as pessoas do mundo, mas apenas a minha congregação.
Pois este foi o soberano Conselho, a vontade graciosa e o propósito de Deus, o Pai, que a eficácia vivificante e salvífica da preciosíssima morte de Seus Filho fosse estendida a todos os eleitos. Daria somente a eles a justificação pela fé e, por conseguinte os traria infalivelmente à salvação. Isto quer dizer que foi da vontade de Deus que Cristo, por meio do sangue na cruz (pelo qual Ele confirmou a nova aliança), todos aqueles e somente aqueles que foram escolhidos desde a eternidade para serem salvos e lhe foram dados pelo Pai. Deus quis também que Cristo os purificasse de todos os pecados por meio do seu sangue, tanto do pecado original como dos pecados atuais, que foram cometidos antes e depois de receberem a fé. E que Cristo os guardasse fielmente até o fim e finalmente os fizesse comparecer perante o próprio Pai em gloria, sem mácula, nem ruga (Ef.5:27) (DORT, 1618 – 1619: 3O, 31)

Citações bíblicas: (Jo 17:6,9,10; At 20:28; Ef 5:15; Tt 3:5).

4) Graça eficaz:
Embora o homem seja completamente depravado, inclinado para o mal, a graça de Deus o convencerá da justiça do pecado e do juízo. Pois quem resistirá a vontade de Deus?

O homem não deixou, apesar da Queda, de ser homem dotado de intelecto e vontade; e o pecado, que tem penetrado em toda a raça humana, não privou o homem de sua natureza humana, mas trouxe sobre ele depravação e morte espiritual. Assim também a graça divina da regeneração não age sobre os homens como se fossem máquinas ou robôs, e não destrói a vontade e as suas propriedades, ou a coage violentamente. Mas a graça a faz reviver espiritualmente, traz-lhe a cura, corrige-a e a dobra de forma agradável e ao mesmo tempo poderosa. Como resultado, onde dominava rebelião e resistência da carne, agora, pelo Espírito, começa a prevalecer uma pronta e sincera obediência. Esta é a verdadeira renovação espiritual e liberdade da vontade. E se o admirável Autor de todo bem não agisse desse modo conosco, o homem não teria esperança de levantar-se da sua queda por meio de sua livre vontade, pela qual ele, quando ainda estava em pé, se lançou na perdição (DORT, 1618 – 1619: 40)

Citações bíblics: (Jr 3:3; 5:24; 24:7; Ez 11:19; 20; 36:26-27; 1Co 4:7; 2Co 5:17; Ef 1:19-20; Cl 2:13; Hb 12:2).

5) Perseverança dos santos: A certeza desta preservação
“Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (Fp.1:6); “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cisto Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte” (Rm.8:1, 2); se estamos mortos para o pecado, porque fomos vivificados pelo sangue de Cristo, como poderemos retroceder e cair do estado de graça em que nos encontramos sabendo que estamos seguros com Cristo e Sua destra nos protege (cf. Jo.10:25- 30).

Os crentes podem estar certos e estão certos dessa preservação dos eleitos para a salvação e da perseverança dos verdadeiros crentes na fé. Esta certeza ocorre de acordo com a medida de sua fé, pela qual eles crêem, com certeza, que são e permanecerão verdadeiros e vivos membros da Igreja, e que têm o perdão dos pecados e a vida eterna (DORT, 1618 – 1619: 49)
Citações bíblicas: (Is 54:10; Jo 6:51; Rm 5:8-10; 8:28-32, 34-39; 11:29; Fp 1:6; 2Ts 3:3; Hb 7:25).

Os cinco pontos que refutaram as doutrinas arminianas são conhecidos como “os cinco pontos do calvinismo”, por ter sido João Calvino um estudioso da Bíblia e tido a responsabilidade de ensinar a Palavra de Deus sem a corrupção que caracterizava o romanismo.

1.1.2.2 Desvio doutrinário
No auge da Reforma Protestante já surgem movimentos que se afastam da doutrina bíblica. Os anabatistas é um desses grupos que segue paralelo a Reforma, porém o mais significativo é o movimento liderado pelos seguidores de Jacobus Armínius teólogo holandês (1560 – 1609), nasceu em Oludewater, no sul da Holanda. Foi ordenado em 1588 e de 1603 a 1609 ensinou em Leiden. De formação Calvinista, revoltou-se contra alguns destes princípios teológicos Calvinistas que achava incompatível com a filosofia da época. Suas idéias ganharam popularidade por ser fácil, simples e paradoxal.
O que ele escreveu foi reunido e publicado, depois de sua morte, pelos seus seguidores em um panfleto, com cinco pontos, conhecidos como “Remonstrance” onde são expostos, com algumas alterações, seus pontos de vistas. A intenção era fazer uma mudança nas doutrinas de fé das Igrejas Reformadas na Holanda (países baixos) que só foi resolvido o impasse com o “Sínodo de Dort”:

Depois da morte de Armínio, em 1609, “A Remonstrância” (pleito, pedido). Com este manifesto, os arminianos tentarem ganhar a simpatia dos líderes da província mais poderosa, a Holanda. Eles declararam que uma revisão do catecismo e da confissão de fé era uma coisa normal, e certamente uma coisa permitida se o governo convocasse um sínodo nacional (DORT, 1618 – 1619: 9).

Os cinco pontos arminianos, que contradiziam a ortodoxia bíblica, foram tirados de um manuscrito de Armínio:

1) Livre-arbítrio ou capacidade humana
Embora a queda de Adão tenha afetado seriamente a natureza humana, as pessoas não ficaram num estado de total incapacidade espiritual. Todo pecador pode arrepender-se e crer, pelo seu livre-arbítrio, cujo uso determinará seu destino eterno. O pecador precisa da ajuda do Espírito, e só é regenerado depois de crer, porque o exercício da fé é a participação humana no novo nascimento.
Citações Bíblicas: (Is 55:7; Mt 25:41-46; Mc 9:47-48; Rm 14:10-12; 2Co 5:10)

2) Eleição condicional
Deus escolheu as pessoas para a salvação, antes da fundação do mundo, baseado em Sua presciência. Ele previu quem aceitaria livremente a salvação e predestinou os salvos. A salvação ocorre quando o pecador escolhe a Cristo; não é Deus quem escolhe o pecador. O pecador deve exercer sua própria fé, para crer em Cristo e ser salvo. Os que se perdem, perdem-se por livre escolha: não quiseram crer em Cristo, rejeitaram a graça auxiliadora de Deus.
Citações Bíblicas: (Dt 30:19; Jo 5:40; 8:24; Ef 1:5-6, 12; 2:10; Tg 1:14; 1Pe 1:2; Ap 3:20; 22:17)

3) Redenção Universal ou Expiação Geral
O sacrifício de Cristo torna possível a toda e qualquer pessoa salvar-se pela fé, mas não assegura a salvação de ninguém. Só os que crêem nEle, pelo seu livre-arbítrio, serão salvos.
Citações Bíblicas: (Jo 3:16; 12:32; 17:21; 1Jo 2:2; 1Co 15:22; 1Tm 2:3-4; Hb 2:9; 2Pe 3:9; 1Jo 2:2)

4) Graça resistível
Deus faz tudo o que pode para salvar os pecadores. Estes, porém, sendo livres, podem resistir aos apelos da graça. Se o pecador não reagir positivamente, o Espírito não pode conceder vida. Portanto, a graça de Deus não é infalível nem irresistível. O homem pode frustrar a vontade de Deus para sua salvação.
Citações Bíblicas: (Lc 18:23; 19:41-42; Ef 4:30; 1Ts 5:19)

5) Perda da salvação
Embora o pecador tenha exercido fé, crido em Cristo e nascido de novo para crescer na santificação, ele poderá cair da graça. Só quem perseverar até o fim é que será salvo.
Citações Bíblicas: (Lc 21:36; Gl 5:4; Hb 6:6; 10:26-27; 2 Pe 2:20-22).

O resultado da controvérsia arminiana x calvinista no Sínodo de Dort foi a vitória das doutrinas defendidas nos cinco pontos sobre os remosntrantes em que seus defensores foram condenados e expulso da Holanda por seis anos.
Todavia, devido ao pensamento filosófico estóico, ao liberalismo, ao maniqueísmo, ao pelagianismo e o humanismo, os ensinamentos arminianos vêm ganhando nos últimos anos muitos adeptos em todo o mundo. Um dos grandes incentivadores dessa propagação é o espírito antropocêntrico. Esse foi o motivo da Queda: a auto-suficiência e o desejo de ser Deus (síndrome de Lúcifer).

































