segunda-feira, 13 de outubro de 2008

ENSINANDO DE SIÃO: UMA ANTIGA HERESIA




ENSINANDO DE SIÃO
JUDEUS-MESSIÂNICOS
UMA HERESIA ANTIGA

Pr. Carlos R. Cavalcanti
Teólogo, Historiador, Antropólogo, Especialista em Religiões, Cultura Judaica e Simbologia Judaica.


Muitas heresias têm surgido dentro da igreja e as Escrituras nos advertem a termos cuidado quanto aos falsos mestres que se apresentam dissimuladamente, mas são lobos em pele de ovelhas:


“Assim como, o meio do povo, surgiram falos profetas, assim também haverá entre vos falos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas,e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; Também , movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme” (2Pe.2:1-3).


No A.T. houve falsos mestres e profetas. Portanto, é mister que na igreja, haja falsos mestres introduzindo heresias para sua própria destruição. Se a Bíblia diz que isso vai acontecer na igreja, como querem alguns ir de encontro a Palavra de Deus? O que devemos fazer é nos preparar com a Palavra de Deus para não cairmos nas ciladas do diabo. A apostasia sempre foi uma realidade dentro da igreja cristã. E ela e gerada, em épocas de crise, pelo descontentamento de algumas pessoas que procuram uma vida de santidade independente da comunidade cristã a fim de operar independentemente sua própria salvação. Esse foi o caso do monasticismo (século IV) em que pessoas se retiraram para cavernas e colinas ao longo do Nilo no Egito para levarem uma vida de meditação e ascética a fim de melhorarem espiritualmente.
Atualmente, diante da grande apostasia, algumas pessoas por falta de conhecimento e discernimento espiritual da história do cristianismo primitivo, tem levado muitos a uma imagem irreal dessa Igreja como se ela não tivesse problemas. Roque Frangiotti nos traz um excelente comentário: “Ainda hoje, cristãos de todas as tendências se reportam à Igreja primitiva como a um “encanto”, para encontrar nela uma forma de fé fundamental, pura, exemplar. Basta uma leitura menos superficial de alguns textos tidos como mais antigos do cristianismo, para se desfazer esta concepção mítica, idílica da “Igreja Primitiva”. (1995:8).

Não é errado, de forma alguma, as pessoas quererem viver como os primeiros cristãos. Essa comunidade é modelo para todos nós:

“Perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédios dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade” (At.2:42-45).

Essa comunidade à medida que foi crescendo, os problemas começaram a surgir. Foi necessário haver um concilio em Jerusalém para revólver as confusões que se instalaram no seio daquela comunidade. Havia tendência e divisões entre helenistas e judaizantes (cf. At.6:1-7). Os fiéis de origem grega queixavam-se dos de origem hebraica. O diácono Estevão foi acusado de blasfemar contra Moises e subverter a lei e os costumes judaicos (cf. At.6:13-14). Nessa época havia várias tendências, uma herética conhecida como “ebionitas”, os “elenistas”, os “judaizantes moderados” e os “radicais”. Os radicais diziam: “É necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a lei de Moisés” (At.15:5b). Os ebionitas: seu pensamento encontra-se nas Pseudoclementinas (apócrifo). Os moderados: Pedro e Tiago, o “irmão do Senhor”, eram tolerantes, eles buscaram o equilíbrio a fim de facilitar a convivência com os radicais. As medidas de Pedro e Tiago foram tomadas no Concílio de Jerusalém (cf. At.15:132-21). Os elenistas: Judeus-cristãos tinha como mestre Paulo e Barnabé.
Com o a expanção da igreja surgem outras formas de heresias, como os “nicolaítas”, “elcasaíta”, o “adocionismo de Hermas”, “o adocionismo ebionita”, gnosticismo e etc.
Mesmo diante de toda crise porque a igreja vem passando, não devemos temer, o SENHOR conhece os Seus. Se fosse da Sua vontade manter aquela comunidade, Ele não teria espalhado todos eles no ano 70 d.C. e o apóstolo Paulo convocaria o povo a voltar a igreja de Jerusalém, uma igreja genuinamente judaica. Mas, isso não era preciso, pois a igreja de Jesus Cristo esteja onde estiver é santa, tem dono: “...à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (1Co.1:2 – negrito meu). Mesmo devido a todo mal que afetava a igreja de Corinto, o apóstolo Paulo diz que eles foram enriquecidos em toda a Palavra e em todo conhecimento (cf. 1Co.1:5). “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe.2:9). A igreja de Laudicéia era infeliz, miserável, pobre, cega e nua (cf. Ap.3:17), era uma igreja morna, mas pertencia a Deus. O que ela tinha que fazer para sair daquela situação era buscar na fonte da sabedoria, em Deus; nossa suficiência está nas Palavras de Deus e quando Ele diz: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo” (Ap.3:20). Na verdade, só os eleitos ouvirão a voz do Senhor (cf. Rm.8:28; 1Ts.1:4). Portanto, meus irmãos, o apóstolo Paulo nos exorta a santidade em qualquer lugar que o povo de Deus esteja reunido: no Brasil, no Japão ou em Jerusalém, tanto faz. “Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai” (Jo.4:21). Ele procura verdadeiros adoradores que O adorem em espírito e em verdade. Ele não está interessado em ritualismo que foram sombras de realidades ainda maiores que se cumpre em Cristo Jesus. Os rituais festivos judaicos não serviam de nada quando se tinha o coração impuro (Is.1:10-17). Devemos, portanto, buscar a santificação sem a qual veremos a Deus e deixar de lado os rudimentos da lei. Pois, a Bíblia é suficiente para nossa salvação.
Passaremos agora a refutar as heresias Judaico-Messiânico defendidas por Marcelo Miranda Guimarães que é um dos Membros da IES.
O que ele defende como perfeição cristã é uma antiga heresia judaica. Analisaremos cada item à luz da Bíblia.


Por Marcelo Miranda Guimarães (*)

“Jesus, cujo verdadeiro nome em sua língua materna, é Yeshua Ben Yosef, ou seja, O Deus-que-salva Filho de José, tem procurado por uma noiva nos últimos 2 mil anos. Um pouco cansado de procurar sua autêntica noiva, resolveu escrever algumas considerações, solicitando a amigos que as publiquem em seus sites, MSN, Orcut, etc., enviando e-mails a irmãos e amigos. Ele disse que desta vez Ele tem pressa, pois Seu Pai já tem uma data marcada e agora o tem pressionado bastante.
Sem dúvidas, há muitas boas noivas candidatas, mas Jesus procura a mais autêntica.
Sabendo disso, me coloquei imediatamente à disposição de Jesus, no sentido de ajudá-lo nesta procura. Era tarde da noite e já me encontrava em minha cama, quando adormeci, perguntando:- o que posso eu fazer para lhe ajudar, Jesus? Por onde posso começar? A quem devo procurar? ... Adormeci e subitamente acordei no meio de um sonho. Tentei me lembrar do que tinha sonhado, mas não consegui. Devagarzinho, comecei a imaginar quais seriam os recados que Yeshua gostaria de enviar à sua Igreja. De repente imaginei Jesus falando o seguinte: - “fale à minha noiva que ela precisa me conhecer melhor...” e foi falando, falando... foi quando então, me levantei e tomei nota dos13 itens abaixo:

1. “Minha noiva precisa me ver como um judeu. Nasci em Belém, me criei em Nazaré ensinei nas melhores sinagogas de meu país. Sou um judeu, educado nos princípios da Torá, livro escrito pelo meu Pai através de Moisés. Fui circuncidado no 8º. dia e me orgulho do meu povo, pois vim primeiramente para anunciar as Boas Novas para eles. Com este povo meu Pai tem uma aliança e um chamado irrevogável” (Marcelo Miranda Guimarães, 2008);

Refutação: Na sua introdução ele afirma que Jesus está procurando há dois mil anos por uma noiva. Isso não merece nem refutação, mas como já comecei vou terminar. Esse rapaz digo senhor é um poço vazio, não tem conhecimento de nada. Acredito que até a “Igreja Ensinando de Sião não concorda com ele. Em primeiro lugar Jesus não está à procura de uma noiva porque Ele já tem. A igreja de Cristo é um povo que foi escolhido antes da fundação do mundo para ser santo e irrepreensível diante do Senhor: “...assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para seremos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça...” (Ef. 1:4-6).

• A noiva já foi comprada há dois mil anos atrás com o seu precioso sangue vertido na crus: “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue” (At.20:28). Você é um verdadeiro herege ao afirmar que Cristo está por ai à procura de uma noiva. Outros versículos (1Co.6:20; 7:23; Ap.5:9).
• A igreja é a noiva de Cristo, portanto, o apóstolo São João escreve para as sete igrejas que se encontram na Ásia: “João, às sete igrejas que se encontram na Ásia, graça e paz a vós outros, da parte daquele que é, que era e que há de vir, da parte dos sete Espíritos que se acham diante do seu trono” (Ap.1:4). Como é que Cristo poderia está desde o primeiro século procurando uma noiva se Ele está falando para elas através do aposto João? Quando Jesus morreu naquela cruz, Ele morreu especificamente por alguém, para expiação de seus pecados foi algo real. Ele também disse que veio fazer a vontade do Pai (Jo.6:38) e a vontade do Pai e que nenhum daqueles que foram dados a Cristo se perca, e eu o ressuscitarei no último dia (Jo.6:39). A igreja de Cristo Jesus está sobre a proteção divina (Jo.10: 25-30). Não devemos ficar como se não tivesse solução. Deus está sentado em um alto e sublime trono, está no controle do universo. Não há o que temer.
• Ainda na introdução ele afirma que Jesus está um pouco cansado de procurar Sua noiva. Eu nem vou refutar isso. Só quero mostrar que os judeus-messiânicos acreditam que são, por serem judeus, a verdadeira noiva de Cristo. Portanto, esse pensamento é incorreto, pois, Cristo, dos dois fez um só povo através da cruz (cf. Gl.3:28).
• O pior de tudo é a neurose, esse senhor recebeu várias mensagens de Cristo, o que é típico das Seitas Heréticas. Quando essas pessoas querem dá credibilidade aos seus pensamentos heréticos, dizem que recebeu a mensagem de Deus. Nesse caso o próprio Jesus entra em contado com esse moço desesperado. As Testemunhas de Jeová, os Mórmons e os Adventistas do Sétimo Dia e muitos outros tiveram uma revelação igual.
Essas palavras foram dirigidas aos judaizantes de extremas direita que estavam pervertendo a fé dos irmãos (cf. At.15:1): “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” (Gl.1:6-9). William Hendriksen na Epístola aos Gálatas, traz um excelente comentário sobre esse assunto: “Os gálatas, dessa forma, estavam sendo lançados em confusão por homens que estavam desejando e tentando virar de ponta a cabeça o evangelho que tem Cristo por centro e que o glorifica, o evangelho cristocêntrico. Certamente que o ensino segundo o qual a salvação dos homens é por meio da fé mais as obras da lei não passa de uma perversão do verdadeiro evangelho que proclama as “boas-novas” da salvação (pela graça) pela fé somente” (1999:64).

No item 1 ele declara algo absurdo afirmando que foi Jesus que transmitiu tais mensagens. “Minha noiva precisa me ver como um judeu”. A Palavra de Deus é suficiente para nossa salvação e qualquer outra revelação é maldição, Deus já revelou o que tinha de ser revelado para nossa salvação. A noiva de Cristo precisa vê-Lo com “Senhor” e “Salvador” (cf. 1Co.12:3).
“...me orgulho do meu povo, pois vim primeiramente para anunciar as Boas Novas para eles. Com este povo meu Pai tem uma aliança e um chamado irrevogável”. “...me orgulho do meu povo”, ele está se referindo exclusivamente ao povo judeu. O povo de Deus, em primeiro lugar, é o que faz a Sua vontade (cf. Jo.14:23, 24) e não o povo judeu, posto que não existe mais judeus ou gentios: “Dessarte, não pode haver judeu nem grego nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl.3:28).
“Com este povo meu Pai tem uma aliança e um chamado irrevogável”. Vejamos o que a Bíblia diz: “Pergunto, pois: terá Deus, porventura, rejeitado o seu povo? Deus modo nenhum! Porque eu também sou israelita da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim” (Rm.11:1). No versículo 2 ele responde que Deus não rejeitou o Seu povo a quem de antemão conheceu. O apóstolo Paulo também afirma que Deus preservou um remanescente fiel segundo a eleição da graça (Rm.11: 2-7). Porém, a maioria como no tempo de Elias foram rejeitados: “Que diremos, pois? O que Israel busca, isso não conseguiu; mas a eleição o alcançou; e os mais foram endurecidos, como está escrito: Deus lhes deu espírito de entorpecimento, olhos para não ver e ouvidos para não ouvir, até ao dia de hoje” (Rm.11:7-8). Meus amados o apóstolo Paulo nos diz que a Palavra de Deus não falhou quanto as promessas feita aos judeus. Todavia, “...nem todos os de Israel são, de fato, israelitas; nem por serem descendentes de Abraão são todos seus filhos” (Rm.9:6-7). “...filhos de Deus não são propriamente os da carne, mas devem ser considerados como descendência os filhos da promessa” (Rm.9:8) os quais estão incluídos os gentios: “Que diremos, pois? Que os gentios, que não buscavam a justificação, vieram a alcançá-la, todavia, a que decorre da fé; e Israel, que buscava a lei de justiça, não chegou a atingir essa lei. Por quê? Porque não decorreu da fé, e sim como que das obras. Tropeçarem na pedra de tropeço, como está escrito: Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, e aquele que nela crê não será confundido” (Rm.9:30-33). Ora, a questão dos judeus-messiânicos é a mesma da época de Paulo. Hoje também eles estão lendo as Escrituras, mas sem entendimento: “Porque lhes dou testemunho de que eles Têm zelo por Deus, porém não com entendimento. Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus. Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Rm.10:2-4). Mas nem todos os judeus e também gentios não obedecem ao Evangelho: “Mas nem todos obedeceram ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem acreditou na nossa pregação?” (Rm.10:16).

2. Diga à minha noiva que ela deve gostar de festas. Há muitas festas celebradas no mundo, mas eu quero celebrar as minhas festas. Lembre a ela que numa dessas festas, a de Tabernáculos, a tomarei para celebrar nossas bodas de casamento. Durante os sete dias dessa festa, estaremos em núpcias e expressando-nos mutuamente nosso grande amor;

Refutação: Jesus nunca ordenaria isso para Sua igreja; como judeu cumpridor da lei, Ele participou das festividades, porém o que tem ordenado em Sua Palavra para que a igreja cumpra são os ritos do “Batismo e a Santa Ceia”. As festas tinham um significado pedagógico, era sombra do que havia de vir, e apontava, em última análise, para Cristo onde tudo se cumpriu categoricamente. Vejamos: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo” (Cl..2:16-17 – negrito meu); (cf. Hb.10:1).

