sábado, 8 de novembro de 2008

Pentecostalismo e Neopentecostalismo: Avivamento ou Apostasia?


Carlos R. Cavalcanti






Pentecostalismo
e
Neopentecostalismo

Avivamento ou Apostasia ?






2008





CAVALCANTI, Carlos R. Pentecostalismo e Neopentecostalismo: Avivamento ou apostasia? Recife. Editora CRC. 2008. 98p.
Conteúdo Histórico-Apologético. Todos os direitos reservados à Editora CRC. Podendo, portanto, ser usado trechos em citações de trabalho acadêmicos.

Gráfica e Editora CRC
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ÍNDICE
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INTRODUÇÃO

CAPÍTULO I
1.1 As Igrejas que surgiram da Reforma Protestante..........11

1.1.1 Benefícios da Reforma no campo religioso.........................14
1.1.1.1 A degradação religiosa na Igreja Romana...........................15
1.1.2 A teologia das igrejas Reformadas......................................17
1.1.2.1 As confissões doutrinárias...................................................19
1.1.2.2 Desvio doutrinário...............................................................27

CAPÍTULO II
2.1 O surgimento do Pentecostalismo.......................................33
2.1.1 Influência wesleyana de santidade.........................................41
2.1.2 Congregação Cristã no Brasil..............................................55
2.1.3 Assembléia de Deus..........................................................58
2.1.4 A segunda onda Pentecostal vai da década de 50 a 70.....61
2.1.4.1 Igreja do Evangelho Quadrangular..................................61
2.1.4.2 O Brasil para Cristo.........................................................63
2.1.4.3 Deus é Amor....................................................................73

CAPÍTULO III
3.1 O surgimento do Neopentecostalismo.........................75
3.1.1 A Igreja Universal do Reino de Deus.............................78
3.1.1.1 O culto da IURD.............................................................80
3.1.1.2 O mal visto por Edir Macedo..........................................85
3.1.2 Igreja Renascer em Cristo...............................................86
3.1.3 Igreja Sara nossa Terra....................................................88

CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS BÍBLIOGRAFIA






INTRODUÇÃO
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O Movimento “Pentecostal” e o “Neopentecostal”, é considerado uma das mais populares e crescentes forças da cristandade nos nossos dias. As principais características doutrinárias desse movimento que provoca o crescimento dessas Igrejas é o “batismo do Espírito Santo”, “o dom de línguas”, “as profecias”, “o dom de curas e a ênfase na experiência pessoal”. Muito embora crescimento e popularidade sejam evidentemente desejáveis, eles não podem ser usados como um teste para aprovar práticas que a si mesmo, se consideram como verdadeiras, porque várias seitas heréticas (Testemunhas de Jeová, Mórmons e os Adventistas do Sétimo Dia) e falsas religiões também têm alcançado grande popularidade e crescimento usando os mesmos procedimentos. O movimento Pentecostal e Neopentecostal é um fenômeno do século vinte. Visto que suas práticas e ensinos são diferentes dos que os cristãos reformados têm ensinado, acreditamos ser sensato examinar esses ensinos à luz das Escrituras. Não estamos, portanto, dizendo que eles não são cristãos. Estaremos examinando suas práticas não porque temos algo pessoal contra eles, ao contrário, os amamos e queremos nos encontrar no céu. Devemos ser como os crentes de Beréia e analisar todas essas práticas à luz das Escrituras Sagradas.
Deus nos ordena a "julgar todas as coisas" (1Ts 5:21). Somos exortados a nos "apegar à palavra fiel" e a "convencer os que contradizem" (Tt 1:9). Assim, oferecemos este trabalho no espírito do amor cristão, amor por nossos irmãos, e acima de tudo, pela verdade de Deus. Ao examinarmos qualquer assunto, a pergunta mais importante é: "Que diz a Escritura" (Gl 4:30)?
Por que essa preocupação com a doutrina? A resposta está na Bíblia. Os apóstolos escreveram alguns livros da Bíblia para combater o ensino herético, que corrompia a palavra de Deus, o próprio Jesus combateu a doutrina dos fariseus porque era desprovida de amor e do conhecimento de Deus. Vejamos o que diz Mateus 16:12: “Então, entenderam que não lhes dissera que se acautelassem do fermento de pães, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus”. Jesus estava preocupado com a doutrina que estava sendo ensinada ao povo. Em Marcos 7: 6-7 Ele acusa os religiosos da Sua época de ensinar doutrinas que são preceitos de homens. O que isso quer dizer? Ora! Eram doutrinas que foram desviadas dos seus propósitos originais, para beneficio próprio: “Respondeu-lhe: Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens”. O apóstolo Paulo também estava bastante preocupado com as falsas doutrinas que surgiam a cada dia, porque contaminavam os crentes levando muitos a se desviarem do verdadeiro conhecimento de Deus:

“[...] para que não mais sejamos como meninos, agitado de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” (Ef.4:14).

Os pais da Igreja defenderam a fé contra o mundo e as heresias que surgiam dentro da própria Igreja: Justino o Mártir (100 – 165 d. C.), Irineu (130 – 200 d. C. anti-gnostico), Tertuliano (160 – 230 a. C.), Clemente de Alexandria (155 – 255 a. C.) foram alguns dos que se importou com a sã doutrina.




CAPÍTULO I
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1.1 As Igrejas que surgiram com a Reforma Protestante
Com a Reforma do século XVI, surgiram três ramos da fé protestante: o Luterano, o Reformado e o Anglicano. Os anabatistas que alguns historiadores e sociólogos da religião afirmam ser paralelo a Reforma, por alguns motivos trataremos separadamente.
Os Luteranos e Calvinistas concordavam com os principais pontos da Reforma. Porém, quando as idéias de Calvino se expandiram a partir de Genebra, algumas regiões Luteranas aderiram aos princípios doutrinários Calvinistas. Quanto aos Anglicanos, continuaram, apesar de haver rompido com a Igreja Romana, com a mesma liturgia. Surge, então, em virtude disso, um movimento, influenciado pelos Reformados Calvinistas conhecidos como “Puritanos” (Presbiterianos e Congregacionais discendentes da Igreja Anglicana), que lutam por reformas dentro da Igreja Estatal, principalmente pureza e simplicidade no culto:

Os puritanos entendiam que muitos “trapos do papado” continuavam na Igreja Anglicana e queriam purificá-la de acordo com a Bíblia, aceita por eles como regara infalível de fé e prática. Por isso receberam a alcunha de puritanos, por volta de 1568 (CAIRNS, 2000: 273)

Os anabatistas foram um dos vários movimentos que surgiu da insatisfação religiosa Católica na Europa central. Esses grupos eram conhecidos como cristãos zelosos, mais fanáticos do que zelosos. Vejamos o que Nichols tem a nos dizer:

Pode-se dizer que a doutrina fundamental dos anabatistas era uma concepção particular a respeito da Igreja. Esta, sustentavam eles, é uma comunidade de pessoas regeneradas, isto é, convertidas. Ninguém mais tinha a ver com a mesma. Decorria daí a crença deles de que os adultos, desde que somente estes poderiam experimentar a conversão. Os que se filiavam a essas sociedades eram batizados, pois o batismo que já tivessem recebido na infância era destituído de significado. Por causa dessa atitude, eles foram chamados de anabatistas, isto é, os que batizavam novamente. Em decorrência da idéia que tinham sobre a Igreja, não admitiam a existência de uma Igreja oficial, reconhecida pelo Estado. Uma Igreja sob o controle do poder civil, que podia ser ou deixar de ser cristão, diziam eles, não podia ser a verdadeira Igreja. Por essa razão, eles se separavam e não queriam qualquer aproximação com as igrejas reformadas, pois todas elas eram Igrejas reconhecidas pelo Estado (2004: 194)


Surgiram na Suíça devido a liberdade que existia nesse pais. Conrad Grebel (1498 – 1526) foi o fundador desse movimento. Eles deram origem aos Menonitas e aos Batistas. Em 1526, devido a heresia de querer rebatizar os que aderiam as suas fileiras, o conselho decidiu punir com a morte por afogamento todos quantos esposassem os princípios anabatistas .

1.1.1 Os Benefícios da Reforma no campo religioso
A Reforma foi a resposta de Deus a religião corrompida (a religião do medo) em que ela servia apenas para esconder a injustiça. “Por sua grande doutrina bíblica do sacerdócio de todos os cristãos, Lutero libertou os homens do temor e, libertos do medo, eles foram” (NICHOLS, 2004: 161).
A cristandade protestante e o mundo foram beneficiados com o novo modelo de Cristianismo Protestante Reformado. Toda corrupção que a Igreja havia acumulado durante muito tempo foi rejeitada pelos reformadores. O lema, agora, era a volta às Escrituras, uma vida de pureza e fidelidade a “Palavra de Deus” que havia sido banida da vida do povo. Martinho Lutero é um instrumento nas mãos de Deus para traduzir a Bíblia para o alemão e esclarecer o povo através da pregação da palavra.

1.1.1.1 A degradação religiosa na Igreja Romana
Outro grande motivo da depreciação da religião da “Igreja Romana” foi o ensino de uma forma adulterada do Cristianismo. Devido a toda corrupção, a igreja permitiu que o Evangelho fosse sendo substituído, pouco a pouco, conforme seus interesses egoístas, por uma nova forma de religião de ritos e sacramentos que autorgavam uma salvação mágica, como por exemplo: 1) Oração aos espíritos bondosos da Virgem e dos santos; 2) foi infundido no imaginário coletivo o medo dos maus espíritos; 3) as relíquias milagrosas eram vendidas, como “pedaços de cruz”; negociavam o perdão de pecados mediante indulgências e amedrontavam seus fiéis com o fogo do purgatório que criaram, prometendo, no entanto, aliviar essa situação com missas pagas. Papa Sixto IV.
O Vaticano com seus concílios alteram a doutrina cristã. Essas alterações foram consideradas dogmas, impedindo o clero de raciocinar, examinar e decidir entre o certo e o errado! Muitos dogmas são baseados em lendas e suposições, outros estão impregnados de crendices que rebaixam o nível do cristianismo original. A maioria foi criada com fins lucrativos, como é o caso da doutrina do Purgatório, 503 d.C. (a galinha dos ovos de ouro do Vaticano), Transubstanciação, 1215 d.C., o Celibato, 1074 d.C., a Infabilidade Papal, 1870 d.C., o Culto à Maria, 431 d.C., o uso da água benta, 830 d.C., canonização de santos, 933 d.C., outros conferem ao clero certa autoridade e influência social. Mesmo, antes da Reforma, diante de tal degradação, sempre ouve lideres e igrejas que não compactuavam com tais abusos e foram perseguidas pelo papa. Entre eles estão: os Albigenses, os Valdenses e os Anabatistas.



1.1.2 A teologia das igrejas Reformadas
A teologia forjada em todo conflito da Reforma tinha como estrutura a volta a Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Cristus, Soli Deo Gloria, que foram confirmados nos Concílios, Confissões de Fé e no “Sínodo de DORT” e etc. A Confissão de Fé Holandesa também seguiu os ensinamentos de Calvino, ensinamentos esses que enfatizam a soberania de Deus no sentido de que Ele planejou na eternidade tudo o que aconteceria para o louvor da Sua glória. As Igrejas que surgiram da Reforma Protestante em sua maioria eram Calvinistas.

• Vejamos o que afirma Paulo Anglada no seu livro o Calvinismo:
O termo empregado para identificar as doutrinas a que Spurgeon se refere não é tão apropriado. Não por não corresponder às doutrinas ensinadas por João Calvino, mas porque, na verdade, essas doutrinas não são subscritas apenas por ele. O calvinismo é a síntese das doutrinas ensinadas por João Calvino, que por sua vez, é a redescoberta da pregação apostólica do evangelho bíblico; e também é confessada na maioria das confissões de fé protestantes. O calvinismo, portanto, são as antigas doutrinas da graça. As confissões de fé das igrejas Luterana, Reformada, Presbiteriana, Anglicana, Congregacional e Batista professam, todas elas, pelo menos nas suas confissões de fé originais, o sistema doutrinário conhecido como calvinismo (2000: 2).

A doutrina Calvinista, portanto, tornou-se conhecida principalmente através dos cincos pontos: Depravação total, eleição incondicional, expiação limitada, graça eficaz e perseverança dos santos, que foram uma resposta em defesa da doutrina bíblica contra os cinco pontos arminianos conhecidos como “Remosntrance”: Livre-arbítrio ou habilidade humana, eleição condicional, redenção universal, graça resistível e queda da graça, que bania a soberania de Deus e exaltava a autonomia humana. A limitação de Deus pela soberania humana O torna incapaz de satisfazer as necessidades de um mundo perdido e que esses dogmas foram fragmentando a ortodoxia até seu desaparecimento . O verdadeiro avivamento, hoje, seria a volta do arminianismo às Escrituras. Recuperar o que foi perdido. Fazer como os reformadores, ter responsabilidade com a Palavra de Deus, libertando-se das estruturas corruptas.

1.1.2.1 As confissões doutrinárias
As igrejas Reformadas elaboraram Confissões de fé, todavia, o pensamento em torno da soberania de Deus era unânime:

A teologia reformada, calvinista, dá ênfase à soberania de Deus, em virtude da qual Ele determinou soberanamente, desde toda a eternidade, tudo quanto há de suceder, e executa a Sua soberana vontade em Sua criação toda, natural e espiritual, de conformidade com o Seu plano predeterminado. Isso está em plena harmonia com Paulo, quando ele diz que Deus “faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade” (Ef.1:11) (BERKHOF, 2002: 95)

Os Cânones de Dort refletem o pensamento teológico Calvinista Reformado que vigorava unânime em toda Europa. Antes de citar alguns desses pensamentos, quero salientar que o Calvinismo não é algo novo, criado por Calvino, mas são antigas doutrinas da graça que há muito tinha sido abandonadas pela “Igreja Católica Romana”. Essa doutrina é a doutrina de Jesus Cristo, dos apóstolos, pregada por Agostinho, e resgatadas pelos Reformadores.
Vejamos os cinco pontos do Calvinismo composto entre (1618 – 1619) em que se expunha a doutrina Reformada que condenou a heresia arminiana:


1) Depravação total: Incapacidade total do homem
O homem, depois da Queda, teve sua natureza completamente corrompida pelo pecado, e nesse estado, morto espiritualmente, não responderá em nenhum grau no sentido de produzir frutos de salvação. Ele está separado de Deus e nada pode fazer para voltar, através da sua própria força, ao estado de santidade que possuía antes da pecar:

Portanto, todos os homens são concebidos em pecado e nascem como filhos da ira, incapazes de qualquer ação que os salve, inclinados para o mal, mortos no pecado e escravos do pecado. Sem a graça do Espírito Santo regenerador não desejam nem tampouco podem retornar a Deus, corrigir sua natureza corrompida ou ao menos estar dispostos a essa correção (DORT, 1618 – 1619: 35)

Citações Bíblicas: (Sl 51:5; Jr 13:23; Rm 3:10-12; 7:18; 1Co 2:14; Ef 1:3-12; Cl 2:11-13).

2) Eleição incondicional: Decreto eterno de Deus
Todos pecaram e afastados foram da glória de Deus, estão condenados a morte eterna e Deus não tem obrigação de salvar ninguém, mas aprove a Ele salvar alguns segundo o beneplácito de Sua vontade, mostrando, assim, sua misericórdia aos pecadores eleitos para a salvação:

Deus nesta vida concede a fé a alguns enquanto não concede a outros. Isto procede do eterno decreto de Deus. Porque as Escrituras diz que Ele ...faz estas coisas conhecidas desde séculos... e que ...ele faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade... (At.15:18; Ef.1:11). De acordo com este decreto, Ele graciosamente quebranta os corações dos eleitos, por duros que sejam, e os inclina a crer. Pelo mesmo decreto, entretanto, segundo seu justo juízo, Ele deixa os não-eleitos em sua própria maldade e dureza de coração (DORT, 1618 – 1619: 18).

Citações bíblicas: (Ml 1:2-3; Jo 6:65; 13:18; 15:6; 17:9; At 13:48; Rm 8:29, 30-33; 9:16; 11:5-7; Ef 1:4-5; 2:8-10; 2Ts 2:13; 1Pe 2:8-9; Jd 1:4).

3) Expiação limitada: A eficácia da morte de Cristo
A expiação é limitada porque se Cristo houvesse morrido por todos e todos não fossem salvos, a morte expiatória de Jesus Cristo não teria sido eficaz. Quando a Bíblia usa a palavra todos ela está se referindo a todos os escolhidos, como por exemplo: muitas vezes quando Paulo e os apóstolos falavam “todos” eles estavam se dirigindo a uma determinada comunidade eclesiástica e não a todas as pessoas do mundo, em outras ocasiões todos significavam judeus e gentios. Vejam só, quando digo para minha congregação: “Quero que todo mundo esteja na igreja na próxima aula”, eu não estou me referindo a todas as pessoas do mundo, mas apenas a minha congregação.

Pois este foi o soberano Conselho, a vontade graciosa e o propósito de Deus, o Pai, que a eficácia vivificante e salvífica da preciosíssima morte de Seus Filho fosse estendida a todos os eleitos. Daria somente a eles a justificação pela fé e, por conseguinte os traria infalivelmente à salvação. Isto quer dizer que foi da vontade de Deus que Cristo, por meio do sangue na cruz (pelo qual Ele confirmou a nova aliança), todos aqueles e somente aqueles que foram escolhidos desde a eternidade para serem salvos e lhe foram dados pelo Pai. Deus quis também que Cristo os purificasse de todos os pecados por meio do seu sangue, tanto do pecado original como dos pecados atuais, que foram cometidos antes e depois de receberem a fé. E que Cristo os guardasse fielmente até o fim e finalmente os fizesse comparecer perante o próprio Pai em gloria, sem mácula, nem ruga (Ef.5:27) (DORT, 1618 – 1619: 3O, 31)

Citações bíblicas: (Jo 17:6,9,10; At 20:28; Ef 5:15; Tt 3:5).