CAPÍTULO II
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2.1 O Surgimento do Pentecostalismo no Brasil
O Pentecostalismo no Brasil surge em Belém do Pará, no início do século XX, com os missionários suecos, naturalizados americanos, “Daniel Berg” e “Gumar Vingren” que fundaram a Igreja Assembléia de Deus em 1911 e “Luigi Francescon”, italiano valdense que era da Igreja Presbiteriana de Chicago; influenciado pelo Pentecostalismo funda em São Paulo a Igreja Congregação Cristã no Brasil. Essa primeira fase que vai de 1950 – 1970 é conhecida e foi utilizada por Paul Freston[3] pelo termo “onda”.
Conforme Monteiro[4], Berg e Gumar vieram para o Brasil abordo de um navio de terceira classe, chegaram a Belém do Pará, no dia 19 de novembro de 1910 e se hospedaram na Igreja Batista na rua João Balby. O Pastor da Igreja estava longe de saber que a Igreja seria dividida pela pregação herética[5] dos missionários e que ali surgiria o maior fenômeno religioso de todos os tempos: o Pentecostalismo com ênfase no batismo com o Espírito Santo como segunda obra da graça, o que contradiz claramente a ortodoxia cristã.
Mendonça tem a mesma opinião quanto ao cisma, na Igreja Batista, provocado pelo fenômeno das línguas que os missionários trouxeram para Belém do Pará afirmando ser um novo derramar do Espírito Santo:

O Pentecostalimo no Brasil está ligado de modo direto ao movimento de Los Angeles. Um sueco de nome Daniel Berg, membro da Igreja de Durham, veio para o Brasil como missionário e, após provocar cisão numa igreja batista em Belém do Pará, fundou, junto com seu compatriota Gunnar Vingren, as Assembléias de Deus, em 1911 (MENDONÇA, 1990: p.47, 48)

O cisma[6], ocorrido na Igreja Batista em Belém do Pará pelos Missionários Daniel Berg e Gumar Vingen, devido as práticas estranhas que os missionários trouxeram dos movimentos Pentecostais nos Estados Unidos da América, e que essas mesmas práticas já havia sido barradas anteriormente pelo apóstolo Paulo em (1Co.12:3; 14:6, 9, 18, 19, 22, 27), foi obra do Espírito Santo de Deus?
O que a Bíblia ensina, realmente, sobre o batismo com o Espírito Santo? Será que a maioria dos pastores está comprometida com as verdades bíblicas? Ou está mais preocupada em agradar aos homens? Muitos dizem que o batismo com o Espírito Santo é uma segunda obra da graça, e vem acompanhado do falar em línguas estranhas. Isso estava acontecendo na Igreja de Corinto onde um grupo que falava em línguas, e por esse motivo se achava mais espiritual do que os outros irmãos. Porém, Paulo se dirige a eles como a carnais, meninos na fé. O apóstolo, para corrigir o erro doutrinário afirma que todos foram batizados no mesmo Espírito: “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito” (1Co.12:13).
Está claro, quem não for batizado com o Espírito Santo não é salvo, ou seja, não foi alcançado pela graça salvadora. O batismo é o penhor, o selo, a garantia segura da nossa salvação (cf. Ef.1:13-14; 4:30). Manuel Canuto confirma minha declaração:

Não existe a possibilidade de ser crente convertido, sem ter sido batizado com o Espírito, que realiza no homem sua justificação, os faz filhos adotivos, os santifica e os sela. Não existe crente que não tenha tudo isso (Revista. OS PURITANOS. Batismo com o Espírito Santo. Ano IX : nº. 04 : Outubro / Novembro / Dezembro: 2001. p.2).

O Pentecoste foi um acontecimento único. O Espírito foi derramado, conforme profecia de (Joel 2:28; Isaias 32:15), e permanece até hoje na igreja. Todos os que forem sendo incorporados ao corpo de Cristo, pela graça mediante a fé que vem pelo ouvir a Palavra de Deus, são batizados automaticamente. O batismo é uma promessa, e uma promessa não é algo que se vá buscar e lutar para conseguir, ao contrário é algo que acontece no tempo determinado tendo em vista que o Espírito Santo nos é outorgado, imputado (Rm.5:5), o que significa em última análise que Ele é derramado sem que possamos resistir a Sua operação miraculosa, diz as sagradas Escrituras.
A doutrina Pentecostal é de que o batismo com o Espírito Santo acontece depois conversão, e se houver uma busca intensa. Esse batismo não ocorre com todos os crentes, segundo essa doutrina, apenas com os mais espirituais, e será acompanhado do falar em línguas estranhas a fim de que fique comprovado que houve, realmente, o batismo, o que é uma doutrina antibíblica. A igreja pentecostal é composta dos que são, e dos que não são batizados com o Espírito Santo. Porém, a Bíblia diz que todos são batizados no mesmo Espírito, e nem todos falam em línguas (cf. 1Co.12;28-31)[7]. Analisemos, pois, um texto muito importante que irar esclarecer muitas dúvidas: “No caso de alguém falar em outra língua, que não sejam mais do que dois ou quando muito três, e isto sucessivamente, e haja quem interprete. Mas, não havendo intérprete, fique calado na igreja [...]”. O apóstolo Paulo não proibia, mas, doutrinou a igreja no sentido de eliminar tais práticas. Por quê? Primeiro, a igreja era composta de crentes vindo do judaísmo e do paganismo. As línguas que eles estavam falando em Corinto eram usadas nos templos pagãos. Ao entrar em estado de estase (nos templos pagãos) muitos falavam em línguas, que na verdade eram línguas de demônios. As pessoas que viam tudo aquilo ficavam fascinadas acreditando que eles estavam em contato com os deuses. Essas manifestações dava um certo destaque espiritual e muitos trouxeram para dentro da igreja essa bagagem cultural. Todavia, Paulo corrige a falha doutrinando-os de forma a eliminar aquelas manifestações que não trazia crescimento a igreja. Quando ele diz que fale um de cada vez e no máximo três e se tiver quem interprete, era por que não havia quem interpretasse.
Será que hoje não está da mesma forma, ou até pior? Quando entramos em uma igreja e vemos todos falando em línguas, que é o costume dos Pentecostais, será que Deus está operando ali? Será que é um mover do Espírito como afirmam alguns? Será que o Espírito Santo vai de encontro ao que está estabelecido em Sua Palavra? Claro que não! Se a bíblia diz que fale no máximo três e vemos todos falando ao mesmo tempo, com certeza, não é o Espírito Santo de Deus, pois Ele não vai de encontro ao que estar estabelecido em Sua Palavra. Outros falam e não interpretam, é Deus que está operando? Não! E o que é tudo aquilo? São obras da carne como diz o apóstolo Paulo: “Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, e sim como a carnais, como a crianças em Cristo” (1Co.3:1). O mais agravante, é que o Pentecostalismo dividiu o Corpo de Cristo, e quem faz isso é a heresia. Vejamos o que diz Tito 3:10: “Evita o homem faccioso[8], depois de admoestá-lo primeira e segunda vez, pois sabes que tal pessoa está pervertida, e vive pecando, e por si mesma está condenada” (negrito meu). Toda essa divisão que aconteceu na igreja devido ao movimento Pentecostal enquadra-se nesse versículo.

2.1.1 Influência wesleyana de santidade E.U.A.
O movimento Pentecostal teve sua influência nos movimentos de santidade (holiness), avivamentos ocorridos no início do século XX[9]. O avivamento liderado por João Wesley e seu irmão Carlos no século XVIII, tinha como principais metas proclamar a doutrina da santificação total ainda nesta vida, experiência de Wesley, tendo a participação de pregadores leigos que ganharam o mundo, principalmente a América do Norte.
Os movimentos de avivamentos wesleyanos caracterizam-se, segundo o manual da Igreja do Nazareno 2001 – 2005, por três marcos históricos:

1. O primeiro: Surge no século XIX no Leste dos Estados Unidos de onde a doutrina de santidade cristã é espalhada no novo mundo. “Na América do Norte, a Igreja Metodista Episcopal foi organizada em 1784. O seu propósito declarado foi “reformar o Continente e espalhar a santidade escriturística sobre estas terras” (MANUAL NAZARENO, 2001 – 2005: 15).
As bases das doutrinas de “santificação total neste mundo” como afirmou Wesley é, para os Reformadores Calvinistas, um desvio da ortodoxia vigente e não está de acordo com as escrituras. A obra de santificação, operada pelo Espírito, é progressiva. Portanto, a inteira santificação dar-se-á na glorificação, não neste mundo. Esse desvio doutrinário foi motivo de muitos debates e controvérsia que ainda permanece. Um dos problemas é que muitos crentes buscam a santificação total e se frustram, porque não a encontra e outros que pensam ter encontrado se frustram da mesma forma, porque descobrem com o tempo, que estão vivendo uma fantasia que não condiz com a realidade daquilo que foi ensinado. Todos os crentes de doutrina teológica Wesleyana vêem-se sempre praticando coisas que não condiz com a doutrina da inteira santificação. Quem é inteiramente santificado não peca mais. Por que então estas pessoas continuam a pecar e dizer que são inteiramente santificadas? A bíblia deixa bem claro: “[...] estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai Jesus Cristo, o Justo” (1Jo.2:1).
2. O segundo: O reavivamento de santidade se alastrou através da pregação de Charles F. Finney. Este se deu dentro dos círculos evangélicos em que as pessoas reagiam de forma como se a conversão estivesse acontecendo naquele momento. Para R.K. Mc Gregor Wright, “Finney inventa o reavivalismo” (1998: 36). Seu humanismo era pelagiano[10], porém, quanto a salvação era arminiano. Acreditava que o avivamento dava-se através de meios apropriados que induzia o homem a aceitar a Jesus Cristo como seu salvador pessoal[11] e não através da ação do Espírito Santo como está escrito: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito” (Jo.3:8).
Finney foi quem introduziu a prática do apelo e as pessoas que se rendiam a Cristo vinham à frente e através de oração confessavam seus pecados. Uma de suas frases: “Ontem à noite 60 pecadores sedentos levantaram-se e foram para o banco dos convertidos” (WRIGHT, 1998: 36). Wright afirma que com as introduções das novas práticas o avivamento passou a ser apenas números conseguidos através de propagandas e campanhas evangelísticas em que os convertidos vinham a Cristo, muitas vezes, pelo emocionalismo a que os ouvintes eram submetidos. Dessas reuniões de avivamento surgiam muitas igrejas de santidade independentes que se adequavam às novas realidades que surgiam a cada dia[12]. Jonathan Edwards ao contrário de Finney falou a respeito de reavivamento como algo sobrenatural operado pelo Espírito Santo.
3. O terceiro: Em 1890, segundo o Manual do Nazareno 2001 – 2005, surge uma nova onda de grupos de santidade independente, estes com características Pentecostais, ou seja, dão ênfase as línguas estranhas.

Do ponto de vista teológico, o movimento pentecostal moderno tem sua origem no movimento de “santidade” que, por sua vez, deve muito ao conceito wesleyano de perfeição cristã como segunda obra da graça, distinta da justificação (MENDONÇA, 1990: 47).

A movimentação de pessoas reunindo-se e orando, por uma vida de santidade, por uma experiência mística com Deus surge de um desejo profundo por mudanças. Pois, segundo John Walker, o cenário religioso era em geral de apostasia e frieza (2002: 7). O mundo, segundo ele, havia afetado a igreja de tal forma que não era possível distinguir o profano do sagrado. Essa citação mostra o cenário que ele pinta da sociedade protestante americana:

O protestantismo Americano era rico, culto e influente, mas, com exceção de uns poucos grupos conservadores, seu estado espiritual era de decadência. Imperavam o liberalismo, o formalismo, o mundanismo, o profissionalismo ministerial, a consciência de classe, a ausência de experiência com Deus etc. (WALKER, 2002: 7).

A igreja é um organismo vivo, é um instrumento nas mãos de Deus, é luz e sal da terra que caminha em um mundo pecaminoso deixando marcas positivas. Todavia, é profético que a igreja nos últimos tempos enfrentará uma grande apostasia (2Ts.2:3)[13]. É importante também salientar, que enquanto a igreja de Cristo estiver aqui na terra, sofrerá ataques do mundo, no sentido de que ela assimilará elementos dessa cultura. Por isso têm igrejas que parecem estar vivas, mas, estão mortas (Ap.3:1b)[14]. O culto Pentecostal da tinha cara de avivado, porém era morto. O Pentecostalismo seguiu o rumo contrário ao seguido pelos reformadores. Se estava havendo uma apostasia, com o Pentecostalismo ela aumentou. Por quê? Porque houve uma divisão do corpo de Cristo. Era para ser uma volta a pureza do Evangelho como aconteceu na Reforma: um resgate da teologia que havia sido corrompida nos vários Concílios.

Azusa Street
Aqueles que nascem de Deus, procuram o verdadeiro alimento que está contido na Palavra de Deus para o seu crescimento espiritual. Não vai atrás de experiências que “a” ou “b” tiveram. A sua experiência pode não ser a minha. A mística não condiz com a realidade.
As pessoas que iniciaram o movimento Pentecostal eram leigas em assuntos teológicos.
William H. Durham, era pastor batista com idéias wesleyanas. Carente da palavra de Deus, vai para Los Angeles influenciado pelas notícias de que a “Igreja Missão de Fé Apostólica”, localizada na rua Azusa Street, 312 estava realizando um grande movimento de avivamento, e no dia 2 de maio de 1906 afirma ter recebido o batismo com o Espírito Santo. Outro foco de propagação do Pentecostalismo, que incendeia ainda mais o movimento da Azusa Street, foi a “Escola Bíblica de Topeka”, EUA, onde era defendida por Charles Pahram a idéia de que falar em línguas era a evidência do batismo com o Espírito Santo.
Outro grande defensor das idéias Pentecostais era o pregador W. J. Seymour[15], foi expulso da Igreja da evangelista Nelly Terry, em Los Angeles, EUA, ao pregar em (At.2:4) e afirmar em sua exposição que Deus tem uma terceira bênção além da santificação que é o batismo com o Espírito Santo[16].
“Seymour começou a promover reuniões nas casas dos irmãos, que foram atraídos pelas manifestações, e no dia 6 de abril de 1906, numa dessas reuniões, um menino de oito anos falou em línguas, seguido de outras pessoas. Iniciava-se assim, pelo menos formalmente, o movimento pentecostal”[17] nos Estados Unidos da América.
Analisemos, pois, como a falta de conhecimento da palavra de Deus leva o povo à morte![18] A Confissão Belga, Reformada, afirma no seu artigo 2: “Segundo: Deus se fez conhecer, ainda mais clara e plenamente, por sua sagrada e divina Palavra[19], isto é, tanto quanto nos é necessário nesta vida, para sua glória e para a salvação dos que Lhe pertencem”. A Confissão de fé de Westminster Cap. I sobre as Sagradas Escrituras, seção I, tem o mesmo ponto de vista da Confissão Belga:

[...] portanto aprouve ao Senhor, em diversos tempos e diferentes formas, revelar-se à sua Igreja e declarar aquela sua vontade[20]. E depois, para melhor preservar e propagar a verdade, e para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e a malícia de Satanás e do mundo, entregou a mesma para que fosse plenamente escrita[21]. Isso torna a Sagrada Escritura totalmente indispensável[22], tendo então cessado aquelas antigas formas de Deus revelar sua vontade a seu povo[23].

Como vimos, nessas duais Confissões, a Bíblia é suficiente para a nossa salvação. Não é preciso sair atrás de movimentos, nem de manifestações de poder, porque o Espírito que nos regenerou e está sobre nós, povo eleito de Deus, nos capacitando, pois somos guiados por Ele para uma vida de santidade e obediência (cf. 1Pe.1:2)[24]. Todavia, Durham precisou de algo mais, estava à procura de uma experiência mística que desse sentido a sua religiosidade. João 17: 3 afirma categoricamente que a salvação é o conhecimento de Deus e de Jesus Cristo a quem Ele enviou. Isso é o que dá sentido a nossa vida, buscar esse conhecimento é algo que os salvos anelam e procuram constantemente. Falar em línguas estranhas gera conhecimento? O apóstolo Paulo diz que não:

Agora, porém, irmãos, se eu for ter convosco falando em outras línguas, em que vos aproveitarei, se vos não falar por meio de revelação, ou de ciência, ou de profecia ou doutrina? (1Co.14:6). Contudo, prefiro falar na igreja cinco palavras com o meu entendimento, para instruir outros, a falar dez mil palavras em outra língua (1Co.14:19).

Gritos entéricos dentro da Igreja ou em qualquer outro lugar geram conhecimento? Também, não! Portanto, o avivamento da Azusa Street tomou o rumo contrário, posto que o verdadeiro avivamento é uma volta as Escrituras.
Poul Freston divide os vários movimentos Pentecostais que ocorreram no Brasil da seguinte forma: a primeira onda tem seu início na década de 50 com as Igrejas “Congregação Cristã no Brasil” e “Assembléia de Deus”.