3. Diga à minha querida noiva para não se preocupar muito com o que levar, pois, primeiro, não tenho carro, casa ou tão pouco uma conta bancária. Tenho somente um cavalo branco que será usado somente no dia que eu tomar posse do meu reino aqui na terra. Minha noiva, depois esposa, tomará posse desse reino comigo. A casa que vamos morar, será a do meu Pai. Ela é muito bonita e já tem tudo arranjado e em ordem. Na verdade, trata-se do antigo Templo construído por um ancestral de minha tribo, Salomão. Mas, seus palácios estarão todos reconstruídos até lá e, esplendidamente, restaurados. Quanto ao meu salário, diga a ela para não se preocupar também, pois o Sogro é riquíssimo, dono absoluto do ouro e da prata do mundo;
Refutação: Pensamento dispensacionalista. O movimento dispensacionalista surgiu nos meados do século XIX na Inglaterra com os Irmãos ou Irmãos de Plymnoutrh. Seu maior expoente foi John Nelson Darby (1800 – 1882), um irlandês insatisfeito com a igreja Anglicana da qual era ministro, uma das características do grupo de Darby foi o desprezo por qualquer tipo de organização denominacional ou forma de culto. Rejeitaram muitas coisas acreditando estarem voltando à forma de culto primitivo dos primeiros crentes na época apostólica. Foi justamente nessa tentativa que desenvolveram um novo modelo de interpretação bíblica conhecido atualmente como dispensacionalista em que as profecias são interpretadas literalmente. Quem muito contribuiu para propagar esse pensamente foi a publicação da Bíblia de Referência de Scofield, em 1909. Dessa forma é propagada nos meios cristãos uma falsa e defeituosa hermenêutica a respeito do modo como Deus trata como homem, com a salvação e a respeito da igreja de Cristo.
Os dispensacionalista acreditam que Deus trata diferentemente com a Igreja e com Israel. Todos os dispensacionalistas são pré-milenistas. Acreditam que depois da Grande Tribulação Cristo irá reinar em Jerusalém, onde na época estará tudo preparado para o culto no templo e os sacrifícios durante o milênio. Analisemos, pois, Apocalipse 20:1-6, a única passagem na Bíblia que fala explicitamente de um reinado de mil anos após a Segunda Vinda de Cristo. A derrota de Satanás começou com a Primeira Vinda de Cristo. E que o Milênio, em que Cristo reinará com Sua Noiva, nos versos 4 a 6 já está acontecendo e seu final dar-se-á com a Segunda Vinda de Cristo. Conforme A nthony A. Hoekema o reinado de mil anos deve acontecer antes da Segunda Vinda de Cristo e não depois:

“Não apenas no livro de Apocalipse, mas em qualquer outro lugar no Novo Testamento, o juízo final está ligado à Segunda Vinda de Cristo (veja Apocalipse 22:12 e as seguintes passagens: Mt.16:27; 25:31, 32; Jd.14, 15 e especialmente 2Ts.7;10). Sendo assim, é óbvio que o reinado de mil anos de Apocalipse 20:4-6 deve acontecer antes, e não depois da Segunda Vinda de Cristo” (O Milênio, 1990: 145).

Os que morreram em Cristo estão reinando com Ele aguardando a ressurreição do Corpo que acontecerá por ocasião da Segunda Vida.

“Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quis foi dada autoridade de julgar. Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos” (Ap.20:4-5).

Após a ressurreição Sua noiva poderá adorar a Deus, servir a Ele e reinar com Cristo de uma maneira ainda mais rica do que agora. Eles adoração e servirão a Deus por toda eternidade na Nova Terra e não nessa que um dia irá passar:

A Bíblia confirma essa catástrofe final

No sermão profético de Jesus, narrado por Marcos 13:25; Lucas 21:25-27; Mateus 24:29 diz:

Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas (gr. asteras - asteróides) cairão do firmamento, e os poderes dos céus (energia gravitacional que equilibra os corpos no espaço, eletromagnéticas, nucleares fraca e forte que atuam nos céus) serão abalados.

“Todo o exército dos céus se dissolverá, e os céus se enrolarão como um pergaminho; todo o seu exercito cairá, como cai a folha da vide e a folha da figueira” (Is. 34:4).
“Esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, “serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão’’ (2 Pe. 3:12). A linguagem escatológica é usada em toda Bíblia para falar do fim que acontecerá em breve. O dia e a hora, ninguém sabe.

Vi quando o Cordeiro abriu o sexto selo, e sobreveio grande terremoto. O sol se tornou negro como saco de crina, a lua toda, como sangue, as estrelas do céu caíram pela terra, como a figueira, quando abalada por vento forte, deixa cair os seus figos verdes, e o céu recolheu-se como um pergaminho quando se enrola (Ap. 6:12-14).

Assim como o Senhor estendeu o universo através da Sua palavra criadora (bereshith bará), no fim Ele recolherá, precipitará os acontecimentos por ocasião do Seu juízo:

Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono (Ap. 20:11 e 12).

Todos serão julgados e o mal será para sempre vencido e lançado para dentro do lago de fogo justamente com aqueles cujos nomes não foram encontrados no “Livro da Vida” (cf. Ap. 20:15). Todavia, isso é o começo de uma nova existência, a visão final de João é que Deus fará tudo novo, para o povo redimido:

Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a Nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para seu esposo (Ap. 21:1-2).

Como a Bíblia diz, e a ciência prova, o mundo teve um começo e terá um fim, não o fim da matéria existente, mas uma transformação radical para uma nova ordem. O planeta está caminhando como um bêbado para seu destino final. A linguagem usada é profética, aponta para esse momento que acontecerá por ocasião da “Segunda Vinda de Cristo”:

Terror, cova e laço vêm sobre ti, ó morador da terra. E será que aquele que fugir da voz do terror cairá na cova, e, se sair da cova, o laço o prenderá; porque as represas do alto se abrem, e tremem os fundamentos da terra. A terra será de todo quebrantada, ela totalmente se romperá, a terra violentamente se moverá. A terra cambaleará como um bêbado e balanceará como rede de dormir; a sua transgressão pesa sobre ela, ela cairá e jamais se levantará. Naquele dia, o SENHOR castigará, no céu, as hostes celestes , e os reis da terra, na terra” (Is. 24:17-21).

“Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão’’ (Lc. 21:33).
Os salvos, os que aceitaram Jesus como seu Senhor e Salvador, herdarão um novo céu e uma nova terra, onde gozarão as bem aventuranças :

[...] ali não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: escreve, porque estas palavras são verdadeiras. Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida (Ap. 21:4b-6 – grifo nosso).

Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhe cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte (Ap. 21:8).

4. Diga á ela para ir acostumando com a cidade de Jerusalém. Ela terá que mudar para lá. Ela é a minha cidade que meu Pai escolheu para eu morar com a minha esposa e de lá, reinar;

Refutação: Não tem sentido pensar que Cristo já não está reinando. A terra que Cristo irá reinar com Sua igreja será na Nova Terra no estado eterno. E não na Palestina que conhecemos hoje. Isso é uma fantasia romântica de alguns grupos como as Testemunhas de Jeová.

5. Minha noiva precisa ainda entender de minhas funções ministeriais. Primeiro sou Rei, descendente do reinado de David, da tribo de Judá e preciso de uma rainha. Precisa falar com minha noiva o que é ser e viver como rainha, pois ela desempenhará um importante papel no reino. Segundo, sou sacerdote da suprema ordem de Melquisedeque. Tenho meus ofícios de adoração ao meu Pai dentro da mais profunda e pura liturgia judaica. É bom minha noiva ir se acostumando com isto, pois não haverá projetor, telão e televisão para acompanhar as lindas e espirituais melodias. Terceiro, sou um profeta do Altíssimo, e minha noiva precisará conhecer bem tudo aquilo que se cumprirá no milênio até que haja novos céus e desça a deslumbrante e eterna Jerusalém de ouro;

Refutando: A liturgia judaica é coisa do passado. A verdadeira liturgia vemos em Apocalipse. Os verdadeiros adoradores o adoram em espírito e em verdade. Muito diferente dos rituais judaicos que para mais nada serve. A Jerusalém que desce do céu é arquétipo de perfeição, as ruas são de ouro e cristal. Toda essa simbologia é usada para falar de algo que com outras palavras não haveria entendimento. O escritor usa o que há de melhor para descrever a beleza da nova Jerusalém. Não devemos entender literalmente como se fosse realmente de ouro. Na verdade, nem ouvido ouviu, nem olho jamais viu, nem nunca penetrou no coração de alguém o que Deus tem preparado para os que O amam.

6. Lembre à minha noiva que falo todas as línguas dos homens, mas ela estudará e ensinará as Escrituras de meu Pai em hebraico. Ela precisa pensar de um modo mais judaico, conhecendo a filosofia da Torá e dos Profetas. Hoje eu sinto uma dificuldade enorme em me fazer entender, pois minha noiva, embora bela, está muito limitada e acostumada aos conceitos Greco-romanos;

Refutação: Em nenhum lugar fala que Cristo estudará e ensinará as Escrituras em hebraico. Isso é uma fantasia judaico-cristã. O que Deus realmente fez foi proclamar, por ocasião do Pentecostes, as grandezas de Deus, em vários idiomas. Mesmo os gentios estando “muito limitado e acostumados aos conceitos Greco-romano” eles foram alcançados e justificados. E Israel tendo todos os privilégios, “...adoção e também a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas; deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo segundo a carne (Rm.9:4-5), não alcançaram a justificação. Portanto esse negócio de conceito disso e daquilo outro não vale nada. Porque Deus conhece os que lhes pertence.

7. Diga à minha noiva que não sou político e nem aprovo o sistema político dos homens. Há muita corrupção e injustiça. Peça a ela para não se envolver muito com isto. A final, meu reino não é deste mundo. Peça à minha noiva para aprender um pouquinho sobre a teocracia. Vamos precisar destes conceitos, quando ela estiver reinando comigo;

Refutação: Essas apelações fantasiosas não têm poder algum. A Bíblia é suficiente. O que uma pessoa precisa encontra-se ali. Mesmo nós não pertencendo a esse mundo, estamos no mundo e temos responsabilidades com aqueles que estão vivendo dissolutamente, principalmente às pessoas que estão se deixando levar por todo o vento de doutrina. Qualquer um cristão pode se envolver na política. Se ele vê que não dá pra ele, renuncie o mandato.

8. Diga á minha noiva que embora não seja rico e nem médico, adoro viver e cuidar dos pobres e enfermos. Gosto de libertar os cativos e oprimidos. Minha noiva precisa urgente a gostar e a cuidar dos pobres, eles são muitos e estão necessitados;

Refutação: A verdadeira noiva de Cristo sabe disso. Vocês sabem disso? Estão fazendo alguma coisa? Se estão, amém!

9. Diga a ela que aí na terra, eles têm me elegido o maior empresário de todos os tempos, o maior psiquiatra, o maior terapeuta, o maior gestor de negócios, o maior líder, o maior mestre, etc. Na verdade nunca fui nada disso, apenas fui um humilde servo de meu Pai a serviço do povo e de Seu Reino. Apenas ensinei os princípios da Torá, vivendo e fazendo tudo que me chegava às mãos com muito amor. Aliás, tudo que quero é amor, pois meu Pai é amor e eu vim Dele, tenho a natureza Dele. Também sou amor e procuro uma noiva que seja também a personificação deste amor;

Refutação: “...o maior empresário de todos os tempos, o maior gestor de negócios” eu sei que Ele não foi. O resto com toda certeza ele foi muito mais.

10. Diga à minha noiva que embora quando aí na terra vivi me chamaram de glutão e beberão. Isto eu nunca fui! Pelo contrário sempre me alimentei conforme as leis alimentares da Torá dadas por meu Pai. Minha noiva tem o direito (se gentia) de não comer minha comida e beber minha bebida, mas ela precisa saber prepará-los e que eu nunca mudei meus costumes. Sou o mesmo ontem, hoje e de sempre;

Refutação: Tudo isso é conversa mole. Jesus quebrou todos os paradigmas da Sua época. Trabalhou no sábado, comeu sem purificar as mãos, se juntou com os publicamos e pecadores, não apedrejou a adúltera, tocou em leprosos etc. A Bíblia deixa bem claro que os rudimentos da lei não vale nada: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo” (Cl.2:16). Meus amados irmãos, diz a Bíblia: “Cuidado que ninguém vos venha a enredar co9m sua filosofia e vás sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (Cl.2:8); “...tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz..” (Cl.2:14). “Ordenanças” aqui se refere aos rudimentos da lei: Coma isso e não aquilo, beba isso e não aquilo, não toque nisso, faça assim e desse jeito (cf. Cl.2:20-23). Portanto, a dívida que era contra nós foi pregada na cruz, não se deve mais viver sob a maldição da lei, por Cristo se fez maldito por nós.

11. Diga à minha noiva para não preocupar muito com as instituições, associações, denominações religiosas, bem como com a intolerância e arrogância de seus líderes. Na verdade, minha noiva se encontra no meio delas. O que eu busco é uma noiva santa, pura, nova e sem defeito como eu. O que não posso é colocar-me em jugo desigual com uma noiva que não se identifica comigo. Sou judeu e continuo judeu;
Refutação: A igreja de Cristo não é uma igreja judaica, mas, uma igreja composta de gentios e de judeus. A noiva de Cristo nunca se preocupou com instituições, muito embora viva dentro de uma. As igrejas da Ásia Menor, cada uma tinha um nome, cada comunidade é uma instituição Divina, uma nação santa, povo de propriedade de Jesus. Esse proselitismo não dos judeu-messiânicos não tem futuro nenhum.

12. Diga à minha noiva que eu e meu Pai ainda trabalhamos muito sem cessar e que continuamos a nos descansar aos sábados, no Shabat. Ele foi criado para isto e mais do que isto, ele é um sinal da minha aliança com o povo de Israel que não foi rejeitado e nem substituído por ninguém. Minha noiva é composta de judeus e gentios que crêem em mim e que constituem a família do meu Pai. Ambos entrarão no descanso shabático quando chegar o milênio e reinaremos juntos. O Shabat é o meu dia e eu sou Senhor dele. Ele nos lembra disso tudo, a criação, o homem redimido, e o reino vindouro do qual não podemos nos esquecer;

Refutação: O sábado. Do Livro: Adventistas do Sétimo Dia: Um abismo eterno.
Pelo Pr. Carlos R. Cavalcanti.

“Santificar o Sábado ao Senhor importa em salvação eterna”. (Livro: Testemunhos Seletos, vol. III p.22, ELLEN GOULD WHITE,1956).
Assim quando os Adventistas teimam que a guarda do Sábado é indispensável para nossa salvação, não é porque estejam estribados na verdade Bíblica, mas sim nas alucinações da Sra. Ellen Gould White. Essa falsa profetisa declara que a guarda do sábado constitui o selo entre Deus e o seu povo nos dias atuais:

Que é, pois, a mudança do Sábado, senão o sinal da autoridade da igreja de Roma – “a marca da besta”; O selo da lei de Deus se encontra no quarto mandamento... Os discípulos de Jesus são chamados a restabelecê-lo, exaltando o Sábado [...] (Livro: O Grande Conflito, Ed. condensada. 1992, p. 267 e 269. grifo nosso).

Jesus Cristo cumpriu (plerosai – encher, completar) toda Lei (o que nem um homem conseguiu) (cf. Mt.5:17) , o apóstolo Paulo escrevendo aos romanos afirma, categoricamente, que o fim da Lei é Cristo (cf. Rm.1:4) . A Lei foi dada ao homem para que ele vivesse bem, e não o homem à Lei. A questão da Lei não está restrita apenas ao sábado, mas a quaisquer preceitos como a circuncisão, questões alimentares e etc. O apóstolo Paulo também trata dessa questão quando afirma que qualquer pessoa que procurar se justificar através das obras da Lei Cristo de nada valerá para ele . E os Adventistas buscam como os fariseus a justificação através da guarda do sábado
O propósito do sábado foi preservar a vida evitando a injustiça praticada no trabalho, principalmente a do escravo, evitando que se cometesse injustiça, do mesmo ter que trabalhar sem descanso. O corpo precisa de descanso para reativar suas energias. O princípio de humanizar foi deturpado pelos fariseus. Jesus é o Senhor do sábado e não recriminou seus discípulos que no sábado passando pelas searas, estando com fome, colheram espigas e comeram (cf. Mt.12:1) ; a vida é mais importante que o sábado (cf. Mc.3:1-6; Jo.5:1-10); Jesus disse para os fariseus: “Meu Pai trabalha até agora e eu trabalho também” (Jo.5:17); os fariseus acusavam Jesus de violar a Lei do sábado (cf. Jo.5:18) . Jesus disse que trabalhava no sábado, porém os Adventistas agem como os fariseus, criticam e deturpam a palavra de Deus. Está claro que Cristo cumpriu a Lei por nós e o sábado está incluído nela. Jesus acusou os fariseus de não cumprirem a Lei, da mesma forma os ASD dizem que cumpre e acreditam que serão salvos justamente por isso. Os judeus bem como os Adventistas do Sétimo Dia que procuram justificar-se através das obras da Lei estão vivendo sob maldição. É isso que afirma o apóstolo Paulo:

Já os que se apóiam na prática da Lei estão debaixo de maldição, pois está escrito: Maldito todo aquele que não persiste em praticar toas as coisas escritas no livro da Lei. É evidente que diante de Deus ninguém é justificado pela Lei, pois “o justo viverá pela fé” (Gl.3:10-11).