4) Graça eficaz:
Embora o homem seja completamente depravado, inclinado para o mal, a graça de Deus o convencerá da justiça do pecado e do juízo. Pois quem resistirá a vontade de Deus? (cf. Rm.9:19b).

O homem não deixou, apesar da Queda, de ser homem dotado de intelecto e vontade; e o pecado, que tem penetrado em toda a raça humana, não privou o homem de sua natureza humana, mas trouxe sobre ele depravação e morte espiritual. Assim também a graça divina da regeneração não age sobre os homens como se fossem máquinas ou robôs, e não destrói a vontade e as suas propriedades, ou a coage violentamente. Mas a graça a faz reviver espiritualmente, traz-lhe a cura, corrige-a e a dobra de forma agradável e ao mesmo tempo poderosa. Como resultado, onde dominava rebelião e resistência da carne, agora, pelo Espírito, começa a prevalecer uma pronta e sincera obediência. Esta é a verdadeira renovação espiritual e liberdade da vontade. E se o admirável Autor de todo bem não agisse desse modo conosco, o homem não teria esperança de levantar-se da sua queda por meio de sua livre vontade, pela qual ele, quando ainda estava em pé, se lançou na perdição (DORT, 1618 – 1619: 40)

Citações bíblics: (Jr 3:3; 5:24; 24:7; Ez 11:19; 20; 36:26-27; 1Co 4:7; 2Co 5:17; Ef 1:19-20; Cl 2:13; Hb 12:2).

5) Perseverança dos santos: A certeza desta preservação
“Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (Fp.1:6); “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cisto Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte” (Rm.8:1, 2); se estamos mortos para o pecado, porque fomos vivificados pelo sangue de Cristo, como poderemos retroceder e cair do estado de graça em que nos encontramos sabendo que estamos seguros com Cristo e Sua destra nos protege (cf. Jo.10:25- 30).

Os crentes podem estar certos e estão certos dessa preservação dos eleitos para a salvação e da perseverança dos verdadeiros crentes na fé. Esta certeza ocorre de acordo com a medida de sua fé, pela qual eles crêem, com certeza, que são e permanecerão verdadeiros e vivos membros da Igreja, e que têm o perdão dos pecados e a vida eterna (DORT, 1618 – 1619: 49).

Citações bíblicas: (Is 54:10; Jo 6:51; Rm 5:8-10; 8:28-32, 34-39; 11:29; Fp 1:6; 2Ts 3:3; Hb 7:25).

Os cinco pontos que refutaram as doutrinas arminianas são conhecidos como “os cinco pontos do calvinismo”, por ter sido João Calvino um estudioso da Bíblia e tido a responsabilidade de ensinar a Palavra de Deus sem a corrupção que caracterizava o romanismo.


1.1.2.2 Desvio doutrinário
No auge da Reforma Protestante já surgem movimentos que se afastam da doutrina bíblica. Os anabatistas é um desses grupos que segue paralelo a Reforma, porém o mais significativo é o movimento liderado pelos seguidores de Jacobus Armínius teólogo holandês (1560 – 1609), nasceu em Oludewater, no sul da Holanda. Foi ordenado em 1588 e de 1603 a 1609 ensinou em Leiden. De formação Calvinista, revoltou-se contra alguns destes princípios teológicos Calvinistas que achava incompatível com a filosofia da época. Suas idéias ganharam popularidade por ser fácil, simples e paradoxal.
O que ele escreveu foi reunido e publicado, depois de sua morte, pelos seus seguidores em um panfleto, com cinco pontos, conhecidos como “Remonstrance” onde são expostos, com algumas alterações, seus pontos de vistas. A intenção era fazer uma mudança nas doutrinas de fé das Igrejas Reformadas na Holanda (países baixos) que só foi resolvido o impasse com o “Sínodo de Dort”:

Depois da morte de Armínio, em 1609, “A Remonstrância” (pleito, pedido). Com este manifesto, os arminianos tentarem ganhar a simpatia dos líderes da província mais poderosa, a Holanda. Eles declararam que uma revisão do catecismo e da confissão de fé era uma coisa normal, e certamente uma coisa permitida se o governo convocasse um sínodo nacional (DORT, 1618 – 1619: 9).

Os cinco pontos arminianos, que contradiziam a ortodoxia bíblica, foram tirados de um manuscrito de Armínio:

1) Livre-arbítrio ou capacidade humana
Embora a queda de Adão tenha afetado seriamente a natureza humana, as pessoas não ficaram num estado de total incapacidade espiritual. Todo pecador pode arrepender-se e crer, pelo seu livre-arbítrio, cujo uso determinará seu destino eterno. O pecador precisa da ajuda do Espírito, e só é regenerado depois de crer, porque o exercício da fé é a participação humana no novo nascimento.
Citações Bíblicas: (Is 55:7; Mt 25:41-46; Mc 9:47-48; Rm 14:10-12; 2Co 5:10)

2) Eleição condicional
Deus escolheu as pessoas para a salvação, antes da fundação do mundo, baseado em Sua presciência. Ele previu quem aceitaria livremente a salvação e os predestino. A salvação ocorre quando o pecador escolhe a Cristo; não é Deus quem escolhe o pecador. O pecador deve exercer sua própria fé, para crer em Cristo e ser salvo. Os que se perdem, perdem-se por livre escolha: não quiseram crer em Cristo, rejeitaram a graça auxiliadora de Deus.
Citações Bíblicas: (Dt 30:19; Jo 5:40; 8:24; Ef 1:5-6, 12; 2:10; Tg 1:14; 1Pe 1:2; Ap 3:20; 22:17).

3) Redenção Universal ou Expiação Geral
O sacrifício de Cristo torna possível a toda e qualquer pessoa salvar-se pela fé, mas não assegura a salvação de ninguém. Só os que crêem nEle, pelo seu livre-arbítrio, serão salvos.
Citações Bíblicas: (Jo 3:16; 12:32; 17:21; 1Jo 2:2; 1Co 15:22; 1Tm 2:3-4; Hb 2:9; 2Pe 3:9; 1Jo 2:2)

4) Graça resistível
Deus faz tudo o que pode para salvar os pecadores. Estes, porém, sendo livres, podem resistir aos apelos da graça. Se o pecador não reagir positivamente, o Espírito não pode conceder vida. Portanto, a graça de Deus não é infalível nem irresistível. O homem pode frustrar a vontade de Deus para sua salvação.

Citações Bíblicas: (Lc 18:23; 19:41-42; Ef 4:30; 1Ts 5:19)

5) Perda da salvação
Embora o pecador tenha exercido fé, crido em Cristo e nascido de novo para crescer na santificação, ele poderá cair da graça. Só quem perseverar até o fim é que será salvo.

Citações Bíblicas: (Lc 21:36; Gl 5:4; Hb 6:6; 10:26-27; 2 Pe 2:20-22).

O resultado da controvérsia arminiana x calvinista no Sínodo de Dort foi a vitória das doutrinas defendidas nos cinco pontos sobre os remosntrantes em que seus defensores foram condenados e expulso da Holanda por seis anos.
Todavia, devido ao pensamento filosófico estóico, ao liberalismo, ao maniqueísmo, ao pelagianismo e o humanismo, os ensinamentos arminianos vêm ganhando nos últimos anos muitos adeptos em todo o mundo. Um dos grandes incentivadores dessa propagação é o espírito antropocêntrico. Esse foi o motivo da Queda: a auto-suficiência e o desejo de ser Deus (síndrome de Lúcifer).


























CAPÍTULO II
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2.1 O Surgimento do Pentecostalismo no Brasil
O Pentecostalismo no Brasil surge em Belém do Pará, no início do século XX, com os missionários suecos, naturalizados americanos, “Daniel Berg” e “Gumar Vingren” que fundaram a “Igreja Assembléia de Deus” em 1911 e “Luigi Francescon”, italiano valdense que era da Igreja Presbiteriana de Chicago; influenciado pelo Pentecostalismo funda em São Paulo a “Igreja Congregação Cristã no Brasil” (1910). Essa primeira fase que vai de 1950 – 1970 é conhecida, e foi utilizada por Paul Freston , pelo termo “onda”.
Conforme Monteiro , Berg e Gumar vieram para o Brasil abordo de um navio de terceira classe, chegaram a Belém do Pará, no dia 19 de novembro de 1910 e se hospedaram na Igreja Batista na rua João Balby. O Pastor da Igreja estava longe de saber que a Igreja seria dividida pela pregação herética dos missionários e que ali surgiria o maior fenômeno religioso de todos os tempos: o Pentecostalismo, com ênfase no batismo com o Espírito Santo como segunda obra da graça, o que contradiz claramente a ortodoxia cristã.
Mendonça tem a mesma opinião quanto a divisão, na Igreja Batista, provocado pelo fenômeno das línguas que os missionários trouxeram para Belém do Pará afirmando ser um novo derramar do Espírito Santo:

O Pentecostalimo no Brasil está ligado de modo direto ao movimento de Los Angeles. Um sueco de nome Daniel Berg, membro da Igreja de Durham, veio para o Brasil como missionário e, após provocar cisão numa igreja batista em Belém do Pará, fundou, junto com seu compatriota Gunnar Vingren, as Assembléias de Deus, em 1911 (MENDONÇA, 1990: p.47, 48)

O cisma , ocorrido na Igreja Batista em Belém do Pará pelos Missionários Daniel Berg e Gumar Vingen devido as práticas estranhas que os missionários trouxeram dos movimentos Pentecostais nos Estados Unidos da América, e que essas mesmas práticas já haviam sido barradas anteriormente pelo apóstolo Paulo em (1Co.12:3; 14:6, 9, 18, 19, 22, 27). Por acaso, foi obra do Espírito Santo de Deus? Não. Por quê? Porque o Espírito é uma promessa para todos quanto Deus chamar, e não para um grupo exclusivo de pessoas que se acham mais espirituais do que outros.
O que a Bíblia ensina, realmente, sobre o batismo com o Espírito Santo? Será que a maioria dos pastores estão comprometidos com as verdades bíblicas? Ou estão mais preocupados em agradar aos homens? Muitos dizem que o batismo com o Espírito Santo é uma segunda obra da graça, e vem acompanhado do falar em línguas estranhas. Isso estava acontecendo na Igreja de Corinto onde um grupo que falava em línguas, e por esse motivo se achava mais espiritual do que os outros irmãos. Porém, Paulo se dirige a eles como a carnais, meninos na fé. O apóstolo, para corrigir o erro doutrinário afirma que todos foram batizados no mesmo Espírito: “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito” (1Co.12:13).
Está claro, quem não for batizado com o Espírito Santo não é salvo, ou seja, não foi alcançado pela graça salvadora. O batismo é o penhor, o selo, a garantia segura da nossa salvação (cf. Ef.1:13-14; 4:30). Manuel Canuto confirma minha declaração:

Não existe a possibilidade de ser crente convertido, sem ter sido batizado com o Espírito, que realiza no homem sua justificação, os faz filhos adotivos, os santifica e os sela. Não existe crente que não tenha tudo isso (Revista. OS PURITANOS. Batismo com o Espírito Santo. Ano IX : nº. 04 : Outubro / Novembro / Dezembro: 2001. p.2).

O Pentecoste foi um acontecimento único. O Espírito foi derramado, conforme profecia de (Joel 2:28; Isaias 32:15), e permanece até hoje na igreja. Todos os que forem sendo incorporados ao corpo de Cristo, pela graça mediante a fé que vem pelo ouvir a Palavra de Deus, são batizados automaticamente. O batismo é uma promessa, e uma promessa não é algo que se vá buscar e lutar para conseguir, ao contrário é algo que acontece no tempo determinado tendo em vista que o Espírito Santo nos é outorgado, imputado (Rm.5:5), o que significa em última análise que Ele é derramado sem que possamos resistir a Sua operação miraculosa, diz as sagradas Escrituras.
A doutrina Pentecostal é de que o batismo com o Espírito Santo acontece depois da conversão, e se houver uma busca intensa. Esse batismo não ocorre com todos os crentes, segundo essa doutrina, apenas com os mais espirituais, e será acompanhado do falar em línguas estranhas a fim de que fique comprovado que houve, realmente, o batismo, o que é uma doutrina antibíblica.
A igreja pentecostal é composta dos que são, e dos que não são batizados com o Espírito Santo. Porém, a Bíblia diz que todos são batizados no mesmo Espírito, e nem todos falam em línguas (cf. 1Co.12;28-31) . Analisemos, pois, um texto muito importante que irar esclarecer muitas dúvidas: “No caso de alguém falar em outra língua, que não sejam mais do que dois ou quando muito três, e isto sucessivamente, e haja quem interprete. Mas, não havendo intérprete, fique calado na igreja [...]”. O apóstolo Paulo não proibia, mas, doutrinou a igreja no sentido de eliminar tais práticas. Por quê? Primeiro, a igreja era composta de crentes vindo do judaísmo e do paganismo. As línguas que eles estavam falando em Corinto eram usadas nos templos pagãos. Ao entrar em estado de estase (nos templos pagãos) muitos falavam em línguas, que na verdade eram línguas de demônios. As pessoas que viam tudo aquilo ficavam fascinadas acreditando que eles estavam em contato com os deuses. Essas manifestações dava um certo destaque espiritual e muitos trouxeram para dentro da igreja essa bagagem cultural. Todavia, Paulo corrige a falha doutrinando-os de forma a eliminar aquelas manifestações que não trazia crescimento a igreja. Quando ele diz que fale um de cada vez e no máximo três e se tiver quem interprete, era por que não havia quem interpretasse.
Será que hoje não está da mesma forma, ou até pior? Quando entramos em uma igreja e vemos todos falando em línguas, que é o costume dos Pentecostais, será que Deus está operando ali? Será que é um mover do Espírito como afirmam alguns? Será que o Espírito Santo vai de encontro ao que está estabelecido na sagrada Palavra? Claro que não! Se a Bíblia diz que fale no máximo três e vemos todos falando ao mesmo tempo, com certeza, não é o Espírito Santo de Deus, pois Ele não vai de encontro ao que estar estabelecido na Palavra de Deus. Outros falam e não interpretam, é Deus que está operando? Não! E o que é tudo aquilo? São obras da carne como diz o apóstolo Paulo: “Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, e sim como a carnais, como a crianças em Cristo” (1Co.3:1). O mais agravante, é que o Pentecostalismo dividiu o Corpo de Cristo, e quem faz isso é a heresia. Vejamos o que diz Tito 3:10: “Evita o homem faccioso , depois de admoestá-lo primeira e segunda vez, pois sabes que tal pessoa está pervertida, e vive pecando, e por si mesma está condenada” (negrito meu). Toda essa divisão que aconteceu na igreja devido ao movimento Pentecostal enquadra-se nesse versículo.

2.1.1 Influência wesleyana de santidade E.U.A.
O movimento Pentecostal teve sua influência nos movimentos de santidade (holiness), avivamentos ocorridos no início do século XX . O avivamento liderado por João Wesley e seu irmão Carlos no século XVIII, tinha como principais metas proclamar a doutrina da santificação total ainda nesta vida, experiência de Wesley, tendo a participação de pregadores leigos que ganharam o mundo, pregando, principalmente na América do Norte.
Os movimentos de avivamentos wesleyanos caracterizam-se, segundo o manual da Igreja do Nazareno 2001 – 2005, por três marcos históricos:
1. O primeiro: Surge no século XIX no Leste dos Estados Unidos de onde a doutrina de santidade cristã é espalhada no novo mundo. “Na América do Norte, a Igreja Metodista Episcopal foi organizada em 1784. O seu propósito declarado foi “reformar o Continente e espalhar a santidade escriturística sobre estas terras” (MANUAL NAZARENO, 2001 – 2005: 15).

As bases das doutrinas de “santificação total neste mundo” como afirmou Wesley é, para os Reformadores Calvinistas, um desvio da ortodoxia vigente e não está de acordo com as Escrituras. A obra de santificação, operada pelo Espírito, é progressiva. Portanto, a inteira santificação dar-se-á na glorificação, não neste mundo. Biblicamente, todos os que foram chamados segundo o propósito de Deus, são posicionalmente santos porque foram chamados para o uso exclusivo de Deus (cf. 1Pe.2:9). Esse desvio doutrinário de João Wesley foi motivo de muitos debates e controvérsias que ainda permanecem. Um dos problemas é que muitos crentes buscam a santificação total e se frustram, porque não a encontra e outros que pensam ter encontrado se frustram da mesma forma, porque descobrem com o tempo, que estão vivendo uma fantasia que não condiz com a realidade daquilo que foi ensinado. Todos os crentes de doutrina teológica Wesleyana vêem-se sempre praticando coisas que não condiz com a doutrina da inteira santificação. Quem é inteiramente santificado não peca mais. Por que então estas pessoas continuam a pecar e dizer que são inteiramente santificadas? A bíblia deixa bem claro: “[...] estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai Jesus Cristo, o Justo” (1Jo.2:1).
2. O segundo: O reavivamento de santidade se alastrou através da pregação de Charles F. Finney. Este se deu dentro dos círculos evangélicos em que as pessoas reagiam de forma como se a conversão estivesse acontecendo naquele momento. Para R.K. Mc Gregor Wright, “Finney inventa o reavivalismo” (1998: 36). Seu humanismo era pelagiano , porém, quanto a salvação era arminiano. Acreditava que o avivamento dava-se através de meios apropriados que induzia o homem a aceitar a Jesus Cristo como seu salvador pessoal e não através da ação do Espírito Santo como está escrito: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito” (Jo.3:8).
Finney foi quem introduziu a prática do apelo e as pessoas que se rendiam a Cristo vinham à frente e através de oração confessavam seus pecados. Uma de suas frases: “Ontem à noite 60 pecadores sedentos levantaram-se e foram para o banco dos convertidos” (WRIGHT, 1998: 36). Wright afirma que com as introduções das novas práticas o avivamento passou a ser apenas números conseguidos através de propagandas e campanhas evangelísticas em que os convertidos vinham a Cristo, muitas vezes, pelo emocionalismo a que os ouvintes eram submetidos. Dessas reuniões de avivamento surgiam muitas igrejas de santidade independentes que se adequavam às novas realidades que surgiam a cada dia . Jonathan Edwards ao contrário de Finney falou a respeito de reavivamento como algo sobrenatural operado pelo Espírito Santo.