2.1.2 Congregação Cristã no Brasil (1910)
A Congregação Cristã no Brasil (CCB) foi fundada por Louis Francescon, um italiano naturalizado americano, nascido a 29 de março de 1866 em Nuovo. Era filiado a Igreja Presbiteriana na qual chegou a ancião. Porém, converteu-se ao Pentecostalismo. Monteiro, sobre a apostasia de Francescon, nos traz uma excelente contribuição:

Lois Francescon converteu-se ao pentecostalismo em fins de abril de 1907, passando a freqüentar a missão do reverendo W.H. Durham, na North Avenue, em Chicago, e lá, a 25 de agosto do mesmo ano, recebeu o batismo com o Espírito Santo, expressando-se pela primeira vez em línguas que jamais havia ouvido (1989: 84)

E segue, segundo uma revelação, para outros países a fim de propagar a nova religião. Vejamos o que diz Monteiro a esse respeito:

A partir de março de 1908, obedecendo ao que chamou determinação divina, abandonou por completo os afazeres habituais para dedicar-se exclusivamente à religião, não obstante fosse pobre e ainda tivesse mulher e seis filhos menores para prover a subsistência. Mesmo assim, seguiu o seu destino (1989: 84)

No dia 20 de junho, Francescon funda em São Paulo, no Brás, com o apoio de dissidentes presbiterianos e batistas[25], a Igreja Pentecostal CCB segundo o modelo congregacional americano. A igreja, como podemos ver, foi fundada por um leigo sem conhecimento teológico, influenciado pelo movimento Pentecostal dispensacionalista com ênfase em uma interpretação literal. Baseado em alguns versículos, como: “Porque o Espírito Santo vos ensinará, naquela mesma hora, as coisas que deveis dizer” (Lc.12:12) e “[...] porque a letra mata, mas o espírito vivifica” (2Co.3:6), dizem que não precisam de outra luz. Esses textos são o suficiente para a CCB se oporem a qualquer tipo de publicação. Mendonça diz que é uma comunidade de cultura oral; “[...] não publica nada, a não ser seu relatório anual. Também não recomenda a leitura de nenhuma literatura religiosa a não ser a Bíblia” (1990: 50). Monteiro também afirma que eles não possuem jornais para publicar suas doutrinas, nem literatura religiosa (1989). Sua membresia é predominantemente constituída de pobres que são atraídos pelo amável acolhimento e promessa de ascenderem socialmente. Há uma grande liberdade nessa igreja que difere das outras Pentecostais por não ter uma doutrina que a caracterize definindo-a quem realmente ela é. Os crentes dessa igreja não estão sujeitos a nenhuma disciplina, a não ser por causa de adultério. Um Pastor do Centro Apologético Cristão de Pesquisa, João Flavio Martinez afirma que o proselitismo agressivo da CCB com os outros evangélicos é herança Presbiteriana. Isso não é verdade, tendo em vista que os Presbiterianos, por serem calvinistas, não praticam os longos apelos para que os visitantes decidam aceitar a Jesus ou não: “A Congregação Cristã no Brasil crê na predestinação e por isso não faz campanhas evangelísticas nem apelos à conversão” (MENDONÇA, 1990: 49). O proselitismo agressivo é uma característica da Assembléia de Deus.
A CCB usa o véu baseando-se em (1Co.11:1-16). Não existe um ministério pastoral, eles dizem que o único pastor é Jesus, por outro lado, mantêm um grupo de anciãos sem ser remunerados. Ela é uma das igrejas Pentecostais que experimentou um grande crescimento. “Até 1986, totalizavam 1.015.619 crentes”[26]

2.1.3 Assembléia de Deus (1911)
Mendonça afirma que a Assembléia de Deus é a mais numerosa “[...] contaria com 13 milhões de adeptos e 52mil casas de oração, assistidos por 10mil e 500 pastores e assemelhados. Isto em números redondos” (1989: 75). Migraram do Norte para o Nordeste e depois para o Sul. Só em 1927 chegaram a São Paulo. Ela, como todas as Igrejas Pentecostais, era composta de operários de baixa renda. Com o passar do tempo, nos centros urbanos, a igreja abriu as portas, ou seja, investiu na classe média um pouco intelectualizada e exigente, isso acarretou várias mudanças nos seus usos e costumes. Ou muda ou perde a membresia. Vejamos o que declara Mendonça a esse respeito:

Há informação de que nas Assembléias de Deus começam a se verificar conflitos entre conservadores e alguns segmentos tendentes a modificar costumes tradicionais pentecostais e, em particular das Assembléias, com referência às vestes, principalmente das mulheres, ao uso da televisão, rádio, cinema etc. A ascensão social e o acesso à instrução acabam atingindo seriamente os pentecostais (1990: 51)

A Assembléia de Deus é, conforme Mendonça, de “teologia arminiano-wesleyana e eclesiologia batista” (1990: 48). Só que essa doutrina, arminiano-wesleyana, na AD sofre depreciações da mesma forma que aconteceu com a Igreja do Nazareno. Sua doutrina é arminiano-wesleyano, porém, com muitas mudanças. Na verdade, existe uma ortodoxia cristã que vem sendo adulterada a cada dia. Diga-se de passagem, quem éramos quando a doutrina bíblica da Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Cristus, Soli Deo Gloria foi resgatada na Reforma Protestante, e quem somos agora com uma doutrina corrompida nos EUA e enviada para os países de terceiro mundo? No Brasil, o Pentecostalismo encontra terreno fértil nas camadas mais desprovidas da sociedade. Eles são atraídos pelos discursos sensacionalistas e manifestações milagrosas.

2.1.4 A segunda onda Pentecostal vai da década de 50 a 70.
Muitas igrejas surgem nessa época, porém, as mais significativas são a do “Evangelho Quadrangular”, “Brasil para Cristo” e “Deus é Amor”.

2.1.4.1 A Igreja do Evangelho Quadrangular
A igreja recebeu este nome em 1922, em Oakland, Califórnia, inspirado, segundo Ainee Semple McPherson, na visão que tivera durante uma pregação de Ezequiel de quatro querubins com quatro rostos simbolizando os quatro ângulos do ministério de Jesus Cristo: o salvador, o batizador com o Espírito Santo, o grande médico e o rei que há de voltar. Antes, chamava-se “Igreja do Avivamento Contínuo”.
A Igreja do Evangelho Quadrangular no Brasil foi fundada pelo missionário americano “Harold Williams” em São João da Boa Vista no ano de 1951. A igreja multiplicou-se rapidamente no país e no dia 08 de abril de 1968, inaugura o templo-sede na “Praça Olavo Bilac”, em São Paulo. Conforme o comentário de Mendonça, a igreja havia alcançado patamares de crescimento incrível:

Em 1966, segundo Read e Ineson, a soma das parcelas atribuídas à Igreja Quadrangular e à Cruzada totalizavam 24.493 fiéis, 171 Igrejas e congregações satélites, e um crescimento de 35,5%, atribuído à Cruzada, e de 20,1% à Igreja (1990: 53).

Mendonça acrescenta que a Igreja do Evangelho Quadrangular, eclesiasticamente, assemelha-se à Igreja Metodista do Brasil ao se dividir administrativamente em regiões e distritos eclesiásticos (1990:53). Ela era subordinada à “International Church of the Foursquare Gospel”. A esfera de decisão das questões de relevância doutrinária ou administrativa está em Los Angelis, essa hierarquia rígida torna a dependência completa. Por isso, a supervisão dos trabalhos de evangelização é de um caráter fiscalizador permanente.

2.1.4.2 O Brasil para Cristo
Essa Igreja foi fundada pelo missionário Manuel de Mello em 1956, dissidente da Assembléia de Deus e depois do movimento de cura divina promovido pela Cruzada Nacional de Evangelização. Manoel de Mello fez sua Igreja crescer bastante nas primeiras décadas, época em que, diferentemente de outras Igrejas tradicionais e Pentecostais, envolveu-se na vida política elegendo representantes nos legislativos e filiando-se à “Confederação Evangélica do Brasil” e ao “Conselho Mundial de Igrejas”. Manteve intenso relacionamento com as igrejas tradicionais. Conforme Mendonça a igreja contava em 1966 com 93.096 fiéis, distribuídos em 359 Igrejas e congregações satélites, com uma taxa de crescimento de 14,3%. Na cidade de São Paulo tem um templo com capacidade para cerca de 15 mil pessoas.