A divisão da Lei .
Os ASD, para imporem a obrigatoriedade da guarda do sábado, se valem de argumentos infundados estabelecendo uma distinção entre a Lei Moral e Lei Cerimonial, Lei de Deus e Lei de Moisés, dizendo que a Lei Moral ou Lei de Deus se restringe aos “Dez Mandamentos” e continuará para sempre, e que a Lei de Moisés ou Lei Cerimonial abrange o Pentateuco escrito por Moisés e foi abolida.
Esta distinção é incoerente, mais defendida pelos ASD. Qualquer estudante da Bíblia, sério, que tenha compromisso com a palavra de Deus, perceberá que tanto o Decálogo quanto as Leis complementares são Leis de Deus e seu conteúdo moral não se restringe aos “Dez Mandamentos”, ou seja, as Leis complementares têm seu conteúdo moral.

A Lei do amor.
Tanto o Decálogo, quanto as Leis complementares não foram extintas como se não servisse para mais nada, foram, sim, reduzidas por Cristo Jesus: quando foi experimentado pelos fariseus (cf. Mt.22:34-40); (Rm.13:8-10). Quem ama o próximo ama a Deus e quem ama a Deus não rouba, não cobiça, não adultera, cumpre o sábado e todas as outras Leis complementares, justamente porque Jesus cumpriu toda Lei, algo que os “fariseus” e “saduceus” não conseguiram. A Lei agora é a do amor, sem ela somos uma farsa.

A Lei de Deus e a Lei de Moisés são a
Mesma ?

A Bíblia declara que só há um “Legislador” e este é Deus: "Porque o Senhor é o nosso Juiz; o Senhor é o nosso Legislador" (Is.33:22; Tg.4:12). Se há um só legislador afirmamos, com segurança, que essa suposta distinção entre Lei de Deus (os Dez Mandamentos) e Lei de Moisés (O Livro da Lei) não resiste a uma pesquisa bíblica, porque indistintamente a mesma Lei é chamada de Lei de Deus e Lei de Moisés, porque Deus a deu por meio dele, e não que sejam duas Leis distintas como ensinadas pelos ASD. Vamos a um teste:

E chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da porta das águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da Lei de Moisés (Ne.8:1). Observe a expressão "o livro da Lei de Moisés". Este mesmo livro, denominado de "Lei de Moisés" é, a seguir, assim chamado: "E leram no livro, na Lei de Deus; e declarando e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse"; "E acharam escrito na Lei que o Senhor ordenará, pelo ministério de Moisés [...] (Ne.8:8; 8:14).

Como se vê, o livro da Lei é chamado indiferentemente de "Lei de Moisés" e de "Lei de Deus" sempre se tratando das mesmas Leis e não de Leis distintas. É falso o argumento dos ASD sobre a divisão da Lei. Essa farsa não resiste a uma análise séria sobre a palavra “Lei” na Bíblia, mas que vulgarmente foi imposta pelos ASD, para sustentar a obrigatoriedade da guarda do sábado sem a qual ninguém verá a Deus.
Os dois Concertos.
A Bíblia fala do Concerto da Lei, conhecido como o Antigo Concerto, Antiga Aliança, Antigo Pacto ou Velho Testamento e o Novo Concerto, ou Nova Aliança, também conhecido como o tempo da Graça. Os Dez Mandamentos são encontrados dentro do Antigo Concerto e assim quando os ASD nos interrogam por que não guardamos o sábado, que é o quarto mandamento, respondemos que o sábado está tão integrado dentro do Decálogo, quanto o Decálogo, por sua vez, está integrado no Antigo Testamento. Este, segundo a Bíblia, foi abolido e substituído pelo Novo Concerto, o “concerto da graça”. Vejamos então as provas bíblicas segundo as quais os “Dez Mandamentos” integravam o Antigo Concerto:

Então o Senhor vos falou do meio do fogo; e a voz das palavras ouviu, porém, além da voz, não viste semelhança nenhuma. Então, vos anunciou ele o seu concerto, que vos prescreveu, os Dez Mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra (Dt.4:12-13).

A abolição do Antigo Concerto.
Por intermédio do profeta Jeremias Deus anunciou um “Novo Concerto”, desde que o povo de Israel, que havia prometido tão prontamente observar os mandamentos do Antigo Concerto não o fez, invalidando assim aquele concerto. Fizeram um bezerro de ouro e prostraram-se diante dele, adorando-o, é isso que constitui a quebra do concerto, quando o povo se prostitui com os ídolos, dobrando seus joelhos a baal (cf. Ez.20:18) , esquecendo-se do Deus que os tirou da terra do Egito com sua mão poderosa vencendo o Faraó e seu exército no Mar Vermelho (cf. Os.4:17; Sl.103:38).



Vejamos também Jr.31:31-34:
Eis que vem dias, diz o Senhor, em que farei um concerto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme o concerto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles invalidaram o meu concerto, apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor. Mas este é o concerto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração (e não na pedra) e eu serei seu Deus e eles serão o meu povo. E não ensinará alguém mais o seu próximo, nem alguém a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor, porque todos me conhecerão, desde o mais pequeno deles até ao maior, diz o Senhor; porque perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados (Jr. 31:31-34) .

Vimos que o profeta Jeremias profetizou sobre o Antigo Concerto. Agora, vejamos o que declarou Zacarias sobre o mesmo:

Tomei a vara chamada Graça e a quebrei, para anular a minha aliança, que eu fizera com todos os povos (Zc.11:10). Com essas palavras Zacarias figuradamente contempla a abolição do Antigo Concerto celebrada com as doze tribos de Israel (cf. Dt.33:1-4; Êx.24:4-8). Zacarias continua: "Eu lhes disse: se vos parece bem, dai-me o meu salário; e, se não, deixai-o. Pesaram, pois, por meu salário trinta moedas de prata. (Zc.11:12). Compare com (Mt.27:3-10, Cl.2:14-17).

A abolição do Antigo Concerto é confirmada
A abolição da Antiga Aliança ou Concerto é declarado pelo escritor do livro de Hebreus, nestas palavras:

Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente, quanto é ele também Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas. Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria sendo buscado lugar para uma segunda. E, de fato, repreendendo-os, diz: Eis aí vêm dias, diz o Senhor, e firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá, não segundo a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os conduzir até fora da terra do Egito; pois eles não continuaram na minha aliança, e eu não atentei para eles, diz o Senhor. Quando ele diz Nova, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido está prestes a desaparecer (Hb.8:6-9, 13).
[...] então, acrescentou: Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade. Remove o primeiro para estabelecer o segundo (Hb.10:9).
[...] o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica. E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecente, como não será de maior glória o ministério do Espírito! Porque, se o ministério da condenação foi glória, em muito maior proporção será glorioso o ministério da justiça. Porquanto, na verdade, o que, outrora, foi glorificado, neste respeito, já não resplandece, diante da atual sobreexcelente glória. Porque, se o que se desvanecia teve sua glória, muito mais glória tem o que é permanente (2Co.3:6-11).

Pois, aqui os ASD não têm como fugir da realidade, o apóstolo Paulo chama categoricamente os Dez Mandamentos de "Ministério da morte" e os taxa como transitórios. Este último versículo claramente explica que o que foi com glória haveria de acabar. Agora, para saber o que se acabou, perguntemos: O que foi para glória? O v.7 nos dá a resposta: "E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória [...]". Que Lei foi gravada em pedras pelo dedo de Deus? A resposta só pode ser uma: OS DEZ MANDAMENTOS. Leiamos: "O Senhor me deu as duas tábuas de pedra, escritas com o dedo de Deus; e nelas tinha escrito conforme todas aquelas palavras que o Senhor tinha falado convosco [...]" (Dt.9:10). "Então, disse o Senhor a Moisés: Sobe a mim, ao monte, e fica lá, e dar-te-ei tábuas de pedra, e a lei, e os mandamentos [...]" (Êx.24:12). "Então, vos anunciou ele o seu concerto, que vos prescreveu, os dez mandamentos, os escreveu em duas tábuas de pedra" (Dt.4:13) .

O escritor da Epístola aos Hebreus se reporta ao primeiro Concerto dizendo:


Pelo que também o primeiro não foi consagrado sem sangue; por que havendo Moisés anunciado a todo povo todos os mandamentos segundo a lei (Hb.9:18,19); (Hb.8:7).


a) A abolição do sábado.
Encontramos em (Os.2:11) uma profecia sobre a abolição do Sábado: "E farei cessar todo o seu gozo, as suas festas, as suas luas novas e os seus sábados; e todas as suas festividades". Encontramos essa confirmação em (Cl.2:16-17) que diz:

Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo (Cl.2:17-18) .

Não há mais o que comentar a respeito das festas e do sábado, porque a palavra de Deus é bem clara quanto a cessação das festas judaicas.

A DIFERENÇA ENTRE AS DUAS ALIANÇAS
ANTIGA ALIANÇA
1) Dada por Moisés (Jo.1:17).
2) Jugo de servidão (Gl.5:1).
3) Findou em Cristo (Rm.10:4).
4) Produz Morte (2Cor.3:7).
5) Produz Condenação (2Cor.3:9).
6) Era sombra (Cl.2:14-17)
7) Exige Justiça (Lc.10:28).
8) Nada aperfeiçoou (Hb.7:19).
9) Veio em glória (2Cor.3:7).
10) Pobre para salvar (Hb.9:9).
11) Relembra o pecado (Hb.10:3).
12) Glória encoberta (2Cor.3:13).
13) Traz maldição (Gl.3:10).
14) Sob a lei (Rm.6:14,15).
15) Sem herança (Rm.4:13).
16) Ratificado c/ sangue de animais (Hb.9:16-22).
17) Produz ira (Rm.4:15).
18) Não pode remir (Hb.10:4).
19) Abolição predita (Os.2:11) NOVA ALIANÇA
1) Dada por Cristo (Hb.8:6;9:15).
2) Lei da liberdade (Tg.1:25).
3) Estabelecida por Cristo (Hb.10:9).
4) Produz Vida (Rm.8:2).
5) Produz liberdade (Gl.5:1).
6) É realidade (Hb.10:1-18).
7) Oferece Justiça (Jo.1:17; 3:16)
8) Produz perfeição (Hb. 7:19).
9) Maior Glória (2Cor.3:8-10).
10) Salva perfeitamente (Hb.7:25).
11) Apaga o pecado (Hb.8:12).
12) Refletindo glória (2Cor.3:8).
13) Liberta da maldição (Gl.3:13).
14) Sob a graça (Gl.3:22-25).
15) Eterna herança (Hb.9:15).
16) Ratificado com o sangue de Jesus Cristo (Mt.26:26-28).
17) Livra da ira (Rm.5:9).
18) Redime (Gl.3:13; Hb.9:25).
19) Estabelecimento predito (Hb.8:7)

O domingo - o “DIA DO SENHOR”.
Dizem os ASD no folheto "Por que se Guarda o domingo?":

"O domingo, segundo (dicionário de Inglês) Webster, chama-se assim (dia do sol), por que era antigamente dedicado ao sol ou ao seu culto".

Para justificar a afirmação de que o sábado é o dia do Senhor e que se deve guardar esse dia como os judeus na Antiga Aliança, afirmam que o domingo (sunday – dia do sol) era a comemoração do “solstício de inverno”, ou seja, a comemoração de uma festa pagã (festa da colheita). É importante lembrar aos ASD de que o sábado, em inglês, escreve-se "saturday" e que significa dia dedicado ao deus Saturno. De Saturno surge às festas saturnais, dedicadas ao deus da agricultura. Logo, se é pagão o domingo por designar o dia do sol em inglês, o sábado, pela mesma lógica e razão, seria o dia pagão por designar o dia dedicado a Saturno.
Os ASD, por certo, não ignoram que os dias da semana eram indicados por nome de planetas e astro sol, como segue: domingo: dia do Sol, segunda: dia da Lua, terça: dia de Marte, quarta: dia de Mercúrio, quinta: dia de Júpiter, sexta: dia de Vênus, SÁBADO: DIA DE SATURNO.
Os ASD argumentam que os pais da igreja primitiva guardavam o sábado. Com a maior facilidade, descobrimos que essa afirmação é falaciosa, os pais da igreja adoravam no domingo. Era um dia especial conhecido como “dia do Senhor” (Ap.1:10). A Bíblia Shedd comenta esse versículo e diz: “Na época de ser escrito este Livro (95 d.C.), o domingo já tinha sido consagrado pela igreja como o dia especial de cultuar ao Senhor Jesus Cristo” (1997: 1759).

• OS PAIS DA IGREJA.
- Justino, o Mártir. 100-167 d.C. Eis aqui como Justino, o Mártir, descreveu o culto primitivo dos cristãos: "No domingo há uma reunião de todos que moram nas cidades e vilas, lê-se um trecho das memórias dos Apóstolos e dos escritos dos profetas, tanto quanto o tempo permita. Termina a leitura, o presidente, num discurso, admoesta e exorta à obediência dessas nobres palavras. Depois disso, todos nos levantamos e fazemos uma oração comum. Fim da oração, como descrevemos antes, pão e vinho e ação de graças por eles de acordo com a sua capacidade, e a congregação responde, Amém. Depois os elementos consagrados são distribuídos a cada um e todos participam deles, e são levados pelos diáconos às casas dos ausentes. Os ricos e os de boa vontade contribuem conforme seu livre arbítrio; esta coleta é entregue ao presidente (pastor) que, com ela, atende a órfãos, viúvas, prisioneiros, estrangeiros e todos quantos estão em necessidade" (Manual Bíblico, Halley).
- Inácio, 100 d.C. disse: "Aqueles que estavam presos às velhas coisas vieram a uma novidade de confiança, não mais guardando o sábado, porém vivendo de acordo com o dia do Senhor".
- Tertuliano, 160-220 d.C. No início do século III, Tertuliano chegou a afirmar que: Nós (os cristãos) nada temos com o sábado, nem com outras festas judaicas, e menos ainda com as celebrações dos pagãos. Temos nossas próprias solenidades: O Dia do Senhor [...] (On indolatry 14). Em "De oratione". Tertuliano insiste na cessação do trabalho no domingo como dia de culto para o povo de Deus.
- O ensino dos Apóstolos, obra siríaca. Encontramos um testemunho muito interessante na obra citada, que data da segunda metade do século III, segundo a qual os apóstolos de Cristo foram os primeiros a designar o primeiro dia da semana como dia do culto cristão: "Os apóstolos determinaram, ainda: no primeiro dia da semana deve haver culto, com leitura das Escrituras Sagradas, e a oblação. Isso porque, no primeiro dia da semana o Senhor nosso ressuscitou dentre os mortos, no primeiro dia da semana o Senhor subiu aos céus, e no primeiro dia da semana vai aparecer, finalmente com os anjos celestes (Ante-necene fathers, 8668). (Enciclopédia Vida, autor judeu: Archer).
- Eusébio de Cesaréia, 264-340 d.C. Bispo de Cesaréia, historiador da Igreja, viveu e foi preso durante a perseguição de Diocleciano contra os cristãos, a qual foi o último e desesperado esforço de Roma por varrer da terra o cristianismo. Um dos seus objetivos (objetivos de Roma) especiais foi destruir todas as escrituras cristãs [...] Eusébio viveu até o reinado de Constantino. Um dos primeiros atos de Constantino, ao ascender ao trono, foi mandar preparar, sob a direção de Eusébio [...] Cinqüenta BÍBLIAS para as Igrejas de Constantinopla (Halley) (os manuscritos que temos, provavelmente, saíram do trabalho de Eusébio). Agora vejamos o que Eusébio pensava a respeito da guarda do sábado: "Eles, portanto, não consideravam a circuncisão, nem observavam o Sábado, como também nós; nem nos abstemos de certos alimentos, nem consideramos outras imposições que Moisés subseqüentemente entregou para serem observadas em tipos e símbolos, porque tais coisas não dizem respeito aos cristãos [...]"; "Também celebravam os dias do Senhor como nós, para comemorar a sua ressurreição" (Livro: História da Igreja, Eusébio, século III, p.27, 106, Editora CPAD, ed.1999).