3. O terceiro: Em 1890, segundo o Manual do Nazareno 2001 – 2005, surge uma nova onda de grupos de santidade independente, estes com características Pentecostais, ou seja, dão ênfase as línguas estranhas.

Do ponto de vista teológico, o movimento pentecostal moderno tem sua origem no movimento de “santidade” que, por sua vez, deve muito ao conceito wesleyano de perfeição cristã como segunda obra da graça, distinta da justificação (MENDONÇA, 1990: 47).
A movimentação de pessoas reunindo-se e orando, por uma vida de santidade, por uma experiência mística com Deus surge de um desejo profundo por mudanças. Pois, segundo John Walker, o cenário religioso era em geral de apostasia e frieza (2002: 7). O mundo, segundo ele, havia afetado a igreja de tal forma que não era possível distinguir o profano do sagrado. Essa citação mostra o cenário que ele pinta da sociedade protestante americana:

O protestantismo Americano era rico, culto e influente, mas, com exceção de uns poucos grupos conservadores, seu estado espiritual era de decadência. Imperavam o liberalismo, o formalismo, o mundanismo, o profissionalismo ministerial, a consciência de classe, a ausência de experiência com Deus etc. (WALKER, 2002: 7).

A igreja é um organismo vivo, é um instrumento nas mãos de Deus, é luz e sal da terra que caminha em um mundo pecaminoso deixando marcas positivas. Todavia, é profético que a igreja nos últimos tempos enfrentará uma grande apostasia (2Ts.2:3) . É importante também salientar, que enquanto a igreja de Cristo estiver aqui na terra, sofrerá ataques do mundo, no sentido de que ela assimilará elementos dessa cultura. Por isso têm igrejas que parecem estar vivas, mas, estão mortas (Ap.3:1b) . O culto Pentecostal tinha cara de avivado, porém estava morto. Ele tomou o rumo contrário ao seguido pelos reformadores. Se estava havendo uma apostasia, com o Pentecostalismo ela aumentou. Por quê? Porque houve uma divisão do corpo de Cristo. Era para ser uma volta a pureza do Evangelho como aconteceu na Reforma: um resgate da teologia que havia sido corrompida nos vários Concílios.
O Pentecostalismo nega a suficiência das Escrituras porque estão à procura de algo mais, que possa preencher suas necessidades espirituais. John MacArthur escreveu algo importante sobre esse assunto. Ele dá um exemplo de dois irmãos que receberam uma herança e ficaram muito ricos, mas, ao invés de usufruir a herança eles se isolaram do mundo e começaram a colecionar todo tipo de porcaria que encontravam, porque achavam que poderia se útil algum dia. Eles morreram nos detritos que chegou a 140 toneladas de lixo. Tinham uma herança, mais não souberam aproveitar:

Muitos crentes vivem a vida cristã dessa mesma forma. Desprezando as abundantes riquezas de uma herança que não se corrompe (1Pe.1:4), eles exploram minuciosamente os escombros da sabedoria humana, colecionando lixo. Como se as riquezas da graça de DEUS (Ef. 1:7) não lhes bastassem, como se “todas as coisas que conduzem à vida e à piedade” (2Pe. 1:3) não fossem suficientes, eles procuram complementar os recursos que, em Cristo, lhes pertencem. Gastam a vida toda acumulando, inutilmente, experiências emocionais, novos ensinos, orientações de gurus espertalhões ou qualquer coisa mais que possam acrescentar à sua coletânea de experiências espirituais (2001: 32, 33).


Azusa Street
Aqueles que nascem de Deus, procuram o verdadeiro alimento que está contido na Palavra de Deus para o seu crescimento espiritual (cf. 2Pe.2:2). Não vai atrás de experiências que “a” ou “b” tiveram. A sua experiência pode não ser a minha. A mística não condiz com a realidade. Alguns crentes na igreja de Colossos estavam sendo intimidados por pessoas que alegavam ter um conhecimento mais profundo a respeito das coisas espirituais, além daquela que só cristo pode conceder:

Não permitam que ninguém que tenha prazer numa falsa humildade e na adoração de anjos os impeça de alcançar o prêmio. Trata-se de alguém que não está unido à Cabeça, a partir da qual todo o corpo, sustentado e unido por seus ligamentos e juntas, efetua o crescimento dado por Deus (Cl.2:18-19 - NVI).

As pessoas que iniciaram o movimento Pentecostal e Neopentecostal eram leigas em assuntos teológicos. Até hoje há uma resistência ao estudo, muitos acreditam que não precisam se preparar e dizem que a “letra mata”, que o “Espírito Santo nos ensina todas as coisas”, para sustentar o relaxamento com o estudo da Palavra de Deus.
William H. Durham era pastor batista com idéias wesleyanas. Carente da Palavra de Deus vai para Los Angeles influenciado pelas notícias de que a “Igreja Missão de Fé Apostólica”, localizada na Rua Azusa Street, 312 estava realizando um grande movimento de avivamento, e no dia 2 de maio de 1906 afirma ter recebido o batismo com o Espírito Santo. Outro foco de propagação do Pentecostalismo, que incendeia ainda mais o movimento da Azusa Street, foi a “Escola Bíblica de Topeka”, EUA, onde era defendida por Charles Pahram a idéia de que falar em línguas era a evidência do batismo com o Espírito Santo.
Outro grande defensor das idéias Pentecostais foi o pregador W. J. Seymour , foi expulso da Igreja da evangelista Nelly Terry, em Los Angeles, EUA, ao pregar em (At.2:4) e afirmar em sua exposição que Deus tem uma terceira bênção além da santificação que é o batismo com o Espírito Santo .
“Seymour começou a promover reuniões nas casas dos irmãos, que foram atraídos pelas manifestações, e no dia 6 de abril de 1906, numa dessas reuniões, um menino de oito anos falou em línguas, seguido de outras pessoas. Iniciava-se assim, pelo menos formalmente, o movimento pentecostal” nos Estados Unidos da América.
Analisemos, pois, como a falta de conhecimento da Palavra de Deus leva o povo à morte! A Confissão Belga, Reformada, afirma no seu artigo 2 que Deus se revela através da Sua Palavra: “Segundo: Deus se fez conhecer, ainda mais clara e plenamente, por sua sagrada e divina Palavra , isto é, tanto quanto nos é necessário nesta vida, para sua glória e para a salvação dos que Lhe pertencem”. A Confissão de fé de Westminster Cap. I sobre as Sagradas Escrituras, seção I, tem o mesmo ponto de vista da Confissão Belga:

[...] portanto aprouve ao Senhor, em diversos tempos e diferentes formas, revelar-se à sua Igreja e declarar aquela sua vontade . E depois, para melhor preservar e propagar a verdade, e para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e a malícia de Satanás e do mundo, entregou a mesma para que fosse plenamente escrita . Isso torna a Sagrada Escritura totalmente indispensável , tendo então cessado aquelas antigas formas de Deus revelar sua vontade a seu povo .

Como vimos, nessas duais Confissões, a Bíblia é suficiente para a nossa salvação. Não é preciso sair atrás de movimentos, nem de manifestações de poder, porque o Espírito que nos regenerou e está sobre nós, povo eleito de Deus, nos capacitando, pois somos guiados por Ele para uma vida de santidade e obediência (cf. 1Pe.1:2) . Todavia, Durham precisou de algo mais, estava à procura de uma experiência mística que desse sentido a sua religiosidade. João 17: 3 afirma categoricamente que a salvação é o conhecimento de Deus e de Jesus Cristo a quem Ele enviou. Isso é o que dá sentido a nossa vida, buscar esse conhecimento é algo que os salvos anelam e procuram constantemente. Falar em línguas estranhas gera conhecimento? O apóstolo Paulo diz que não:

Agora, porém, irmãos, se eu for ter convosco falando em outras línguas, em que vos aproveitarei, se vos não falar por meio de revelação, ou de ciência, ou de profecia ou doutrina? (1Co.14:6). Contudo, prefiro falar na igreja cinco palavras com o meu entendimento, para instruir outros, a falar dez mil palavras em outra língua (1Co.14:19).

Gritos entéricos dentro da Igreja ou em qualquer outro lugar geram conhecimento? Também, não! Portanto, o avivamento da Azusa Street tomou o rumo contrário, posto que o verdadeiro avivamento é uma volta às Escrituras.
Poul Freston divide os vários movimentos Pentecostais que ocorreram no Brasil em “três ondas”, da seguinte forma: a primeira onda tem seu início na década de 50 com as Igrejas “Congregação Cristã no Brasil” e “Assembléia de Deus”.

2.1.2 Congregação Cristã no Brasil (1910)
A Congregação Cristã no Brasil (CCB) foi fundada por Louis Francescon, um italiano naturalizado americano, nascido a 29 de março de 1866 em Nuovo. Era filiado a Igreja Presbiteriana na qual chegou a ancião (presbítero). Porém, converteu-se ao Pentecostalismo. Monteiro, sobre a apostasia de Francescon, nos traz uma excelente contribuição:

Lois Francescon converteu-se ao pentecostalismo em fins de abril de 1907, passando a freqüentar a missão do reverendo W.H. Durham, na North Avenue, em Chicago, e lá, a 25 de agosto do mesmo ano, recebeu o batismo com o Espírito Santo, expressando-se pela primeira vez em línguas que jamais havia ouvido (1989: 84)

E segue, segundo uma revelação, para outros países a fim de propagar a nova religião. Vejamos o que diz Monteiro a esse respeito:

A partir de março de 1908, obedecendo ao que chamou determinação divina, abandonou por completo os afazeres habituais para dedicar-se exclusivamente à religião, não obstante fosse pobre e ainda tivesse mulher e seis filhos menores para prover a subsistência. Mesmo assim, seguiu o seu destino (1989: 84)

No dia 20 de junho, Francescon funda em São Paulo, no Brás, com o apoio de dissidentes presbiterianos e batistas , a Igreja Pentecostal CCB segundo o modelo congregacional americano. A igreja, como podemos ver, foi fundada por um leigo sem conhecimento teológico, influenciado pelo movimento Pentecostal dispensacionalista com ênfase em uma interpretação literal.
Baseado em alguns versículos, como: “Porque o Espírito Santo vos ensinará, naquela mesma hora, as coisas que deveis dizer” (Lc.12:12) e “[...] porque a letra mata, mas o espírito vivifica” (2Co.3:6), dizem que não precisam de outra luz. Esses textos são o suficiente para a CCB se oporem a qualquer tipo de publicação. Mendonça diz que é uma comunidade de cultura oral; “[...] não publica nada, a não ser seu relatório anual. Também não recomenda a leitura de nenhuma literatura religiosa a não ser a Bíblia” (1990: 50). Monteiro também afirma que eles não possuem jornais para publicar suas doutrinas, nem literatura religiosa (1989). Sua membresia é predominantemente constituída de pobres que são atraídos pelo amável acolhimento e promessa de ascenderem socialmente. Há uma grande liberdade nessa igreja que difere das outras Pentecostais por não ter uma doutrina que a caracterize definindo-a quem realmente ela é. Os crentes dessa igreja não estão sujeitos a nenhuma disciplina, a não ser por causa de adultério. Um Pastor do Centro Apologético Cristão de Pesquisa, João Flavio Martinez afirma que o proselitismo agressivo da CCB com os outros evangélicos é herança Presbiteriana. Isso não é verdade, tendo em vista que os Presbiterianos, por serem calvinistas, não praticam os longos apelos para que os visitantes decidam aceitar a Jesus ou não: “A Congregação Cristã no Brasil crê na predestinação e por isso não faz campanhas evangelísticas nem apelos à conversão” (MENDONÇA, 1990: 49). O proselitismo agressivo é uma característica da Assembléia de Deus.
A CCB usa o véu baseando-se em (1Co.11:1-16). Não existe um ministério pastoral, eles dizem que o único pastor é Jesus, por outro lado, mantêm um grupo de anciãos sem ser remunerados. Ela é uma das igrejas Pentecostais que experimentou um grande crescimento. “Até 1986, totalizavam 1.015.619 crentes”

2.1.3 Assembléia de Deus (1911)
Mendonça afirma que a Assembléia de Deus é a mais numerosa “[...] contaria com 13 milhões de adeptos e 52mil casas de oração, assistidos por 10mil e 500 pastores e assemelhados. Isto em números redondos” (1989: 75). Migraram do Norte para o Nordeste e depois para o Sul. Só em 1927 chegaram a São Paulo. Ela, como todas as Igrejas Pentecostais, era composta de operários de baixa renda. Com o passar do tempo, nos centros urbanos, a igreja abriu as portas, ou seja, investiu na classe média um pouco intelectualizada e exigente, isso acarretou várias mudanças nos seus usos e costumes. Ou muda ou perde a membresia. Vejamos o que declara Mendonça a esse respeito:

Há informação de que nas Assembléias de Deus começam a se verificar conflitos entre conservadores e alguns segmentos tendentes a modificar costumes tradicionais pentecostais e, em particular das Assembléias, com referência às vestes, principalmente das mulheres, ao uso da televisão, rádio, cinema etc. A ascensão social e o acesso à instrução acabam atingindo seriamente os pentecostais (1990: 51)

A Assembléia de Deus é, conforme Mendonça, de “teologia arminiano-wesleyana e eclesiologia batista” (1990: 48). Só que essa doutrina, arminiano-wesleyana, na AD sofre depreciações da mesma forma que aconteceu com a Igreja do Nazareno. Sua doutrina é arminiano-wesleyano, porém, com muitas mudanças. Na verdade, existe uma ortodoxia cristã que vem sendo adulterada a cada dia. Diga-se de passagem, quem éramos quando a doutrina bíblica da Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Cristus, Soli Deo Gloria foi resgatada na Reforma Protestante, e quem somos agora com uma doutrina corrompida nos EUA e enviada para os países de terceiro mundo?
No Brasil, o Pentecostalismo encontra terreno fértil nas camadas mais desprovidas da sociedade. Eles são atraídos pelos discursos sensacionalistas e manifestações milagrosas. Todavia, esse crescimento pode até estimular a visão de muita gente, mas Deus não se deixa impressionar. Se Deus desse a importância, como nós damos, aos números, a porta que conduz a salvação seria muito maior do que a que conduz ao inferno: “Respondeu-lhe: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão” (Lc.13:24);

Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela (Mt.7:13, 14).


2.1.4 A segunda onda Pentecostal vai da década de 50 a 70.
Muitas igrejas surgem nessa época, porém, as mais significativas são a do “Evangelho Quadrangular”, “Brasil para Cristo” e “Deus é Amor”.

2.1.4.1 A Igreja do Evangelho Quadrangular
A igreja recebeu este nome em 1922, em Oakland, Califórnia, inspirado, segundo Ainee Semple McPherson, na visão que tivera durante uma pregação de Ezequiel de quatro querubins com quatro rostos simbolizando os quatro ângulos do ministério de Jesus Cristo: o salvador, o batizador com o Espírito Santo, o grande médico e o rei que há de voltar. Antes, chamava-se “Igreja do Avivamento Contínuo”.
A Igreja do Evangelho Quadrangular no Brasil foi fundada pelo missionário americano “Harold Williams” em São João da Boa Vista no ano de 1951. A igreja multiplicou-se rapidamente no país e no dia 08 de abril de 1968, inaugura o templo-sede na “Praça Olavo Bilac”, em São Paulo. Conforme o comentário de Mendonça, a igreja havia alcançado patamares de crescimento incrível:

Em 1966, segundo Read e Ineson, a soma das parcelas atribuídas à Igreja Quadrangular e à Cruzada totalizavam 24.493 fiéis, 171 Igrejas e congregações satélites, e um crescimento de 35,5%, atribuído à Cruzada, e de 20,1% à Igreja (1990: 53).

Mendonça acrescenta que a Igreja do Evangelho Quadrangular, eclesiasticamente, assemelha-se à Igreja Metodista do Brasil ao se dividir administrativamente em regiões e distritos eclesiásticos (1990:53). Ela era subordinada à “International Church of the Foursquare Gospel”. A esfera de decisão das questões de relevância doutrinária ou administrativa está em Los Angelis, essa hierarquia rígida torna a dependência completa. Por isso, a supervisão dos trabalhos de evangelização é de um caráter fiscalizador permanente.

2.1.4.2 O Brasil para Cristo
Essa Igreja foi fundada pelo missionário Manuel de Mello em 1956, dissidente da Assembléia de Deus e depois do movimento de cura divina promovido pela Cruzada Nacional de Evangelização. Manoel de Mello fez sua Igreja crescer bastante nas primeiras décadas, diferente das outras Igrejas Tradicionais e Pentecostais. Envolveu-se na vida política elegendo representantes no legislativo. Filiou-se à “Confederação Evangélica do Brasil” e ao “Conselho Mundial de Igrejas”. Manteve intenso relacionamento com as igrejas tradicionais. Conforme Mendonça a igreja contava em 1966 com 93.096 fiéis, distribuídos em 359 Igrejas e congregações satélites, com uma taxa de crescimento de 14,3%. Na cidade de São Paulo tem um templo com capacidade para cerca de 15 mil pessoas.

Fragmentação nas Seitas
Dois missionários sem conhecimento teológico fazem um racha na Igreja Batista em Belém do Pará e funda uma Igreja Pentecostal que mais tarde se chamaria “Assembléia de Deus”. Um membro dessa igreja que já era um racha, Manuel de Mello, funda sua própria igreja sem conhecimento adequado para isso. Por sua vez, começa a surgir milhares de igrejas conhecidas como Igrejas (agências) de curas divina. Com o surgimento dessas igrejas, novas heresias tomam conta do cenário religioso. O que escreveu Mendonça sobre essas agências:

A cura divina como tal, isto é, como objetivo único de um grupo ou de um líder carismático, não constitui Igreja, mas “movimento”. Os líderes carismáticos de cura divina estabelecem balcões de oferta de bens de religião a uma clientela flutuante e descompromissada na qual a relação do fiel com o sagrado ocorre na base do “dar para receber” A prática dos grupos de cura divina avizinha-se das práticas de magia, e como afirmou Emile Durkheim, não há Igreja mágica embora alguns desses grupos mantenham seu discurso nos parâmetros da fé cristã, sua prática às vezes se afasta dela, enquanto outros apresentam discurso e prática quase irreconhecíveis do ponto de vista do cristianismo (MENDONÇA, 1990: 54).