Fragmentação nas Seitas
Dois missionários sem conhecimento teológico fazem um racha na Igreja Batista em Belém do Pará e funda uma Igreja Pentecostal que mais tarde se chamaria “Assembléia de Deus”. Um membro dessa igreja que já era um racha, Manuel de Mello, funda sua própria igreja sem conhecimento adequado para isso. Por sua vez começa a surgir milhares de igrejas conhecidas como Igrejas (agências) de curas divinas. Com o surgimento dessas igrejas novas heresias tomam conta do cenário religioso. O que escreveu Mendonça sobre essas agências:

A cura divina como tal, isto é, como objetivo único de um grupo ou de um líder carismático, não constitui Igreja, mas “movimento”. Os líderes carismáticos de cura divina estabelecem balcões de oferta de bens de religião a uma clientela flutuante e descompromissada na qual a relação do fiel com o sagrado ocorre na base do “dar para receber” A prática dos grupos de cura divina avizinha-se das práticas de magia, e como afirmou Emile Durkheim, não há Igreja mágica embora alguns desses grupos mantenham seu discurso nos parâmetros da fé cristã, sua prática às vezes se afasta dela, enquanto outros apresentam discurso e prática quase irreconhecíveis do ponto de vista do cristianismo (MENDONÇA, 1990: 54).

Geralmente os grandes movimentos de cura divina têm como líder um fanático que encontra ambiente adequado nas fragilidades dos fiéis. Passaremos a analisar como algumas personalidades se comportavam ao receber o poder de cura que afirmavam ser Deus o doador dessa dádiva. Falo assim, devido a um alerta que as Escrituras faz nesse sentido, quando afirma que: “[...] porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos” (Mt.24:24 – negrito meu). “Se possível” até os eleitos. Porém, eles serão guardados, fazem parte dos 70000 que não dobraram os joelhos a Baal.
Um jovem do Canadá conhecido como Branham liderou uma campanha influenciando outras pessoas a buscarem o avivamento conhecido como “Chuva Serôdia”. Sua primeira experiência com Deus, segundo (WALKER, 2002: 33) foi aos sete anos quando ele estava irado com sua mãe. Parou debaixo de uma arvore para descansar, e ali ouviu um som de um vento que soprava de forma que chamou sua atenção. De repente ele afirma ter ouvido uma voz que dizia: “Nunca beba, fume, ou contamine seu corpo de maneira alguma, pois eu tenho uma obra para você fazer quando ficar mais velho”. Essa voz, ele afirma ter ouvido várias vezes. O interessante é que essa experiência é parecidíssima com a de Josef Smith.
Com o passar do tempo, já com 21 anos conta-se que ele foi envenenado com gás quando trabalhava. No leito de morte, mesmo sem nunca ter bebido, fumado ou praticado algo que desabonasse a sua conduta sabia que não estava preparado para se encontrar com Deus:

Ouvi aquela mesma voz que disse: “Nunca beba ou fume’. Mas desta vez a voz dizia: ‘Eu chamei você e você não foi’. As palavras se repetiram três vezes. Então eu disse: ‘Senhor, se é você, deixe-me voltar novamente para a terra e eu pregarei seu evangelho dos eirado, ruas e esquinas. Eu falarei a todo mundo sobre isto!” (WALKER, 2002: 34).

Nesta citação notamos claramente a ação de Satanás enganando o jovem inexperiente Branham. Ele vem como anjo de luz, com a maior sutileza e enganaria, se possível, até mesmo os eleitos de Deus. “Eu chamei você e você não foi”. A Bíblia diz que ninguém jamais resistiu a Sua vontade. Jesus, quando chamou os discípulos, eles vieram, ninguém resistiu, nem se perdeu, exceto o filho da perdição que havia sido destinado a esse fim, cumprir os propósitos de Deus. Paulo de Tarso foi chamado e não resistiu a vontade de Senhor. Efésios 3:20, o apóstolo Paulo afirma que fomos salvos pelo poder de Deus que opera em nós. Porém, esse jovem enganado por Satanás diz que a vontade de Deus não se realizou e seus planos foram frustrados na medida em que a vontade de Deus foi resistida, prevalecendo a de Braham. A Bíblia de uma forma geral nos diz que Deus cumprirá todo Seu propósito. Portanto, essa visão foi maligna, e muitos que seguiram esse falso profeta foram também enganados.
Depois desse episódio, ele começou novamente a buscar a Deus e procurava locais escondidos, como por exemplo: barracas abandonadas. E foi em uma dessas que ele viu uma luz entrar na barraca em forma de cruz conforme afirma (Walker, 2002), nesse dia uma voz lhe falou em linguagem ininteligível. Por esse motivo ele entendeu que deveria fazer a vontade de Deus e pregar o evangelho. Tornou-se pregador e fundou uma igreja que prosperou muito. Crescimento sem sustentabilidade, sem o conhecimento da Palavra de Deus, e a igreja que foi construída sobre a areia desmoronou, sua esposa e filha morreram em uma enchente, todavia, naquela noite ele disse que foi visitado em sonho por Deus e recebeu poder para perseguir (WALLER, 2002:35).
Em 1946 ele afirma ter recebido a visita de um anjo que confirma seu ministério de cura:

Uma luz se espalhou pela cabana e ele viu uma grande estrela como uma bola de fogo derramando luz sobre o chão. Aterrorizado, ouviu passos e, vindo em sua direção através da luz, os pés de um homem. “Ele tinha um rosto liso, sem barba, cabelos pretos até os ombros, uma com feição mais para escura, um semblante muito agradável. Chegando mais perto seus olhos fixaram os meus. Vê no quão aterrorizado eu estava, ele começou a falar: ‘Não temas. Fui enviado da presença de Deus Todo-Poderoso para lhe dizer que sua vida peculiar e seus caminhos mal-entendidos têm sido para indicar que Deus tem enviado você para levar um dom de cura divina para as pessoas do mundo. Se você for sincero e levar as pessoas a crer em você, nada resistirá diante de sua oração, nem mesmo câncer’” (WALKER, 2002:35).

A partir dessa revelação William Branham começou a realizar muitos milagres de cura, e sua fama foi logo propagada. Nas suas reuniões de cura, milhares de pessoas vinham ouvi-lo, interessados pelo que estava sendo realizado pelo evangelista. O interessante é que o método que ele estava usando era utilizado pelos médiuns: “Com sua mão esquerda discerniria ou detectaria doenças das pessoas. Ele leria pensamentos e fatos da vida passada das pessoas”[27]. Nas suas reuniões muitas vezes era um anjo que ministrava a cura[28]. Ele usava métodos de adivinhação da cultura pagã: “[...] falava detalhes da vida de desconhecidos (nome, endereço, fatos passados, doenças etc)”[29]. Para enganar ainda mais, um fotógrafo profissional ao revelar uma foto dele ficou surpreso porque sobre sua cabeça havia uma auréola de luz[30]. Todavia, a mascara do santarrão caiu, e de profeta de Deus, como se auto-entitulou, passou a anticristo. Vejamos o que nos relata WALKER:

[...] ele mesmo é o mensageiro que introduzirá a segunda vinda de Cristo. Assim como João Batista veio no espírito de Elias para anunciar a primeira vinda, do mesmo modo William Branham seria o profeta do século XX. Ele chegou a predizer que a “Segunda Vinda de Cristo” ocorreria em 1977”[31].

Predizer quando será a Segunda Vinda de Cristo é outro grande sinal de um falso profeta.
A conclusão de John Walker é bastante interessante, pois ele afirma que depois da morte de Branham surgiu uma seita que afirmava que ele iria ressuscitar dos mortos, mesmo sem acontecer a ressurreição seus seguidores continuaram a idolatrá-lo[32].
Deus é soberano para agir da forma que lhe apraz. Em Isaías 46: 9- 11 fica esclarecido quem é Deus:

Eu sou Deus, e não há nenhum outro, eu sou Deus, e não na nenhum como eu. Desde o início faço conhecido o fim, desde tempos remotos, o que ainda virá. Digo: ‘Meu propósito permanecerá em pé, e farei tudo o que me agrada”’.