13. Diga à minha noiva para não resistir este artigo e nem tão pouco ficar triste com ele. Na verdade, procuro uma noiva que seja nova. Eu, Jesus, parei nos meus 33 anos e meio e continuo jovem, bonito e muito ativo nas obras do meu Pai. Mas, o problema é que minha noiva que aí na terra deixei já está com 1975 anos e meio. Isto é, depois do ano que morri e ressuscitei. Isto tem sido um grande problema para mim, casar-me com uma noiva de 1975 anos de idade. Está velha demais e ela só chegou nesta idade por milagre do meu Pai. Para resolver esta questão, convenci ao meu Pai, que enviasse urgente o Seu Espírito Santo com um bisturi espiritual e fizesse uma cirurgia plástica nesta minha noiva um tanto já velha e acabada. Afinal, Paulo, meu irmão e amigo que também mora aqui no céu, escreveu numa carta que enviou aos Efésios que minha noiva será sem ruga e sem mácula. Então, ela é nova e virgem. E para cumprir tudo o que meus santos escreveram, meu Pai, acaba de autorizar que Seu Espírito Santo fará esta proeza: - restaurar por completo minha noiva, mas nos moldes de como a deixei há dois mil anos atrás. Guardamos aqui no céu uma foto de como ela era. Ou seja, quero ver a minha noiva com graça, poder, unção e ação igualzinha aquela que conheci no primeiro século de nossa era. Restaurar é a ordem divina. Diga que à minha noiva que não resista a esta cirurgia. Não dói e será rápida.

Espero vê-la, então, nova e muito bonita. Até o dia em que irei pessoalmente buscá-la. Diga a ela que fique preparada, pois depois que eu arrebatá-la, nos casaremos logo em seguida. Os preparativos para a grande festa já estão quase tudo pronto. Diga a ela que se cuide bem e continue fiel, debaixo das minhas bênçãos e do meu querido Pai que está no controle de tudo.

Refutação:

Lehitraot ( até breve)!

(*) Marcelo Miranda Guimarães, casado, 4 filhos, engenheiro industrial, MBA Economia e Finanças. Teólogo e fundador do Ministério Ensinando de Sião e da Congregação Judaico-Messiânica Há Tzion em Belo Horizonte. Criador da Engenharia Espiritual ( www.engenhariaespiritual.com)

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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

ACERCA DOS DONS ESPIRITUAIS (1Coríntios 12, 13)


ACERCA DOS DONS ESPÍRITUAIS
Comentário 1Coríntios 12, 13


“1 A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes. 2 Sabeis que, outrora, quando éreis gentios, deixáveis conduzir-vos aos ídolos mudos, segundo éreis guiados. 3 Por isso, vos faço compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: Anátema, Jesus! Por outro lado, ninguém pode dizer: Senhor Jesus!, se não pelo Espírito Santo” (1Co.12: 1-3).

1. “A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes” (v.1).
Aos coríntios, não faltavam nenhum dom (1Co.1:7). Porém, eles eram ignorantes quanto a sua verdadeira utilização. Os dons devem ser usados de forma proveitosa, para edificação da igreja, e não em benefício próprio, egoístas (1Co.14:4), quando usado dessa forma, perde o seu propósito, ou seja, os dons sem o amor é como um metal que soa ou o sino que tine (1Co.13:1).

2. “...deixáveis conduzir-vos aos ídolos mudos...” (v.2).
Antes eles eram gentios, guiados pelos ídolos mudos (1Co.12:2), viviam na ignorância e cegueira espiritual. Cada um buscando seus próprios interesses. Agora não, a graça de Deus os havia alcançados, portanto, aquele modo de vida deveria ser deixado para traz, eles eram novas criaturas em Cristo Jesus, não poderia continuar vivendo como antes. Era preciso praticar o amor “para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Co.1:8). Fiel é Deus que os havia chamado a comunhão de Deus Filho (v.9). Todavia, a ignorância a respeito dos dons deveria ser dissipada através da doutrina, e foi justamente para isso que o apóstolo Paulo escreveu essa carta: Trazer luz a respeito de como proceder corretamente para o crescimento da igreja.

3. “...ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: Anátema , Jesus!...” (v.3).
São muitas as interpretações a esse respeito. A Bíblia de Estudo de Genebra, por exemplo, acredita que não era alguém realmente proferindo maldição contra Jesus . Na verdade, a maioria dos comentários são superficiais, não traz nada de concreto sobre se alguém convertido do paganismo estava em estase chamando Jesus de maldito ou não. O comentário de David Prior é muito importante:

Será que Paulo o está colocando em oposição à confissão cristã verdadeira, Senhor Jesus, a fim de lembrar aos coríntios o tipo de expressão que eles poderiam muito bem ter ouvido quando eram pagãos e assistiam a cultos locais (“Maldito Jesus”)? Nesse caso, ele estaria dizendo que, em contraste, o Espírito (pneuma) do Deus único e verdadeiro exalta Jesus como Senhor (2001: 206, 207).

Werner de Boor pensa da mesma forma, os gentios que se convertiam ao cristianismo ouviam os judeus pronunciarem que Jesus era “anátema” . Possivelmente o apóstolo Paulo estava mostrando que os judeus que acusavam Jesus de maldito não falavam pelo Espírito Santo, porém, quando alguém na igreja afirmava conscientemente que “Jesus era Senhor”, falava pelo Espírito Santo. Era uma confissão de fé e isso exaltava e glorifica a Jesus como Senhor. O Imperador era considerado um “deus”, “benfeitor” e “senhor”, mas os cristãos diziam: “não, Jesus Cristo é quem é o Senhor”.
Os irmãos na igreja de Corinto estavam falando em línguas estranhas, ninguém entendia nada e Cristo não estava sendo glorificado como Senhor. Os judeus em suas Sinagogas proferiam maldição a Jesus e não era pelo Espírito Santo, Jesus era desonrado por eles, da mesma forma os que estavam falando em línguas ininteligíveis na igreja, também não glorificavam a Jesus como Senhor.

A verdadeira “espiritualidade” não conduz a pessoa a um êxtase, ao individualismo ou a um outro mundo, mas para dentro da vida da igreja local, numa expressão do compromisso pessoal com Jesus como Senhor e com o seu corpo aqui na terra (PRIOR: 2001: 208).

4. “Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo” (v.4).
O Espírito Santo capacitou a igreja primitiva com uma variedade de dons extraordinários. Porem, a ênfase maior era direcionada ao dom de língua, porque chamava a atenção e eles se achavam mais espirituais do que os outros irmãos. Por isso o apóstolo Paulo diz que não existe apenas um dom, são vários, e o Espírito é quem opera em todos eles para um fim proveitoso.
Da mesma forma “há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo” (v.5). Cada um tem o seu ministério e Deus é quem abençoa a todos, portanto todos eles são importantes parta o crescimento espiritual da igreja. Acontece o mesmo na diversidade de operações, pois é Deus que opera tudo em todos (v.6).

5. “A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso” (v.7).
O Espírito Santo dá o dom a cada um conforme a necessidade que surge na igreja. Essa distribuição é feita e operada por Ele (v.6) para um fim proveitoso (v.7) e não usado egoisticamente para sua própria edificação (1Co.14:4). Em Corinto, os dons de línguas estranhas estavam sendo usados para satisfação própria, e não para o crescimento da igreja que glorifica a Cristo no culto.

“Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento; a outro, no mesmo Espírito, a fé; e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar; a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las. Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente” (1Co.12:8-11).

6. “Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente” (v.11)
Dos VS. 8-10 o apóstolo Paulo menciona nove dons que são repartidos particularmente pelo Espírito Santo e dado a cada um como quer. Portanto, os crentes não têm os mesmos dons, nem todos os dons. Eles acreditavam, por falar em línguas estranhas que eram batizados com o Espírito Santo e os outros irmãos que não falavam em línguas, não eram. Por isso o apóstolo Paulo esclarece:

“A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Porventura, são todos apóstolos? Ou, todos profetas? São todos mestres? Ou, operadores de milagre? Têm todos dons de curar? Falam todos em outras línguas? Interpretam-nas todos? Entretanto, procurai, com zelo, os melhores dons” (1Co.12:28-31 – negrito meu).

Os Vs. De 28-30 são conclusivos. Nós como corpo de Cristo temos ministérios e dons diferentes. Assim como cada membro do corpo tem sua utilidade, pôs Deus na igreja cada um também com uma função específica. Portanto, são todos apóstolos, tem todos o dom de curar, falam todos em línguas, todos são intérpretes? Não. Da mesma forma que existe, hoje, nas igrejas Pentecostais, naquela época na igreja de Corinto já existia, provavelmente, desejo de alguns serem tão espirituais quanto os que falavam em línguas estranhas pensavam que eram. Na verdade, o apóstolo os chama de carnais, crianças em Cristo (cf. 1Co.3:1).
7. “Entretanto, procurai, com zelo, os melhores dons” (v.31).
Segundo Werner de Boor existe dons maiores do que outros. Mas, eles não devem ser usados para nos exaltarmos. Entretanto, o apóstolo dos gentios faz uma analogia com o corpo humano mostrando que o corpo tem vários membros e cada um tem sua importância especifica para o bem estar e funcionamento correto do corpo. Dessa forma, nem um é melhor ou mais importante que o outro. Assim é a igreja com os dons Espirituais . Então, porque o v. 31 nos manda procurar com zelo os melhores dons? Será que temos a capacidade de escolher o dom que quisermos? Ou é o Espírito Santo que distribui como lhE agrada? (v.11).
O apóstolo Paulo fala dessa forma porque está ocorrendo um fenômeno estranho na igreja de Corinto, que são as línguas. E ele chama a atenção daquelas pessoas que se achavam espirituais para que elas refletissem em tudo quanto o apóstolo havia falado nos versículos anteriores a respeito dos dons.
Por que era um fenômeno estranho?
• Era algo que não aconteceu em outra igreja. Pelo menos, o apóstolo Paulo não trata desse assunto nas outras cartas;
• Era uma língua que ninguém entendia (14:2, 5, 9, 13, 19).

- A introdução de (1Co.13) é feita com o final do (1Co.12) que diz: “Kai eti kaq uperBolhn odon umin deiknumi”. “E eu passo a mostra-vos ainda um caminho sobremodo excelente”

Ainda que eu fale as línguas (gr. glwssaiz, glossais) dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine” (1Co.13:1).

Glossais. Dialetos humano falado no Pentecostes. “Ainda que fale as línguas dos anjos” trata-se de uma “hipérbole” intencional para chamar atenção para aqueles que usam os dons sem a prática do amor ágape o qual ultrapassa todos os dons, que por sua vez, os membros da igreja devem aspirar. Deus é amor (Jo.3:16) . Nada podemos afirmar, sobre a expressão empregada por Paulo: “línguas dos anjos” , tenha sido usada, ou seja, que o Espírito Santo tenha se manifestado com línguas celestiais para ministrar edificando a igreja nascente. Todavia, Paulo diz que vai mostrar um caminho mais excelente (gr. ύπερβολήν), ele faz comparações e a hipérbole é um exagero de palavra. Vejamos: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos”, a palavra “ainda significa que ele não falava; “Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas [...]”. Só quem conhece todos os mistérios e tem todo conhecimento é Deus; “Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado [...]”. Ele não possuía nada para dá aos pobres, para se sustentar fabricava tendas. O que ele deixa claro é que os dons sem o amor é como o sino que soa.

sábado, 27 de setembro de 2008

Livro de visitas

TRICOTOMIA OU DICOTOMIA ???????


A Pessoa Total, Tricotomia ou Dicotomia?

por

Anthony Hoekema



Um dos aspectos mais importantes da visão cristã do homem é a de que devemos vê-lo em sua unidade, como uma pessoa total. Os seres humanos têm sido imaginados como consistindo de partes separadas e, algumas vezes, de partes distintas, que são, dessa forma, abstraídas da totalidade. Assim, nos círculos cristãos, tem sido crido do homem como consistindo tanto de “corpo” e “alma” como de “corpo”, “alma” e “espírito”. Tanto os cientistas seculares como os teólogos cristãos, contudo, estão reconhecendo gradativamente que tal entendimento dos seres humanos está errado, e que o homem deve ser visto como uma unidade. Visto que nossa preocupação é com a doutrina cristã do homem, devemos dar uma nova olhada para o ensino bíblico a respeito dos seres humanos, para ver se de fato isto é assim.

O que devemos observar primeiro de tudo é que a Bíblia não descreve o homem cientificamente; na verdade,

o julgamento (dos teólogos) é que a Bíblia não nos dá nenhum ensino científico a respeito do homem, nenhuma “antropologia” que deveria ou poderia estar em competição com uma investigação científica do homem nos vários aspectos de sua existência ou com a antropologia filosófica. [1]
Além disso, a Bíblia não usa uma linguagem científica exata. Ela usa termos como alma, espírito e coração mais ou menos indistintamente. Isto é por causa

das partes do corpo que são tidas, não primariamente do ponto de vista de suas diferenças ou de suas inter-relações com outras partes, mas como significando ou enfatizando os diferentes aspectos do homem total em relação a Deus. Do ponto de vista da psicologia analítica e da fisiologia, o uso do Antigo Testamento é caótico: ele é o pesadelo do anatomista quando qualquer parte pode ser entendida como sendo a totalidade. [2]

Portanto, não é impossível construir uma psicologia bíblica exata e científica. Alguns têm tentado fazer isso. Um dos mais notáveis nessa tarefa é Franz Delitzsch, cujo livro System of Biblical Psychology foi originalmente publicado em 1855. Mas mesmo Delitzsch teve que admitir que “a Escritura não é um livro escolástico [or didática] de ciência” e que “é verdade que em assuntos psicológicos, assim tão pouco quanto em assuntos éticos ou dogmáticos, a Escritura abrange (ou contém) qualquer sistema proposto na linguagem das escolas”. [3]

Em 1920, o teólogo holandês Herman Bavinck escreveu um livro entitulado Biblical and Religious Psychology (Psicologia Bíblica e Religiosa). Semelhantemente a Delitzsch, ele admitiu que

[a Bíblia] não nos fornece uma psicologia popular ou científica mais do que ela nos proporciona uma narrativa [schets] da história, geografia, astronomia ou agricultura...Mesmo se alguém desejasse tentar, seria impossível retirar da Bíblia uma psicologia que pudesse satisfazer as nossas necessidades. Porque não somente seria impossível ter uma narrativa completa de todos os vários dados, mas também as palavras que a Bíblia usa, tais como espírito, alma, coração e mente, foram emprestadas da linguagem popular dos judeus daqueles dias, ordinariamente possuindo um conteúdo diferente daquele que associamos com esses termos, e nem sempre usados no mesmo sentido. As Escrituras nunca usam conceitos abstratos e filosóficos, mas sempre falam a rica linguagem do dia a dia. [4]

Embora não derivemos uma antropologia ou psicologia científica exata da Bíblia, podemos aprender da Escritura muitas verdades importantes a respeito do homem. Na verdade, isso é o que tentamos fazer nos capítulos anteriores deste livro. Deveríamos nos lembrar novamente que a coisa mais importante que a Bíblia diz a respeito do homem é que ele está inescapavelmente relacionado a Deus. Berkouwer coloca este assunto da seguinte maneira: “Podemos dizer sem medo de contradição que a coisa mais notável no retrato bíblico do homem repousa nisto: que nunca chama a atenção para o homem em si mesmo, mas exige a nossa atenção mais plena para o homem em sua relação com Deus.” [5] Podemos acrescentar que a Bíblia também dirige nossa atenção para o homem à medida em que ele se relaciona com os outros seres humanos e com a criação. [6] Em outras palavras, as Escrituras não estão primariamente interessadas nas “partes” constituintes do homem ou na sua estrutura psicológica, mas nos relacionamentos que ele mantém.