Geralmente os grandes movimentos de cura divina têm como líder um fanático que encontra ambiente adequado nas fragilidades dos fiéis. Passaremos a analisar como algumas personalidades se comportavam ao receber o poder de cura que afirmavam ser Deus o doador dessa dádiva. Falo assim, devido a um alerta que as Escrituras faz nesse sentido, quando afirma que: “[...] porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos” (Mt.24:24 – negrito meu). “Se possível” até os eleitos. Porém, eles serão guardados, fazem parte dos 70000 que não dobraram os joelhos a Baal (cf. Rm.11:1-5).

Alguns líderes do Movimento de Cura Divina
Um jovem do Canadá conhecido como Branham liderou uma campanha influenciando outras pessoas a buscarem o avivamento conhecido como “Chuva Serôdia”. Sua primeira experiência com Deus, segundo (WALKER, 2002: 33) foi aos sete anos quando ele estava irado com sua mãe. Parou debaixo de uma arvore para descansar, e ali ouviu um som de um vento que soprava de forma que chamou sua atenção. De repente ele afirma ter ouvido uma voz que dizia: “Nunca beba, fume, ou contamine seu corpo de maneira alguma, pois eu tenho uma obra para você fazer quando ficar mais velho”. Essa voz, ele afirma ter ouvido várias vezes. O interessante é que essa experiência é parecidíssima com a de Josef Smith.
Com o passar do tempo, já com 21 anos conta-se que ele foi envenenado com gás quando trabalhava. No leito de morte, mesmo sem nunca ter bebido, fumado ou praticado algo que desabonasse a sua conduta sabia que não estava preparado para se encontrar com Deus:
Ouvi aquela mesma voz que disse: ‘Nunca beba ou fume’. Mas desta vez a voz dizia: ‘Eu chamei você e você não foi’. As palavras se repetiram três vezes. Então eu disse: ‘Senhor, se é você, deixe-me voltar novamente para a terra e eu pregarei seu evangelho dos eirado, ruas e esquinas. Eu falarei a todo mundo sobre isto!’ (WALKER, 2002: 34).

Nesta citação notamos claramente a ação de Satanás enganando o jovem inexperiente Branham. Ele vem como anjo de luz, com a maior sutileza e enganaria, se possível, até mesmo os eleitos de Deus. “Eu chamei você e você não foi”. A Bíblia diz que ninguém jamais resistiu a Sua vontade (cf. Rm.9:19). Jesus, quando chamou os discípulos, eles vieram, ninguém resistiu, nem se perdeu, exceto o filho da perdição que havia sido destinado a esse fim, cumprir os propósitos de Deus (cf. Jo.17:12). Paulo de Tarso foi chamado e não resistiu a vontade de Senhor. Efésios 3:20, o apóstolo Paulo afirma que fomos salvos pelo poder de Deus que opera em nós. Porém, esse jovem enganado por Satanás diz que a vontade de Deus não se realizou e Seus planos foram frustrados na medida em que a vontade de Deus foi resistida, prevalecendo a de Braham. A Bíblia de uma forma geral nos diz que Deus cumprirá todo Seu propósito. Portanto, essa visão foi maligna, e muitos que seguiram esse falso profeta foram também enganados.
Depois desse episódio, ele começou novamente a buscar a Deus e procurava locais escondidos para orar e meditar, como por exemplo: barracas abandonadas. E foi em uma dessas que ele viu uma luz entrar na barraca em forma de cruz conforme afirma (Walker, 2002). Nesse dia uma voz lhe falou em linguagem ininteligível. Por esse motivo ele entendeu que deveria fazer a vontade de Deus e pregar o Evangelho. Tornou-se pregador e fundou uma igreja que prosperou muito. Crescimento sem sustentabilidade, sem o conhecimento da Palavra de Deus, e a igreja que foi construída sobre a areia desmoronou, sua esposa e filha morreram em uma enchente, todavia, naquela noite ele disse que foi visitado em sonho por Deus e recebeu poder para prosseguir (WALLER, 2002:35).
Em 1946, ele afirma ter recebido a visita de um anjo que confirmou seu ministério de cura:

Uma luz se espalhou pela cabana e ele viu uma grande estrela como uma bola de fogo derramando luz sobre o chão. Aterrorizado, ouviu passos e, vindo em sua direção através da luz, os pés de um homem. “Ele tinha um rosto liso, sem barba, cabelos pretos até os ombros, uma com feição mais para escura, um semblante muito agradável. Chegando mais perto seus olhos fixaram os meus. Vê no quão aterrorizado eu estava, ele começou a falar: ‘Não temas. Fui enviado da presença de Deus Todo-Poderoso para lhe dizer que sua vida peculiar e seus caminhos mal-entendidos têm sido para indicar que Deus tem enviado você para levar um dom de cura divina para as pessoas do mundo. Se você for sincero e levar as pessoas a crer em você, nada resistirá diante de sua oração, nem mesmo câncer’” (WALKER, 2002:35).

A partir dessa revelação, William Branham começou a realizar muitos milagres de cura, e sua fama foi logo propagada. Nas suas reuniões de cura, milhares de pessoas vinham ouvi-lo, interessados pelo que estava sendo realizado pelo evangelista. O incrível é que o método que ele estava usando era utilizado pelos médiuns: “Com sua mão esquerda discerniria ou detectaria as doenças das pessoas. Ele leria pensamentos e fatos da vida passada das pessoas” . Nas suas reuniões muitas vezes era um anjo que ministrava a cura . Ele usava métodos de adivinhação da cultura pagã: “[...] falava detalhes da vida de desconhecidos (nome, endereço, fatos passados, doenças etc)” . Para enganar ainda mais, um fotógrafo profissional ao revelar uma foto dele ficou surpreso porque sobre sua cabeça havia uma auréola de luz . Todavia, a máscara do santarrão caiu, e de profeta de Deus, como se auto-entitulou, passou a anticristo. Vejamos o que nos relata WALKER:

[...] ele mesmo é o mensageiro que introduzirá a segunda vinda de Cristo. Assim como João Batista veio no espírito de Elias para anunciar a primeira vinda, do mesmo modo William Branham seria o profeta do século XX. Ele chegou a predizer que a “Segunda Vinda de Cristo” ocorreria em 1977” .

Predizer quando será a Segunda Vinda de Cristo é outro grande sinal de um falso profeta.
A conclusão de John Walker é bastante interessante, pois ele afirma que depois da morte de Branham surgiu uma seita que afirmava que ele iria ressuscitar dos mortos, mesmo sem acontecer a ressurreição seus seguidores continuaram a idolatrá-lo .
Diante de todos esses acontecimentos, Deus é soberano para agir da forma que lhe apraz. Em Isaías 46: 9- 11 fica esclarecido quem Ele é:

Eu sou Deus, e não há nenhum outro, eu sou Deus, e não na nenhum como eu. Desde o início faço conhecido o fim, desde tempos remotos, o que ainda virá. Digo: ‘Meu propósito permanecerá em pé, e farei tudo o que me agrada.

Deus cura e continuará curando; em momento algum tivemos a intenção de querer afirmar que Deus deixou de agir, porém, o que aconteceu foi algo que enaltecia a carne, os sinais de maravilhas que os falsos profetas irão demonstrar estão incluídos os de cura. Os magos no Egito fizeram milagres diante do povo , mas, foi pelo espírito de belzebu. Eles foram desmascarados, bem como todos os deuses do Egito. O Diabo engana através das curas, e o que encontramos atualmente nas igrejas de cura divina são verdadeiros rituais de pajelança.
O importante é o conhecimento da Palavra de Deus. A igreja de Filadélfia tinha pouca força, porém, havia guardado a Palavra de Deus e não negado o Seu nome. Em virtude dessa perseverança o Senhor tem uma promessa para esses crentes: “Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra” (Ap.3:10 – negrito meu). O texto não diz: Porque guardastes o dom de cura, ou de expulsar Demônios, muito menos de falar em línguas estranhas, Ele nos guardará da provação que há de vir sobre o mundo inteiro. Porém, Ele diz: “Porque guardaste a palavra da minha perseverança eu vos guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro”. A provação nesse texto refere-se ao julgamento final, e só os que guardaram a Palavra de Deus e não negaram o Seu nome serão guardados naquele dia, o dia da Ira de Deus, do Seu julgamento final, o dia em que o joio será lançado no fogo. Você está preparado para esse grande dia em que os salvos serão recebidos com grande alegria no seio de Abraão? E os falsos profetas dirão naquele grande dia ao “Filho do Homem” que está assentado no trono:

[...] naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade” (Mt.7:22-23).

Esse é o preço dos que rejeitam a lei de Deus pela glória efêmera desse mundo que irá passar com toda sua concupiscência.

2.1.4.3 Deus é Amor
A Igreja Pentecostal Deus é Amor, fundada por David Miranda, se espalhou, no início, por diversas áreas da periferia de São Paulo; atualmente encontra-se em todos os Estados Brasileiros. Seu público, ainda hoje, é a massa carente, despreparada, que luta por sobrevivência, saúde e emprego. Seu proselitismo exacerbado atrai os aflitos de todas as religiões sem exigir das pessoas nem um compromisso a não ser parte das graças recebidas que são os dízimos e as ofertas. “Na cura divina a graça é fim, e não percurso, como nas Igrejas Pentecostais” (MENDONÇA, 1990: 54). Mendonça considera essa igreja como um movimento. Sua população ainda é descompromissada. Todavia, tem um papel, bem como as Pentecostais, bastante importante diz Mendonça:

Sem entrar em valores religiosos, o Pentecostalismo e o movimento de cura divina exercem papel social importante, promovendo a catarse dos conflitos do cotidiano que desabam sobre a classe trabalhadora pobre e periférica dos grandes centros urbanos e das áreas camponesas de trabalhadores assalariados (1990: 55).





































CAPÍTULO III
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3.1 O surgimento do Neopentecostalismo
O Neopentecostalismo, também conhecido dentro do movimento Pentecostal como terceira onda, tem seus maiores representantes na “Igreja Universal do Reino de Deus”, “Igreja Internacional da Graça”, “Renascer em Cristo” e “Sara a Nossa Terra”.
O surgimento e crescimento dessas igrejas estão relacionados, também, com a situação econômica, social, política e cultural do Brasil no século XX. Devido ao grande desenvolvimento econômico, tardio, mas, acelerado e descontrolado. Passos nos mostra que em pouco tempo passamos de rural para urbano inchando as cidades (2005), as igrejas que surgem, nesse contexto social, crescem numericamente, porém, sem qualidade; não existe conhecimento da palavra de Deus. Um exército assim, despreparado, sem testemunho positivo para impactar o mundo, que não maneja bem a “Palavra da Verdade”, só pode crescer através de uma palavra falsificada que não desagrade ao mundo. Quando a Verdade é proclamada com fidelidade só crêem os que forem destinados a salvação . A verdadeira conversão é acompanhada de mudança de vida, somos salvos para sermos transformados na imagem do Filho de Deus . No Pentecostalismo e no Neopentecostalismo o emocionalismo e as experiências de cada um são confundidos com uma vida de santidade. A Bíblia diz que o crescimento na santificação vem através do conhecimento da Palavra de Deus. O Espírito Santo aplica a Palavra em nossos corações gerando um desejo de buscarmos esse alimento espiritual.

O Êxodo Rural
A população do campo, em busca de trabalho nos grandes centros urbanos, “trazem consigo a religiosidade católica popular que vai se adaptando ao novo contexto das grandes cidades, onde terão de refazer as dinâmicas de socialização e as suas representações religiosas” (PASSOS, 2005: 55). O imigrante procura, por necessidade de sobrevivência, adequar-se as novas realidades. Incorpora os novos símbolos da religião de mercado o que não lhe é estranho. O Neopentecostalismo surge nesse cenário, com a teologia da prosperidade, trazendo a resposta eficaz às novas necessidades. Passos comenta que: O “capitalismo selvagem parece ser proporcional a um sagrado selvagem” (2005:55). Na verdade, uma prosperidade que exclui a maioria não vem de Deus, é antibíblica e gera idolatria.
A sã doutrina, nessa conjuntura religiosa mística, vem sendo esquecida com o passar do tempo. Atualmente novos elementos estão sendo sincretizados do paganismo para que dessa forma as necessidades do povo sejam respondidas. É justamente isso que o mundo quer, uma religião que não denuncie o pecado, que se conforme com as injustiças, que não haja mais fronteiras claras com o mundo. O apóstolo Pedro é bastante taxativo quando afirma:

Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade [...] (2Pe.2:1-2).


3.1.1 A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD)
Entre as igrejas que se formaram do ramo Pentecostal, a que mais se afirma hoje é a “Igreja Universal do Reino de Deus”, fundada por Edir Macedo Bezerra, no Brasil, em 1977. Edir Macedo queria ser professor, mas abandonou os estudos universitários. Atormentado por problemas de depressão, procurou conforto na “Igreja Católica” e, em seguida no “Espiritismo” e nos “Terreiros de Umbanda”. Não encontrando alívio nem resposta aos seus problemas, aderiu à “Igreja Pentecostal Nova Vida” e ali ficou até 1974, quando, com um grupo de companheiros, fundou a “Igreja Cruzada do Caminho Eterno”. Em 1977, após um desentendimento com alguns de seus companheiros, fundou com Romildo Soares e Roberto Augusto Alves, a Igreja Universal do Reino de Deus, no Rio de Janeiro. Atribuiu a si o título de bispo e pediu a Roberto Augusto que o consagrasse. Em seguida, tanto Roberto Augusto como Romildo Soares separaram-se e Edir Macedo, único dos fundadores, ficou na liderança da Igreja recém fundada.

3.1.1.1 O culto da IURD
Entre as pessoas que aparecem no culto da Igreja Universal, a maioria vive problemas de vários tipos. O culto visa principalmente a oferecer a essas pessoas alguma solução para esses problemas que as atormentam.
- Desemprego e questões financeiras;
- Vida familiar e amorosa;
- Saúde;
- Vida espiritual elevada.
A Igreja Universal oferece, para isso, rituais diferenciados para as situações que afligem a maior parte das pessoas:
Os rituais dos cultos levam os fiéis a orar por uma ou outra dessas intenções, conforme os dias da semana.

1) Domingo: Culto de Celebração ao Espírito Santo;
2) Segunda: Reunião dos Empresários;
3) Terça: Sessão Espiritual do Descarrego;
4) Quarta: Reunião dos Filhos de Deus;
5) Quinta: Culto da Família;
6) Fonte de Libertação;
7) Reunião da Prosperidade.

Uma das idéias-mestras da Igreja Universal é que o diabo é, praticamente, a causa única e última de todos os males que nos afligem, o bode expiatório por tudo que de mal existe no mundo.
Somente através de uma vida de obediência a Palavra de Deus, principalmente quando se é um dizimista fiel, Deus o livra da ação de Satanás. Usam Malaquias 3:8-12 sem entendimento, afirmando que existe um demônio que Deus só repreende se houver fidelidade com o dízimo. Como se Deus estivesse limitado a alguma coisa.
Para ter sucesso no exorcismo, não é suficiente o trabalho do pastor: é necessária a colaboração do fiel, colaboração que é dada através do pagamento do dízimo, considerado uma obrigação, pois, fazendo isso, devolve-se a Deus o que é de Deus. A oferta, dada além do dízimo, não é obrigatória, mas é uma condição para receber em dobro ou sete vezes mais.
Os pastores são ensinados por Edir Macedo a pedir, e até a forçar o povo a dar dinheiro.
Ele tem o dinheiro em grande estima: "O dinheiro é uma ferramenta sagrada que Deus usa na sua obra", disse uma vez numa entrevista ao Jornal.
A adoração e o louvor a Deus não são prioridades na igreja de Edir Macedo. A ênfase está sobre a Teologia da Prosperidade em que eles afirmam que os fiéis irão comer o melhor desta terra. Um texto do Antigo Testamento, mal interpretado pelos pastores de Edir Macedo para dar fundamento a sua Teologia. O texto, na verdade, trata de promessas dirigidas aos judeus e não ao Israel espiritual (a igreja de Cristo). Edir Macedo não entende que as bênçãos da igreja transcendem, são superiores a da Antiga Aliança. Veja o que Paulo disse aos efésios: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo” (Ef.1:3 - NVI). O versículo não deixa dúvidas, “com todas as bênçãos espirituais”, não são algumas, porém, todas. Diante dessa promessa, de que deveremos ter falta? Será que os irmãos devem continuar pedindo o que já foi dado? Ou será que as bênçãos foram colocadas a nossa disposição e precisamos conquistá-las? Não! O texto é claro, e diz que: “[...] o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais”. Ele já nos abençoou (gr. Εύλογήσαζ), o verbo está no passado, é algo que aconteceu. Portanto, a “Teologia da Prosperidade” é antibliblica. Uma prosperidade que exclui a maioria gera idolatria. Por que a maioria continua na miséria? Todos os dias estão ali, em busca das pseudo promessas, procurando mudar a sua vida financeira e essa transformação não acontece de fato? Eles não entendem que a Graça de Deus nos basta e que não devemos acumular tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam (cf. Mt.6:19-20). “Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Como que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt.6:31-33).
A Igreja Universal volta-se contra todas as igrejas tradicionais, inclusive as Pentecostais numa reação característica de seita herética.
Uma estatística de 1996 atribuía à Igreja Universal 3,5 milhões de fiéis, 7 mil pastores, milhares de assistentes voluntários, ou obreiros, 2 mil templos no Brasil e 225 no exterior, em 34 países, 2 canais de televisão, a TV Record e a TV Rio, emissoras de rádio, jornais, uma agência de turismo e um Banco, o Banco de Crédito Metropolitano. Não é pouco para uma Igreja que começou em 1977 com algumas dezenas de fiéis.
3.1.1.2 O mal visto por Edir Macedo
Numa entrevista concedida à revista Veja de 6 de dezembro de 1995, Edir Macedo comentou também sobre as características do demônio, conforme é visto e ensinado pelos adeptos da Universal. Eis, a seguir, alguns trechos da entrevista que se encontra a disposição na Internet:
Existe um espírito que só atua na destruição do lar. Você pode verificar isso a partir das etapas que o casal enfrenta na vida. Esse espírito normalmente vem dos pais. Se eles são divorciados, o mesmo espírito que destruiu o lar dos pais vai destruir o lar dos filhos, dos netos, dos bisnetos. Isso é uma herança maldita. Ele passa de pai para filho por todas as gerações, até que a pessoa tenha um encontro com Jesus. Aí, corta-se toda a maldição.
Existe o espírito da prostituição (prostitutas, homossexuais) e de enfermidades. Este faz a pessoa se manter doente por toda a vida. Por exemplo, a epilepsia é causada por um espírito. Há muitas pessoas que foram curadas da epilepsia sem medicação, apenas por "influência da 'libertação'.
Essa força maligna, que toma a mente e faz a pessoa ficar louca, perturbada e toma o coração, essa força causa raiva, ódio, doenças. Há pessoas que têm feridas nas pernas que não cicatrizam nunca. Por quê? Aquilo é um espírito que está alojado ali. Aquilo é um espírito. Aqueles que têm dor de cabeça constante, daquelas que não há médico que descubra a causa...pois bem, isso é o espírito. A pessoa que tem uma dor de estômago, mas o médico não descobre a causa, isso é um espírito. Todas as pessoas que sentem dores, vão ao médico e ele não consegue diagnosticar nada, estão tomadas pelo demônio. Essas são doenças espirituais. E quando o problema é espiritual, não há medico que consiga resolver.
3.1.2 A Igreja Renascer em Cristo
Fundada em 1986 pelo casal Estevão e Sonia Hernandes. Essa igreja é procurada especialmente por jovens, devido a seu trabalho de recuperação de dependência de drogas. O grande uso da música é uma das marcas características da Igreja Renascer. “A doutrina da Prosperidade” é também um dos pilares da sua Teologia.
Em 1999, a Igreja Renascer em Cristo possuía aproximadamente 200 templos no Brasil e quatro no exterior. Em 2005 o número de templos multiplicou e em 2006 apesar dos seus fundadores terem passado por um grande escândalo relacionado a sonegação de impostos e de terem mentido para autoridades alfandegária no Aeroporto dos EUA. Os adeptos afirmam que esses escândalos são obras de Satanás para impedir o crescimento do Reino de Deus. Mesmo com todos os escândalos a Igreja continua na mídia.