Deus cura e continuará curando; em momento algum tivemos a intenção de querer afirmar que Deus deixou de agir, porém, o que aconteceu foi algo que enaltecia a carne, os sinais de maravilhas que os falsos profetas irão demonstrar estão incluídos os de cura. Os magos no Egito fizeram milagres diante do povo[33], mas, foi pelo espírito de belzebu. Eles foram desmascarados, bem como todos os deuses do Egito. O Diabo engana através das curas, e o que encontramos atualmente nas igrejas de cura divina são verdadeiros rituais de pajelança.
O importante é o conhecimento da Palavra de Deus. A igreja de Filadélfia tinha pouca força, porém, havia guardado a Palavra de Deus e não negado o Seu nome. Em virtude dessa perseverança o Senhor tem uma promessa para esses crentes: “Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra” (Ap.3:10 – negrito meu). O texto não diz: Porque guardastes o dom de cura, ou de expulsar Demônios, muito menos de falar em línguas estranhas, Ele nos guardará da provação que há de vir sobre o mundo inteiro. Porém, Ele diz: “Porque guardaste a palavra da minha perseverança eu vos guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro”. A provação nesse texto refere-se ao julgamento final, e só os que guardaram a Palavra de Deus e não negaram o Seu nome serão guardados naquele dia, o dia da Ira de Deus, do Seu julgamento final, o dia em que o joio será lançado no fogo. Você está preparado para esse grande dia em que os salvos serão recebidos com grande alegria no seio de Abraão? E os falsos profetas dirão naquele grande dia ao “Filho do Homem” que está assentado no trono:

[...] naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade” (Mt.7:22-23).

2.1.4.3 Deus é Amor
A Igreja Pentecostal Deus é Amor, fundada por David Miranda se espalhou no início por diversas áreas da periferia de São Paulo; atualmente encontra-se em todos os Estados Brasileiros. Seu público, ainda hoje, é a massa carente, desesperada, que luta por sobrevivência, saúde e emprego. Seu proselitismo exacerbado atrai os aflitos de todas as religiões sem exigir das pessoas nem um compromisso a não ser parte das graças recebidas que são os dízimos e ofertas. “Na cura divina a graça é fim, e não percurso, como nas Igrejas Pentecostais” (MENDONÇA, 1990: 54). Mendonça considera essa igreja como um movimento. Sua população ainda é descompromissada. Todavia, tem um papel, bem como as Pentecostais, bastante importante diz Mendonça:

Sem entrar em valores religiosos, o Pentecostalismo e o movimento de cura divina exercem papel social importante, promovendo a catarse dos conflitos do cotidiano que desabam sobre a classe trabalhadora pobre e periférica dos grandes centros urbanos e das áreas camponesas de trabalhadores assalariados (1990: 55).











































CAPÍTULO III
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3.1 O surgimento do Neopentecostalismo
O Neopentecostalismo, também conhecido dentro do movimento Pentecostal como terceira onda, tem seus maiores representantes na “Igreja Universal do Reino de Deus”, “Igreja Internacional da Graça, Renascer em Cristo” e “Sara a Nossa Terra”.
O surgimento e crescimento dessas igrejas estão relacionados, também, com a situação econômica, social, política e cultural do Brasil no século XX. Devido ao grande desenvolvimento econômico, tardio, mas, acelerado e descontrolado, Passos nos mostra que em pouco tempo passamos de rural para urbano inchando as cidades (2005), as igrejas que surgem, nesse contexto social, crescem numericamente, todavia, sem qualidade, não existe conhecimento da palavra de Deus. Um exército assim, despreparado, sem testemunho positivo para impactar o mundo; que não maneja bem a “Palavra da Verdade”, só pode crescer através de uma palavra falsificada que não desagrade o mundo. Quando a Verdade é proclamada com fidelidade só crêem os que forem destinados a salvação[34]. A verdadeira conversão é acompanhada de mudança de vida, somos salvos para sermos transformados na imagem do Filho de Deus[35]. No Pentecostalismo e no Neopentecostalismo o emocionalismo e as experiências de cada um são confundidos com uma vida de santidade. Já a Bíblia diz que a santidade vem através do conhecimento da Palavra de Deus.
O êxodo rural, em busca de trabalho nos grandes centros urbanos, “trazem consigo a religiosidade católica popular que vai se adaptando ao novo contexto das grandes cidades, onde terão de refazer as dinâmicas de socialização e as suas representações religiosas” (PASSOS, 2005: 55). O imigrante procura, por necessidade de sobrevivência, adequar-se as novas realidades. Incorpora os novos símbolos da religião de mercado o que não lhe é estranho. O Neopentecostalismo surge nesse cenário, com a teologia da prosperidade, trazendo a resposta eficaz às novas necessidades. Passos comenta que: O “capitalismo selvagem parece ser proporcional a um sagrado selvagem” (2005:55). Na verdade, uma prosperidade que exclui a maioria não vem de Deus, é antibíblica e gera idolatria.
A sã doutrina, nessa conjuntura religiosa mística, vem sendo esquecida com o passar do tempo. Atualmente novos elementos estão sendo sincretizados do paganismo para que dessa forma as necessidades do povo sejam respondidas. É justamente isso que o mundo quer, uma religião que não denuncie o pecado, que se conforme com as injustiças, que não haja mais fronteiras claras com o mundo. O apóstolo Pedro é bastante taxativo quando afirma:

Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade [...] (2Pe.2:1-2).


3.1.1 Igreja Universal do Reino de Deus (IURD)
Entre as igrejas que se formaram do ramo Pentecostal, a que mais se afirma hoje é a “Igreja Universal do Reino de Deus”, fundada por Edir Macedo Bezerra, no Brasil, em 1977. Edir Macedo queria ser professor, mas abandonou os estudos universitários. Atormentado por problemas de depressão, procurou conforto na “Igreja Católica” e, em seguida no “Espiritismo” e nos “Terreiros de Umbanda”. Não encontrando alívio nem resposta a seus problemas, aderiu à “Igreja Pentecostal Nova Vida” e ali ficou até 1974, quando, com um grupo de companheiros, fundou a “Igreja Cruzada do Caminho Eterno”. Em 1977, após um desentendimento com alguns de seus companheiros, fundou com Romildo Soares e Roberto Augusto Alves, a Igreja Universal do Reino de Deus, no Rio de Janeiro. Atribuiu a si o título de bispo e pediu a Roberto Augusto que o consagrasse. Em seguida, tanto Roberto Augusto como Romildo Soares separaram-se e Edir Macedo, único dos fundadores, ficou na liderança da Igreja recém fundada.


3.1.1.1 O culto da IURD
Entre as pessoas que aparecem no culto da Igreja Universal, a maioria vive problemas de vários tipos. O culto visa principalmente a oferecer a essas pessoas alguma solução para esses problemas que as atormentam.
- Desemprego e questões financeiras;
- Vida familiar e amorosa;
- Saúde;
- Vida espiritual elevada.
A Igreja Universal oferece, para isso, rituais diferenciados para as situações que afligem a maior parte das pessoas:
Os rituais dos cultos levam os fiéis a orar por uma ou outra dessas intenções, conforme os dias da semana.
1) Domingo: Culto de Celebração ao Senhor;
2) Segunda: Culto da Prosperidade;
3) Terça: Culto de Libertação;
4) Quarta: Culto do Espírito Santo;
5) Quinta: Culto da Família.