Tricotomia ou Dicotomia?
Vez por outra, entretanto, tem sido sugerido que o homem deveria ser entendido como consistindo de certas “partes” especificamente distintas. Um desses entendimentos é usualmente conhecido como tricotomia — a idéia que, segundo a Bíblia, o homem consiste de corpo, alma e espírito. Um dos proponentes mais antigos da tricotomia, como vimos, é Irineu, que ensinava que enquanto os incrédulos possuiam somente almas e corpos, os crentes adquiriam espíritos adicionais, que eram criados pelo Espírito Santo. [7] Um outro teólogo que usualmente está associado com a tricotomia é Apolinário de Laodicéa, que viveu de 310 a aproximadamente 390 AD. A maioria dos intérpretes atribuem a ele a idéia de que o homem consiste de corpo, alma e espírito ou mente (pneuma ou nous), e que o Logos ou a natureza divina de Cristo tomou o lugar do espírito humano na natureza humana que Cristo assumiu. [8] Berkouwer, contudo, assinala que Apolinário desenvolveu primeiro a sua cristologia errônea em um contexto de dicotomia. [9] Mas J. N. D. Kelly diz que é uma questão de importância secundária se Apolinário era um dicotomista ou tricotomista. [10]

A tricotomia foi ensinada no século XIX por Franz Delitzsch, [11] J. B. Heard, [12] J. T. Beck, [13] e G. F. Oehler. [14] Mais recentemente tem sido defendido por escritores como Watchman Nee, [15] Charles R. Solomon (que afirma que através do seu corpo, o homem relaciona-se com o ambiente, através de sua alma com os outros, e do seu espírito com Deus), [16] e Bill Gothard. [17] É interessante observar que a tricotomia é também defendida na antiga e na nova Scofield Reference Bible. [18] A despeito deste apoio, devemos rejeitar a visão tricotomista da natureza humana.

Primeiro, ela deve ser rejeitada porque ela parece fazer violência à unidade do homem. A palavra em si mesma sugere que o homem pode ser separado em três “partes”: a palavra tricotomia é formada de duas palavras gregas, tricha, “tríplice” e temnein, “cortar. Alguns tricotomistas, incluindo Irineu, até sugeriram que certas pessoas tinham os seus espíritos cortados, enquanto que outras não.

Segundo, devemos rejeitá-la porque ela freqüentemente pressupõe uma antítese irreconciliável entre espírito e corpo. Realmente, a tricotomia originada na filosofia grega, particularmente na concepção de Platão, que possuia também um entendimento tríplice da natureza humana. Herman Bavinck levanta uma discussão útil deste assunto no seu livro Biblical Psychology. Ele assinala que em Platão e em outros filósofos gregos havia uma aguçada antítese entre as coisas visíveis e as invisíveis. O mundo como substância material não foi criado por Deus, diziam os gregos, mas sempre esteve contra ele. Um poder intermediário se fazia necessário para que pudesse haver ligação entre o mundo e Deus, e, assim, haver harmonia entre eles — este era o mundo da alma. A idéia do homem, encontrada no pensamento grego, pensa Bavinck, é semelhante: o homem é um ser racional que possui razão (nous), mas ele é também um ser material que tem um corpo. Entre esses dois deve haver uma terceira realidade que age como mediador: a alma, que é capaz de dirigir o corpo em nome da razão. [19]

A Bíblia, contudo, não ensina qualquer tipo de distinção aguda entre espírito (ou mente) e corpo. Segundo as Escrituras, a matéria não é má porque foi criada por Deus. A Bíblia nunca denigre o corpo humano como uma fonte necessária do mal, mas o descreve como um aspecto da boa criação de Deus, que deve ser usado no serviço de Deus. Para os gregos o corpo era considerado “uma sepultura para a alma” (soma sema) que o homem alegremente abandonava na morte, mas esta idéia é totalmente estranha às Escrituras.

Devemos rejeitar também a tricotomia porque ela faz uma aguda distinção entre o espírito e a alma que não encontra suporte algum nas Escrituras. Podemos ver isto mais claramente quando observamos que as palavras hebraica e grega traduzidas como alma e espírito são freqüentemente usadas indistintamente nas Escrituras.

1. O homem é descrito na Bíblia tanto como alguém que é corpo e alma como alguém que é corpo e espírito: “Não temais aqueles que matam o corpo mas não podem matar a alma” (Mt 10.28); “Também a mulher, tanto a viúva como a virgem, cuida das coisas do Senhor, de como agradar ao Senhor, assim no corpo como no espírito” (1 Co 7.34); “Como o corpo sem o espírito está morto, assim a fé sem as obras é morta” (Tg 2.25).

2. A dor é atribuída tanto à alma como ao espírito: “Levantou-se Ana e, com amargura de espírito, orou ao Senhor, e chorou abundantemente” (1 Sm 1.10); “Porque o Senhor te chamou como a mulher desamparada e de espírito abatido; como a mulher da mocidade, que fora repudiada, diz o teu Deus” (Is 54.6); “Agora está angustiada a minha alma” (Jo 12.27); “Ditas estas cousas, angustiou-se Jesus em espírito” (Jo 13.21); “Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava, em face da idolatria dominante na cidade” (At 17.16); “(Porque este justo [Ló], pelo que via e ouvia quando habitava entre eles, atormentava a sua alma justa, cada dia, por causa das obras iníquas daqueles)” (1 Pe 2.8).

3. O louvor e o amor a Deus são atribuídos tanto a alma como ao espírito: “A minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador” (lc 1.46-47); “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força” (Mc 12.30).

4. A salvação é associada tanto à alma como ao espírito: “Acolhei com mansidão a palavra implantada em vós, a qual é poderosa para salvar as vossas almas” (Tg 1.21); “...entregue a Satanás, para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo, no dia do Senhor” (1 Co 5.5).

5. O morrer é descritivo tanto como uma partida da alma como do espírito: “Ao sair-lhe a alma (porque morreu), deu-lhe o nome de Benoni” (Gn 35.18); “E estendendo-se três vezes sobre o menino, clamou ao Senhor, e disse: Ó Senhor meu Deus, que faças a alma deste menino tornar a entrar nele” (1 Rs 17.21); “Não temais os que matam o corpo e não podem matar alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo” (Mt 10.28); “Nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Sl 31.5); “E Jesus clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito” (Mt 27.50); “Voltou-lhe o espírito, ela imediatamente se levantou”(Lc 8.55); “Então Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!” (Lc 23.46); “E apedrejavam a Estevão que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito!” (At 7.59).

6. Aqueles que já haviam morrido eram algumas vezes chamados tanto de almas e outras vezes de espíritos: Mt 10.28, citado acima; “Quando ele abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam” (Ap 6.9); “e a Deus, o juíz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados “ (Hb 12.23); “Pois também Cristo morreu...para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado em espírito, no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão, os quais noutro tempo foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé” (1 Pe 3.18-20).

Os tricotomistas freqüentemente apelam para duas passagens do Novo Testamento: Hb 4.12 e 1 Ts 5.23, para dar suporte ao seu conceito, mas nenhuma dessas passagens prova o ponto deles.

Hebreus 4.12 diz o seguinte:

Porque a Palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.

Estas palavras descrevem o poder penetrante da palavra de Deus. O autor de Hebreus não pretende dizer que a palavra de Deus causa uma divisão entre uma “parte” da natureza humana chamada alma e outra “parte” chamada espírito, assim como não pretende dizer que a palavra causa uma divisão entre as juntas do corpo e a medula encontrada nos ossos. A linguagem é figurativa. A cláusula seguinte aponta para o intento do autor: ele deseja dizer que a palavra de Deus discerne “os pensamentos e atitudes (ou intenções) do coração”. A palavra de Deus (seja ela entendida como a Escritura ou como Jesus Cristo) penetra nos recônditos mais interiores de nosso ser, trazendo à luz os motivos secretos de nossas ações. Esta passagem, na verdade, está em paralelo com um texto de Paulo: “[o Senhor] não somente trará à plena luz as cousas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações” (1 Co 4.5). Não há, portanto, nenhuma razão para se entender Hebreus 4.12 como ensinando uma distinção psicológica entre alma e espírito como sendo duas partes constituintes do homem.

A outra passagem é 1 Tessalonicenses 5.23, onde se lê:

O mesmo Deus da paz voz santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo, sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nossos Senhor Jesus Cristo.

Deveríamos observar primeiro que esta passagem não é uma afirmação doutrinária, mas uma oração. Paulo ora para que seus leitores tessalonicenses possam ser santificados e completamente preservados ou guardados por Deus até que Cristo volte novamente. A totalidade da santificação, pela qual Paulo ora, é expressa no texto por duas palavras gregas. A primeira, holoteleis, é derivada de holos, significando a totalidade, e telos, significando a finalidade ou o alvo; a palavra significa “a totalidade de modo que se alcance o alvo”. A Segunda palavra, holokleron, derivada de holos e kleros, porção ou parte, significa “completa em todas as suas partes”. É interessante observar que na segunda metade da passagem, ambos o adjetivos holokeron e o verbo teretheie (“possam ser guardados ou preservados”) estão no singular, indicando que a ênfase do texto está sobre a totalidade da pessoa. Quando Paulo ora pelos tessalonicenses para que o espírito, alma e corpo possam ser guardados, ele não está tentando separar o homem em três partes, mais do que Jesus pretendeu fazer em quatro partes quando disse: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força (Lc 10.27). Esta passagem, portanto, também não proporciona qualquer base para a visão tricotômica da constituição do homem. [20]

A outra idéia usualmente sustentada a respeito da constituição do homem é a chamada dicotomia — a idéia de que o homem consiste de corpo e alma. Esta visão tem sido mais largamente sustentada do que a tricotomia. Nossa rejeição de tricotomia significa que devemos optar pela dicotomia? Um número de teólogos afirma esta crença. Louis Berkhof, por exemplo, crê que “a representação dominante da natureza do homem na Escritura é claramente dicotômica”. [21]

É minha convicção, contudo, que nós deveríamos rejeitar tanto a dicotomia como a tricotomia. Como cristãos deveríamos certamente repudiar a dicotomia no sentido em que os antigos gregos a ensinaram. Platão, por exemplo, formulou a idéia de que o corpo e a alma devem ser tidos como duas substâncias distintas: a alma pensante, que é divina, e o corpo. Visto que o corpo é composto de substância inferior chamada matéria, ele é de um valor inferior à da alma. Na morte simplesmente o corpo se desintegra, mas a alma racional (ou nous) retorna “aos ceús”, se o seu curso de ação foi justo e honrado, e continua a existir para sempre. A alma é considerada uma substância superior, inerentemente indestrutível, enquanto que o corpo é inferior à alma, mortal, e condenado à destruição total. Não há no pensamento grego, portanto, lugar algum para a ressurreição do corpo. [22]

Mas mesmo à parte do entendimento grego da dicotomia, que é claramente contrário à Escritura, devemos rejeitar o termo dicotomia como tal, visto que ele não é uma descrição exata da visão bíblica do homem. A palavra em si mesma é objetável. Ela vem de duas raízes gregas: diche, significando “dupla” ou “em duas”; e temnein, significando “cortar”. Ela, portanto, sugere que a pessoa humana pode ser cortada em duas “partes”. Mas o homem nesta presente vida não pode ser separado dessa maneira. Como veremos, a Bíblia descreve a pessoa humana como uma totalidade, um todo, um ser unitário.

O melhor modo de determinar a visão bíblica do homem como uma pessoa total é examinar os termos usados para descrever os vários aspectos do homem. Antes de fazer isso, contudo, duas observações devem ser feitas: (1) Como foi dito, a preocupação primária da Bíblia não é a constituição psicológica ou antropológica do homem mas a sua capacidade inescapável de relacionar-se com Deus; e (2) devemos sempre Ter em mente que J. A. T. Robinson diz a respeito do uso que o Antigo Testamento faz destes termos: “Qualquer parte pode ser tomada pelo todo”, [23] e o que G. E. Ladd afirma a respeito do uso que o Novo Testamento faz dessas palavras: “A recente erudição tem reconhecido que termos como corpo, alma e espírito não são diferentes, faculdades separadas do homem mas diferentes modos de ver a totalidade do homem.” [24]

Com isto em mente, nós trataremos primeiro das palavras do Antigo Testamento e, então com as encontradas no Novo Testamento.


As Palavras do Antigo Testamento
Começamos com a palavra hebraica nephesh, mais comumente traduzida como “alma”. O léxico Hebraico de Brown, Driver e Briggs [25] dá dez significados para essa palavra, da qual os mais importantes para o nosso propósito são: “o ser mais interior do homem”, “o ser vivo” (usado a respeito de homens e animais), [26] “o homem em si mesmo” (freqüentemente usado como um pronome pessoal: eu mesmo, ele mesmo, etc.; neste sentido pode significar o homem como um todo), “o lugar dos apetites”, “o assento das emoções”. A palavra pode, algumas vezes, se referir a uma pessoa falecida, com ou sem meth (“morta”). É algumas vezes dito que a nephesh morre.

Está claro, portanto, que a palavra nephesh pode significar a pessoa total. Edmond Jacob diz o seguinte: “Nephesh é o termo usual para a natureza total do homem, para o que ele é e não apenas pelo que tem... Por isso a melhor tradução em muitos casos é ‘pessoa’”. [27]

A palavra hebraica seguinte é ruach, usualmente traduzida como “espírito”. O significado da raíz desta palavra é “ar em movimento”; ela é freqüentemente usada para descrever o vento. Brown-Driver-Briggs listam nove significados, incluindo os seguintes: “espírito”, “animação”, “disposição”, “espírito de vida e ser que respira morando na carne de homens e animais” (somente um exemplo deste último: Ec 3.21), “assento das emoções”, “órgão de atos mentais”, “órgão da vontade”. Ruach, portanto, sobrepõe-se em significado a nephesh. W. D. Stacey diz:

Quando a referência é feita ao homem em sua relação com Deus, ruach é o termo mais provável para ser usado..., mas quando referência é feita ao homem em relação a outros homens, ou o homem vivendo a vida comum dos homens, então nephesh é mais provável, se um termo psíquico é exigido. Em ambos os casos a totalidade do homem está envolvida. [28]

Portanto, não deve ser pensado de ruach como um aspecto separado do homem, mas como a pessoa total vista de determinada perspectiva.