Cultos: Os cultos são todos os dias. O dinheiro arrecadado de todas as Igrejas são depositados em uma conta particular do Bispo Estevão Henandes e da Bispa Sônia.
Os pastores são pressionados a alcançarem uma cota mensal nos dízimos. Os que não conseguem são considerados fracos e sem unção. Os salários são enviados para os pastores depois que eles fazem o depósito da arrecadação mensal. Esse salário varia muito, alguns recebem uma miséria, outros ganham muito bem, depende do tempo e da posição que os mesmos assumem na Igreja. O pastor vale pelo dízimo que arrecada. Se a Igreja não cresce para poder dá um bom lucro, o pastor é descartado: coloca-se outro em seu lugar. A santificação, ninguém sabe o que é isso. O interesse pessoal é que predomina. A maioria estão a procura de tirar proveito de alguma coisa. E não é só nessa Igreja, mas até mesmo nas Igrejas Reformadas o amor é algo raro. Quando o Filho do Homem voltar será que encontrará fé na terra?

3.1.3 A Igreja Sara Nossa Terra
A Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra é uma Igreja Evangélica Neopentecostal. Foi criada em fevereiro de 1992, em Brasília, Brasil, pelos bispos Robson e Maria Lúcia Rodovalho que acreditam que a Terra está ferida pelas desigualdades sociais, miséria, fome, corrupção, bruxaria e todas as formas de exploração do mal. Sua visão é de sarar o país, a sociedade, a cultura e as famílias. O casal pertencia a Igreja Renascer.
O Ministério possui hoje, cerca de 550 igrejas espalhadas pelo Brasil e exterior e estão sob a coordenação da Federação Nacional Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra. Esta Comunidade é dirigida por um Conselho de Bispos e um Conselho Diretor, responsáveis pelas Igrejas em todo o Brasil e Exterior. Por meio da “Fundação Sara Nossa Terra” e “Associação Ministério Comunidade Evangélica” (AME), a Igreja desenvolve trabalhos de cunho sócio-cultural e promove assistência a famílias carentes.
Atualmente, o Ministério Sara Nossa Terra conta com um canal de televisão, “TV Gênesis” e uma “Rádio, Sara Brasil FM”, com programação diária, voltada para a família. A Rádio Sara Brasil FM e a TV Gênesis estão presentes em diversas cidades brasileiras, tanto em TVs por assinatura, como UHF. O “Jornal Sara Nossa Terra” e a “Revista Sara Brasil”, também são instrumentos de comunicação da denominação.
A Sara Nossa Terra conquistou espaço na mídia por ser freqüentada por vários jogadores de futebol e algumas sub-celebridades, que se converteram e "mudaram suas vidas".
Visão Apostólica
Sarar a nossa Terra através de igrejas locais aliançadas e governadas pelo ministério apostólico, em todo mundo. Que sejam instrumentos para trazer o Reino de Deus, através do avivamento produzido pelo compromisso de oração, devoção e santidade, e através de profundas mudanças sociais em nossa cultura. Tanto por meio de escolas, faculdades e obras sociais que expressam o amor de Deus, como pela mídia (rádios, jornais e TV), bem como através de todos os espaços possíveis que possam ser preenchidos pelo povo de Deus.
É louvável querer ver o povo de Deus unido e assumindo o controle. Todavia, olhando do ponto de vista em que os verdadeiros crentes estão, na mão do Pai (cf. Jo.10:28), isso não significa nada diante do que Cristo tem preparado para aqueles que O amam. O Reino de Deus não é comida nem bebida, nem significa manter o controlhe das coisas desse mundo. É algo muito maior doque tudo isso: “Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor” (Hb.12:28 – negreto nosso). Recebemos um Reino inabalável, eterno e não precisamos nem devemos investir em outro reino aqui nesse mundo, devemos sim, buscar o que é eterno.

Visão para Igrejas Locais
Fazer de cada não cristão um cristão, de cada cristão um discípulo, de cada discípulo um líder, edificando assim uma Igreja que manifesta a presença de Deus através de prodígios e manifestações sobrenaturais.
Declaração de Fé
1. Cremos que a Bíblia é a palavra de Deus, inspirada e infalível(II Pe.1:21)
2. Que Deus se revelou como Pai, Filho e Espirito Santo (II Co 13:14).
3. Na divindade de Jesus, em seu nascimento virginal, em sua morte expiatória, em sua ressurreição corporal e em sua ascensão à destra do Pai (1ts.4:14)
4. Que o homem foi criado bom e justo, mas perdeu essa natureza por cair voluntariamente no pecado (Gn.1:26-31)
5. Que a única esperança para a salvação do homem é através do sangue redentor de Cristo (Hb.9:27)
6. Que todos que se arrependerem de seus pecados e crerem em Jesus como seu Salvador e Senhor, serão salvos pela graça por meio da fé. (Ef.2:6-7)
7. Que a santificação e a vida vitoriosa são requisitos para a esposa de Cristo (Ef.5:25-2







































CONSIDERAÇÕES FINAIS
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A Bíblia ensina que os dons, sinais e milagres, servem para um propósito determinado; uma vez que ele foi cumprido, os dons cessaram (cessaram alguns, no sentido de perder a funcionalidade, ou seja, de já ter cumprido seu papel na Igreja Primitiva). As línguas modernas, as profecias e curas pela fé não se parecem em nada com o que aconteceu nos dias de Cristo e dos apóstolos. O testemunho objetivo da História é de que esses dons cessaram após o encerramento do cânon do Novo Testamento. Cristo e os apóstolos operaram seus milagres em público, até mesmo diante de seus inimigos. Desafiamos nossos irmãos carismáticos a fazerem o mesmo e provarem ao mundo e aos crentes não-carismáticos que esses dons são verdadeiros. Até que venham a existir evidências bíblicas e comprobatórias que sustentem as reivindicações carismáticas. Nós devemos considerar as práticas carismáticas como enganosas e fraudulentas (2 Co 13:1). Ainda que creiamos que os "curadores da fé" de nossos dias vivem enganados e (deliberadamente ou não) cometendo fraudes. Também cremos que Deus cura o seu povo, atendendo suas orações. Se você está freqüentando uma igreja carismática, sinta-se exortado a deixá-la e a freqüentar uma igreja que seja centrada na verdade revelada nas Escrituras. Deus não se impressiona com os grandes números, entretenimento tolo e com os falsos milagres dos pregadores carismáticos. Ele quer sim, que você freqüente uma igreja que ensine a verdade e O adore da maneira que Ele determinou na Sua Palavra.






BÍBLIOGRAFIA
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ANGLADA, Paulo. Calvinismo: As Antigas Doutrinas da Graça. São Paulo. Editora Puritanos, 2000. 151p.

BOAVENTURA, Carlos. O Brasil Pentecostal: Uma análise da história. Rio de Janeiro. Editora Nova Jerusalém, 2006. 183p.

BOICE. James M / PACKER, J. I / SPROUL, R. C. / MCGRATH, Alister. Religião de Poder: A Igreja sem fidelidade bíblica e sem credibilidade no mundo. Editora Cultura Cristã, 1998

CAIRNS, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos: Uma história da Igreja Cristã. São Paulo. Editora Vida Nova, 1995. p.248.

DREHER, Martin N. A Igreja Lantino-Americana no Contexto Mundial. São Leopoldo. Editora Sinodal, 1999. 244p.

FALCÃO, Samuel. Predestinação. Recife, 1989. 200p.

GEISLER, Norman. Eleitos, mas livres: uma perspectiva equilibrada entre a eleição divina e o livre-arbítrio. São Paulo.Vida, 2005. 318p.

GUTIÉRREZ, Benjamin F. Na Força do Espírito: Os Pentecostais na América-Latina: um desafio às igrejas históricas. São Paulo. AIPRAL, 1996. 290p.

JOHN, F. MacArthur, Jr., Os Carismáticos: Uma Perspecitiva Doutrinária - The Charismatics: A Doctrinal Perspective - (Grand Repids: Zondervan, 1978)

LUTERO, Martinho. Nascido Escravo. Editora Fiel, 1525. 93p.

MUNIZ, Beatriz Souza de / MAURO, Luís Martino Sá (orgs). Sociologia da Religião e Mudança Social. São Paulo. Paulus, 2004. 173p.

MENDONÇA, Antônio Gouvêa / VELASQUES, Prócoro Filho. Introdução ao Protestantismo no Brasil. São Paulo. Edições Loyola, 1990. 279p.

MACARTHUR, John. Nossa Suficiência em Cristo: Três influências letais que minam a sua vida espiritual. São Paulo. Editora Fiel, 2001. 252.

OWEN, John. Apostasia do Evangelho: A natureza e as causas da apostasia do Evangelho. São Paulo. Editora os Puritanos, 2002. 206p.

PASSOS, João Décio. Pentecostais: origens e começo. São Paulo. Paulinas, 2005. 118p.

SANTOS, Alfredo Oliva dos. A História do Diabo no Brasil. São Paulo. Fonte Editora, 2007. 288p.

SOUZA, Alderi Matos de / NICODEMUS, Augustus Lopes / SOLANO, Francisco Portela Neto / CARLOS, Heber Campos de. Fé Cristã e Misticismo: Uma avaliação bíblica de tendências doutrinárias atuais. São Paulo. Editora Cultura Cristã, 2000. 171p.

WRIGHT, Gregor R. K. Mc. A Soberania Banida: Redenção para a cultura pós-moderna. São Paulo. Editora Cultura Cristã, 1998. 267p.


WALKER, John. A Igreja do Século XX: A história que não foi contada. Belo Horizonte, MG. Editora Atos, 2002. 300p.
Do mesmo autor.









Vendas pelo fone abaixo:
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segunda-feira, 13 de outubro de 2008

ENSINANDO DE SIÃO: UMA ANTIGA HERESIA




ENSINANDO DE SIÃO
JUDEUS-MESSIÂNICOS
UMA HERESIA ANTIGA

Pr. Carlos R. Cavalcanti
Teólogo, Historiador, Antropólogo, Especialista em Religiões, Cultura Judaica e Simbologia Judaica.


Muitas heresias têm surgido dentro da igreja e as Escrituras nos advertem a termos cuidado quanto aos falsos mestres que se apresentam dissimuladamente, mas são lobos em pele de ovelhas:


“Assim como, o meio do povo, surgiram falos profetas, assim também haverá entre vos falos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas,e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; Também , movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme” (2Pe.2:1-3).


No A.T. houve falsos mestres e profetas. Portanto, é mister que na igreja, haja falsos mestres introduzindo heresias para sua própria destruição. Se a Bíblia diz que isso vai acontecer na igreja, como querem alguns ir de encontro a Palavra de Deus? O que devemos fazer é nos preparar com a Palavra de Deus para não cairmos nas ciladas do diabo. A apostasia sempre foi uma realidade dentro da igreja cristã. E ela e gerada, em épocas de crise, pelo descontentamento de algumas pessoas que procuram uma vida de santidade independente da comunidade cristã a fim de operar independentemente sua própria salvação. Esse foi o caso do monasticismo (século IV) em que pessoas se retiraram para cavernas e colinas ao longo do Nilo no Egito para levarem uma vida de meditação e ascética a fim de melhorarem espiritualmente.
Atualmente, diante da grande apostasia, algumas pessoas por falta de conhecimento e discernimento espiritual da história do cristianismo primitivo, tem levado muitos a uma imagem irreal dessa Igreja como se ela não tivesse problemas. Roque Frangiotti nos traz um excelente comentário: “Ainda hoje, cristãos de todas as tendências se reportam à Igreja primitiva como a um “encanto”, para encontrar nela uma forma de fé fundamental, pura, exemplar. Basta uma leitura menos superficial de alguns textos tidos como mais antigos do cristianismo, para se desfazer esta concepção mítica, idílica da “Igreja Primitiva”. (1995:8).

Não é errado, de forma alguma, as pessoas quererem viver como os primeiros cristãos. Essa comunidade é modelo para todos nós:

“Perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédios dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade” (At.2:42-45).

Essa comunidade à medida que foi crescendo, os problemas começaram a surgir. Foi necessário haver um concilio em Jerusalém para revólver as confusões que se instalaram no seio daquela comunidade. Havia tendência e divisões entre helenistas e judaizantes (cf. At.6:1-7). Os fiéis de origem grega queixavam-se dos de origem hebraica. O diácono Estevão foi acusado de blasfemar contra Moises e subverter a lei e os costumes judaicos (cf. At.6:13-14). Nessa época havia várias tendências, uma herética conhecida como “ebionitas”, os “elenistas”, os “judaizantes moderados” e os “radicais”. Os radicais diziam: “É necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a lei de Moisés” (At.15:5b). Os ebionitas: seu pensamento encontra-se nas Pseudoclementinas (apócrifo). Os moderados: Pedro e Tiago, o “irmão do Senhor”, eram tolerantes, eles buscaram o equilíbrio a fim de facilitar a convivência com os radicais. As medidas de Pedro e Tiago foram tomadas no Concílio de Jerusalém (cf. At.15:132-21). Os elenistas: Judeus-cristãos tinha como mestre Paulo e Barnabé.
Com o a expanção da igreja surgem outras formas de heresias, como os “nicolaítas”, “elcasaíta”, o “adocionismo de Hermas”, “o adocionismo ebionita”, gnosticismo e etc.
Mesmo diante de toda crise porque a igreja vem passando, não devemos temer, o SENHOR conhece os Seus. Se fosse da Sua vontade manter aquela comunidade, Ele não teria espalhado todos eles no ano 70 d.C. e o apóstolo Paulo convocaria o povo a voltar a igreja de Jerusalém, uma igreja genuinamente judaica. Mas, isso não era preciso, pois a igreja de Jesus Cristo esteja onde estiver é santa, tem dono: “...à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (1Co.1:2 – negrito meu). Mesmo devido a todo mal que afetava a igreja de Corinto, o apóstolo Paulo diz que eles foram enriquecidos em toda a Palavra e em todo conhecimento (cf. 1Co.1:5). “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe.2:9). A igreja de Laudicéia era infeliz, miserável, pobre, cega e nua (cf. Ap.3:17), era uma igreja morna, mas pertencia a Deus. O que ela tinha que fazer para sair daquela situação era buscar na fonte da sabedoria, em Deus; nossa suficiência está nas Palavras de Deus e quando Ele diz: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo” (Ap.3:20). Na verdade, só os eleitos ouvirão a voz do Senhor (cf. Rm.8:28; 1Ts.1:4). Portanto, meus irmãos, o apóstolo Paulo nos exorta a santidade em qualquer lugar que o povo de Deus esteja reunido: no Brasil, no Japão ou em Jerusalém, tanto faz. “Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai” (Jo.4:21). Ele procura verdadeiros adoradores que O adorem em espírito e em verdade. Ele não está interessado em ritualismo que foram sombras de realidades ainda maiores que se cumpre em Cristo Jesus. Os rituais festivos judaicos não serviam de nada quando se tinha o coração impuro (Is.1:10-17). Devemos, portanto, buscar a santificação sem a qual veremos a Deus e deixar de lado os rudimentos da lei. Pois, a Bíblia é suficiente para nossa salvação.
Passaremos agora a refutar as heresias Judaico-Messiânico defendidas por Marcelo Miranda Guimarães que é um dos Membros da IES.
O que ele defende como perfeição cristã é uma antiga heresia judaica. Analisaremos cada item à luz da Bíblia.