Uma das idéias-mestras da Igreja Universal é que o diabo é, praticamente, a causa única e última de todos os males que nos afligem, o bode expiatório por tudo que de mal existe no mundo.
Somente através de uma vida de obediência a palavra de Deus, principalmente quando se é um dizimista fiel, Deus o livra da ação de Satanás. Usam Malaquias 3:8-12 sem entendimento, afirmando que existe um demônio que Deus só repreende se houver fidelidade com o dízimo. Como se Deus estivesse limitado a alguma coisa.
Para ter sucesso no exorcismo, não é suficiente o trabalho do pastor: é necessária a colaboração do fiel, colaboração que é dada através do pagamento do dízimo, considerado uma obrigação, pois, fazendo isso, devolve-se a Deus o que é de Deus. A oferta, dada além do dízimo, não é obrigatória, mas é uma condição para receber em dobro ou sete vezes mais.
Os pastores são ensinados por Edir Macedo a pedir, e até a forçar o povo a dar dinheiro.
Ele tem o dinheiro em grande estima: "O dinheiro é uma ferramenta sagrada que Deus usa na sua obra", disse uma vez numa entrevista ao Jornal.
A adoração e o louvor a Deus não são prioridades na igreja de Edir Macedo. A ênfase está sobre a Teologia da Prosperidade em que eles afirmam que os fiéis irão comer o melhor desta terra. Um texto do Antigo Testamento, mal interpretado pelos pastores de Edir Macedo para dar fundamento a sua teologia. O texto, na verdade, trata de promessas dirigidas aos judeus e não ao Israel espiritual (a igreja de Cristo). Edir Macedo não entende que as bênçãos da igreja transcendem, são superiores a da Antiga Aliança. Veja o que Paulo disse aos efésios: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo” (Ef.1:3 - NVI). O versículo não deixa dúvidas, “com todas as bênçãos espirituais”, não são algumas, porém, todas. Diante dessa promessa, de que deveremos ter falta? Será que os irmãos devem continuar pedindo o que já foi dado? Ou será que as bênçãos foram colocadas a nossa disposição e precisamos conquistá-las? Não! O texto é claro, e diz que: “[...] o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais”. Ele já nos abençoou (gr. Εύλογήσαζ), o verbo está no passado, é algo que aconteceu. Portanto, a “Teologia da Prosperidade” é antibliblica. Uma prosperidade que exclui a maioria gera idolatria. Por que a maioria continua na miséria? Todos os dias estão ali, em busca das pseudos promessas, procurando mudar a sua vida financeira e essa transformação não acontece de fato?
A Igreja Universal volta-se contra todas as igrejas tradicionais, inclusive as Pentecostais numa reação característica de seita herética.
Uma estatística de 1996 atribuía à Igreja Universal 3,5 milhões de fiéis, 7 mil pastores, milhares de assistentes voluntários, ou obreiros, 2 mil templos no Brasil e 225 no exterior, em 34 países, 2 canais de televisão, a TV Record e a TV Rio, emissoras de rádio, jornais, uma agência de turismo e um Banco, o Banco de Crédito Metropolitano. Não é pouco para uma Igreja que começou em 1977 com algumas dezenas de fiéis.
3.1.1.2 O mal visto por Edir Macedo
Numa entrevista concedida à revista Veja de 6 de dezembro de 1995, Edir Macedo comentou também sobre as características do demônio, conforme é visto e ensinado pelos adeptos da Universal. Eis, a seguir, alguns trechos da entrevista que se encontra também a disposição na Internet:
Existe um espírito que só atua na destruição do lar. Você pode verificar isso a partir das etapas que o casal enfrenta na vida. Esse espírito normalmente vem dos pais. Se eles são divorciados, o mesmo espírito que destruiu o lar dos pais vai destruir o lar dos filhos, dos netos, dos bisnetos. Isso é uma herança maldita. Ele passa de pai para filho por todas as gerações, até que a pessoa tenha um encontro com Jesus. Aí, corta-se toda a maldição.
Existe o espírito da prostituição (prostitutas, homossexuais) e de enfermidades. Este faz a pessoa se manter doente por toda a vida. Por exemplo, a epilepsia é causada por um espírito. Há muitas pessoas que foram curadas da epilepsia sem medicação, apenas por "influência da 'libertação'.
Essa força maligna, que toma a mente e faz a pessoa ficar louca, perturbada e toma o coração, essa força causa raiva, ódio, doenças. Há pessoas que têm feridas nas pernas que não cicatrizam nunca. Por quê? Aquilo é um espírito que está alojado ali. Aquilo é um espírito. Aqueles que têm dor de cabeça constante, daquelas que não há médico que descubra a causa...pois bem, isso é o espírito. A pessoa que tem uma dor de estômago, mas o médico não descobre a causa, isso é um espírito. Todas as pessoas que sentem dores, vão ao médico e ele não consegue diagnosticar nada, estão tomadas pelo demônio. Essas são doenças espirituais. E quando o problema é espiritual, não há medico que consiga resolver.

3.1.2 Igreja Renascer em Cristo
Fundada em 1986 pelo casal Estevam e Sonia Hernandes. Esta igreja é procurada especialmente por jovens, devido a seu trabalho de recuperação de dependência de drogas. O grande uso da música é uma das marcas características da Igreja Renascer.
Em 1999, a Igreja Renascer em Cristo possuía aproximadamente 200 templos no Brasil e quatro no exterior. Em 2005 o número de templos multiplicou e em 2006 apesar dos seus fundadores terem passado por um grande escândalo relacionado a sonegação de impostos e de terem mentido para autoridades alfandegária no Aeroporto dos EUA. Os adeptos afirmam que esses escândalos são obras de Satanás para impedir o crescimento do Reino de Deus. Mesmo com todos os escândalos a Igreja continua na mídia.




3.1.3 A Igreja Sara Nossa Terra
A Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra é uma Igreja Evangélica Neopentecostal. Foi criada em fevereiro de 1992, em Brasília, Brasil, pelos bispos Robson e Maria Lúcia Rodovalho que acreditam que a Terra está ferida pelas desigualdades sociais, pela miséria, fome, corrupção, bruxaria e todas as formas de exploração do mal. Sua visão é de sarar o país, a sociedade, a cultura e as famílias. O casal pertencia a Igreja Renascer.
O Ministério possui hoje, cerca de 550 igrejas espalhadas pelo Brasil e exterior e estão sob a coordenação da Federação Nacional Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra. Esta Comunidade é dirigida por um Conselho de Bispos e um Conselho Diretor, responsáveis pelas Igrejas em todo o Brasil e Exterior. Por meio da “Fundação Sara Nossa Terra” e “Associação Ministério Comunidade Evangélica” (AME), a Igreja desenvolve trabalhos de cunho sócio-cultural e promove assistência a famílias carentes.
Atualmente, o Ministério Sara Nossa Terra conta com um canal de televisão, “TV Gênesis” e uma “Rádio, Sara Brasil FM”, com programação diária, voltada para a família. A Rádio Sara Brasil FM e a TV Gênesis estão presentes em diversas cidades brasileiras, tanto em TVs por assinatura, como UHF. O “Jornal Sara Nossa Terra” e a “Revista Sara Brasil”, também são instrumentos de comunicação da denominação.
A Sara Nossa Terra conquistou espaço na mídia por ser freqüentada por vários jogadores de futebol e algumas sub-celebridades, que se converteram e "mudaram suas vidas".
Visão Apostólica
Sarar a nossa Terra através de igrejas locais aliançadas e governadas pelo ministério apostólico, em todo mundo. Que sejam instrumentos para trazer o Reino de Deus, através do avivamento produzido pelo compromisso de oração, devoção e santidade, e através de profundas mudanças sociais em nossa cultura. Tanto por meio de escolas, faculdades e obras sociais que expressam o amor de Deus, como pela mídia (rádios, jornais e TV), bem como através de todos os espaços possíveis que possam ser preenchidos pelo povo de Deus. É louvável querer ver o povo de Deus unido e assumindo o controle. Todavia, olhando do ponto de vista em que os verdadeiros crentes estão, na mão do Pai (cf. Jo.10:28), isso não significa nada diante do que Cristo tem preparado para aqueles que O amam. O Reino de Deus não é comida nem bebida, nem significa manter o controlhe das coisas desse mundo. É algo muito maior doque tudo isso: “Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor” (Hb.12:28 – negreto nosso). Recebemos um Reino inabalável, eterno e não precisamos nem devemos investir em outro reino aqui nesse mundo, devemos sim, buscar o que é eterno.
Visão para Igrejas Locais
Fazer de cada não cristão um cristão, de cada cristão um discípulo, de cada discípulo um líder, edificando assim uma Igreja que manifesta a presença de Deus através de prodígios e manifestações sobrenaturais.
Declaração de Fé
1. Cremos que a Bíblia é a palavra de Deus, inspirada e infalível(II Pe.1:21)
2. Que Deus se revelou como Pai, Filho e Espirito Santo (II Co 13:14).
3. Na divindade de Jesus, em seu nascimento virginal, em sua morte expiatória, em sua ressurreição corporal e em sua ascensão à destra do Pai (1ts.4:14)
4. Que o homem foi criado bom e justo, mas perdeu essa natureza por cair voluntariamente no pecado (Gn.1:26-31)
5. Que a única esperança para a salvação do homem é através do sangue redentor de Cristo (Hb.9:27)
6. Que todos que se arrependerem de seus pecados e crerem em Jesus como seu Salvador e Senhor, serão salvos pela graça por meio da fé. (Ef.2:6-7)
7. Que a santificação e a vida vitoriosa são requisitos para a esposa de Cristo (Ef.5:25-2
































CONSIDERAÇÕES FINAIS
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A Bíblia ensina que os dons, sinais e milagres, serviram para um propósito determinado; uma vez que ele foi cumprido, os dons cessaram. As línguas modernas, as profecias e curas pela fé não se parecem em nada com o que aconteceu nos dias de Cristo e dos apóstolos. O testemunho objetivo da História é de que esses dons cessaram após o encerramento do cânon do Novo Testamento. Cristo e os apóstolos operaram seus milagres em público, até mesmo diante de seus inimigos. Nós desafiamos nossos irmãos carismáticos a fazerem o mesmo e provarem ao mundo e aos crentes não-carismáticos que esses dons são verdadeiros. Até que venham a existir evidências bíblicas e comprobatórias que sustentem as reivindicações carismáticas, nós devemos considerar as práticas carismáticas como enganosas e fraudulentas (2 Co 13:1). Ainda que creiamos que os "curadores da fé" de nossos dias vivem enganados e (deliberadamente ou não) cometendo fraudes. Também cremos que Deus cura o seu povo, atendendo suas orações. Se você está freqüentando uma igreja carismática, sinta-se exortado a deixá-la e a freqüentar uma igreja que seja centrada na verdade revelada nas Escrituras. Deus não se impressiona com os grandes números, entretenimento tolo e com os falsos milagres dos pregadores carismáticos. Ele quer sim, que você freqüente uma igreja que ensine a verdade e O adore da maneira que Ele determinou na Sua Palavra.