Olhamos a seguir para as palavras do Antigo Testamento usualmente traduzidas como “coração”: lebh e lebhabh. Brown-Driver-Briggs dá dez significados para estas duas palavras, incluindo os seguintes: “o homem mais interior ou alma”, “mente”, “resoluções da vontade”, “consciência”, “caráter moral”, “o homem em si mesmo”, “o lugar dos apetites”, “o assento das emoções”, “o assento da coragem”. F. H. Von Meyenfeldt, em seu estudo final da palavra, conclui que lebh ou lebhabh usualmente representa a pessoa total e tem uma significação predominantemente religiosa. [29]

A palavra coração não somente é usada no Antigo Testamento para descrever o assento do pensamento, do sentimento e da vontade; é também a sede do pecado (Gn 6.5; Sl 95.8, 10; Jr 17.9), a sede da renovação espiritual (Dt 30.6; Sl 51.10; Jr 31.33; Ez 36.26), e o lugar da fé (Sl 28.7; 112.7; Pv 3.5).

Mais do que qualquer outro termo do Antigo Testamento, a palavra coração significa o homem no mais profundo centro de sua existência, e como ele é no mais profundo do seu ser. Herman Dooyeweerd, o filósofo holandês, entendeu o coração na Escritura como sendo “a raiz religiosa da existência total do homem”. [30] A filosofia que ele desenvolveu enfatiza que o coração é o centro e a fonte de toda a atividade religiosa, filosófica e moral do homem. Ray Anderson chama o coração de “o centro do eu subjetivo”. Ele é “a unidade do corpo e da alma na verdadeira ordem deles — ele é a pessoa”. [31]

Todos esses três termos examinados do Antigo Testamento, portanto, descrevem o homem em sua unidade e totalidade, embora olhando-o de aspectos ligeiramente diferentes. H. Wheeler Robinson comenta: “Não é possível fazer uma diferenciação exata das províncias cobertas pelo ‘coração’, nephesh e ruach, pela simples razão de que tal diferenciação exata nunca foi feita.” [32]

A próxima palavra é basar, usualmente traduzida como “carne”. Brown-Driver-Briggs lista seis significados, incluindo os seguintes: “”carne” (para o corpo), “parentesco de sangue”, “homem contra Deus como fraco e errante”, “raça humana”. N. P. Bratsiotis diz que basar é mais freqüentemente usado no Antigo Testamento para “o aspecto externo e carnal da natureza humana”. [33] Ele continua a dizer que quando basar é distinto do aspecto externo do homem e nephesh é entendido como sendo o aspecto interno, mesmo assim nunca devemos pensar destas palavras como descrevendo um dualismo de alma e corpo no sentido platônico.

Ao contrário, basar e nephesh devem ser entendidos como aspectos diferentes da existência do homem como uma entidade dual. É precisamente esta totalidade antropológica enfática que é determinante para a natureza dual do ser humano. Ela exclui qualquer noção de uma dicotomia entre basar e nephesh...como irreconciliavelmente opostos uma a outra, e revela o relacionamento psico-somático mútuo entre elas. [34]

A palavra basar é freqüentemente usada para descrever o homem em sua fraqueza. H. W. Wolff observa que freqüentemente basar descreve a vida humana como débil e fraca, dando como exemplo deste uso Jeremias 17.5 – “Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço”. [35]

Basar pode algumas vezes denotar a pessoa total, não apenas o aspecto físico. [36] Mas ela pode também ser juntada com nephesh em maneiras que referem ao homem total. Clarence B. Bass, comentando as palavras do Antigo Testamento para “corpo”, afirma:

Corpo e alma são usados quase que indistintamente, sendo que a alma indica o homem como um ser vivo, e corpo (carne) denota-o como uma criatura corporalmente visível...Esta unidade de corpo e alma [tem] conduzido alguns escritores a concluir que o Antigo Testamento carece de uma idéia do corpo físico como uma entidade discreta...Mais propriamente, contudo, o Antigo Testamento vê o corpo e a alma como coordenadas que se interpenetram em funções para formar um todo simples. [37]

Basar, portanto, também é freqüentemente usado no Antigo Testamento para denotar a pessoa total, embora com ênfase no lado exterior.

Assim, o mundo do pensamento do Antigo Testamento exclui totalmente qualquer espécie de dicotomia ou dualismo que pinte o homem como feito de duas substâncias distintas. Como H. Wheeler Robinson diz, “a ênfase final deve cair sobre o fato de que os quatro termos [nephesh, ruach, lebh e basar]...simplesmente apresentam aspectos diferentes da unidade da personalidade.” [38]


As Palavras do Novo Testamento
A primeira palavra do Novo Testamento que examinaremos é psyche, a palavra grega equivalente a nephesh, usualmente traduzida como “alma”. O léxico do Novo Testamento Grego de Arndt-Gingrich lista um número de significados para esta palavra, alguns dos quais são: “princípio de vida”, “vida terreal”, “assento da vida mais interior do homem” (incluindo sentimentos e emoções), “a sede e o centro da vida que transcende o que é terreno”, “aquilo que possui vida: uma criatura viva” (plural, pessoas). [39]

Eduard Schweizer afirma que psyche é usado freqüentemente nos Evangelhos para descrever o homem total, [40] para representar a verdadeira vida em distinção da vida puramente física, [41] e para referir-se à existência dada por Deus que sobrevive à morte. [42] Schweizer diz que Paulo usa psyche quando se refere à vida natural e à vida verdadeira; ele freqüentemente usa a palavra para descrever a pessoa. [43] No Livro do Apocalipse psyche pode ser usada para denotar a vida após a morte (como em 6.9). [44] Está claro, portanto, que psyche, como nephesh, freqüentemente significa a pessoa total.

Agora nos voltamos para a palavra pneuma, o equivalente do Novo Testamento a ruach, que quando se refere ao homem é mais usualmente traduzida como “espírito”. O léxico de Arndt-Gingrich dá oito significados, incluindo os seguintes: “o espírito como parte da personalidade humana”, “o ego de uma pessoa”, “uma disposição ou estado de mente”. Schweizer diz que Paulo usa pneuma para as funções físicas do homem, que ele é freqüentemente um paralelo de psyche, e que pode denotar o homem como um todo, com ênfase mais forte sobre o seu psíquico do que sobre a sua natureza física. [45]

George Ladd, numa discussão da psicologia paulina, diz-nos que no pensamento de Paulo o homem serve a Deus com o espírito e experimenta a renovação no espírito. Paulo algumas vezes contrasta o pneuma com o corpo como a dimensão mais interior em contraste com lado exterior do homem (2 Co 7.1; Rm 8.10). Pneuma pode descrever a auto-consciência do homem( 1 Co 2.11). [46] W. D. Stacey argumenta que Paulo não vê o pneuma como algo que somente o regenerado tem: “Todos os homens têm pneuma desde o nascimento, mas o pneuma cristão, na comunhão com o Espírito de Deus, assume um novo caráter e uma nova dignidade” (Rm 8.10). [47]

É interessante observar que pneuma pode se referir à vida após a morte. Como já vimos, Hebreus 12.23 descreve santos mortos como “os espíritos dos justos aperfeiçoados”, e ambos, Cristo (Lc 23.46) e Estevão (At 7.59), como moribundos encomendando seus espíritos a Deus o Pai ou Deus o Filho. Cristo é também dito ter pregado aos “espíritos em prisão”, obviamente se referindo a pessoas falecidas (1 Pe 3.19).

Pneuma também é em grande parte sinônimo de psyche, as duas palavras freqüentemente usadas indistintamente no Novo Testamento. Ladd, contudo, sugere uma distinção entre elas: “O espírito é freqüentemente usado a respeito de Deus; a alma nunca é usada dessa forma. Isto sugere que pneuma representa o homem em seu lado voltado para Deus, enquanto que psyche representa o homem em seu lado humano.” [48] Em geral, eu concordo com isto, mas há duas exceções. Por exemplo, a psyche é descrita algumas vezes como louvando e magnificando o Senhor (Lc 1.46), e Tiago nos diz a respeito da palavra em nós implantada que é capaz de salvar as nossas almas (psychas, Tg 1.21). Pneuma, está claro, pode ser usado como designativo da pessoa total; como psyche, ele descreve um aspecto do homem em sua totalidade.

A próxima palavra que olharemos é kardia, a palavra do Novo Testamento equivalente a lebh e lebhabh, usualmente traduzida como “coração”. Arndt-Gingrich dá o seguinte sentido principal da palavra: “a sede da vida física, espiritual e mental”. Ele é também descrito como o centro e a fonte da totalidade da vida mais interior do homem, com seu pensamento, sentimento e vontade. O coração é também dito ser o lugar de morada do Espírito Santo.

Johannes Behm semelhantemente descreve o coração no Novo Testamento como o principal órgão da vida psíquica e espiritual, o lugar no ser humano no qual Deus testemunha de si mesmo. O coração é o centro da vida mais interior de uma pessoa: de seus sentimentos, entendimento, e vontade. O coração significa a totalidade do ser interior do homem, a parte mais profunda dele; ele é sinônimo de ego, a pessoa. Kardia é supremamente o centro no homem para o qual Deus se volta, no qual a vida religiosa está enraizada, e que determina a conduta moral. [49]

Anteriormente já observamos que lebh no Antigo Testamento é também usado para indicar o coração como a sede do pecado, a sede da renovação espiritual e o lugar da fé. Isto também é verdade de kardia. Além disso, podemos observar que as outras virtudes cristãs são descritas como kardia. O amor é associado com o coração em 2 Tessalonicenses 3.5 e 1 Pedro 1.22. A obediência é ligada ao coração em Romanos 6.17 e em Colossenses 3.22. O perdão é associado ao coração em Mateus 18.35. O coração é ligado com humildade em Mateus 11.29, e é descrito como o assento da pureza em Mateus 5.8 e Tiago 4.8. A gratidão é associada com o coração em Colossenses 3.16, e a paz é dita guardar o coração em Filipenses 4.7.

Em uma seção de sua Dogmatics na qual ele trata com “o homem como alma e corpo”, Karl Barth, falando do coração no Novo e no Antigo Testamentos, diz:

Se fôssemos verdadeiros com os textos bíblicos deveríamos dizer do coração que ele é in nuce o homem total em si mesmo, e, portanto, não somente o locus de sua atividade mas de sua essência...Assim, o coração não é meramente uma realidade mas a realidade do homem, ambos – da totalidade da alma e da totalidade do corpo. [50]

Assim, novamente aqui vemos a ênfase bíblica na totalidade do homem. Kardia significa a pessoa total em sua essência mais interior. No coração a atitude básica do homem para com Deus é determinada, seja de fé ou de incredulidade, de obediência ou de rebelião.

Embora estritamente falando o Antigo Testamento não tenha uma palavra para corpo, ele usa basar para descrever o aspecto físico do homem, sua carne. No Novo Testamento há duas palavras para corpo: sarx e soma. Arndt-Gringrich lista oito significados para sarx, usualmente traduzidos como “carne”; entre outros significados estão: “corpo”, “um ser humano”, “natureza humana”, “limitação física”, “o lado exterior da vida”, e “o instrumento desejoso do pecado” (particularmente nos escritos de Paulo).

Sarx no Novo Testamento, então possui dois significados principais: (1) o aspecto externo, físico da existência do homem — neste sentido ele pode ser usado do homem como um todo; e (2) carne como a tendência dentro do homem caído para desobedecer a Deus em todas as áreas da vida. [51] Neste segundo sentido, encontrado principalmente nas epístolas de Paulo, não devemos restringir o sentido de sarx como se referindo somente ao que usualmente chamamos de “pecados da carne” (pecados do corpo); ao contrário, deveríamos entendê-lo como referindo-se aos pecados cometidos pela pessoa total. Na lista das “obras da carne” (ta erga tes sarkos) encontrada em Gálatas 5.19-21, onde cinco de quinze dizem respeito aos pecados do corpo; o restante diz respeito ao que chamamos de “pecados do espírito”— como ódio, discórdia, ciúme, e que tais. Assim, mesmo quando a palavra sarks é usada neste segundo sentido, ela diz respeito à pessoa total, e não apenas a uma parte dela.

Agora nos voltamos para a palavra soma, usualmente traduzida como “corpo”. Arndt-Gingrich dá cinco significados, incluindo os seguintes: “o corpo vivo”, “o corpo da ressurreição”, e “a comunidade cristã ou igreja”. Clarence B. Bass, num artigo sobre o corpo nas Escrituras, também lista cinco definições da palavra soma: “a pessoa total como uma entidade diante de Deus”, “o locus do espiritual no homem”, “o homem total como destinado para a membrezia no reino de Deus”, “o veículo para a ressurreição”, e “o lugar do teste espiritual em termos do qual o julgamento acontecerá”. [52] Ele chega à seguinte conclusão:

Assim, está claro que o corpo é usado para representar a totalidade do homem, e milita contra qualquer idéia da visão bíblica do homem como existindo à parte da manifestação corporal, a menos que seja durante o estado intermediário [que é, o estado entre a morte e a ressurreição]. [53]

Podemos resumir nossa discussão das palavras bíblicas usadas para descrever os vários aspectos do homem, como segue: o homem deve ser entendido como um ser unitário. Ele tem um lado físico e um lado mental ou espiritual, mas não devemos separar esses dois. A pessoa humana deve ser entendida como uma alma corporificada ou um corpo “espiritualizado” (“animado”). [54] A pessoa humana deve ser vista em sua totalidade, não como uma composição de diferentes “partes”. Este é o ensino claro de ambos os Testamentos. [55]


Unidade PsicosomÁtica
Embora a Bíblia veja o homem como uma totalidade, ela também reconhece que o ser humano possui dois lados: o físico e o não-físico. Ele possui um corpo físico, mas ele também é uma personalidade. Ele tem uma mente com a qual ele pensa, mas também um cérebro que é parte do seu corpo, e sem o qual ele não pode pensar. Quando as coisas andam errada com ele, é necessária uma cirurgia, mas outras vezes ele pode precisar de um aconselhamento. O homem é uma pessoa que pode, contudo, ser vista de dois ângulos.

Como, então, haveremos de expressar esses “dois lados” do homem? Já observamos as dificuldades relacionadas com o termo dicotomia. Alguns tem falado de um dualismo, [56] enquanto outros preferem o termo dualidade, fazendo maior justiça à unidade do homem. Berkouwer, por exemplo, explica que “a dualidade e o dualismo não são idênticos de forma alguma, e...uma referência ao momento dual na realidade cósmica não implica necessariamente em dualismo.” [57] Semelhantemente, Anderson diz que “devemos fazer uma distinção entre uma ‘dualidade’ do ser no qual uma modalidade de diferenciação é constituída como uma unidade fundamental, e um ‘dualismo’ que opera contra essa unidade”. [58]

Minha preferência, contudo, é falar do homem como uma unidade psico-somática. A vantagem desta expressão é que ela faz plena justiça aos dois aspectos do homem, ao mesmo tempo em que enfatiza a sua unidade. [59]

Podemos ilustrar isto olhando para o relacionamento entre a mente e o cérebro. Reconhecendo que o homem deveria ser tido como uma unidade com muitos aspectos que constituem um todo indivisível, Donald M. MacKay faz três comentários significativos a respeito da relação entre mente e cérebro:

Nós não precisamos retratar a ‘mente’ e o ‘cérebro’ como duas espécies ‘substâncias” que se interagem. Não precisamos pensar dos eventos mentais e dos eventos cerebrais como dois conjuntos distintos de eventos...Parece-me suficientemente melhor descrever os eventos mentais e seus eventos cerebrais correlatos como os aspectos “interiores” e “exteriores” de uma e da mesma seqüência de eventos, que em sua plena natureza são mais ricos — tem mais para eles — do que pode ser expresso tanto numa categoria mental como física, isoladamente. [60]

Nós os estamos considerando [minha experiência consciente e as obras do meu cérebro] como dois aspectos igualmente reais de uma e da mesma unidade misteriosa. O observador externo vê um aspecto, como um padrão físico da atividade cerebral. O próprio agente conhece um outro aspecto como sua experiência consciente...O que estamos dizendo é que estes aspectos são complementares. [61]

O homem, então, existe num estado de unidade psico-somática. Assim, fomos criados, assim somos agora, e assim seremos após a ressurreição do corpo. Porque a redenção plena inclui a redenção do corpo (Rm 8.23; 1 Co 15.12-57), visto que o homem não é completo sem o corpo. O futuro glorioso dos seres humanos em Cristo inclui ambos, a ressurreição do corpo e uma nova terra purificada e aperfeiçoada. [62]


O Estado IntermediÁrio
Agora, enfrentaremos uma pergunta importante: O que dizer a respeito do período entre a morte e a ressurreição, o chamado “estado intermediário”? Quando uma pessoa morre, o que acontece? Visto que alguém não é completo sem o corpo, então uma pessoa cessa de existir até ao tempo da ressurreição? Ou ela “existe” num estado completamente inconsciente? Ou imediatamente após a morte recebe a ressurreição do corpo? Ou ela recebe uma espécie de corpo intermediário, para ser substituído mais tarde por um corpo ressuscitado?