Por Marcelo Miranda Guimarães (*)

“Jesus, cujo verdadeiro nome em sua língua materna, é Yeshua Ben Yosef, ou seja, O Deus-que-salva Filho de José, tem procurado por uma noiva nos últimos 2 mil anos. Um pouco cansado de procurar sua autêntica noiva, resolveu escrever algumas considerações, solicitando a amigos que as publiquem em seus sites, MSN, Orcut, etc., enviando e-mails a irmãos e amigos. Ele disse que desta vez Ele tem pressa, pois Seu Pai já tem uma data marcada e agora o tem pressionado bastante.
Sem dúvidas, há muitas boas noivas candidatas, mas Jesus procura a mais autêntica.
Sabendo disso, me coloquei imediatamente à disposição de Jesus, no sentido de ajudá-lo nesta procura. Era tarde da noite e já me encontrava em minha cama, quando adormeci, perguntando:- o que posso eu fazer para lhe ajudar, Jesus? Por onde posso começar? A quem devo procurar? ... Adormeci e subitamente acordei no meio de um sonho. Tentei me lembrar do que tinha sonhado, mas não consegui. Devagarzinho, comecei a imaginar quais seriam os recados que Yeshua gostaria de enviar à sua Igreja. De repente imaginei Jesus falando o seguinte: - “fale à minha noiva que ela precisa me conhecer melhor...” e foi falando, falando... foi quando então, me levantei e tomei nota dos13 itens abaixo:

1. “Minha noiva precisa me ver como um judeu. Nasci em Belém, me criei em Nazaré ensinei nas melhores sinagogas de meu país. Sou um judeu, educado nos princípios da Torá, livro escrito pelo meu Pai através de Moisés. Fui circuncidado no 8º. dia e me orgulho do meu povo, pois vim primeiramente para anunciar as Boas Novas para eles. Com este povo meu Pai tem uma aliança e um chamado irrevogável” (Marcelo Miranda Guimarães, 2008);

Refutação: Na sua introdução ele afirma que Jesus está procurando há dois mil anos por uma noiva. Isso não merece nem refutação, mas como já comecei vou terminar. Esse rapaz digo senhor é um poço vazio, não tem conhecimento de nada. Acredito que até a “Igreja Ensinando de Sião não concorda com ele. Em primeiro lugar Jesus não está à procura de uma noiva porque Ele já tem. A igreja de Cristo é um povo que foi escolhido antes da fundação do mundo para ser santo e irrepreensível diante do Senhor: “...assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para seremos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça...” (Ef. 1:4-6).

• A noiva já foi comprada há dois mil anos atrás com o seu precioso sangue vertido na crus: “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue” (At.20:28). Você é um verdadeiro herege ao afirmar que Cristo está por ai à procura de uma noiva. Outros versículos (1Co.6:20; 7:23; Ap.5:9).
• A igreja é a noiva de Cristo, portanto, o apóstolo São João escreve para as sete igrejas que se encontram na Ásia: “João, às sete igrejas que se encontram na Ásia, graça e paz a vós outros, da parte daquele que é, que era e que há de vir, da parte dos sete Espíritos que se acham diante do seu trono” (Ap.1:4). Como é que Cristo poderia está desde o primeiro século procurando uma noiva se Ele está falando para elas através do aposto João? Quando Jesus morreu naquela cruz, Ele morreu especificamente por alguém, para expiação de seus pecados foi algo real. Ele também disse que veio fazer a vontade do Pai (Jo.6:38) e a vontade do Pai e que nenhum daqueles que foram dados a Cristo se perca, e eu o ressuscitarei no último dia (Jo.6:39). A igreja de Cristo Jesus está sobre a proteção divina (Jo.10: 25-30). Não devemos ficar como se não tivesse solução. Deus está sentado em um alto e sublime trono, está no controle do universo. Não há o que temer.
• Ainda na introdução ele afirma que Jesus está um pouco cansado de procurar Sua noiva. Eu nem vou refutar isso. Só quero mostrar que os judeus-messiânicos acreditam que são, por serem judeus, a verdadeira noiva de Cristo. Portanto, esse pensamento é incorreto, pois, Cristo, dos dois fez um só povo através da cruz (cf. Gl.3:28).
• O pior de tudo é a neurose, esse senhor recebeu várias mensagens de Cristo, o que é típico das Seitas Heréticas. Quando essas pessoas querem dá credibilidade aos seus pensamentos heréticos, dizem que recebeu a mensagem de Deus. Nesse caso o próprio Jesus entra em contado com esse moço desesperado. As Testemunhas de Jeová, os Mórmons e os Adventistas do Sétimo Dia e muitos outros tiveram uma revelação igual.
Essas palavras foram dirigidas aos judaizantes de extremas direita que estavam pervertendo a fé dos irmãos (cf. At.15:1): “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” (Gl.1:6-9). William Hendriksen na Epístola aos Gálatas, traz um excelente comentário sobre esse assunto: “Os gálatas, dessa forma, estavam sendo lançados em confusão por homens que estavam desejando e tentando virar de ponta a cabeça o evangelho que tem Cristo por centro e que o glorifica, o evangelho cristocêntrico. Certamente que o ensino segundo o qual a salvação dos homens é por meio da fé mais as obras da lei não passa de uma perversão do verdadeiro evangelho que proclama as “boas-novas” da salvação (pela graça) pela fé somente” (1999:64).

No item 1 ele declara algo absurdo afirmando que foi Jesus que transmitiu tais mensagens. “Minha noiva precisa me ver como um judeu”. A Palavra de Deus é suficiente para nossa salvação e qualquer outra revelação é maldição, Deus já revelou o que tinha de ser revelado para nossa salvação. A noiva de Cristo precisa vê-Lo com “Senhor” e “Salvador” (cf. 1Co.12:3).
“...me orgulho do meu povo, pois vim primeiramente para anunciar as Boas Novas para eles. Com este povo meu Pai tem uma aliança e um chamado irrevogável”. “...me orgulho do meu povo”, ele está se referindo exclusivamente ao povo judeu. O povo de Deus, em primeiro lugar, é o que faz a Sua vontade (cf. Jo.14:23, 24) e não o povo judeu, posto que não existe mais judeus ou gentios: “Dessarte, não pode haver judeu nem grego nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl.3:28).
“Com este povo meu Pai tem uma aliança e um chamado irrevogável”. Vejamos o que a Bíblia diz: “Pergunto, pois: terá Deus, porventura, rejeitado o seu povo? Deus modo nenhum! Porque eu também sou israelita da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim” (Rm.11:1). No versículo 2 ele responde que Deus não rejeitou o Seu povo a quem de antemão conheceu. O apóstolo Paulo também afirma que Deus preservou um remanescente fiel segundo a eleição da graça (Rm.11: 2-7). Porém, a maioria como no tempo de Elias foram rejeitados: “Que diremos, pois? O que Israel busca, isso não conseguiu; mas a eleição o alcançou; e os mais foram endurecidos, como está escrito: Deus lhes deu espírito de entorpecimento, olhos para não ver e ouvidos para não ouvir, até ao dia de hoje” (Rm.11:7-8). Meus amados o apóstolo Paulo nos diz que a Palavra de Deus não falhou quanto as promessas feita aos judeus. Todavia, “...nem todos os de Israel são, de fato, israelitas; nem por serem descendentes de Abraão são todos seus filhos” (Rm.9:6-7). “...filhos de Deus não são propriamente os da carne, mas devem ser considerados como descendência os filhos da promessa” (Rm.9:8) os quais estão incluídos os gentios: “Que diremos, pois? Que os gentios, que não buscavam a justificação, vieram a alcançá-la, todavia, a que decorre da fé; e Israel, que buscava a lei de justiça, não chegou a atingir essa lei. Por quê? Porque não decorreu da fé, e sim como que das obras. Tropeçarem na pedra de tropeço, como está escrito: Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, e aquele que nela crê não será confundido” (Rm.9:30-33). Ora, a questão dos judeus-messiânicos é a mesma da época de Paulo. Hoje também eles estão lendo as Escrituras, mas sem entendimento: “Porque lhes dou testemunho de que eles Têm zelo por Deus, porém não com entendimento. Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus. Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Rm.10:2-4). Mas nem todos os judeus e também gentios não obedecem ao Evangelho: “Mas nem todos obedeceram ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem acreditou na nossa pregação?” (Rm.10:16).

2. Diga à minha noiva que ela deve gostar de festas. Há muitas festas celebradas no mundo, mas eu quero celebrar as minhas festas. Lembre a ela que numa dessas festas, a de Tabernáculos, a tomarei para celebrar nossas bodas de casamento. Durante os sete dias dessa festa, estaremos em núpcias e expressando-nos mutuamente nosso grande amor;

Refutação: Jesus nunca ordenaria isso para Sua igreja; como judeu cumpridor da lei, Ele participou das festividades, porém o que tem ordenado em Sua Palavra para que a igreja cumpra são os ritos do “Batismo e a Santa Ceia”. As festas tinham um significado pedagógico, era sombra do que havia de vir, e apontava, em última análise, para Cristo onde tudo se cumpriu categoricamente. Vejamos: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo” (Cl..2:16-17 – negrito meu); (cf. Hb.10:1).

3. Diga à minha querida noiva para não se preocupar muito com o que levar, pois, primeiro, não tenho carro, casa ou tão pouco uma conta bancária. Tenho somente um cavalo branco que será usado somente no dia que eu tomar posse do meu reino aqui na terra. Minha noiva, depois esposa, tomará posse desse reino comigo. A casa que vamos morar, será a do meu Pai. Ela é muito bonita e já tem tudo arranjado e em ordem. Na verdade, trata-se do antigo Templo construído por um ancestral de minha tribo, Salomão. Mas, seus palácios estarão todos reconstruídos até lá e, esplendidamente, restaurados. Quanto ao meu salário, diga a ela para não se preocupar também, pois o Sogro é riquíssimo, dono absoluto do ouro e da prata do mundo;
Refutação: Pensamento dispensacionalista. O movimento dispensacionalista surgiu nos meados do século XIX na Inglaterra com os Irmãos ou Irmãos de Plymnoutrh. Seu maior expoente foi John Nelson Darby (1800 – 1882), um irlandês insatisfeito com a igreja Anglicana da qual era ministro, uma das características do grupo de Darby foi o desprezo por qualquer tipo de organização denominacional ou forma de culto. Rejeitaram muitas coisas acreditando estarem voltando à forma de culto primitivo dos primeiros crentes na época apostólica. Foi justamente nessa tentativa que desenvolveram um novo modelo de interpretação bíblica conhecido atualmente como dispensacionalista em que as profecias são interpretadas literalmente. Quem muito contribuiu para propagar esse pensamente foi a publicação da Bíblia de Referência de Scofield, em 1909. Dessa forma é propagada nos meios cristãos uma falsa e defeituosa hermenêutica a respeito do modo como Deus trata como homem, com a salvação e a respeito da igreja de Cristo.
Os dispensacionalista acreditam que Deus trata diferentemente com a Igreja e com Israel. Todos os dispensacionalistas são pré-milenistas. Acreditam que depois da Grande Tribulação Cristo irá reinar em Jerusalém, onde na época estará tudo preparado para o culto no templo e os sacrifícios durante o milênio. Analisemos, pois, Apocalipse 20:1-6, a única passagem na Bíblia que fala explicitamente de um reinado de mil anos após a Segunda Vinda de Cristo. A derrota de Satanás começou com a Primeira Vinda de Cristo. E que o Milênio, em que Cristo reinará com Sua Noiva, nos versos 4 a 6 já está acontecendo e seu final dar-se-á com a Segunda Vinda de Cristo. Conforme A nthony A. Hoekema o reinado de mil anos deve acontecer antes da Segunda Vinda de Cristo e não depois:

“Não apenas no livro de Apocalipse, mas em qualquer outro lugar no Novo Testamento, o juízo final está ligado à Segunda Vinda de Cristo (veja Apocalipse 22:12 e as seguintes passagens: Mt.16:27; 25:31, 32; Jd.14, 15 e especialmente 2Ts.7;10). Sendo assim, é óbvio que o reinado de mil anos de Apocalipse 20:4-6 deve acontecer antes, e não depois da Segunda Vinda de Cristo” (O Milênio, 1990: 145).

Os que morreram em Cristo estão reinando com Ele aguardando a ressurreição do Corpo que acontecerá por ocasião da Segunda Vida.

“Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quis foi dada autoridade de julgar. Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos” (Ap.20:4-5).

Após a ressurreição Sua noiva poderá adorar a Deus, servir a Ele e reinar com Cristo de uma maneira ainda mais rica do que agora. Eles adoração e servirão a Deus por toda eternidade na Nova Terra e não nessa que um dia irá passar:

A Bíblia confirma essa catástrofe final

No sermão profético de Jesus, narrado por Marcos 13:25; Lucas 21:25-27; Mateus 24:29 diz:

Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas (gr. asteras - asteróides) cairão do firmamento, e os poderes dos céus (energia gravitacional que equilibra os corpos no espaço, eletromagnéticas, nucleares fraca e forte que atuam nos céus) serão abalados.

“Todo o exército dos céus se dissolverá, e os céus se enrolarão como um pergaminho; todo o seu exercito cairá, como cai a folha da vide e a folha da figueira” (Is. 34:4).
“Esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, “serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão’’ (2 Pe. 3:12). A linguagem escatológica é usada em toda Bíblia para falar do fim que acontecerá em breve. O dia e a hora, ninguém sabe.

Vi quando o Cordeiro abriu o sexto selo, e sobreveio grande terremoto. O sol se tornou negro como saco de crina, a lua toda, como sangue, as estrelas do céu caíram pela terra, como a figueira, quando abalada por vento forte, deixa cair os seus figos verdes, e o céu recolheu-se como um pergaminho quando se enrola (Ap. 6:12-14).

Assim como o Senhor estendeu o universo através da Sua palavra criadora (bereshith bará), no fim Ele recolherá, precipitará os acontecimentos por ocasião do Seu juízo:

Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono (Ap. 20:11 e 12).

Todos serão julgados e o mal será para sempre vencido e lançado para dentro do lago de fogo justamente com aqueles cujos nomes não foram encontrados no “Livro da Vida” (cf. Ap. 20:15). Todavia, isso é o começo de uma nova existência, a visão final de João é que Deus fará tudo novo, para o povo redimido:

Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a Nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para seu esposo (Ap. 21:1-2).

Como a Bíblia diz, e a ciência prova, o mundo teve um começo e terá um fim, não o fim da matéria existente, mas uma transformação radical para uma nova ordem. O planeta está caminhando como um bêbado para seu destino final. A linguagem usada é profética, aponta para esse momento que acontecerá por ocasião da “Segunda Vinda de Cristo”:

Terror, cova e laço vêm sobre ti, ó morador da terra. E será que aquele que fugir da voz do terror cairá na cova, e, se sair da cova, o laço o prenderá; porque as represas do alto se abrem, e tremem os fundamentos da terra. A terra será de todo quebrantada, ela totalmente se romperá, a terra violentamente se moverá. A terra cambaleará como um bêbado e balanceará como rede de dormir; a sua transgressão pesa sobre ela, ela cairá e jamais se levantará. Naquele dia, o SENHOR castigará, no céu, as hostes celestes , e os reis da terra, na terra” (Is. 24:17-21).

“Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão’’ (Lc. 21:33).
Os salvos, os que aceitaram Jesus como seu Senhor e Salvador, herdarão um novo céu e uma nova terra, onde gozarão as bem aventuranças :

[...] ali não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: escreve, porque estas palavras são verdadeiras. Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida (Ap. 21:4b-6 – grifo nosso).

Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhe cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte (Ap. 21:8).

4. Diga á ela para ir acostumando com a cidade de Jerusalém. Ela terá que mudar para lá. Ela é a minha cidade que meu Pai escolheu para eu morar com a minha esposa e de lá, reinar;

Refutação: Não tem sentido pensar que Cristo já não está reinando. A terra que Cristo irá reinar com Sua igreja será na Nova Terra no estado eterno. E não na Palestina que conhecemos hoje. Isso é uma fantasia romântica de alguns grupos como as Testemunhas de Jeová.

5. Minha noiva precisa ainda entender de minhas funções ministeriais. Primeiro sou Rei, descendente do reinado de David, da tribo de Judá e preciso de uma rainha. Precisa falar com minha noiva o que é ser e viver como rainha, pois ela desempenhará um importante papel no reino. Segundo, sou sacerdote da suprema ordem de Melquisedeque. Tenho meus ofícios de adoração ao meu Pai dentro da mais profunda e pura liturgia judaica. É bom minha noiva ir se acostumando com isto, pois não haverá projetor, telão e televisão para acompanhar as lindas e espirituais melodias. Terceiro, sou um profeta do Altíssimo, e minha noiva precisará conhecer bem tudo aquilo que se cumprirá no milênio até que haja novos céus e desça a deslumbrante e eterna Jerusalém de ouro;

Refutando: A liturgia judaica é coisa do passado. A verdadeira liturgia vemos em Apocalipse. Os verdadeiros adoradores o adoram em espírito e em verdade. Muito diferente dos rituais judaicos que para mais nada serve. A Jerusalém que desce do céu é arquétipo de perfeição, as ruas são de ouro e cristal. Toda essa simbologia é usada para falar de algo que com outras palavras não haveria entendimento. O escritor usa o que há de melhor para descrever a beleza da nova Jerusalém. Não devemos entender literalmente como se fosse realmente de ouro. Na verdade, nem ouvido ouviu, nem olho jamais viu, nem nunca penetrou no coração de alguém o que Deus tem preparado para os que O amam.