BÍBLIOGRAFIA
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ANGLADA, Paulo. Calvinismo: As Antigas Doutrinas da Graça. São Paulo. Editora Puritanos, 2000. 151p.

BOAVENTURA, Carlos. O Brasil Pentecostal: Uma análise da história. Rio de Janeiro. Editora Nova Jerusalém, 2006. 183p.

DREHER, Martin N. A Igreja Lantino-Americana no Contexto Mundial. São Leopoldo. Editora Sinodal, 1999. 244p.

FALCÃO, Samuel. Predestinação. Recife, 1989. 2000p.

GEISLER, Norman. Eleitos, mas livres: uma perspectiva equilibrada entre a eleição divina e o livre-arbítrio. São Paulo.Vida, 2005. 318p.

GUTIÉRREZ, Benjamin F. Na Força do Espírito: Os Pentecostais na América-Latina: um desafio às igrejas históricas. São Paulo. AIPRAL, 1996. 290p.

JOHN, F. MacArthur, Jr., Os Carismáticos: Uma Perspecitiva Doutrinária - The Charismatics: A Doctrinal Perspective - (Grand Repids: Zondervan, 1978)

LUTERO, Martinho. Nascido Escravo. Editora Fiel, 1525. 93p.

MUNIZ, Beatriz Souza de / MAURO, Luís Martino Sá (orgs). Sociologia da Religião e Mudança Social. São Paulo. Paulus, 2004. 173p.

MENDONÇA, Antônio Gouvêa / VELASQUES, Prócoro Filho. Introdução ao Protestantismo no Brasil. São Paulo. Edições Loyola, 1990. 279p.

OWEN, John. Apostasia do Evangelho: A natureza e as causas da apostasia do Evangelho. São Paulo. Editora os Puritanos, 2002. 206p.

PASSOS, João Décio. Pentecostais: origens e começo. São Paulo. Paulinas, 2005. 118p.

SANTOS, Alfredo Oliva dos. A História do Diabo no Brasil. São Paulo. Fonte Editora, 2007. 288p.

SOUZA, Alderi Matos de / NICODEMUS, Augustus Lopes / SOLANO, Francisco Portela Neto / CARLOS, Heber Campos de. Fé Cristã e Misticismo: Uma avaliação bíblica de tendências doutrinárias atuais. São Paulo. Editora Cultura Cristã, 2000. 171p.

WRIGHT, Gregor R. K. Mc. A Soberania Banida: Redenção para a cultura pós-moderna. São Paulo. Editora Cultura Cristã, 1998. 267p.


WALKER, John. A Igreja do Século XX: A história que não foi contada. Belo Horizonte, MG. Editora Atos, 2002. 300p.
















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[1] OWEN, John. Apostasia do Evangelho: A natureza e as causas da apostasia do Evangelho. São Paulo. Editora os Puritanos, 2002. 206p.
[2] WRIGHT, Gregor Mc R.K. (1998)

[3] FRESTON opud PASSOS, João Décio. Pentecostais Origens e Começo. São Paulo. Paulinas, p.18.

[4] MONTEIRO, Delcio Lima de. Os Demônios Descem do Norte. Rio de Janeiro. Editora Francisco Alves. 1989. p.68.

[5] “Se uma pessoa causar divisões entre os irmãos na fé, aconselhe essa pessoa uma ou duas vezes; mas depois disso não tenha nada mais a ver com ela. Pois você sabe que uma pessoa como esta abandonou completamente o evangelho, e os seus pecados provam que ela está errada” (Tt.3:10-11 – Bíblia Jovem. São Paulo – SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2002. 1632p).
[6] “Preocupação; Mania; desconfiança; sm. Separação, dissidência de doutrina religiosa” (Dicionário Compacto da Língua Portuguesa”.
[7] “Assim, na igreja, Deus estabeleceu primeiramente apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois os que realizam milagres, os que têm dons de curar, os que têm dom de prestar ajuda, os que têm dons de administração e os que falam diversas línguas. São todos apóstolos: São todos profetas? São todos mestres? Têm todos o dom de realizar milagres? Têm todos dons de curar? Falam todos em línguas? Todos interpretam? Entretanto, busquem com dedicação os melhores dons” (NVI).
[8] Αρετικον – heresia - faccioso - divisão
[9] PASSOS, João Décio. Pentecostais: origem e começo. São Paulo. Paulinas, 2005. p.18

[10] Pelágio foi um teólogo britânico, nascido em 354 d.C, era um homem de vida austera em busca da perfeição cristã. Foi um monge de grande erudição reconhecido por autores antigos como Jerônimo e Osório que o descreveu como sendo de inteligência viva. Sua doutrina, por exaltar o homem, chamava a atenção e fazia muitos adeptos (ROBERTO, Cavalcanti R. A Soberania de Deus e o Livre-Arbítrio. Recife. Editora CRC. 2006. p63).

[11] WRIGHT, R.K. Mc Gregor. A soberania Banida: redenção para a cultura pós-moderna. São Paulo. Editora Cultura Cristã, 1998. 267p.

[12] Ibdim

[13] “Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniqüidade, o filho da perdição”.

[14] “Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto”.
[15] “Em 1905 Parham mudou-se para Houston, Texas, onde formou outra escola bíblica. Foi lá que recebeu como aluno William J. Seymour, um negro, cego de um oulho, humilde e filho de ex-escravos” (BOAVENTURA, Carlos. O Brasil Pentecostal. Rio de Janeiro. Editora Nova Jerusalém, 2002. p92).

[16] MENDONÇA, Antônio Govêa Prócoro Velasques Filho. Introdução ao Protestantismo no Brasil. Edições Loyola. São Paulo Brasil, 1990. p.47.

[17] Ibdem

[18] “O boi reconhece o seu dono, e o jumento conhece a manjedoura do seu proprietário, mas Israel nada sabe, o meu povo nada compreende. Ah, nação pecadora, povo carregado de iniqüidade! Raça de malfeitores, filhos dados à corrupção! Abandonaram o SENHOR, desprezaram o Santo de Israel e o rejeitaram” (Is.1:3-4).

[19] “A lei do SENHOR é perfeita, e revigora a alma. Os testemunhos do SENHOR são dignos de confiança, e tornam sábios os inexperientes. Os preceitos do SENHOR são justos, e dão alegria ao coração Os mandamentos do SENHOR são límpidos, e trazem luz aos olhos” (Sl.19:7, 8).

“Pois a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus. Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e rejeitarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde está o erudito? Onde está o questionador desta era? Acaso não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? Visto que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por meio da sabedoria humana, agradou a Deus salvar aqueles que crêem por meio da loucura da pregação” (1Co.1:18-21).
[20] Hb.1:1;

[21] Pv.22:19-21; Lc.1:3, 4; Rm.15:4; Mt.4:4, 7, 10

[22] 2Tm.3:15; 2Pe.1:19;

[23] Hb.1:1, 2.

[24] “Eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas”.
[25] MONTEIRO, Delcio Lima de. Os Demônios Descem do Norte. Editora Francisco Alves. Rio de Janeiro, 1989. p.85.

[26] Ibdem, p.86.

[27] (WALKER, 2002:35)

[28] Ibdem, p36
[29] Ibdem, p36.

[30] Ibdem, p36.

[31] Ibdem, p36.
[32] Ibdm, p37.
[33] “Então, Moisés e Arão se chegaram a Faraó e fizeram como o SENHOR lhes ordenara; lançou Arão o seu bordão diante de Faraó e diante dos seus oficiais, e ele se tornou em serpente. Faraó, porém, mandou vir os sábios e encantadores; e eles, os sábios do Egito, fizeram também o mesmo com as suas ciências ocultas”.
[34] “Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna” (At.13:48).

[35] “Porquanto aos que de antemão conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm8:29).