A idéia de que o homem cessa de existir entre a morte e a ressurreição, sustentada pelas Testemunhas de Jeová e pelos Adventistas do Sétimo Dia, deve ser rejeitada como não-bíblicas. [63] A idéia de que após a morte as pessoas recebem imediatamente corpos “intermediários” também não encontra base nas Escrituras. O contraste no Novo Testamento é sempre entre o corpo presente e o corpo ressuscitado (cf. Fp 3.21; 1 Co 15.42-44). Os aderentes dessa idéia, às vezes, citam 2 Coríntios 5.1 para provar que receberemos tais corpos “intermediários”: “Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus.” Mas esta passagem fala a respeito da casa eterna no céu. Se tivéssemos que entender esta “casa eterna” como se referindo a um novo corpo, ela não designaria um corpo “intermediário”, temporário. [64]

Uma outra idéia, usualmente chamada de “sono da alma”, é a de que o homem, ou sua “alma” , existe num estado inconsciente entre a morte e a ressurreição. Esta idéia tem sido sustentada por vários grupos cristãos. João Calvino escreveu sua primeira obra teológica, Psychopannychia, para combater os ensinos do sono-da-alma sustentados pelos anabatistas da sua época. [65] Mais recentemente, esta posição tem sido defendida por G. Vander Leeuw, [66] Paul Althaus [67] e Oscar Cullmann. [68]

Herman Dooyeweerd, rejeitando a dicotomia alma-corpo, afirma um novo entendimento dos dois aspectos do homem: coração e “função de capa” (functie-mantel), sendo este último termo relativo ao corpo, que é a totalidade de sua existência temporal e a estrutura inteira de todas as suas funções temporais. [69] O coração e a função-de-capa não devem ser entendidos como duas substâncias distintas dentro do ser humano, mas ao contrário, como descrevendo o homem em sua totalidade unitária.

Mas isto não responde à nossa pergunta sobre o que acontece ao ser humano entre a morte e a ressurreição. Quando a Dooyeweerd foi perguntado: Que espécie de funções podem ainda ser deixadas para a “alma” (anima rationalis separata, alma racional separada) quando ela separada de sua conjunção temporal com as funções pre-psíquicas [70] (i.e., pós a morte), sua resposta foi: “Nada” (niets!). [71] Em sua resposta, contudo, Dooyeweerd

Não nega a existência continuada da alma após a morte, nem ele apresenta o estado da alma desincorporada como sendo de inconsciência. Todavia, por privar a alma de suas funções temporais, ele parece deixar somente o mais indefinido dos aspectos no lugar das almas racionais desincorporadas. [72]

No mesmo raciocínio, Berkouwer afirma que nós não deveríamos concluir da “negativa” de Dooyeweerd de que ele rejeita a idéia da comunhão com Cristo após a morte. [73]

Quando Dooyeweerd pronunciou o seu “nada!”, ele estava respondendo a uma questão a respeito de uma idéia do homem que ele próprio não subscrevia: a de que o homem possuía duas “partes” separadas, um corpo mortal inferior e uma “alma racional” superior, indestrutível e imortal — o ensino dos filósofos gregos antigos. Assim, nós não seríamos justos com Dooyeweerd se aplicássemos suas palavras ao seu próprio entendimento do estado intermediário. Não obstante, devemos admitir que a afirmação é enigmática. Ela tem conduzido muitas a levantar questões a respeito da posição de Dooyeweerd a respeito do estado dos crentes entre a morte e a ressurreição. [74]

O ensino central da Bíblia a respeito do futuro do homem é o da ressurreição do corpo. Mas o Novo Testamento indica que o estado dos crentes entre a morte e a ressurreição é o de alegria provisória, expressa no dito de Paulo de ser “incomparavelmente melhor” do que o estado aqui na terra (Fp 1.23). Se isto é assim, a condição dos crentes durante o estado intermediário não pode ser um estado de não-existência ou de inconsciência.

Algumas vezes o Novo Testamento simplesmente diz que o crente continuará a existir neste estado de alegria provisória:

Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher. Ora, de um e de outro lado estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. (Fp 1.22-23)

Jesus, respondendo ao pecador penitente, disse: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso. (Lc 23.43)

Temos, portanto, sempre ânimo, sabendo que, enquanto no corpo, estamos ausentes do Senhor; visto que andamos por fé, e não pelo que vemos. Entretanto estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor. (2 Co 5.6-8)

Na passagem aos Filipenses Paulo contrasta “o viver na carne” com “partir e estar com Cristo”, sugerindo claramente que é possível para uma pessoa não mais estar vivendo no presente corpo e, todavia, estar com Cristo — um estado que é muito melhor que o presente estado. Particularmente significativo neste ponto é a passagem de 2 Coríntios, onde Paulo contrasta o “enquanto no corpo” (endemountes en to somati) com o estar “ausente do corpo” (ekdemesai ek tou somatos). Se Paulo tivesse pretendido descrever a bênção do crente após a ressurreição, ele poderia Ter usado uma expressão como “ausentes deste corpo”, sugerindo que os crentes então estariam “habitando” um novo corpo. Mas ele simplesmente “ausentes do corpo”, dizendo aos seus leitores que ele está pensando de uma existência entre o corpo presente e o corpo da ressurreição. Observe que, em ambas as passagens, Paulo afirma que é possível para os crentes estarem com Cristo, mesmo quando eles não mais vivem em seus presentes corpos e antes deles receberem seus corpos ressuscitados.

Em outras vezes, contudo, o Novo Testamento usa as palavras “alma” (psyche) ou “espírito” (pneuma) para se referir aos crentes enquanto eles continuam a existir entre a morte e a ressurreição. A palavra “alma” é usada nas seguintes passagens:

Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma” (Mt 10.28).

Quando ele abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam (Ap 6.9).

A palavra “espírito é usada nos seguintes textos:

Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembléia e igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados. (Hb 12.22-23)

Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito, no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão, os quais noutro tempo foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água. (1 Pe 3.18-20)

Assim, às vezes, o Novo Testamento diz que nós que somos crentes, continuaremos a existir num estado provisório de alegria entre a morte e a ressurreição, enquanto que em outras vezes ele diz que as “almas” ou “espíritos” dos crentes ainda existirão durante aquele estado. Mas a Bíblia não usa palavras como “alma” e “espírito” no mesmo modo que nós o fazemos; dessa forma, estas passagens estão pretendendo tão somente nos dizer que os seres humanos continuarão a existir entre a morte e a ressurreição, enquanto esperam a ressurreição do corpo. A Bíblia não nos dá qualquer descrição antropológica da vida nesse estado intermediário. Podemos especular a respeito dela, podemos tentar imaginar a que esse estado será, mas não podemos formar nenhuma idéia clara da vida entre a morte e a ressurreição. A Bíblia ensina sobre ela, mas não a descreve. Como Berkouwer diz, o que o Novo Testamento nos conta a respeito do estado intermediário não é nada mais do que um sussurro. [75]

Embora o homem exista agora no estado de unidade psico-somática, esta unidade poderá ser temporariamente rompida no tempo da morte. Em 2 Coríntios 5.8 Paulo ensina claramente que os seres humanos podem existir à parte de seus corpos presentes. O mesmo ponto é assinalado em duas outras passagens do Novo Testamento:

A fim de que sejam os vossos corações confirmados em santidade, isentos de culpa, na presença de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, com todos os seus santos. (1 Ts 3.13)

Pois se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará juntamente em sua companhia os que dormem. (1 Ts 4.14)

Ambos os textos falam a respeito dos “santos” e “daqueles que dormem com Cristo”, como existindo após a morte e antes da ressurreição — observe que a ressurreição daqueles que dormiram em Cristo é mencionada mais tarde em 1 Tessalonicenses 4.16. [76] Pode ser observado também que neste verso a expressão “mortos em Cristo” claramente sugere que os crentes falecidos ainda estão em algum estado de existência antes da ressurreição.

O estado normal do homem é o da unidade psico-somática. No tempo da ressurreição ele será restaurado plenamente ao da unidade e, assim, uma vez mais, será tornado completo. Mas nós devemos reconhecer que, segundo o ensino bíblico, os crentes podem existir temporariamente num estado de alegria provisória, mesmo fora de seus corpos presentes durante o “tempo” entre a morte e a ressurreição. Este estado intermediário e, contudo, incompleto e provisório. Nós anelamos para a ressurreição do corpo e a nova terra como o clímax final do programa redentor de Deus.


ImplicaÇÕes PrÁticas
O entendimento do homem como uma pessoa total, como foi desenvolvido neste capítulo, tem importantes implicações práticas.

Primeira, a igreja deve estar preocupada com a pessoa total. Em sua pregação e em seu ensino a igreja deve dirigir-se não somente às mentes daqueles a quem ela serve, mas também às suas emoções e suas vontades. A pregação que meramente comunica informação intelectual a respeito de Deus ou da Bíblia está seriamente inadequada; os ouvintes devem ser despertados em seus corações e movidos a louvar a Deus. Os professores na escola dominical devem fazer mais do que simplesmente dar aos alunos uma rota de “conhecimento” versos da Bíblia ou das afirmações doutrinárias; seu ensino deve exigir uma resposta que envolva todos os aspectos da pessoa. Os programas da igreja para a juventude não deveria negligenciar o corpo; os esportes e as atividades externas deveriam ser encorajadas como um aspecto da vida cristã globalizada.

Em sua tarefa evangelista e missionária, a igreja deveria lembrar-se também que ela está tratando com pessoas completas. Embora o propósito principal de missões seja confrontar as pessoas com o evangelho, de forma que elas possam se arrepender de seus pecados e serem salvas através da fé em Cristo, todavia a igreja nunca deve se esquecer que os objetos de sua empreitada missionária têm necessidades tanto físicas quanto espirituais. Com isto em mente, o fato de que o homem é um ser unitário, deveríamos evitar expressões como “salvar a alma” quando descrevendo a tarefa do missionário, e deveríamos optar por uma abordagem holística ou abrangente em missões. Esta abordagem, que algumas vezes é conhecida como “o ministério da palavra e das ações”, direciona o missionário a estar preocupado não somente a respeito de ganhar convertidos para Cristo, mas também em melhorar as condições de vida desses convertidos e seus vizinhos, trabalhando em áreas como agricultura, dietética e saúde. O estabelecimento de escolas para a educação cristã dos nacionais e a manutenção de clínicas e hospitais tanto para o cuidado da saúde rotineira como da emergencial, entretanto, não deve ser considerado como estranho à província da atividade missionária da igreja, mas como um aspecto essencial dela. Arthur F. Glasser, ex-deão da Escola de Missões Mundiais do Seminário Teológico Fuller (California), diz que na tarefa como missionários cristãos,

O desenvolvimento da fé individual e interior deve ser acompanhado por uma obediência solidária e exterior ao mandato cultural extensamente detalhado na Santa Escritura. O mundo deve ser servido, não evitado. A justiça social deve ser promovida, e as questões de guerra, racismo, pobreza e desequilíbrio econômico devem se tornar uma preocupação ativa e participativa daqueles que professam crer em Jesus Cristo. Não é suficiente que a missão cristã seja redentora; ela também deve ser profética. [77]

A escola deveria também estar preocupada a respeito da pessoa total. Embora um dos principais propósitos da escola seja a instrução intelectual, o professor nunca deveria esquecer que o aluno que está ensinando é uma pessoa total. A escola, portanto, não deveria treinar apenas a mente, mas deveria apelar para as emoções e vontade, visto que o ensino eficaz deve produzir no aluno tanto o amor pela matéria como um desejo de aprender mais a respeito dela. Além disso, as escolas deveriam evidenciar uma preocupação pelo corpo assim como pela mente. Os esportes de espectadores, no qual poucos jogam e muitos meramente observam, têm o seu lugar, mas muito mais importante para o corpo discente como um todo é um bom programa de educação física, com uma ênfase nos esportes de jogos internos que envolvam todos os estudantes.

O conceito da pessoa total tem também implicações para a vida de família. Os pais crentes ficarão preocupados em ensinar a seus filhos a respeito de Deus, em treiná-los na vida cristã, e a discipliná-los em amor quando carecem disto. Mas os pais devem também estar preocupados a respeito de assuntos como uma dieta saudável e própria para o cuidado do corpo. Está sendo cada vez mais reconhecido hoje que um programa regular de exercício físico é essencial para uma boa saúde; os pais, portanto, deveriam tentar ensinar a seus filhos o cuidado do corpo, não somente por preceito mas também pelo exemplo.