6. Lembre à minha noiva que falo todas as línguas dos homens, mas ela estudará e ensinará as Escrituras de meu Pai em hebraico. Ela precisa pensar de um modo mais judaico, conhecendo a filosofia da Torá e dos Profetas. Hoje eu sinto uma dificuldade enorme em me fazer entender, pois minha noiva, embora bela, está muito limitada e acostumada aos conceitos Greco-romanos;

Refutação: Em nenhum lugar fala que Cristo estudará e ensinará as Escrituras em hebraico. Isso é uma fantasia judaico-cristã. O que Deus realmente fez foi proclamar, por ocasião do Pentecostes, as grandezas de Deus, em vários idiomas. Mesmo os gentios estando “muito limitado e acostumados aos conceitos Greco-romano” eles foram alcançados e justificados. E Israel tendo todos os privilégios, “...adoção e também a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas; deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo segundo a carne (Rm.9:4-5), não alcançaram a justificação. Portanto esse negócio de conceito disso e daquilo outro não vale nada. Porque Deus conhece os que lhes pertence.

7. Diga à minha noiva que não sou político e nem aprovo o sistema político dos homens. Há muita corrupção e injustiça. Peça a ela para não se envolver muito com isto. A final, meu reino não é deste mundo. Peça à minha noiva para aprender um pouquinho sobre a teocracia. Vamos precisar destes conceitos, quando ela estiver reinando comigo;

Refutação: Essas apelações fantasiosas não têm poder algum. A Bíblia é suficiente. O que uma pessoa precisa encontra-se ali. Mesmo nós não pertencendo a esse mundo, estamos no mundo e temos responsabilidades com aqueles que estão vivendo dissolutamente, principalmente às pessoas que estão se deixando levar por todo o vento de doutrina. Qualquer um cristão pode se envolver na política. Se ele vê que não dá pra ele, renuncie o mandato.

8. Diga á minha noiva que embora não seja rico e nem médico, adoro viver e cuidar dos pobres e enfermos. Gosto de libertar os cativos e oprimidos. Minha noiva precisa urgente a gostar e a cuidar dos pobres, eles são muitos e estão necessitados;

Refutação: A verdadeira noiva de Cristo sabe disso. Vocês sabem disso? Estão fazendo alguma coisa? Se estão, amém!

9. Diga a ela que aí na terra, eles têm me elegido o maior empresário de todos os tempos, o maior psiquiatra, o maior terapeuta, o maior gestor de negócios, o maior líder, o maior mestre, etc. Na verdade nunca fui nada disso, apenas fui um humilde servo de meu Pai a serviço do povo e de Seu Reino. Apenas ensinei os princípios da Torá, vivendo e fazendo tudo que me chegava às mãos com muito amor. Aliás, tudo que quero é amor, pois meu Pai é amor e eu vim Dele, tenho a natureza Dele. Também sou amor e procuro uma noiva que seja também a personificação deste amor;

Refutação: “...o maior empresário de todos os tempos, o maior gestor de negócios” eu sei que Ele não foi. O resto com toda certeza ele foi muito mais.

10. Diga à minha noiva que embora quando aí na terra vivi me chamaram de glutão e beberão. Isto eu nunca fui! Pelo contrário sempre me alimentei conforme as leis alimentares da Torá dadas por meu Pai. Minha noiva tem o direito (se gentia) de não comer minha comida e beber minha bebida, mas ela precisa saber prepará-los e que eu nunca mudei meus costumes. Sou o mesmo ontem, hoje e de sempre;

Refutação: Tudo isso é conversa mole. Jesus quebrou todos os paradigmas da Sua época. Trabalhou no sábado, comeu sem purificar as mãos, se juntou com os publicamos e pecadores, não apedrejou a adúltera, tocou em leprosos etc. A Bíblia deixa bem claro que os rudimentos da lei não vale nada: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo” (Cl.2:16). Meus amados irmãos, diz a Bíblia: “Cuidado que ninguém vos venha a enredar co9m sua filosofia e vás sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (Cl.2:8); “...tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz..” (Cl.2:14). “Ordenanças” aqui se refere aos rudimentos da lei: Coma isso e não aquilo, beba isso e não aquilo, não toque nisso, faça assim e desse jeito (cf. Cl.2:20-23). Portanto, a dívida que era contra nós foi pregada na cruz, não se deve mais viver sob a maldição da lei, por Cristo se fez maldito por nós.

11. Diga à minha noiva para não preocupar muito com as instituições, associações, denominações religiosas, bem como com a intolerância e arrogância de seus líderes. Na verdade, minha noiva se encontra no meio delas. O que eu busco é uma noiva santa, pura, nova e sem defeito como eu. O que não posso é colocar-me em jugo desigual com uma noiva que não se identifica comigo. Sou judeu e continuo judeu;
Refutação: A igreja de Cristo não é uma igreja judaica, mas, uma igreja composta de gentios e de judeus. A noiva de Cristo nunca se preocupou com instituições, muito embora viva dentro de uma. As igrejas da Ásia Menor, cada uma tinha um nome, cada comunidade é uma instituição Divina, uma nação santa, povo de propriedade de Jesus. Esse proselitismo não dos judeu-messiânicos não tem futuro nenhum.

12. Diga à minha noiva que eu e meu Pai ainda trabalhamos muito sem cessar e que continuamos a nos descansar aos sábados, no Shabat. Ele foi criado para isto e mais do que isto, ele é um sinal da minha aliança com o povo de Israel que não foi rejeitado e nem substituído por ninguém. Minha noiva é composta de judeus e gentios que crêem em mim e que constituem a família do meu Pai. Ambos entrarão no descanso shabático quando chegar o milênio e reinaremos juntos. O Shabat é o meu dia e eu sou Senhor dele. Ele nos lembra disso tudo, a criação, o homem redimido, e o reino vindouro do qual não podemos nos esquecer;

Refutação: O sábado. Do Livro: Adventistas do Sétimo Dia: Um abismo eterno.
Pelo Pr. Carlos R. Cavalcanti.

“Santificar o Sábado ao Senhor importa em salvação eterna”. (Livro: Testemunhos Seletos, vol. III p.22, ELLEN GOULD WHITE,1956).
Assim quando os Adventistas teimam que a guarda do Sábado é indispensável para nossa salvação, não é porque estejam estribados na verdade Bíblica, mas sim nas alucinações da Sra. Ellen Gould White. Essa falsa profetisa declara que a guarda do sábado constitui o selo entre Deus e o seu povo nos dias atuais:

Que é, pois, a mudança do Sábado, senão o sinal da autoridade da igreja de Roma – “a marca da besta”; O selo da lei de Deus se encontra no quarto mandamento... Os discípulos de Jesus são chamados a restabelecê-lo, exaltando o Sábado [...] (Livro: O Grande Conflito, Ed. condensada. 1992, p. 267 e 269. grifo nosso).

Jesus Cristo cumpriu (plerosai – encher, completar) toda Lei (o que nem um homem conseguiu) (cf. Mt.5:17) , o apóstolo Paulo escrevendo aos romanos afirma, categoricamente, que o fim da Lei é Cristo (cf. Rm.1:4) . A Lei foi dada ao homem para que ele vivesse bem, e não o homem à Lei. A questão da Lei não está restrita apenas ao sábado, mas a quaisquer preceitos como a circuncisão, questões alimentares e etc. O apóstolo Paulo também trata dessa questão quando afirma que qualquer pessoa que procurar se justificar através das obras da Lei Cristo de nada valerá para ele . E os Adventistas buscam como os fariseus a justificação através da guarda do sábado
O propósito do sábado foi preservar a vida evitando a injustiça praticada no trabalho, principalmente a do escravo, evitando que se cometesse injustiça, do mesmo ter que trabalhar sem descanso. O corpo precisa de descanso para reativar suas energias. O princípio de humanizar foi deturpado pelos fariseus. Jesus é o Senhor do sábado e não recriminou seus discípulos que no sábado passando pelas searas, estando com fome, colheram espigas e comeram (cf. Mt.12:1) ; a vida é mais importante que o sábado (cf. Mc.3:1-6; Jo.5:1-10); Jesus disse para os fariseus: “Meu Pai trabalha até agora e eu trabalho também” (Jo.5:17); os fariseus acusavam Jesus de violar a Lei do sábado (cf. Jo.5:18) . Jesus disse que trabalhava no sábado, porém os Adventistas agem como os fariseus, criticam e deturpam a palavra de Deus. Está claro que Cristo cumpriu a Lei por nós e o sábado está incluído nela. Jesus acusou os fariseus de não cumprirem a Lei, da mesma forma os ASD dizem que cumpre e acreditam que serão salvos justamente por isso. Os judeus bem como os Adventistas do Sétimo Dia que procuram justificar-se através das obras da Lei estão vivendo sob maldição. É isso que afirma o apóstolo Paulo:

Já os que se apóiam na prática da Lei estão debaixo de maldição, pois está escrito: Maldito todo aquele que não persiste em praticar toas as coisas escritas no livro da Lei. É evidente que diante de Deus ninguém é justificado pela Lei, pois “o justo viverá pela fé” (Gl.3:10-11).

A divisão da Lei .
Os ASD, para imporem a obrigatoriedade da guarda do sábado, se valem de argumentos infundados estabelecendo uma distinção entre a Lei Moral e Lei Cerimonial, Lei de Deus e Lei de Moisés, dizendo que a Lei Moral ou Lei de Deus se restringe aos “Dez Mandamentos” e continuará para sempre, e que a Lei de Moisés ou Lei Cerimonial abrange o Pentateuco escrito por Moisés e foi abolida.
Esta distinção é incoerente, mais defendida pelos ASD. Qualquer estudante da Bíblia, sério, que tenha compromisso com a palavra de Deus, perceberá que tanto o Decálogo quanto as Leis complementares são Leis de Deus e seu conteúdo moral não se restringe aos “Dez Mandamentos”, ou seja, as Leis complementares têm seu conteúdo moral.

A Lei do amor.
Tanto o Decálogo, quanto as Leis complementares não foram extintas como se não servisse para mais nada, foram, sim, reduzidas por Cristo Jesus: quando foi experimentado pelos fariseus (cf. Mt.22:34-40); (Rm.13:8-10). Quem ama o próximo ama a Deus e quem ama a Deus não rouba, não cobiça, não adultera, cumpre o sábado e todas as outras Leis complementares, justamente porque Jesus cumpriu toda Lei, algo que os “fariseus” e “saduceus” não conseguiram. A Lei agora é a do amor, sem ela somos uma farsa.

A Lei de Deus e a Lei de Moisés são a
Mesma ?

A Bíblia declara que só há um “Legislador” e este é Deus: "Porque o Senhor é o nosso Juiz; o Senhor é o nosso Legislador" (Is.33:22; Tg.4:12). Se há um só legislador afirmamos, com segurança, que essa suposta distinção entre Lei de Deus (os Dez Mandamentos) e Lei de Moisés (O Livro da Lei) não resiste a uma pesquisa bíblica, porque indistintamente a mesma Lei é chamada de Lei de Deus e Lei de Moisés, porque Deus a deu por meio dele, e não que sejam duas Leis distintas como ensinadas pelos ASD. Vamos a um teste:

E chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da porta das águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da Lei de Moisés (Ne.8:1). Observe a expressão "o livro da Lei de Moisés". Este mesmo livro, denominado de "Lei de Moisés" é, a seguir, assim chamado: "E leram no livro, na Lei de Deus; e declarando e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse"; "E acharam escrito na Lei que o Senhor ordenará, pelo ministério de Moisés [...] (Ne.8:8; 8:14).

Como se vê, o livro da Lei é chamado indiferentemente de "Lei de Moisés" e de "Lei de Deus" sempre se tratando das mesmas Leis e não de Leis distintas. É falso o argumento dos ASD sobre a divisão da Lei. Essa farsa não resiste a uma análise séria sobre a palavra “Lei” na Bíblia, mas que vulgarmente foi imposta pelos ASD, para sustentar a obrigatoriedade da guarda do sábado sem a qual ninguém verá a Deus.
Os dois Concertos.
A Bíblia fala do Concerto da Lei, conhecido como o Antigo Concerto, Antiga Aliança, Antigo Pacto ou Velho Testamento e o Novo Concerto, ou Nova Aliança, também conhecido como o tempo da Graça. Os Dez Mandamentos são encontrados dentro do Antigo Concerto e assim quando os ASD nos interrogam por que não guardamos o sábado, que é o quarto mandamento, respondemos que o sábado está tão integrado dentro do Decálogo, quanto o Decálogo, por sua vez, está integrado no Antigo Testamento. Este, segundo a Bíblia, foi abolido e substituído pelo Novo Concerto, o “concerto da graça”. Vejamos então as provas bíblicas segundo as quais os “Dez Mandamentos” integravam o Antigo Concerto:

Então o Senhor vos falou do meio do fogo; e a voz das palavras ouviu, porém, além da voz, não viste semelhança nenhuma. Então, vos anunciou ele o seu concerto, que vos prescreveu, os Dez Mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra (Dt.4:12-13).

A abolição do Antigo Concerto.
Por intermédio do profeta Jeremias Deus anunciou um “Novo Concerto”, desde que o povo de Israel, que havia prometido tão prontamente observar os mandamentos do Antigo Concerto não o fez, invalidando assim aquele concerto. Fizeram um bezerro de ouro e prostraram-se diante dele, adorando-o, é isso que constitui a quebra do concerto, quando o povo se prostitui com os ídolos, dobrando seus joelhos a baal (cf. Ez.20:18) , esquecendo-se do Deus que os tirou da terra do Egito com sua mão poderosa vencendo o Faraó e seu exército no Mar Vermelho (cf. Os.4:17; Sl.103:38).



Vejamos também Jr.31:31-34:
Eis que vem dias, diz o Senhor, em que farei um concerto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme o concerto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles invalidaram o meu concerto, apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor. Mas este é o concerto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração (e não na pedra) e eu serei seu Deus e eles serão o meu povo. E não ensinará alguém mais o seu próximo, nem alguém a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor, porque todos me conhecerão, desde o mais pequeno deles até ao maior, diz o Senhor; porque perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados (Jr. 31:31-34) .

Vimos que o profeta Jeremias profetizou sobre o Antigo Concerto. Agora, vejamos o que declarou Zacarias sobre o mesmo:

Tomei a vara chamada Graça e a quebrei, para anular a minha aliança, que eu fizera com todos os povos (Zc.11:10). Com essas palavras Zacarias figuradamente contempla a abolição do Antigo Concerto celebrada com as doze tribos de Israel (cf. Dt.33:1-4; Êx.24:4-8). Zacarias continua: "Eu lhes disse: se vos parece bem, dai-me o meu salário; e, se não, deixai-o. Pesaram, pois, por meu salário trinta moedas de prata. (Zc.11:12). Compare com (Mt.27:3-10, Cl.2:14-17).

A abolição do Antigo Concerto é confirmada
A abolição da Antiga Aliança ou Concerto é declarado pelo escritor do livro de Hebreus, nestas palavras:

Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente, quanto é ele também Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas. Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria sendo buscado lugar para uma segunda. E, de fato, repreendendo-os, diz: Eis aí vêm dias, diz o Senhor, e firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá, não segundo a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os conduzir até fora da terra do Egito; pois eles não continuaram na minha aliança, e eu não atentei para eles, diz o Senhor. Quando ele diz Nova, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido está prestes a desaparecer (Hb.8:6-9, 13).
[...] então, acrescentou: Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade. Remove o primeiro para estabelecer o segundo (Hb.10:9).
[...] o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica. E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecente, como não será de maior glória o ministério do Espírito! Porque, se o ministério da condenação foi glória, em muito maior proporção será glorioso o ministério da justiça. Porquanto, na verdade, o que, outrora, foi glorificado, neste respeito, já não resplandece, diante da atual sobreexcelente glória. Porque, se o que se desvanecia teve sua glória, muito mais glória tem o que é permanente (2Co.3:6-11).

Pois, aqui os ASD não têm como fugir da realidade, o apóstolo Paulo chama categoricamente os Dez Mandamentos de "Ministério da morte" e os taxa como transitórios. Este último versículo claramente explica que o que foi com glória haveria de acabar. Agora, para saber o que se acabou, perguntemos: O que foi para glória? O v.7 nos dá a resposta: "E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória [...]". Que Lei foi gravada em pedras pelo dedo de Deus? A resposta só pode ser uma: OS DEZ MANDAMENTOS. Leiamos: "O Senhor me deu as duas tábuas de pedra, escritas com o dedo de Deus; e nelas tinha escrito conforme todas aquelas palavras que o Senhor tinha falado convosco [...]" (Dt.9:10). "Então, disse o Senhor a Moisés: Sobe a mim, ao monte, e fica lá, e dar-te-ei tábuas de pedra, e a lei, e os mandamentos [...]" (Êx.24:12). "Então, vos anunciou ele o seu concerto, que vos prescreveu, os dez mandamentos, os escreveu em duas tábuas de pedra" (Dt.4:13) .

O escritor da Epístola aos Hebreus se reporta ao primeiro Concerto dizendo:


Pelo que também o primeiro não foi consagrado sem sangue; por que havendo Moisés anunciado a todo povo todos os mandamentos segundo a lei (Hb.9:18,19); (Hb.8:7).


a) A abolição do sábado.
Encontramos em (Os.2:11) uma profecia sobre a abolição do Sábado: "E farei cessar todo o seu gozo, as suas festas, as suas luas novas e os seus sábados; e todas as suas festividades". Encontramos essa confirmação em (Cl.2:16-17) que diz:

Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo (Cl.2:17-18) .

Não há mais o que comentar a respeito das festas e do sábado, porque a palavra de Deus é bem clara quanto a cessação das festas judaicas.

A DIFERENÇA ENTRE AS DUAS ALIANÇAS
ANTIGA ALIANÇA
1) Dada por Moisés (Jo.1:17).
2) Jugo de servidão (Gl.5:1).
3) Findou em Cristo (Rm.10:4).
4) Produz Morte (2Cor.3:7).
5) Produz Condenação (2Cor.3:9).
6) Era sombra (Cl.2:14-17)
7) Exige Justiça (Lc.10:28).
8) Nada aperfeiçoou (Hb.7:19).
9) Veio em glória (2Cor.3:7).
10) Pobre para salvar (Hb.9:9).
11) Relembra o pecado (Hb.10:3).
12) Glória encoberta (2Cor.3:13).
13) Traz maldição (Gl.3:10).
14) Sob a lei (Rm.6:14,15).
15) Sem herança (Rm.4:13).
16) Ratificado c/ sangue de animais (Hb.9:16-22).
17) Produz ira (Rm.4:15).
18) Não pode remir (Hb.10:4).
19) Abolição predita (Os.2:11) NOVA ALIANÇA
1) Dada por Cristo (Hb.8:6;9:15).
2) Lei da liberdade (Tg.1:25).
3) Estabelecida por Cristo (Hb.10:9).
4) Produz Vida (Rm.8:2).
5) Produz liberdade (Gl.5:1).
6) É realidade (Hb.10:1-18).
7) Oferece Justiça (Jo.1:17; 3:16)
8) Produz perfeição (Hb. 7:19).
9) Maior Glória (2Cor.3:8-10).
10) Salva perfeitamente (Hb.7:25).
11) Apaga o pecado (Hb.8:12).
12) Refletindo glória (2Cor.3:8).
13) Liberta da maldição (Gl.3:13).
14) Sob a graça (Gl.3:22-25).
15) Eterna herança (Hb.9:15).
16) Ratificado com o sangue de Jesus Cristo (Mt.26:26-28).
17) Livra da ira (Rm.5:9).
18) Redime (Gl.3:13; Hb.9:25).
19) Estabelecimento predito (Hb.8:7)

O domingo - o “DIA DO SENHOR”.
Dizem os ASD no folheto "Por que se Guarda o domingo?":

"O domingo, segundo (dicionário de Inglês) Webster, chama-se assim (dia do sol), por que era antigamente dedicado ao sol ou ao seu culto".

Para justificar a afirmação de que o sábado é o dia do Senhor e que se deve guardar esse dia como os judeus na Antiga Aliança, afirmam que o domingo (sunday – dia do sol) era a comemoração do “solstício de inverno”, ou seja, a comemoração de uma festa pagã (festa da colheita). É importante lembrar aos ASD de que o sábado, em inglês, escreve-se "saturday" e que significa dia dedicado ao deus Saturno. De Saturno surge às festas saturnais, dedicadas ao deus da agricultura. Logo, se é pagão o domingo por designar o dia do sol em inglês, o sábado, pela mesma lógica e razão, seria o dia pagão por designar o dia dedicado a Saturno.
Os ASD, por certo, não ignoram que os dias da semana eram indicados por nome de planetas e astro sol, como segue: domingo: dia do Sol, segunda: dia da Lua, terça: dia de Marte, quarta: dia de Mercúrio, quinta: dia de Júpiter, sexta: dia de Vênus, SÁBADO: DIA DE SATURNO.
Os ASD argumentam que os pais da igreja primitiva guardavam o sábado. Com a maior facilidade, descobrimos que essa afirmação é falaciosa, os pais da igreja adoravam no domingo. Era um dia especial conhecido como “dia do Senhor” (Ap.1:10). A Bíblia Shedd comenta esse versículo e diz: “Na época de ser escrito este Livro (95 d.C.), o domingo já tinha sido consagrado pela igreja como o dia especial de cultuar ao Senhor Jesus Cristo” (1997: 1759).

• OS PAIS DA IGREJA.
- Justino, o Mártir. 100-167 d.C. Eis aqui como Justino, o Mártir, descreveu o culto primitivo dos cristãos: "No domingo há uma reunião de todos que moram nas cidades e vilas, lê-se um trecho das memórias dos Apóstolos e dos escritos dos profetas, tanto quanto o tempo permita. Termina a leitura, o presidente, num discurso, admoesta e exorta à obediência dessas nobres palavras. Depois disso, todos nos levantamos e fazemos uma oração comum. Fim da oração, como descrevemos antes, pão e vinho e ação de graças por eles de acordo com a sua capacidade, e a congregação responde, Amém. Depois os elementos consagrados são distribuídos a cada um e todos participam deles, e são levados pelos diáconos às casas dos ausentes. Os ricos e os de boa vontade contribuem conforme seu livre arbítrio; esta coleta é entregue ao presidente (pastor) que, com ela, atende a órfãos, viúvas, prisioneiros, estrangeiros e todos quantos estão em necessidade" (Manual Bíblico, Halley).
- Inácio, 100 d.C. disse: "Aqueles que estavam presos às velhas coisas vieram a uma novidade de confiança, não mais guardando o sábado, porém vivendo de acordo com o dia do Senhor".
- Tertuliano, 160-220 d.C. No início do século III, Tertuliano chegou a afirmar que: Nós (os cristãos) nada temos com o sábado, nem com outras festas judaicas, e menos ainda com as celebrações dos pagãos. Temos nossas próprias solenidades: O Dia do Senhor [...] (On indolatry 14). Em "De oratione". Tertuliano insiste na cessação do trabalho no domingo como dia de culto para o povo de Deus.
- O ensino dos Apóstolos, obra siríaca. Encontramos um testemunho muito interessante na obra citada, que data da segunda metade do século III, segundo a qual os apóstolos de Cristo foram os primeiros a designar o primeiro dia da semana como dia do culto cristão: "Os apóstolos determinaram, ainda: no primeiro dia da semana deve haver culto, com leitura das Escrituras Sagradas, e a oblação. Isso porque, no primeiro dia da semana o Senhor nosso ressuscitou dentre os mortos, no primeiro dia da semana o Senhor subiu aos céus, e no primeiro dia da semana vai aparecer, finalmente com os anjos celestes (Ante-necene fathers, 8668). (Enciclopédia Vida, autor judeu: Archer).
- Eusébio de Cesaréia, 264-340 d.C. Bispo de Cesaréia, historiador da Igreja, viveu e foi preso durante a perseguição de Diocleciano contra os cristãos, a qual foi o último e desesperado esforço de Roma por varrer da terra o cristianismo. Um dos seus objetivos (objetivos de Roma) especiais foi destruir todas as escrituras cristãs [...] Eusébio viveu até o reinado de Constantino. Um dos primeiros atos de Constantino, ao ascender ao trono, foi mandar preparar, sob a direção de Eusébio [...] Cinqüenta BÍBLIAS para as Igrejas de Constantinopla (Halley) (os manuscritos que temos, provavelmente, saíram do trabalho de Eusébio). Agora vejamos o que Eusébio pensava a respeito da guarda do sábado: "Eles, portanto, não consideravam a circuncisão, nem observavam o Sábado, como também nós; nem nos abstemos de certos alimentos, nem consideramos outras imposições que Moisés subseqüentemente entregou para serem observadas em tipos e símbolos, porque tais coisas não dizem respeito aos cristãos [...]"; "Também celebravam os dias do Senhor como nós, para comemorar a sua ressurreição" (Livro: História da Igreja, Eusébio, século III, p.27, 106, Editora CPAD, ed.1999).

13. Diga à minha noiva para não resistir este artigo e nem tão pouco ficar triste com ele. Na verdade, procuro uma noiva que seja nova. Eu, Jesus, parei nos meus 33 anos e meio e continuo jovem, bonito e muito ativo nas obras do meu Pai. Mas, o problema é que minha noiva que aí na terra deixei já está com 1975 anos e meio. Isto é, depois do ano que morri e ressuscitei. Isto tem sido um grande problema para mim, casar-me com uma noiva de 1975 anos de idade. Está velha demais e ela só chegou nesta idade por milagre do meu Pai. Para resolver esta questão, convenci ao meu Pai, que enviasse urgente o Seu Espírito Santo com um bisturi espiritual e fizesse uma cirurgia plástica nesta minha noiva um tanto já velha e acabada. Afinal, Paulo, meu irmão e amigo que também mora aqui no céu, escreveu numa carta que enviou aos Efésios que minha noiva será sem ruga e sem mácula. Então, ela é nova e virgem. E para cumprir tudo o que meus santos escreveram, meu Pai, acaba de autorizar que Seu Espírito Santo fará esta proeza: - restaurar por completo minha noiva, mas nos moldes de como a deixei há dois mil anos atrás. Guardamos aqui no céu uma foto de como ela era. Ou seja, quero ver a minha noiva com graça, poder, unção e ação igualzinha aquela que conheci no primeiro século de nossa era. Restaurar é a ordem divina. Diga que à minha noiva que não resista a esta cirurgia. Não dói e será rápida.

Espero vê-la, então, nova e muito bonita. Até o dia em que irei pessoalmente buscá-la. Diga a ela que fique preparada, pois depois que eu arrebatá-la, nos casaremos logo em seguida. Os preparativos para a grande festa já estão quase tudo pronto. Diga a ela que se cuide bem e continue fiel, debaixo das minhas bênçãos e do meu querido Pai que está no controle de tudo.

Refutação:

Lehitraot ( até breve)!

(*) Marcelo Miranda Guimarães, casado, 4 filhos, engenheiro industrial, MBA Economia e Finanças. Teólogo e fundador do Ministério Ensinando de Sião e da Congregação Judaico-Messiânica Há Tzion em Belo Horizonte. Criador da Engenharia Espiritual ( www.engenhariaespiritual.com)

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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

ACERCA DOS DONS ESPIRITUAIS (1Coríntios 12, 13)


ACERCA DOS DONS ESPÍRITUAIS
Comentário 1Coríntios 12, 13


“1 A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes. 2 Sabeis que, outrora, quando éreis gentios, deixáveis conduzir-vos aos ídolos mudos, segundo éreis guiados. 3 Por isso, vos faço compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: Anátema, Jesus! Por outro lado, ninguém pode dizer: Senhor Jesus!, se não pelo Espírito Santo” (1Co.12: 1-3).

1. “A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes” (v.1).
Aos coríntios, não faltavam nenhum dom (1Co.1:7). Porém, eles eram ignorantes quanto a sua verdadeira utilização. Os dons devem ser usados de forma proveitosa, para edificação da igreja, e não em benefício próprio, egoístas (1Co.14:4), quando usado dessa forma, perde o seu propósito, ou seja, os dons sem o amor é como um metal que soa ou o sino que tine (1Co.13:1).

2. “...deixáveis conduzir-vos aos ídolos mudos...” (v.2).
Antes eles eram gentios, guiados pelos ídolos mudos (1Co.12:2), viviam na ignorância e cegueira espiritual. Cada um buscando seus próprios interesses. Agora não, a graça de Deus os havia alcançados, portanto, aquele modo de vida deveria ser deixado para traz, eles eram novas criaturas em Cristo Jesus, não poderia continuar vivendo como antes. Era preciso praticar o amor “para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Co.1:8). Fiel é Deus que os havia chamado a comunhão de Deus Filho (v.9). Todavia, a ignorância a respeito dos dons deveria ser dissipada através da doutrina, e foi justamente para isso que o apóstolo Paulo escreveu essa carta: Trazer luz a respeito de como proceder corretamente para o crescimento da igreja.

3. “...ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: Anátema , Jesus!...” (v.3).
São muitas as interpretações a esse respeito. A Bíblia de Estudo de Genebra, por exemplo, acredita que não era alguém realmente proferindo maldição contra Jesus . Na verdade, a maioria dos comentários são superficiais, não traz nada de concreto sobre se alguém convertido do paganismo estava em estase chamando Jesus de maldito ou não. O comentário de David Prior é muito importante:

Será que Paulo o está colocando em oposição à confissão cristã verdadeira, Senhor Jesus, a fim de lembrar aos coríntios o tipo de expressão que eles poderiam muito bem ter ouvido quando eram pagãos e assistiam a cultos locais (“Maldito Jesus”)? Nesse caso, ele estaria dizendo que, em contraste, o Espírito (pneuma) do Deus único e verdadeiro exalta Jesus como Senhor (2001: 206, 207).

Werner de Boor pensa da mesma forma, os gentios que se convertiam ao cristianismo ouviam os judeus pronunciarem que Jesus era “anátema” . Possivelmente o apóstolo Paulo estava mostrando que os judeus que acusavam Jesus de maldito não falavam pelo Espírito Santo, porém, quando alguém na igreja afirmava conscientemente que “Jesus era Senhor”, falava pelo Espírito Santo. Era uma confissão de fé e isso exaltava e glorifica a Jesus como Senhor. O Imperador era considerado um “deus”, “benfeitor” e “senhor”, mas os cristãos diziam: “não, Jesus Cristo é quem é o Senhor”.
Os irmãos na igreja de Corinto estavam falando em línguas estranhas, ninguém entendia nada e Cristo não estava sendo glorificado como Senhor. Os judeus em suas Sinagogas proferiam maldição a Jesus e não era pelo Espírito Santo, Jesus era desonrado por eles, da mesma forma os que estavam falando em línguas ininteligíveis na igreja, também não glorificavam a Jesus como Senhor.

A verdadeira “espiritualidade” não conduz a pessoa a um êxtase, ao individualismo ou a um outro mundo, mas para dentro da vida da igreja local, numa expressão do compromisso pessoal com Jesus como Senhor e com o seu corpo aqui na terra (PRIOR: 2001: 208).

4. “Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo” (v.4).
O Espírito Santo capacitou a igreja primitiva com uma variedade de dons extraordinários. Porem, a ênfase maior era direcionada ao dom de língua, porque chamava a atenção e eles se achavam mais espirituais do que os outros irmãos. Por isso o apóstolo Paulo diz que não existe apenas um dom, são vários, e o Espírito é quem opera em todos eles para um fim proveitoso.
Da mesma forma “há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo” (v.5). Cada um tem o seu ministério e Deus é quem abençoa a todos, portanto todos eles são importantes parta o crescimento espiritual da igreja. Acontece o mesmo na diversidade de operações, pois é Deus que opera tudo em todos (v.6).

5. “A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso” (v.7).
O Espírito Santo dá o dom a cada um conforme a necessidade que surge na igreja. Essa distribuição é feita e operada por Ele (v.6) para um fim proveitoso (v.7) e não usado egoisticamente para sua própria edificação (1Co.14:4). Em Corinto, os dons de línguas estranhas estavam sendo usados para satisfação própria, e não para o crescimento da igreja que glorifica a Cristo no culto.

“Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento; a outro, no mesmo Espírito, a fé; e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar; a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las. Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente” (1Co.12:8-11).

6. “Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente” (v.11)
Dos VS. 8-10 o apóstolo Paulo menciona nove dons que são repartidos particularmente pelo Espírito Santo e dado a cada um como quer. Portanto, os crentes não têm os mesmos dons, nem todos os dons. Eles acreditavam, por falar em línguas estranhas que eram batizados com o Espírito Santo e os outros irmãos que não falavam em línguas, não eram. Por isso o apóstolo Paulo esclarece:

“A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Porventura, são todos apóstolos? Ou, todos profetas? São todos mestres? Ou, operadores de milagre? Têm todos dons de curar? Falam todos em outras línguas? Interpretam-nas todos? Entretanto, procurai, com zelo, os melhores dons” (1Co.12:28-31 – negrito meu).

Os Vs. De 28-30 são conclusivos. Nós como corpo de Cristo temos ministérios e dons diferentes. Assim como cada membro do corpo tem sua utilidade, pôs Deus na igreja cada um também com uma função específica. Portanto, são todos apóstolos, tem todos o dom de curar, falam todos em línguas, todos são intérpretes? Não. Da mesma forma que existe, hoje, nas igrejas Pentecostais, naquela época na igreja de Corinto já existia, provavelmente, desejo de alguns serem tão espirituais quanto os que falavam em línguas estranhas pensavam que eram. Na verdade, o apóstolo os chama de carnais, crianças em Cristo (cf. 1Co.3:1).
7. “Entretanto, procurai, com zelo, os melhores dons” (v.31).
Segundo Werner de Boor existe dons maiores do que outros. Mas, eles não devem ser usados para nos exaltarmos. Entretanto, o apóstolo dos gentios faz uma analogia com o corpo humano mostrando que o corpo tem vários membros e cada um tem sua importância especifica para o bem estar e funcionamento correto do corpo. Dessa forma, nem um é melhor ou mais importante que o outro. Assim é a igreja com os dons Espirituais . Então, porque o v. 31 nos manda procurar com zelo os melhores dons? Será que temos a capacidade de escolher o dom que quisermos? Ou é o Espírito Santo que distribui como lhE agrada? (v.11).
O apóstolo Paulo fala dessa forma porque está ocorrendo um fenômeno estranho na igreja de Corinto, que são as línguas. E ele chama a atenção daquelas pessoas que se achavam espirituais para que elas refletissem em tudo quanto o apóstolo havia falado nos versículos anteriores a respeito dos dons.
Por que era um fenômeno estranho?
• Era algo que não aconteceu em outra igreja. Pelo menos, o apóstolo Paulo não trata desse assunto nas outras cartas;
• Era uma língua que ninguém entendia (14:2, 5, 9, 13, 19).

- A introdução de (1Co.13) é feita com o final do (1Co.12) que diz: “Kai eti kaq uperBolhn odon umin deiknumi”. “E eu passo a mostra-vos ainda um caminho sobremodo excelente”

Ainda que eu fale as línguas (gr. glwssaiz, glossais) dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine” (1Co.13:1).

Glossais. Dialetos humano falado no Pentecostes. “Ainda que fale as línguas dos anjos” trata-se de uma “hipérbole” intencional para chamar atenção para aqueles que usam os dons sem a prática do amor ágape o qual ultrapassa todos os dons, que por sua vez, os membros da igreja devem aspirar. Deus é amor (Jo.3:16) . Nada podemos afirmar, sobre a expressão empregada por Paulo: “línguas dos anjos” , tenha sido usada, ou seja, que o Espírito Santo tenha se manifestado com línguas celestiais para ministrar edificando a igreja nascente. Todavia, Paulo diz que vai mostrar um caminho mais excelente (gr. ύπερβολήν), ele faz comparações e a hipérbole é um exagero de palavra. Vejamos: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos”, a palavra “ainda significa que ele não falava; “Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas [...]”. Só quem conhece todos os mistérios e tem todo conhecimento é Deus; “Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado [...]”. Ele não possuía nada para dá aos pobres, para se sustentar fabricava tendas. O que ele deixa claro é que os dons sem o amor é como o sino que soa.