Além disso, o conceito da pessoa total tem implicações para a medicina. Em reconhecimento do fato de que o homem é uma unidade psico-somática, a ciência médica desenvolveu recentemente uma abordagem chamada medicina holística. [78] A medicina holística tem sido definida como “um sistema de saúde que enfatiza a responsabilidade pessoal para a própria saúde e empenha-se por um relacionamento cooperativo entre todos os envolvidos em proporcionar cuidados de saúde.” [79] Os praticantes da saúde holística “enfatizam a necessidade da busca pela pessoa total, incluindo condição física, nutrição, maquiagem emocional, estado espiritual, valores de estilo de vida e ambiente.” [80]

Num livro fascinante entitulado Anatomy of an Illness (“Anatomia de uma Doença”) Norman Cousins faz um comentário de que um dos aspectos mais importantes na recuperação de uma doença está na “vontade de viver”: “A vontade de viver não é uma abstração teórica, mas uma realidade fisiológica com características terapêuticas.” [81] Cousins relata que centenas de médicos lhe têm dito que “nenhum remédio que eles podem dar aos pacientes foi tão potente como o estado de alma que um paciente traz para sua própria doença.” [82] Segundo Cousins, nos exercícios de graduação da Escola de Medicina da Universidade John Hopkins em 1975, o Dr. Jerome D. Frank disse aos graduandos “que qualquer tratamento de uma doença que não ministre também ao espírito humano é grosseiramente deficiente.” [83] A Conclusão é clara: A cura e a manutenção da saúde física envolve a pessoa total. Médicos, enfermeiras, pastores e pacientes devem sempre ter isto em mente. [84]

Finalmente, o conceito da pessoa total tem implicações importantes para a psicologia e para o aconselhamento. Estudos recentes de psicologia têm levado a uma nova ênfase na totalidade do homem — uma ênfase que é chamada algumas vezes de “teoria organísmica”. [85] Hall and Lindzey afirmam que a nova ênfase em psicologia sobre a pessoa total é uma reação contra o dualismo mente-corpo, a psicologia das faculdade, e o behaviorismo (comportamentalismo). Esta nova ênfase, eles dizem, tem sido grandemente aceita:

Quem há em psicologia hoje que não seja um proponente dos principais princípios da teoria organísmica que o total é algo além da soma de suas partes, que o que acontece a uma parte acontece ao todo, e que não há nenhum compartimento separado dentro do organismo? [86]

Os conselheiros devem lembrar-se também do fato de que o homem é uma pessoa total. Eles deveriam ser treinados a reconhecer os problemas que requerem a especialidade de outros além de si mesmos, e deveriam encaminhar seus aconselhandos, quando necessário, a médicos e psiquiatras. Os problemas mentais não deveriam ser tidos como totalmente distintos dos problemas físicos, porque nenhum tipo de problema está sempre separado do outro. Visto drogas anti-depressivas podem curar certos tipos de depressão, um conselheiro sábio fará uso desses meios. Pacientes que possuem problemas muito profundos, de fato, podem mais eficazmente ser curados através de esforços combinados de uma equipe terapêutica, consistindo, talvez, de um psicólogo, um assistente social, um médico e um psiquiatra. [87]

O conselheiro não deveria pensar de uma saúde mental e espiritual como coisas totalmente separadas. Visto que o homem é uma pessoa total, o espiritual e o mental são aspectos de uma totalidade, de forma que cada aspecto influencia e é influenciado pelo outro. Howard Clinebell diz o seguinte: “A saúde espiritual é um aspecto indispensável da saúde mental. Os dois podem estar separados somente numa base teórica. Nos seres humanos vivos, a saúde espiritual e mental estão inseparavelmente entrelaçadas.” [88]

Algumas vezes o conselheiro pastoral pode pensar que a mera

citação dos versos da Bíblia pode ser tudo o de que necessita para ajudar o membro da igreja a resolver um difícil problema espiritual. Mas um entendimento do homem como uma pessoa total conduz-nos a perceber que tal abordagem pode ser totalmente inadequada. David G. Benner, num artigo no qual ele desafia a opinião comum de que a personalidade humana pode ser dividida em duas partes, uma “parte” espiritual e uma psicológica, ilustra seu ponto da seguinte maneira:

A tentação, portanto, de rotular a dificuldade de uma pessoa em aceitar o perdão de Deus de seus pecados como um problema espiritual deve ser resistido a fim de deixar o conselheiro muitíssimo aberto para tratar com ambos os aspectos, psicológico e espiritual, daquele problema. Assumir natureza espiritual essencial e proceder por meio de uma apresentação explícita de certas verdades bíblicas é esquecer que o perdão, esteja ele sendo dado ou recebido, é mediado por processos psico-espirituais da personalidade e, portanto, esses outros fatores psicológicos podem também estar envolvidos e outras técnicas sejam apropriadas. [89]

O conselheiro cristão, portanto, deveria ver os problemas de seus aconselhandos como problemas da pessoa total. Ele deveria não somente tratar com o aconselhando como uma pessoa total, mas deveria também tentar restaurá-lo à sua totalidade, que é a marca de uma vida saudável e piedosa. [90]







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NOTAS:

[1] G. C. Berkouwer, De Mens het Beeld Gods (Kampen: Kok, 1957), p. 211. Cf. Ray S. Anderson, On Being Human (Grand Rapids: Eerdmans, 1982), p. 213.

[2] John A. T. Robinson, The Body (London: SCM Press, 1952), p. 16.

[3] A System of Biblical Psychology, (Edinburgh: T & T Clark, 1867), p. 16.

[4] Bijbelsche en Religieuze Psychologie (Kampen: Kok, 1920), p. 13.

[5] Man, p. 195.

[6] Ver acima, p. 75-82 (texto em inglês)

[7] Ver acima, p. 34-35 (texto em inglês).

[8] Ver Louis Berkhof, History of Christian Doctrines (Grand Rapids: Eerdmans, 1937), p. 106-107; J. L. Neve, A History of Christian Thought (Philadelphia: United Lutheran Publication House, 1943), p. 126; Anderson, On Being Human, p. 207-8.

[9] Man, p. 209. Ver também o comentário de A. Grillmeier citado em n.20. Dichotomy é a idéia de que o homem deve ser entendido como consistindo de duas “partes”, corpo e alma.

[10] J. N. D. Kelly, Early Christian Doctrines (London: Black, 1958), p. 292.

[11] System of Biblical Psychology, pp. Vii, 247-66.

[12] The Tripartite Nature of Man (Edinburgh: T & T Clark, 1866).

[13] Outlines of Biblical Psychology, (Edinburgh: T & T Clark, 1877), p. 38.

[14] Theology of the Old Testament, edit. G. E. Day (1873; Grand Rapids: Zondervan), 149-51.

[15] The Release of the Spirit (Indianapolis: Sure Foundation, 1956), 6.

[16] The Handbook of Happiness (Denver: Heritage House Publications, 1971), 28; ver também p. 27-58.

[17] Wilfred Brockelman, Gothard, The Man and his Ministry: An Evaluation (Santa Barbara: Quill Publications, 1976), 85-96.

[18] The Scofield Reference Bible (New York: Oxford University Press, 1909), no texto de 1 Ts 5.23; The New Scofield Reference Bible (New York: Oxford University Press, 1967) no texto de 1 Ts 5.23.

[19] Bijbelsche en Religieuze Psychologie, 53. Cf. TDNT, 6:395.

[20] Sobre a interpretação de Hb 4.12 e 1 Ts 5.23, ver Bavinck, Bijbelsche Psychologie, 58-59; Louis Berkhof, Teologia Sistemática (Campinas: Luz Para o Caminho, 199....), p.......; Berkouwer, Man, 210; Sobre Hb 4.12 ver também F. F. Bruce, The Epistle to the Hebrews, in the New International Commentary sobre a série do Novo Testamento (Grand Rapids: Eerdmans, 1964), 80-83; Para uma defesa do pensamento tricotômico, ver F. Delitzsch, The Epistle to the Hebrews, (Edinburgh: T. & T. Clark, 202-14, especialmente 212-14.

[21] Teologia Sistemática, p..........; cf ª H. Strong, Systematic Theology, vol. 2 (Philadelphia: Griffith and Rowland, 1907), 483-88; J. T. Mueller, Christian Dogmatics, (St. Louis: Concordia, 1934), 184; H. C. thiessen, Introductory Lectures in Systematic Theology (Grand Rapids: Eerdmans, 1949), 225-26; Gordon H. Clark, The Biblical Doctrine of Man (Jefferson, MD: The Trinity Foundation, 1984), 33-45.

[22] Cf o meu livro A Bíblia e o Futuro, (pp 86-87 edição em inglês). Sobre este ponto ver também Berkouwer, Man, 212-22.

[23] The Body, 16.

[24] G. E. Ladd, A Theology of the New Testament (Grand Rapids: Eerdmans, 1974), 457.

[25] Francis Brown, S. R. Driver, e Charle Briggs, Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (New York: Houghton Mifflin, 1907).

[26] Provavelmente o exemplo mais conhecido do uso dessa palavra se referindo ao homem seja Gn 2.7 – “Então formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra, e lhe soprou nas narinas o fôlego da vida, e o homem passou a ser alma vivente (nephesh chayyah)”.

[27] “Psyche”, TDNT, 9:620.

[28] The Pauline View of Man (London: Macmillan, 1956), 90.

[29] F. H. Von Meyenfeldt, Het Hart (Leb, Lebab) in het Oude Testament (Leiden: E. J. Brill, 1950), 218-19.

[30] Wijsbegeerte der Wetsidee, vol. 1 (Amsterdam: H. J. Paris, 1935), 30.

[31] On Being Human, 211.

[32] The Christian Doctrine of Man (Edinburgh: T. & T. Clark, 1911), 26.

[33] “Basar”, na obra de G. Johannes Botterweck e Helmer Ringgren, editores, Theological Dictionary of the Old Testament, (Grand Rapids: Eerdmans, 1977), p. 325.

[34] Ibid., 325.

[35] Anthropologie des Alten Testaments (Munich: Chr. Kaiser, 1973), 55.

[36] F. B. Knutson, “Flesh”, ISBE, 2.314.

[37] “Corpo”, ibid., 1:528-29. Observe também o comentário de J. Pedersen: “Alma e corpo [no uso do Antigo Testamento] são tão intimamente unidos que uma distinção não pode ser feita entre eles. Eles são mais do que ‘unidos’; o corpo é a alma em sua forma exterior” (Israel: Its Life and Culture, vol. 1 [London: Oxford University Press, 1926], 171).

[38] The Christian Doctrine of Man, 27.

[39] William F. Arndt e F. Wilbur Gingrich, A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (Chicago: Univsersity of Chicago Press, 1957).

[40] “Psyche”, TDNT, 9:639.

[41] Ibid., 642.

[42] Ibid., 644.

[43] Ibid., 648.

[44] Ibid., 654.

[45] “Pneuma”, TDNT, 6:435.

[46] Ladd, A Theology of the New Testament, 461-63.

[47] The Pauline View of Man, 135.

[48] New Testament Theology, 459.

[49] “Kardia”, TDNT, 3:611-12.

[50] Church Dogmatics (Edinburgh: T. & T. Clark, 1960), III/2, 436.

[51] Um estudo mais antigo, embora competente, a respeito do significado de sarx nos escritos de Paulo é o de Wm. P. Dickson, St. Paul’s Use of the Terms Flesh and Spirit (Glasgow: Maclehose, 1883). Um estudo mais recente é o de J. A. Robinson, The Body (1952.

[52] “Body, ISBE, 1:529.

[53] Ibid.

[54] Barth, Church Dogmatics, III/2, 350.

[55] Em acréscimo aos estudos da visão bíblica sobre a pessoa total referida acima, podemos enumerar os seguintes: G. C. Berkouwer, “The Whole Man”, em Man, 194-233; C. A. Van Peursen, Body, Soul, Spirit: A Survey of the Body-Mind Problem, (London: Oxford University Press, 1966); H. Ridderbos, Paul: Na Outline of His Theology (Grand Rapids: Eerdmans, 1975), 64-68, 114-26; Rudolf Bultmann, Theology of the New Testament, vol. 1 (New York: Scribner, 1951), 190-227; Werner G. Kümmel, Man in the New Testament (London: Epworth, 1963); Robert Jewett, Paul’s Anthropological Terms (Leiden: E. J. Brill, 1971).

[56] John Cooper, “Dualism and the Biblical View of Human Beings”, Reformed Journal 32, no. 9 e 10 (Setembro e Outubro de 1982).

[57] Man, 211.

[58] On Being Human, 209. Ver também Robert H. Gundry, Soma in Biblical theology (Cambridge: Cambridge University Press, 1976), 83. Gundry prefere “dualidade” ao invés de “dualismo” como sendo ensinado em ambos os Testamentos, particularmente nos escritos de Paulo.

[59] Este termo também é usado por John Murray, “Thrichotomy”, em sua obra Collected Writings of John Murray, vol. 2 (Edinburgh: Banner of Truth Trust, 1977), 33 (“o homem é um ‘ser psico-somático”); e por G. W. Bromiley, “Anthropology”, ISBE, 1:134 (“o homem tem um lado físico e um lado espiritual...ambos pertencem conjuntamente a uma unidade psico-somática”); ver também Henry Stob, Ethical Reflections (Grand Rapids: Eerdmans, 1978), 226.

[60] Donald M. MacKay, Brains, Machines and Persons (Grand Rapids: Eerdmans, 1980), 14.

[61] Ibid., 83. Mais nesse livro (p. 101) MacKay descreve a vida futura do cristão dum modo no qual ele parece deixar lugar somente para a ressurreição do corpo e não para uma existência continuada do crente no estado intermediária (ver abaixo, p. 218-22). Se esta é a posição de MacKay, eu não concordaria com ele. Podemos ainda, contudo, aceitar as afirmações feitas nas citações acima como descrições corretas da unidade da mente com o cérebro durante esta presente vida.

[62] Ver esse assunto no meu livro A Bíblia e o Futuro, capítulos 17 e 20.

[63] Ver meu trabalho The Four Major Cults (Grand Rapids: Eerdmans, 1963), 345-71.

[64] Para uma interpretação diferente da “casa eterna no céu”, ver A Bíblia e o Futuro, pp. 104-6 (em inglês).

[65] Ver Calvino, Tracts and Treatises of the Reformed Faith, ,vol. 3, (Grand Rapids: Eerdmans, 1958), 413-90.

[66] Onsterfelijkheid of Opstanding, (Assen: Van Gorcum, 1936).

[67] Die Letzten Dinge, (1922: Gütersloh: bertelsmann, 1957).

[68] Immortality of the Soul or Resurrection of the Dead? (New York: Macmillan, 1964), 10-11.

[69] William G. Young, “The Nature of Man in the Amsterdam Philosophy”, Westminster Theological Journal 22, no. 1 (Novembro, 1959):7.

[70] A saber, as funções aritméticas, especiais, físicas e orgânicas.

[71] Herman Dooyeweerd, “Kuyper’s Wetenschapsleer”, Philosophia Reformata 4 (1939): 204.

[72] Young, “The Nature of Man”, 10.

[73] Man, 256.

[74] Ver a discussão de Berkouwer sobre este assunto em Man, 255-257.

[75] De Wederkomst van Christus, vol. 1 (Kampen: Kok, 1961), 79. Sobre o estado intermediário, ver adicionalmente Berkouwer, The Return of Christ, (Grand Rapids: Eerdmans, 1972), 32-64; e A Bíblia e o Futuro, 92-108 (texto inglês)

[76] Sobre esses versos ver W. Hendriksen, I and II Tessalonians, no Comentário do Novo Testamento (Grand Rapids: Baker, 1955); Leon Morris, The First and Second Epistles to the Thessalonians, in the New International Commentary on the New Testament Series (Grand Rapids: Eerdmans, 1959).

[77] “Missiology”, no Evangelical Dictionary of Theology, editado por Walter ª Elwell (Grand Rapids: Baker, 1984), 726. Ver também William Dyrness, Let the Earth Rejoice: A Biblical Theology of Holistic Mission (Westchester, IL: Crossway Books, 1983); Francis M. Dubose, God who Sends: a Fresh Quest for Biblical Mission (Nashville: Broadman Press, 1983); e J. H. Boer, Missions: Heralds of Capitalism ou Christ? (Ibadan, Nigeria: Day Star Press, 1984).

[78] The American Holistic Medical Association foi fundada em Maio de 1978.

[79] “Holistic Medicine”, Encyclopedia Americana, vol. 14 (Danbury, CT: Grolier, 1983), 294.

[80] Ibid.

[81] New York: Norton, 1979, 44.

[82] Ibid., 139.

[83] Ibid., 133.

[84] Entre a literatura volumosa sobre a medicina holística, os seguintes estudos podem ser observados: David Allen, Whole Person Medicine (Downers Grove: InterVarsity Press, 1980); Ed Gaedwag, Inner Balance: The Power of Holistic Healing (Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall, 1979); Jack La Patra, Healing: The Coming Revolution in Holistic Medicine (New York: McGraw, 1978); Morton Walker, Total Health: The Holistic Alternative to Traditional Medicine (New York: Everest House, 1979).

[85] Ver “Organismic Theory” na obra de Calvin S. Hall e Gadner Lindzey, Theories of Personality, (New York: John Wiley, 1970), 298-337. Observe a bibliografia no final do capítulo.

[86] Ibid., 330

[87] Karl Menninger The Vital Balance (New York: Viking Press, 1963), 335.

[88] Mental Health Through Christian Community (Nashville: Abingdon, 1965), 20.

[89] “What God Hath Joined: The Psychospiritual Unity of Personality”, The Bulletin: Christian Association for Psychological Studies 5, no. 2 (1979): 11.

[90] Sobre a pessoa total, veja também Salvatore R. Maddi, Personality Theories (Homewood, IL: Dorsey Press, 1980).




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Capítulo 12 do excelente livro “Criados à Imagem de Deus”, da Cultura Cristã.




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